Cinema e Argumento

Star Wars: O Despertar da Força

Chewie, we’re home!

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Direção: J.J. Abrams

Roteiro: J.J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Arndt

Elenco: Daisy Ridley,  John Boyega,  Adam Driver, Harrison Ford, Domhnall Gleeson, Carrie Fisher,  Oscar Isaac, Max Von Sydow, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Mark Hamill,  Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kiran Shah, Simon Pegg

Star Wars: The Force Awakens, EUA, 2015, Aventura/Ficção Científica, 115 minutos

Sinopse: Décadas após a queda de Darth Vader e do Império, surge uma nova ameaça: a Primeira Ordem, uma organização sombria que busca minar o poder da República e que tem Kylo Ren (Adam Driver), o General Hux (Domhnall Gleeson) e o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) como principais expoentes. Eles conseguem capturar Poe Dameron (Oscar Isaac), um dos principais pilotos da Resistência, que antes de ser preso envia através do pequeno robô BB-8 o mapa de onde vive o mitológico Luke Skywalker (Mark Hamill). Ao fugir pelo deserto, BB-8 encontra a jovem Rey (Daisy Ridley), que vive sozinha catando destroços de naves antigas. Paralelamente, Poe recebe a ajuda de Finn (John Boyega), um stormtrooper que decide abandonar o posto repentinamente. Juntos, eles escapam do domínio da Primeira Ordem. (Adoro Cinema)

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O testamento da influência definitiva de Star Wars é mesmo esse novo capítulo chamado O Despertar da Força. Ora, mesmo com a unanimidade de que A Ameaça Fantasma, O Ataque dos Clones e A Vingança dos Sith, os filmes realizados por George Lucas entre 1999 e 2005, foram o quase suicídio artístico da franquia, ninguém deu muita bola: O Despertar da Força já causava alvoroço muito tempo antes de sua estreia e hoje quebra recordes mundo afora. Não é por ser fácil faturar gordas bilheterias hoje em dia que o filme está por todos os lados, mas por resgatar elementos clássicos da série a partir do olhar de um realizador que sabe como ninguém preservar o passado sob a luz da contemporaneidade. A missão era difícil e carregada de responsabilidades sem precedentes, mas J.J. Abrams, mais uma vez, mostra que a força e, claro, o talento estão ao seu lado.

Não dá para afirmar que J.J. Abrams tem 100% de aproveitamento em sua carreira porque nela existe algo chamado Lost. Entretanto, não é difícil colocar o diretor entre os melhores realizadores de sua escala atualmente. Depois das mil maravilhas que fez com Star Trek, ele mais uma vez se mostra superlativo atrás das câmeras com O Despertar da Força, o filme que precisávamos ter visto dez anos atrás no lugar de A Ameaça Fantasma. Isso mesmo, é sem qualquer receio de exageros que podemos ser categóricos: o novo filme de Star Wars elimina do mapa a trilogia anterior comandada por George Lucas (que, convenhamos, tem seus méritos como a mente por trás do universo, mas raramente é grande como diretor). Mais do que um filme muito bem executado, O Despertar da Força cumpre com louvor a missão de ser um resgate para os antigos fãs e uma bela introdução para os leigos que venham a abraçar a história daqui para frente. Não é nem referencial demais nem excessivamente zerado, reproduzindo o mesmo conceito que fez dos novos Star Trek aventuras tão bem recebidas.

É importante mencionar o respeito que J.J. Abrams preserva em O Despertar da Força não apenas com o estilo e com os elementos clássicos que fizeram de Star Wars um fenômeno, mas também com a construção da história, que traz ao palco antigos personagens – e muitos deles, a exemplo de Han Solo (Harrison Ford), em funções realmente decisivas, e não em participações curiosas aqui ou ali. A nova história se constrói com a ajuda de figuras como Solo e introduz heróis que, além de funcionais para o drama e a ação de O Despertar da Força, representam uma grande vitória para o momento cada vez mais combativo à desigualdade que assola Hollywood. Sim, no filme de J.J. Abrams o protagonista é negro, e se reclamarem só um pouquinho logo ele se junta a uma mulher que, nos momentos finais, ainda é decisiva para que os conflitos sigam em frente. George Miller e sua Imperatriz Furiosa de Mad Max: Estrada da Fúria devem estar muito orgulhosos.

