Cinema e Argumento

Rapidamente: Amy, Sr. Turner, Tomboy e A Visita

Filme menos acessível da carreira do celebrado Mike Leigh, Sr. Turner se destaca por compreender, inclusive na própria parte técnica, toda a arte de seu protagonista.

AMY (idem, 2015, de Asif Kapadia): Não tão cinematográfico quanto o ótimo Senna, outro documentário dirigido pelo britânico Asif Kapadia, Amy obviamente se beneficia por ter uma personagem muito forte. O estilo único das canções de Amy Winehouse e a a conturbada vida da cantora fora dos palcos de certa forma compensam o formato quase televisivo desse filme que também chega a ser um pouco extenso para um relato tão tradicional. Ou seja, é bem provável que os fãs da cantora se entusiasmem mais com o resultado e até se emocionem ao ouvir música clássicas dela como Valerie, Back to Black e Tears Dry on Their Own. Isso porque, em termos narrativos, o documentário carece de criação e desenvolve de forma bastante linear a trajetória de Winehouse. Todas as etapas de um relato de ascensão e queda de uma artista problemática são seguidas à risca, o que deixa Amy em um terreno muito seguro mas ao mesmo tempo cômodo demais. O que falta mesmo no documentário é justamente a intensidade cinematográfica de, por exemplo, Cássia Eller. É certo que ambos os filmes emocionam e são registros respeitosos, mas o trabalho de Paulo Henrique Fontenelle é melhor lapidado cinematograficamente e com uma linguagem muito mais alinhada com identidade de sua protagonista. 

SR. TURNER (Mr. Turner, 2015, de Mike Leigh): Com Sr. Turner, o celebrado Mike Leigh alcança dois extremos em sua carreira. O primeiro é relacionado à questão estética: nunca o britânico esteve com o senso técnico tão apurado, usando todas as ferramentas possíveis, em especial a bela fotografia de Dick Pope merecidamente indicada ao Oscar 2015, para dialogar com os processos artísticos do pintor William Turner (Timothy Spall), protagonista da história. O segundo é a especificidade: Sr. Turner termina como o longa mais difícil da carreira de Leigh, uma vez que seu ritmo é maçante (a duração de 150 minutos só amplia essa sensação) e a história é contada de um jeito muito tradicional. Leigh realmente nunca foi um diretor de filmes tão dinâmicos (mesmo os maravilhosos Segredos e Mentiras e O Segredo de Vera Drake trabalhavam contra um passo muito lento), mas Sr. Turner realmente se supera. Também é complicado ter paciência com o protagonista – não que isso seja algo essencial para uma trama ter o devido envolvimento -, um homem carrancudo, mal humorado, de pouquíssimas palavras e que passa quase todo tempo grunhindo e dizendo coisas praticamente incompreensíveis aos ouvidos que não dispõem de legendas. A boa notícia é que, pelo menos, Sr. Turner é, em sua essência, bastante digno no relato da vida pessoal e profissional de um pintor cheio de personalidade – e prova disso é a ótima cena em que ele recusa fortunas de um empresário apenas para que a suas obras sejam eternizadas em um museu público que não lhe pagará um tostão sequer.

TOMBOY (idem, 2011, de Céline Sciamma): Muito merecidamente, Tomboy fez sucesso no circuito alternativo e ainda hoje resiste ao tempo com exibições especiais em espaços do gênero. Não escondo meu arrependimento de só ter descoberto agora essa história delicada sobre uma garota de 10 anos que, ao mudar de cidade, assume a identidade de um menino no seu novo círculo de amizades. Sem cair em qualquer melodrama envolvendo a questão da identidade de gênero de sua protagonista, Tomboy traz o sempre bem-vindo naturalismo francês ao discutir ainda arranjos familiares e as descobertas da juventude. A diretora Céline Sciamma é bastante objetiva em seu relato (são breves 80 minutos de duração), mas ainda assim completa em discussões que se mostram cada vez mais contemporâneas – e felizmente Tomboy não precisa verbalizar nada para colocar em pauta os temas que se propõe a debater. Com um desfecho esperançoso, o filme obviamente vai entregar algumas etapas dramáticas que você espera desde o início, mas sem nunca elevar o tom ou sequer flertar com obviedades. Um pequeno grande filme.

