Cinema e Argumento

Rapidamente: “Califórnia”, “Capitão Fantástico”, “Moana” e “Real Beleza”

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Encantadora aos olhos e aos ouvidos, a animação Moana: Um Mar de Aventuras tem ideias que a colocam em um patamar diferenciado. O desenvolvimento da história, entretanto, não arrebata.

CALIFÓRNIA (idem, 2015, de Marina Person): Com uma trilha sonora irresistível e referências aos anos 1980 que endossam todo o lado pop da diretora Marina Person, Califórnia é uma experiência agradabilíssima. Acompanhando os dias de Estela (Clara Gallo), adolescente que, em plena descoberta sexual e de identidade, se comunica com o tio que mora nos Estados Unidos através de cartas repletas de confissões, o filme faz um espirituoso retrato da adolescência na década em questão com relatos regados a sucessos de David Bowie a Barão Vermelho, passando pela febre de estreias do cinema como E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg, e Gosto de Sangue, dos irmãos Coen. É divertido acompanhar Califórnia por causa dessas referências e também porque a inocência com que Marina Person retrata as primeiras descobertas de uma menina transformação é irresistível. A situação se fragiliza, por outro lado, em vários rumos do roteiro, que cria expectativas acerca do tio da protagonista (vivido por um Caio Blat sempre espirituoso) para depois subaproveitá-lo gradativamente. Há ainda uma boa parcela de previsibilidades, como a de quem se tornará o real interesse amoroso da jovem Estela. Ainda assim, Califórnia, que de fato poderia ser um retrato muito mais consistente sobre uma época tão efervescente do ponto de vista cultural, tem seu frágil roteiro compensado por uma direção sincera e que justifica a espiada descompromissada.

CAPITÃO FANTÁSTICO (Captain Fantastic, 2016, de Matt Ross): Se existe um grande mérito em Capitão Fantástico, esse é o de fazer com que o espectador se importe com os seus personagens. A tarefa é um pouco difícil, visto que, apesar da pegada mais realista no drama, a história é um tanto distante das nossas vidas: nela, um pai de família cria seus filhos em meio às florestas sem qualquer contato com tecnologia e aprendendo, por exemplo, a fazer suas próprias refeições a partir da caça de animais. É distante porque hoje parece inconcebível viver em um mundo que valoriza as pequenas coisas e não qualquer conexão com a internet. Mas não demora muito para Capitão Fantástico ultrapassar a barreira da mera trama curiosa para se tornar um drama envolvente e delicado. O diretor Matt Ross, em seu segundo longa de ficção, é econômico em intervenções na história, depositando boa parte de sua confiança em um ótimo elenco liderado por Viggo Mortensen (em performance delicada e surpreendentemente reconhecida com uma indicação ao Oscar 2017) e pontuado por outras performances de destaque, como a do jovem George McKay e a de Kathryn Hahn, em participação especial. É um daqueles casos onde a simplicidade surge como elogio, sendo capaz de proporcionar momentos genuinamente emocionantes: a cena em que a família canta e dança em uma melancólica despedida é o ponto alto do longa. Capitão Fantástico não está livre de falhas (o personagem de Frank Langella pode muito bem ser considerado unidimensional, enquanto um acidente envolvendo um personagem acontece apenas para resolver um conflito maior), mas é realmente pouca coisa perto do imenso coração do projeto. 

MOANA: UM MAR DE AVENTURAS (Moana, 2016, de Don Hall e Ron Clements): Não, Moana não é uma animação particularmente marcante por sua execução, mas é carregada de ideias que certamente lhe colocam em um patamar bastante diferenciado. Segunda protagonista negra da Disney (a primeira foi Tiana, de A Princesa e o Sapo em 2009), a personagem-título vive uma jornada importante, especialmente se tratando de um gênero amplamente destinado aos pequenos: não existe interesse amoroso para a jovem Moana, e ela está muito bem com isso. Na verdade, o filme nem toca no assunto, preferindo contextualizar a relação da protagonista com os pais ou sua coragem em desbravar sozinha um imenso oceano. Visualmente, o filme de Don Hall e Ron Clements é um deslumbre. Na criação, também é feliz em ideias (os personagens são divertidos e todos com funções lógicas na história) e até surpreendente em uma referência particular (como não lembrar de Mad Max: Estrada da Fúria na perseguição oceânica em que Moana enfrenta um imenso barco de cocos que tocam tambores?). O problema é que essas ideias, aliadas à clássica estrutura da Disney para arcos dramáticos ilustrados por canções dignas de nota (How Far I’ll Go é o delicioso chiclete que o estúdio sabe fazer com proeza), não são suficientes para, na prática, preencher um filme de quase 110 minutos. Moana encanta olhos e ouvidos, mas não arrebata especificamente no desenvolvimento da história. 