No que se refere a novas ideias para o desenvolvimento em si, O Despertar da Força talvez seja menos criativo do que os dois exemplares recentes de Star Trek. O zelo um tanto excessivo à fórmula clássica é compreensível dada a dimensão das expectativas, mas o forte apego às raízes da trilogia não deixa de eventualmente despertar a curiosidade em ver um Star Wars mais renovado na linguagem. Afinal, algumas saídas, apesar de muito eficientes, não são necessariamente criativas, como a criação de BB-8, mais um robozinho adorável que claramente vem para tomar a dianteira de R2-D2 e C-3PO. Essa é uma observação particular que em nada chega a prejudicar o excelente resultado alcançado pelo filme, que tem um clímax à altura, excelente doses de humor, uma técnica digna a seu favor e ainda um final surpreendentemente triste envolvendo um importante personagem. Não é porque os filmes anteriores decepcionaram: O Despertar da Força é mesmo a continuação que precisávamos.

Os vencedores do Globo de Ouro 2016

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Teria Kate Winslet virado o jogo na disputa entre as atrizes coadjuvantes?

Uma distribuição de estatuetas desordenada e sem conceitos marcou a cerimônia do Globo de Ouro 2016 neste domingo (10). Como sabemos, esperavam-se muitas surpresas, mas não da forma como foram entregues. Logo no início da cerimônia, Kate Winslet já surpreendeu faturando a estatueta de melhor atriz coadjuvante por Steve Jobs, mas, ao contrário do que pode parecer, sua lembrança não é tão chocante assim: lembrem-se que, assim como Ang Lee vencendo Oscar por As Aventuras de Pi em um ano extremamente confuso na categoria, Winslet levou a melhor por ser a única unanimidade da categoria com indicações a todos os prêmios da temporada. Steve Jobs, que foi mal de bilheteria nos Estados Unidos e realmente não alçou voo nas categorias principais, de repente levou outro prêmio que ninguém tinha no horizonte: o de melhor roteiro para o quase sempre celebrado Aaron Sorkin. Sylvester Stallone, esnobado pela lista do Screen Actors Guild Awards e do BAFTA, foi ovacionado por sua vitória como coadjuvante por Creed: Nascido Para Lutar. Mas será mesmo que ele chega ao Oscar, visto que os votantes da Academia já haviam entregue suas cédulas?

Tarantino saiu a falar bobagem quando foi receber o prêmio de melhor trilha sonora para Os Oito Odiados no lugar do ausente Ennio Morricone (ele disse que o compositor nunca foi celebrado na América, o que é uma grande gafe, já que esse é o terceiro Globo de Ouro de Morricone), fazendo um pequeno show onde claramente queria roubar as atenções para si próprio. Morricone é lenda, e sua trilha para Os Oito Odiados é boa (mesmo que não tão presente ao longo das três horas de filme), mas, particularmente, ficaria com o delicado e marcante trabalho de Carter Burwell para Carol. Ainda em música, um dos piores prêmios envolvendo cinema deve ter sido o de canção original para a tediosa “Writing’s On the Wall”, de Sam Smith para 007 Contra Spectre. Novamente o Globo de Ouro prova que não entende nada do que significa ter uma canção como ferramenta de um filme.

Nas atuações principais, nenhuma grande surpresa, nem mesmo a vitória de Matt Damon com a “comédia” Perdido em Marte que também faturou o prêmio principal de sua respectiva categoria. O que embola mesmo o meio de campo é a consagração de O Regresso, que levou os prêmios de melhor filme drama, direção e ator drama para Leonardo DiCaprio. Vale lembrar que Iñárritu perdeu o Globo de Ouro de diretor ano passado para Richard Linklater, e seu Birdman precisou testemunhar a surpreendente consagração de O Grande Hotel Budapeste na categoria de melhor filme comédia/musical. Ou seja, fica a dúvida: os votantes gostaram mesmo de O Regresso e essa é uma tendência a ser seguida ou tudo não passa de uma mera reparação? Dito isso, é quase nula a influência do Globo de Ouro nessa corrida principal ao Oscar, já que é praticamente impossível que os votantes da Academia se rendam a Iñárritu em um segundo ano consecutivo. A situação permanece em aberto.