A VISITA (The Visit, 2015, de M. Night Shyamalan): Ao mesmo tempo que é fácil rejeitar A Visita em função do histórico horroroso de M. Night Shyamalan, não é difícil para os corações mais bondosos, por outro lado, defenderem o filme, dizendo que, comparado ao que o indiano produziu nos últimos anos, esse até que tem certa graça. Mesmo com boa vontade e, de fato, A Visita sendo ligeiramente superior a desastres como O Último Mestre do Ar, não existe absolutamente nada que torne o filme interessante quando o colocamos na vitrine de seu respectivo gênero. Extremamente empoeirado (quem, em 2015, ainda faz filmes com a protagonista documentando toda a história com uma câmera?), A Visita já começa implausível: uma mãe envia seus filhos de 15 anos a uma cidade isolada para que eles conheçam os avós hoje completos estranhos e distantes há quase duas décadas. Assim, sem nem pegar um telefone para combinar qualquer coisa. Que senso maternal de proteção ela tem! Além da protagonista madura demais para alguém da sua idade e da completa falta química entre os jovens e os avós, o filme tem ideias já exploradas à exaustão no gênero, como a casa de difícil acesso no meio da floresta e personagens que precisam chegar a situações extremas para finalmente constatar o quão perigoso ou no mínimo sinistro é o lugar onde estão. A proposta de fazer um projeto mais comedido e menos ambicioso pode ser um mérito de Shyamalan, mas aí usar isso para ir à raiz do básico contando uma história manjada em tensão e ideias… Nem com a mudança de ares dá para se entusiasmar.

Carol

I miss you… I miss you…

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Direção: Todd Haynes

Roteiro: Phyllis Nagy, baseado no romance homônimo de Patricia Highsmith

Elenco: Cate Blanchett, Rooney Mara, Kyle Chandler, Sarah Paulson, Jake Lacy, John Magaro, Cory Michael Smith,  Kevin Crowley,  Nik Pajic, Carrie Brownstein, Trent Rowland, Sadie Heim

Reino Unido/EUA, 2015, Drama/Romance, 118 minutos

Sinopse: A jovem Therese Belivet (Rooney Mara) tem um emprego entediante na seção de brinquedos de uma loja de departamentos. Um dia, ela conhece a elegante Carol Aird (Cate Blanchett), uma cliente que busca um presente de Natal para a sua filha. Carol, que está se divorciando de Harge (Kyle Chandler), também não está contente com a sua vida. As duas se aproximam cada vez mais e, quando Harge a impede de passar o Natal com a filha, Carol convida Therese a fazer uma viagem pelos Estados Unidos. (Adoro Cinema)

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Todd Haynes sempre contou histórias de personagens em busca de suas verdadeiras identidades. Logo quando estreou no cinema em 1978, o diretor já falava, no curta The Suicide, sobre um garoto maltratado e abandonado pelo pai que tentava começar uma nova vida ao mudar de escola. Desde então, foram muitas as vezes em que a sexualidade e a identidade de gênero passaram a ser fatores decisivo nessa sua íntima investigação de pessoas em plena construção existencial: do efervescente mundo glamrock de Velvet Goldmine, passando pela vida de uma dona-de-casa nos anos 1950 que descobre ser casada com um homossexual em Longe do Paraíso às múltiplas leituras da vida e arte de Bob Dylan em Não Estou Lá, Haynes agora volta à ativa com Carol, mais um filme sobre pessoas que se reinterpretam sob a luz de uma natureza sexual repleta de questionamentos – e o melhor: o resultado não é uma versão genérica de qualquer outra experiência que o diretor já tenha nos proporcionado.

É lamentável constatar que quase nunca testemunhamos verdadeiros romances de temática gay no cinema. Mesmo grandes e celebrados filmes como O Segredo de Brokeback Mountain e Azul é a Cor Mais Quente são dramas focados muito mais no arco de um personagem se familiarizando com sua própria sexualidade ou nos fatores que tornam impossível uma determinada paixão. Já Daniel Ribeiro diz ter feito  Hoje Eu Quero Voltar Sozinho para trazer um alento ao tema e ir contra a corrente, mostrando que, de um jeito ou de outro, relações homossexuais também merecem ter finais felizes na sétima arte. Retomo tais filmes porque Todd Haynes consegue conciliar justamente as duas abordagens: em Carol, existe sim a impossibilidade do amor ser gritado em alto e bom tom (afinal, são duas mulheres apaixonadas nos preconceituosos anos 1950), mas nele também mora, de forma muito mais presente, a delicadeza, a verossimilhança e a força sentimental que marcam os romances que mais conquistam os nossos corações e sentidos.