REAL BELEZA (idem, 2015, de Jorge Furtado): O diretor Jorge Furtado jura de pé junto que não assistiu, mas é impossível não associar Real Beleza ao romance As Pontes de Madison. Adriana Esteves, que protagoniza o filme do cineasta gaúcho e assume ter se inspirado no trabalho de Meryl Streep para compôr sua personagem, deveria ter avisado: fotógrafo que viaja ao interior e se apaixona por uma mulher casada em um período que ela está sozinha em casa enquanto a família viaja é mesmo material que inevitavelmente carrega a forte imagem de Meryl Streep e Clint Eastwood. Só que o curioso de Real Beleza, primeiro drama assinado por Furtado (ele sempre foi referência em ótimas comédias como O Homem Que CopiavaSaneamento Básico), é que o casal principal não tem química alguma, o que, considerando o fato de Adriana Esteves e Vladmir Brichta serem marido e mulher na vida real, é mesmo estranho. Nada chega a ser necessariamente de mau gosto em Real Beleza, mas, ao mesmo tempo, tudo é insosso demais: as citações literárias, o questionamento do que realmente é belo e as reflexões sobre a vivência matrimonial são óbvias, sem a esperteza que Furtado sempre cultivou tanto em suas comédias. A situação melhora a partir de certo ponto com a entrada de Francisco Cuoco (tanto o ator quanto o personagem são instigantes), mas aí a história já está se encaminhando para o final, e as resoluções não deixam de ser novamente insípidas.

Os indicados ao Oscar 2017

oscarnom17Emma Stone e Ryan Gosling, essa dupla aí à esquerda, acaba de entrar para a história do Oscar. Ambos são os protagonistas de La La Land: Cantando Estações, que recebeu hoje 14 indicações ao Oscar e agora faz parte do grupo seleto de filmes que alcançaram esse recorde absoluto (apenas A Malvada Titanic contabilizaram tal feito anteriormente). Parece que não há mesmo como parar o musical de Chazelle, lembrando aquele Oscar em que O Senhor dos Anéis – O Retorno do Rei levou praticamente todos os prêmios em que concorria. Mas existem outras coisas a serem notadas na lista divulgada hoje pela Academia. E a mais importante delas, claro, é que estamos diante do Oscar mais diverso de todos os tempos. O Oscar So White de 2016 surtiu efeito: Pela primeira vez na História há atores negros concorrendo nas quatro categorias de atuação e filmes como Estrelas Além do Tempo, Um Limite Entre NósLovingMoonlight: Sob a Luz do Luar figuram nas categorias principais da seleção. Também há Isabelle Huppert, uma francesa que, dirigida por um holandês, estrela uma história cuja história se desenvolve a partir de uma cena de estupro. Tem mesmo filme para todo mundo no Oscar 2017 e a maior unidade deles é clara: praticamente todos contam histórias muito identificáveis, sobre pessoas como eu e você que sonham, sofrem, amam. As situações extraordinárias parecem ter ficado de lado este ano. E talvez por isso a lista esteja tão interessante.