Entre os seriados, o caos foi total. É marca do Globo de Ouro premiar qualquer série novata mesmo quando veteranas continuam a brilhar com o passar dos anos (Transparent!), mas os votantes chegaram a ser quase infantis ao preferir descontroladamente debutantes e estrelas. Nas comédias ninguém foi páreo para Mozart in the Jungle, da Amazon (e é bom que Gael García Bernal esteja realmente um estouro para ter tirado o prêmio do impecável Jeffrey Tambor), enquanto Julia Louis-Dreyfus, que até hoje não tem um Globo de Ouro por sua ótima composição em Veep, perdeu novamente o prêmio para a novata Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend. Já minha implicância com Lady Gaga ganhando por American Horror Story: Hotel não é em função de ela ser Lady Gaga, mas porque ninguém mais se entusiasma com o programa e, posso estar errado, mas é bastante improvável que ela esteja superior ao que pelo menos Queen Latifah faz em Bessie, citando uma de suas concorrentes.

É tanta gente nova ganhando (alguns com merecimento, vamos ser justos, como Taraji P. Henson por Empire), que fica, portanto, meio estranho ver Jon Hamm triunfando com Mad Men. Afinal, ele já tinha um Globo de Ouro em casa, e a série há tempos estava murcha na premiação. Pode ser que mereça (não acompanhei o programa), mas, em termos de conceito, não faz qualquer sentido com o que a premiação tentou desastrosamente nos vender. Não adiantou Ricky Gervais ser ousado com suas piadas (Hollywood não sabe rir de si mesma) nem a homenagem a Denzel Washington (dono de um discurso estranhamente sem inspiração), uma vez que, além de nada significar para a award season, o Globo de Ouro de ontem só serviu para dar novamente ao prêmio aquela fama tão desagradável que sempre lhe assombrou mas havia sido diminuída nos últimos anos: a de facilmente deslumbrada, sem linha de pensamento e até mesmo subornável. Confira a lista completa de vencedores:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA: O Regresso
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Perdido em Marte
MELHOR DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
MELHOR ATRIZ DRAMA: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
MELHOR ATOR DRAMA: Leonardo DiCaprio (O Regresso)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Matt Damon (Perdido em Marte)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Kate Winslet (Steve Jobs)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
MELHOR ROTEIRO: Steve Jobs
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Filho de Saul (Hungria)
MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)
MELHOR TRILHA SONORA: Os Oito Odiados

SÉRIES

MELHOR SÉRIE DRAMA: Mr. Robot
MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL: Mozart in the Jungle
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Wolf Hall
MELHOR ATRIZ DRAMA: Taraji P. Henson (Empire)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)
MELHOR ATRIZ EM MISSÉRIE/TELEFILME: Lady Gaga (American Horror Story: Hotel)
MELHOR ATOR DRAMA: Jon Hamm (Mad Men)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Gael García Bernal (Mozart in the Jungle)
MELHOR ATOR EM MISSÉRIE/TELEFILME: Oscar Isaac (Show Me a Hero)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Maura Tierney (The Affair)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Christian Slater (Mr. Robot)

Quem serão os vencedores do Globo de Ouro 2016?

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Ricky Gervais e a sua difícil missão de substituir Amy Poehler e Tina Fey na apresentação do Globo de Ouro.

Será o Globo de Ouro de grande ajuda para solucionar os aparentes primeiros mistérios dessa temporada de premiações? Spotlight é mesmo o favorito? Mad Max pode surpreender? A comédia de Perdido em Marte é mais forte que a de A Grande Aposta? Alicia Vikander ganha prêmio por A Garota Dinamarquesa ou Ex-Machina? E Leonardo DiCaprio consolidará seu favoritismo ao Oscar? Muitas perguntas que podem ser respondidas ou ainda mais embaralhadas pela cerimônia, que será transmitida a partir das 23h pela TNT. Confira as nossas apostas:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA
Spotlight – Segredos Revelados / alt: Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Perdido em Marte / alt: A Grande Aposta

MELHOR DIREÇÃO
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) / alt: Ridley Scott (Perdido em Marte)

MELHOR ATRIZ DRAMA
Brie Larson (O Quarto de Jack) / alt: Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Lily Tomlin (Grandma) / alt: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)