A vibe esperançosa que Carol deixa é super valiosa, especialmente em uma história que envolve tanto como essa. Filmado com uma elegância de dar inveja – o que não é mérito exclusivo da indefectível parte técnica, mas também da habilidade do diretor em acompanhar com a câmera a vida das duas mulheres em questão -, o filme é irrepreensível ao construir toda a atmosfera de envolvimento gradual das protagonistas. Assim como a inexperiente Therese Belivet (Rooney Mara, vencedora do prêmio de melhor atriz em Cannes 2015 por seu desempenho aqui), também nos apaixonamos facilmente pela elegância, maturidade e beleza (mas também sutil fragilidade) de uma mulher como Carol Aird (Cate Blanchett). O contrário se aplica: Therese pode até ser uma jovem que não sabe muito bem o que quer, mas é exatamente essa sua ideia de ser cercada de infinitas possibilidades em uma vida ainda facilmente aberta a todas elas que mexe com Carol e todos nós. Dessa forma, a demora em finalmente consumir o sentimento das duas é escolha muito acertada, pois é como se fossemos gradualmente entrando no universo de cada uma e nos apaixonando no mesmo timing que o delas.

A roteirista Phyllis Nagy, em seu primeiro trabalho para o cinema (ela só havia roteirizado até então o mediano telefilme Mrs. Harris para a HBO), adapta o romance de Patricia Highsmith com muita dignidade e respeito ao material da autora, que publicou o livro originalmente em 1953 com o título de The Price of Salt e sob o pseudônimo de Claire Morgan devido a sua homossexualidade e o preconceito da época (cinco anos antes de morrer, Highsmith conseguiu finalmente relançar a obra com o título Carol e assiná-la com o seu nome verdadeiro). O que Nagy entrega, no entanto, é um material que, nas mãos erradas, poderia se tornar um filme dos mais novelescos. Por sorte e talento, Haynes não sucumbe a nada disso e, assim como em Longe do Paraíso, utiliza todas as ferramentas de um filme de época para criar um clima nostálgico e de homenagem ao estilo de fazer romances à moda antiga em Hollywood – e, neste sentido, é fundamental a colaboração do compositor Carter Burwell na trilha sonora, que reproduz a elegância das imagens de Haynes e cria um tema marcante que reverbera após a sessão.

Entregues em pleno espírito às personagens, Cate Blanchett e Rooney Mara constroem personagens bastante distintas no seus estilos de vida mas semelhantes na delicadeza que as une. Blanchett, que nunca esteve tão bem produzida e fotografa, tem um dos melhores momentos de sua carreira e tira de letra cenas decisivas como aquela em que enfrenta o marido para decidir o destino de sua filha. Já Mara, apesar do papel relativamente mais convencional e de conflitos atenuados, imprime sensibilidade a sua Therese, atuando à altura do ícone que é a sua colega de cena. As duas são ótimas juntas e surgem como as grandes estrelas do passado, radiantes e cheias de classe. Sem tirar nem por, são as escolhas perfeitas para um filme que nos desperta essa vontade de querer fugir por alguns dias para viver um grande amor. Entre os críveis conflitos familiares e sociais que trazem à tona preconceitos ainda pulsantes no mundo mesmo depois de cinco décadas, sempre existe, como na própria vida, a esperança de um final feliz, mas também a mensagem de que o primeiro passo para que ele possa se tornar uma realidade está nas nossas próprias mãos ou, quem sabe, em um simples sorriso.

Alan Rickman? Sempre.

alanrickman

Os últimos meses têm sido cruéis. Como se não bastasse terem levado Marília Pêra e David Bowie, agora mais um dos grandes se despediu: o britânico Alan Rickman. Escrevo especificamente sobre ele porque minha vida cinéfila não teria a mesma graça caso, lá no início, não tivesse visto, quando criança, Harry Potter e a Pedra Filosofal e de repente me encantado com a composição do ator para o inesquecível Severo Snape. Talvez tenha sido uma das primeiras vezes em que eu começava a perceber o que era um grande ator. Sim, Rickman era superlativo em Harry Potter, e, mesmo pequenino, eu já admirava e me encantava com sua criação. “Vilão” misterioso, Snape ganhava a inconfundível voz de Rickman e inflexões de voz tão cuidadosas que não era difícil considerá-lo a figura mais fascinante daquele universo. Com ele, aprendemos a amar e pensar vilões como poucas vezes no cinema. Rickman, sem dúvida alguma, mora no imaginário de toda uma geração que hoje tem o coração partido.