As surpresas foram poucas, considerando os bons títulos e as categorias já consolidadas. O que pode – e deve – ser considerado negativo é a exclusão de Amy Adams por A Chegada. Ao contrário do que se pode pensar, quem “roubou” sua vaga foi Ruth Negga, por Loving, e não Meryl Streep, que era uma certeza por Florence: Quem é Essa Mulher?. Por falar no filme de Stephen Frears, aconteceu o que previmos: Hugh Grant repetiu o efeito Daniel Brühl por Rush. A Academia não comprou a fraude de um protagonista masculino concorrendo como coadjuvante, deixando o britânico de fora. Com Mel Gibson perdoado (o que não chega a ser um choque, já que Até o Último Homem vinha fazendo uma ótima carreira nas premiações), o Oscar surpreendeu mesmo em lucidez ao incluir Michael Shannon por Animais Noturnos. A correção é importante: é ele o grande coadjuvante do filme de Tom Ford e não Aaron Taylor-Johnson. Enquanto isso, nas categorias técnicas, são imperdoáveis as lembranças para Passageiros (melhor trilha sonora e design de produção) e Esquadrão Suicida (maquiagem e penteados). Os dois filmes são tão ruins que não merecem indicação a qualquer coisa. A cerimônia do Oscar acontece no dia 26 de fevereiro. Confira abaixo a lista completa de indicados:

MELHOR FILME
A Chegada
Até o Último Homem
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós

Lion: Uma Jornada Para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Dennis Villeneuve (A Chegada)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Mel Gibson (Até o Último Homem)

MELHOR ATRIZ
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Isabelle Huppert (Elle)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)
Ruth Negga (Loving)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Jeff Bridges (Até o Último Homem)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Michael Shannon (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Haris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
20th Century Women
O Lagosta
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
A Qualquer Custo

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Chegada
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós

Lion: Uma Jornada Para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Minha Vida de Abobrinha
The Red Turtle
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Land of Mine (Dinamarca)
A Man Called Ove (Suécia)
The Salesman (Irã)
Tanna (Austrália)
Toni Erdmann (Alemanha)

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Audition (The Fools Who Dream)” (La La Land: Cantando Estações)
“Can’t Stop the Feeling” (Trolls)
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)
“The Empty Chair” (Jim: The James Foley Story)

MELHOR FOTOGRAFIA
A Chegada
La La Land: Cantando Estações
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Silêncio

MELHOR FIGURINO
Aliados
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Florence: Quem é Essa Mulher?
Jackie
La La Land: Cantanto Estações

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Esquadrão Suicida
A Man Called Ove
Star Trek: Sem Fronteiras

MELHOR MIXAGEM DE SOM
A Chegada
Até o Último Homem
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
La La Land: Cantando Estações
Sully: O Herói do Rio Hudson

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
A Chegada
Até o Último Homem
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
La La Land: Cantando Estações
Sully: O Herói do Rio Hudson

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Doutor Estranho
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo
Kubo e as Cordas Mágicas
Mogli

Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Chegada
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Ave César!
La La Land: Cantando Estações
Passageiros

MELHOR MONTAGEM
A Chegada
Até o Último Homem
A Qualquer Custo
La La Land: Cantando Estações
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR TRILHA SONORA
Jackie
La La Land: Cantando Estações
Lion: Uma Jornada para Casa
Moonlight: Sob a Luz do Luar
Passageiros

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM
13th
I Am Not Your Negro
Fogo no Mar
Life, Animated
O.J.: Made in America

MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM
4.1 Miles
Extremis
Joe’s Violin
Watani: My Homeland
The White Helmets

MELHOR CURTA-METRAGEM
Ennemis Intérieurs
La Femme et le TGV
Silent Nights
Sing
Timecode

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Blind Vaysha
Borrewed Time
Pear Cider and Cigarettes
Pearl
Piper

Quem serão os indicados ao Oscar 2017?

theoscars

É amanhã, a partir das 11h10 (horário de Brasília), que conheceremos os indicados ao Oscar 2017. A própria página oficial da Academia no Facebook (@TheAcademy) fará uma tramissão ao vivo do anúncio para ninguém ficar de fora. Enquanto isso, o Cinema e Argumento dá seus palpites para as categorias principais do prêmio. Confiram abaixo!