MELHOR ATOR DRAMA
Leonardo DiCaprio (O Regresso) / alt: Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Matt Damon (Perdido em Marte) / alt: Christian Bale (A Grande Aposta)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) / alt: Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mark Rylance (Ponte dos Espiões) / alt: Idris Elba (Beasts of No Nation)

MELHOR ROTEIRO
Spotlight – Segredos Revelados / alt: A Grande Aposta

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
O Filho de Saul (Hungria) / alt: O Clube (Chile)

MELHOR ANIMAÇÃO
Divertida Mente / alt: Anomalisa

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“One Kind of Love” (Love & Mercy) / alt: “Simples Song #3” (Juventude)

MELHOR TRILHA SONORA
Carol / alt: Os Oito Odiados

SÉRIES

MELHOR SÉRIE DRAMA
Mr. Robot / alt: Empire

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Transparent / alt: Mozart in the Jungle

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Fargo / alt: Wolf Hall

MELHOR ATRIZ DRAMA
Taraji P. Henson (Empire) / alt: Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Lily Tomlin (Grace and Frankie)

MELHOR ATRIZ EM MISSÉRIE/TELEFILME
Queen Latifah (Bessie) / alt: Kirsten Dunst (Fargo)

MELHOR ATOR DRAMA
Rami Malek (Mr. Robot) / alt: Wagner Moura (Narcos)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Jeffrey Tambor (Transparent) / alt: Aziz Ansari (Master of None)

MELHOR ATOR EM MISSÉRIE/TELEFILME
David Oyelowo (Nightingale – Peter e Sua Mãe) / alt: Patrick Wilson (Fargo)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Uzo Aduba (Orange is the New Black) / alt: Maura Tierney (The Affair)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Ben Mendelsohn (Bloodline) / alt: Christian Slater (Mr. Robot)

Os indicados ao BAFTA 2016

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Stephen Fry apresenta pela 11ª vez a cerimônia do BAFTA, marcada para o dia 14 de fevereiro.

O que afirmamos logo no anúncio dos indicados ao Sceeen Actors Guild Awards vem se confirmando: essa award season é, sem qualquer sensacionalismo, a mais confusa e imprevisível em anos. A teoria foi reforçada hoje com a lista do BAFTA, esse prêmio super autêntico que já dissemos aqui no blog o quanto amamos. Entre os favoritos a melhor filme, dois perdem significativamente a força agora: Mad Max: Estrada da Fúria, que não colou com os britânicos e só foi lembrado em categorias técnicas, e Spotlight – Segredos Revelados, que, apesar de ter aberto precedentes para uma merecida indicação a coadjuvante para Mark Ruffalo, falhou em colocar Tom McCarthy como melhor diretor. Por outro lado, quem ganha ainda mais gás na temporada é Ponte dos Espiões (atenção: nunca subestime Steven Spielberg fazendo filmes mais “sérios” e políticos).

Carol parece ter voltado à vida depois de ser esnobado pelo Sindicado dos Produtores, liderando a lista ao concorrer em nove categorias (o mesmo número de Ponte dos Espiões). Aqui ou ali, o BAFTA obviamente puxou brasa para as suas queridas veteranas britânicas, mas não era esperado que eles colocassem Maggie Smith por A Senhora da Van no lugar de Charlotte Rampling por 45 Anos (tomara que o Oscar, assim como fez com Marion Cotillard ano passado, corrija esse absurdo de não ter uma premiação sequer indicando o maravilhoso desempenho dessa mulher!). Outra britânica favorecida pelo bairrismo do prêmio (e não vamos criticá-los por isso) é Julie Walters, que agora está entre as coadjuvantes por Brooklyn. Na ala masculina, as lembranças de Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra) e Matt Damon (Perdido em Marte) colocam de vez os atores na briga por uma indicação ao Oscar.