Indo além do universo de Harry Potter e do talento inegável do ator, a carreira de Alan Rickman no cinema é vitoriosa por duas razões bem simples. Primeiro: sua estreia no cinema foi aos 41 anos, algo que ainda hoje parece simplesmente impossível em uma indústria intolerante a atores de idade avançada. Por sorte, era britânico e viveu em uma terra que soube lhe valorizar no teatro e no cinema (um de seus papeis mais célebres, o do xerife George of Nottingham em Robin Hood: O Príncipe dos Ladrões, foi celebrado com um BAFTA de melhor ator coadjuvante em 1992). Como sempre, é lindo ver o respeito dos britânicos por seus talentos.

Segundo: teve uma carreira das mais múltiplas, conjugando a geração bad boy como vilão de Duro de Matar, a mais “artística” em filmes como Razão e Sensibilidade e a minha, eternizando-se como o incomparável Snape de Harry Potter. No meio disso, teve comédia (Simplesmente Amor), filme para TV (o último foi The Song of Lunch, que estreou ao lado de Emma Thompson) e até experiência atrás das câmeras (dois anos atrás dirigiu Kate Winslet no drama de época Um Pouco de Caos). Rickman dizia que, quando chegasse aos 80 anos, estaria em casa lendo Harry Potter. Brincava que, caso fosse indagado pela família sobre continuar apegado a história depois de tanto, diria “sempre”, fazendo uma alusão a um dos momentos mais bonitos de seu Severo Snape na saga. A diferença é que hoje, Alan Rickman, somos nós que dizemos “sempre” para a lembrança de seu talento.

Os indicados ao Oscar 2016

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O Regresso lidera a lista do Oscar 2016 com 12 indicações.

Ao contrário do ano passado, a lista do Oscar 2016 não reservou grandes surpresas ou indicações mais autênticas. A lista, correta e bastante de acordo com o que tem sido celebrado de melhor da atual safra, apenas preferiu deixar de fora apostas dadas como certas em detrimento de outras que já estavam no nosso radar. Em maior escala, destacam-se as ausências de Helen Mirren como atriz coadjuvante por Trumbo – Lista Negra (prejudicada pelo absurdo que é a dupla fraude de Alicia Vikander e Rooney Mara), Quentin Tarantino em melhor roteiro original com seu Os Oito Odiados (poucos podiam prever as inclusões de Ex-Machina e Straight Outta Compton), Aaron Sorkin e seu Steve Jobs em roteiro adaptado e Ridley Scott como melhor diretor por Perdido em Marte (uma exclusão que particularmente não me incomoda). Nenhuma, no entanto, se equipara ao erro que é Carol ter ficado de fora da disputa de melhor filme e direção, provando que a Academia realmente tem sérios problemas com filmes mais delicados e de temática gay nas categorias principais.

Há quem tenha se surpreendido com a inclusão de Lenny Abrahamson como melhor diretor por O Quarto de Jack, mas, conforme comentamos em nossas previsões, não é preciso puxar muito a memória para lembrar de Behn Zeitlin quebrando o bolão de todo mundo ao ser finalista por Indomável Sonhadora. Sempre é uma boa apostar na lembrança do cinema independente (e faz todo sentido, já que o filme estrelado por Brie Larson concorre em categorias importantes como melhor filme e atriz). Também não é espantosa a lembrança de Charlotte Rampling por seu magnífico desempenho em 45 Anos. Já não é de hoje que o Oscar escolhe uma interpretação esnobada por todos os outros prêmios para sua lista. O que surpreende mesmo (e positivamente) é a tendência da Academia de finalmente dar o devido valor para atuações menores e mais contidas, mas nem por isso menos brilhantes (caso de Marion Cotillard ano passado com Dois Dias, Uma Noite). Se alguém roubou vaga na lista de melhor atriz, certamente foi Jennifer Lawrence, lembrada apenas pelo Globo de Ouro, comprovando seu poder mesmo com Joy sendo completamente esnobado.

Confira abaixo a lista completa de indicados, liderada por O Regresso com 12 indicações. A cerimônia do Oscar acontece no dia 28 de fevereiro.

MELHOR FILME
Brooklyn

A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria

Ponte dos Espiões
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñarritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Rooney Mara (Carol)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
Tom Hardy (O Regresso)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Ex-Machina: Instinto Artificial
Ponte dos Espiões
Spotlight – Segredos Revelados
Straight Outta Compton – A História do N.W.A.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Brooklyn
Carol
A Grande Aposta
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Embrace of the Serpent (Colômbia)
Cinco Graças (França)
O Filho de Saul (Hungria)
Theeb (Jordânia)
A War (Dinamarca)

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
Divertida Mente

O Menino e o Mundo
Quando Estou com Marnie

Shaun – O Carneiro

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

MELHOR TRILHA SONORA
Carol
Os Oito odiados
Ponte dos Espiões
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It” (Cinquenta Tons de Cinza)
“Manta Ray” (Racing Extinction)
“Simple Song #3” (Juventude)
“Writing’s On the Wall” (007 Contra Spectre)
“Til it Happens to You” (The Hunting Ground)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso

MELHOR FOTOGRAFIA
Carol
Os Oito Odiados
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém

MELHOR FIGURINO
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Ex-Machina: Instinto Artificial
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MONTAGEM
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
Body Team 12
Chau, Beyond the Lines
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
A Girl in the River: The Price of forgiveness
Last Day of Freedom

MELHOR CURTA-METRAGEM
Ave Maria
Day One
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)
Shok
Stutterer

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live Without Cosmos
World of Tomorrow

Quem serão os indicados ao Oscar 2016?

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Hora de conhecer os indicados ao Oscar! Em uma temporada extremamente confusa e cheia de dúvidas até aqui (além de um Globo de Ouro que não iluminou absolutamente nada), o suspense reina mais do que nunca. Muitas perguntas serão respondidas amanhã. A fraude de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Rooney Mara (Carol) vai colar entre os votantes como aconteceu com Hailee Steinfeld em Bravura Indômita? Ou eles irão contra a corrente como quando indicaram Kate Winslet como protagonista por O Leitor? Filmes de grande orçamento como Mad Max: Estrada da Fúria, Star Wars: O Despertar da Força e Perdido em Marte serão levados a sério? Essas são apenas algumas das muitas dúvidas que temos para este ano. O anúncio dos indicados, incluindo categorias técnicas, será feito nesta quinta-feira (14) a partir das 11h20 (horário de brasília). Ang Lee, Guillermo Del Toro, John Krasinski e a presidente da Academia Boone Isacs apresentam a lista. Confira abaixo as nossas apostas nas categorias principais com comentários: 

MELHOR FILME
Carol
Divertida Mente
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Quarto de Jack
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

Fique de olho em: Straight Outta Compton. Revisando a lista, ela parece um pouco fechada demais, sem surpresas, apenas com a inclusão não tão difícil de prever de Ponte dos Espiões (o BAFTA já comprou esse Spielberg sério, político e histórico que tem a cara da Academia). Em 2015, houve toda aquela choradeira cheia de culpa da plateia branca quando dezenas de negros subiram ao palco para cantar “Glory”, de Selma: Uma Luta Pela Igualdade, escancarando a indústria racista que estava refletida no prêmio. Mas isso será corrigido na prática este ano? Quem sabe os votantes não se embalam com o Screen Actors Guild Awards e também não indicam Straight Outta Compton em sua categoria principal para aliviar a consciência? É uma grande possibilidade, mesmo que seja a única indicação do filme em toda a lista.

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
Steven Spielberg (Ponte dos Espiões)

Fique de olho em: Ridley Scott (Perdido em Marte). Deve ser porque não vejo nada demais em Perdido em Marte, mas simplesmente não consigo imginar Ridley Scott concorrendo e sendo considerado favorito por um filme que é apenas um entretenimento correto. Todd Haynes é muito mais merecedor de uma lembrança aqui por seu ótimo trabalho em Carol, mas suas chances já parecem mortas na disputa. Tiro tanto Scott quanto Haynes da disputa para colocar Steven Spielberg (apostando na total força de Ponte dos Espiões) e Lenny Abrahamson, apostando naquela surpresinha que a Academia adora fazer com filmes independentes ao estilo Behn Zeitlin indicado a melhor direção por Indomável Sonhadora.

MELHOR ATRIZ
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

Fique de olho em: Rooney Mara (Carol). Se Marion Cotillard fez todo mundo perder pontos no bolão do ano passado com sua indicação por Dois Dias, Uma Noite, quero, lá no fundo, acreditar que o absurdo de não ver Charlotte Rampling indicada a prêmio algum por 45 Anos também deve ser surpreendentemente corrigido pelo Oscar. É complicado apostar na categoria porque ninguém sabe muito bem como os votantes vão reagir ao movimento de fraude de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Rooney Mara (Carol) para a lista de coadjuvantes. Pela lógica, Vikander deve ser a única lembrada como protagonista por justamente ter um outro papel coadjuvante possível de ser lembrado (Ex-Machina: Instinto Artificial).