O Globo de Ouro considerou protagonistas, enquanto o Screen Actors Guild Awards decidiu que eram coadjuvantes. Já o BAFTA parece ter matado a charada da temporada e assinalado o que o Oscar também deve fazer: colocar Alicia Vikander como protagonista por A Garota Dinamarquesa (e ainda como coadjuvante por Ex-Machina: Instinto Artificial!) e Rooney Mara como coadjuvante por Carol, o que tornaria a segunda franca favorita ao prêmio até agora em aberto, mesmo que sua inclusão na categoria seja uma clara fraude de categoria – e nem é preciso ver o filme para fazer tal constatação. Uma disputa curiosa do BAFTA vai ser a de filme estrangeiro: como a seleção e o calendário de estreias na Inglaterra é um tanto diferente, nada de O Filho de Saul aqui e sim alguns antigos concorrentes como Relatos Selvagens (eba!) e Força Maior.

Há quem diminua a importância do BAFTA porque o corpo de jurados desse prêmio é bem diferente e distante dos demais. Mas vale lembrar: em quase todos os casos, só triunfa no Oscar quem faz o tema de casa com campanha. A cerimônia do BAFTA é televisionada e, mesmo acontecendo no Reino Unido, ninguém deixa de ir… Este ano, o BAFTA ainda divulgou sua lista no último dia de votação do Oscar. Ou seja, a lista tem sua relevância sim! Confira abaixo a relação de indicados. Os vencedores serão revelados no dia 14 de fevereiro.

MELHOR FILME
Carol
A Grande Aposta
Ponte dos Espiões
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
Ridley Scott (Perdido em Marte)
Steven Spielberg (Ponte dos Espiões)
Todd Haynes (Carol)

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo Dicaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

MELHOR ATRIZ
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Maggie Smith (A Senhora da Van)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Benicio Del Toro (Sicario: Terra de Ninguém)
Christian Bale (A Grande Aposta)
Idris Elba (Beasts of No Nation)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Julie Walters (Brooklyn)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rooney Mara (Carol)

MELHOR FILME BRITÂNICO
45 Anos
Amy
Brooklyn
A Garota Dinamarquesa
Ex-Machina: Instinto Artificial
The Lobster

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
The Assassin
Força Maior
Relatos Selvagens

Theeb
Timbuktu

MELHOR ANIMAÇÃO
Divertida Mente
Minions
Shaun, o Carneiro

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Amy
Cartel Land
He Named Me Malala
Listen to Me
Sherpa

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Ex-Machina: Instinto Artificial
Os Oito Odiados
Ponte dos Espiões
Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Grande Aposta
Brooklyn
Carol
O Quarto de Jack
Steve Jobs

MELHOR TRILHA SONORA
Os Oito Odiados
Ponte dos Espiões
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Ex-Machina: Instinto Artificial
Homem-Formiga
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MAQUIAGEM
Brooklyn
Carol
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Carol
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
Mad Max: Estrada da Fúria
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR EDIÇÃO
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso

MELHOR FOTOGRAFIA
Carol
Ponte dos Espiões

Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém

MELHOR FIGURINO
Brooklyn
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria

Os Oito Odiados

When you get to hell, John, tell them Daisy sent you…

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Direção: Quentin Tarantino

Roteiro: Quentin Tarantino

Elenco: Samuel L. Jackson, Kurt Russell, Jennifer Jason Leigh, Walton Goggins, Demián Bichir, Tim Roth, Michael Madsen, Bruce Dern,  James Parks,  Channing Tatum, Dana Gourrier, Zoë Bell, Lee Horsley,  Gene Jones, Craig Stark

The Hateful Eight, EUA, 2015, Drama, 187 minutos

Sinopse: Durante uma nevasca, o carrasco John Ruth (Kurt Russell) está transportando uma prisioneira, a famosa Daisy Domergue (Jennifer Jason Leigh), que ele espera trocar por grande quantia de dinheiro. No caminho, os viajantes aceitam transportar o caçador de recompensas Marquis Warren (Samuel L. Jackson), que está de olho em outro tesouro, e o xerife Chris Mannix (Walton Goggins), prestes a ser empossado em sua cidade. Como as condições climáticas pioram, eles buscam abrigo no Armazém da Minnie, onde quatro outros desconhecidos estão abrigados. Aos poucos, os oito viajantes no local começam a descobrir os segredos sangrentos uns dos outros, levando a um inevitável confronto entre eles. (Adoro Cinema)