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

Fique de olho em: Johnny Depp (Aliança do Crime). A categoria mais previsível de atuação está praticamente consolidada. Somente duas opções em escala bem menores podem surpreender, começando por Johnny Depp, que coloco como primeira opção porque todo mundo fala nisso. Tenho relutância em considerá-lo porque Johnny Depp está desacreditado há anos e Aliança do Crime parece apenas um momento de sorte momentâneo na carreira do ator. Que fique registrado também: nunca devemos subestimar o prestígio de Tom Hanks, ignorado anos atrás por Capitão Phillips, em Ponte dos Espiões, um filme que tem tudo para surpreender em qualquer categoria.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helen Mirren (Trumbo – Lista Negra)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Rooney Mara (Carol)

Fique de olho em: Jane Fonda (Juventude). Não pense duas vezes: Helen Mirren, Jennifer Jason Leigh e Kate Winslet são apostas indiscutíveis para essa categoria. Se você acha que Alicia Vikander e Rooney Mara serão lembradas aqui, a lista, então, está fechada sem maiores discussões. O problema mesmo é se as duas ou pelo menos uma delas conseguir chegar à protagonista. A alternativa mais óbvia caso isso aconteça é Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados), beneficiada por um filme que está no radar de todos. Já a outra opção é Jane Fonda, uma escolha de cinema mais alternativo e autoral, além de ser uma forma de celebrar uma veterana já premiada duas vezes pelo Oscar (e que está naquele típico papel de cinco minutos que rouba a cena).

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Jacob Trambley (O Quarto de Jack)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Paul Dano (Love & Mercy)

Fique de olho em: Idris Elba (Beasts of No Nation). Não sei se o ano está realmente fraco, mas foi muito difícil chegar a uma aposta final nessa categoria. O único nome que parece ser certo é o de Mark Rylance, unanimidade indicada a todos os prêmios. Aquele feeling inexplicável me diz que Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar) não chega lá, até porque o único prêmio a honrá-lo com uma lembrança foi o Globo de Ouro. Tenho minhas dúvidas também se o sempre subestimado Paul Dano (Love & Mercy) emplaca com um filme tão pequeno e pouco visto. Por isso, aqui tomamos nossas maiores liberdades: Mark Ruffalo por Spotlight (é ator confiável, ativo, sempre presente em bons projetos e já indicado duas vezes ao Oscar), Jacob Trambley por O Quarto de Jack (impulsionado pelo filme e pelo amor da Academia às crianças) e Christian Bale por A Grande Aposta (seguindo basicamente a mesma lógica de Ruffalo). Se o Oscar deixar de ser careta e considerar a relevância do Netflix, Idris Elba emplaca por Beasts of No Nation. Um desejo: Benicio Del Toro por Sicario.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Os Oito Odiados
Ponte dos Espiões
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

Fique de olho em: Sicario – Terra de Ninguém. Muito mais fácil apostar em roteiro adaptado, principalmente porque a lista do Writers Guild of America é toda confusa por não aceitar muitos roteiros em função da não-sindicalização de seus autores. Da lista do Sindicato, repito Ponte dos Espiões e Spotlight, acrescentando Divertida Mente (hora da Pixar merecidamente voltar à categoria), Ponte dos Espiões (de novo acreditando na glória do filme de Spielberg) e O Regresso (será mesmo que vão deixar o vencedor Iñárritu do ano passado de fora?). Como alternativa principal, vou de Sicario, seguindo a lista do WGA.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Carol
A Grande Aposta
O Quarto de Jack
Steve Jobs
Trumbo – Lista Negra

Fique de olho em: Perdido em Marte. Três dos indicados a melhor filme têm tudo para se repetir aqui (Carol, A Grande Aposta e O Quarto de Jack). As outras duas vagas devem ficar com um queridinho dos prêmios (Aaron Sorkin, que chega com Steve Jobs e um recente Globo de Ouro na bagagem) e Trumbo – Lista Negra, em uma dessas apostas meio aleatórias. De novo, prefiro não acreditar em tanta exaltação para Perdido em Marte e o coloco apenas como uma possível surpresa.