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Em entrevista à jornalista Isabela Boscov, Quentin Tarantino reforçou o fato: Django Livre é o maior sucesso de toda a sua carreira em termos de bilheteria. Segundo o diretor, o desempenho do longa contrariou, particularmente fora dos Estados Unidos, as previsões de que os westerns eram fadados a fracassar com o público. “Reescrevemos os livros de história nesse aspecto”, disse ele. Não é só pela declaração um tanto pretensiosa (quem deveria dizer isso era qualquer pessoa menos ele) que tenho a impressão de que, justamente desde Django Livre, Tarantino tem sido vítima de seu próprio ego. Assim como Christopher Nolan, que realizou a maluquice que bem entendeu com Interestelar depois de adquirir total liberdade criativa visto o abraço de crítica e principalmente de público para A Origem, Tarantino indica que tem tudo para seguir o mesmo rumo de seu colega. Afinal, Os Oito Odiados é refém dessa certa megalomania do diretor que parece lhe ter feito esquecer o poder da síntese.

Todos os elementos que fizeram de Quentin Tarantino um diretor admirável e de estilo facilmente reconhecível estão presentes em Os Oito Odiados. O que acontece é que, assim como em Django, eles soam apenas como complementos para uma história excessivamente prolongada e de base rasa. Por mais divertido e até mesmo revolucionário tematicamente que fosse Django ao narrar a história de um negro que faz a sua própria história, não ajudava o fato da produção se estender em 165 minutos que davam a impressão de a história ter dezenas de finais. Aí vem Os Oito Odiados, onde a duração salta para 187 minutos com uma trama muito menos movimentada. Ou seja, ainda que os diálogos divertidíssimos e inteligentes de Tarantino estejam ali, é missão árdua chegar à metade do filme, quando a trama finalmente melhora em todos os sentidos. Até lá, a introdução dos personagens parece não ter fim, alguns coadjuvantes servem apenas como alívio cômico (caso de Jennifer Jason Leigh, que só se revela uma personagem complexa mais tarde) e, dependendo do ponto de vista, o roteiro pode até decepcionar quem cria expectativas por uma grande ação, já que, em certo ponto, ele simplesmente estaciona a história em um único cenário até o final do filme. 

Os Oito Odiados tem um claro problema de edição que leva o espectador à melhor parte do filme já com a paciência um tanto esgotada. É complicado achar um editor com culhões para questionar alguém da mitologia de Tarantino (principalmente se esse alguém é Fred Raskin, que estreou na cadeira de edição dos filmes do diretor fazendo justamente Django Livre), mas não é preciso um bom senso tão apurado para perceber que Os Oito Odiados merecia ser mais conciso. Com uma narrativa mais enxuta, chegaríamos ao que realmente interessa no filme de braços mais abertos. Os excessos prejudicam porque fica aquela sensação de que as revelações que o filme nos reserva não são assim tão mirabolantes para justificar toda a espera e a sanguinolência quase infantil do terceiro ato. Tenho minhas dúvidas se o público reagirá positivamente a Os Oito Odiados nas bilheterias da mesma forma que respondeu a Django.

Excetuando esse problema que chegou muito perto de minar por completo a minha relação com Os Oito Odiados, Tarantino não deixa de ser um sujeito brilhante em seus melhores momentos. Grande diretor de atores (não há um ator do elenco que transpareça atuação), ele também segura com habilidade essa opção ousada de narrar metade de sua história em uma única cabana que abriga os oito personagens do título. Além da cuidadosa mise-en-scène, fundamental para a criação do suspense, são inteligentes, como de praxe, os diálogos escritos pelo diretor, que prefere não criar necessariamente mocinhos ou bandidos para seu filme.

Quanto aos personagens, destaca-se a forte personalidade de cada um deles, com menção especial para a escolha genial do diretor de colocar como figura mais imprevisível justamente a única mulher entre os homens – e Jennifer Jason Leigh é impecável todas as vezes em que o roteiro finalmente lhe dá alguma chance além de apenas apanhar de Kurt Russell. Frequentemente irreverente e delicioso de se assistir em seu último ato devido ao humor , à crítica e à acidez com que Tarantino vai de temas como o racismo ao vício de trapaça do ser humano, Os Oito Odiados fica perto de ser mais um excelente represante da retomada do western. Só faltou alguém dar aquele tão bem-vindo conselho para o capitão da história: menos costuma ser sempre mais.