MELHOR FILME
Até o Último Homem
A Chegada
Estrelas Além do Tempo

La La Land: Cantando Estações
Um Limite Entre Nós
Lion: Uma Jornada Para Casa
Manchester à Beira-Mar
Moonlight: Sob a Luz do Luar
A Qualquer Custo

O que pode acontecer: Martin Scorsese surgir de última hora com Silêncio ou o Oscar realmente comprar a proposta de Animais Noturnos. Em um cenário ainda mais surpreendente, é possível até Deadpool chegar entre os finalistas, visto sua indicação aos sindicados de produtores e roteiristas. Com a possibilidade de até dez indicados fica difícil prever (vai entender como Carol não chegou lá ano passado!), mas é mais ou menos por aí…

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
David Mackenzie (A Qualquer Custo)
Garth Davis (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)

O que pode acontecer: Denis Villeneuve realmente vingar com A Chegada. Mas, como sempre, subestimo a capacidade do Oscar de inovar e deixo Villeneuve de fora para arriscar em direções mais tradicionais do ponto de vista temático: David Mackenzie, que comanda uma mistura de drama, crime e western familiar em uma fazenda do Texas, e Garth Davis, responsável por um drama familiar sobre um garoto que decide ir atrás da família que o perdeu 25 anos atrás.

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Isabelle Huppert (Elle)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

O que pode acontecer: Meryl Streep ficar de fora para entrar Emily Blunt (A Garota no Trem). Difícil saber até que ponto o Oscar So White do ano passado afetou os votantes (se conscientizou a Academia, pode surgir Ruth Negga com Loving), mas, pelas contas de outros prêmios, Emily Blunt está na frente como uma possível surpresa. Pena que por um filme tão ruim (e por uma indicação atrasada que deveria ter vindo por Sicario: Terra de Ninguém). Ainda assim, é improvável Meryl ficar de fora, principalmente depois do discurso no Globo de Ouro, que foi decisivo para a atriz se firmar em visibilidade entre as cinco finalistas.

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

O que pode acontecer: Viggo Mortensen ou Ryan Gosling não emplacarem. Ambos foram lembrados em todos os grandes prêmios até aqui, mas é importante lembrar: Viggo tem um papel contido demais em comparação ao que o Oscar normalmente costuma reconhecer e Ryan tem a maldição de homens em musicais para quebrar (recentemente, Richard Gere não emplacou indicação por Chicago, assim como Ewan McGregor por Moulin Rouge!). O que beneficia ambos é o fato da disputa não estar acirrada, abrindo margem apenas para Joel Edgerton ser lembrado por Loving ou, mais remotamente, para Tom Hanks dar a volta por cima no Oscar com Sully: O Herói do Rio Hudson.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

O que pode acontecer: quase nada, visto que essa é a categoria aparentemente mais fechada entre as quatro de atuação. A seleção acima se repetiu basicamente em todas as listas divulgadas até aqui, o que deixa as cinco candidatas consolidadas na disputa. Em uma jogada de azar, chutaria como surpresa Nicole Kidman sendo novamente esquecida (lembram do ano de Obsessão?) para que Janelle Monáe entre aos 45 de segundo tempo. Lembrando que Monáe está em dois filmes que figuram nas bolsas de apostas: Estrelas Além do TempoMoonlight: Sob a Luz do Luar e que sua inclusão pode fazer algo histórico (colocar quatro atrizes negras concorrendo em uma mesma categoria). Ou seja, resta, novamente, saber até que ponto o Oscar So White surtiu efeito.

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion: Uma Jornada Para Casa)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

O que pode acontecer: o Oscar realmente comprar a farsa que é Hugh Grant ser considerado coadjuvante por Florence: Quem é Essa Mulher? Mesmo que o desempenho do ator seja surpreendente na comédia dirigida por Stephen Frears, nada justifica a fraude. Indicado a todos os prêmios, Grant pode repetir o efeito Daniel Brühl em 2014, quando o ator alemão, após uma carreira figurando em todas as listas da temporada, não chegou ao Oscar de coadjuvante por Rush  – No Limite da Emoção (ele também era protagonista em seu respectivo filme). E não vamos subestimar Aaron Taylor-Johnson, que ganhou um Globo de Ouro e, na semana seguinte, uma indicação ao BAFTA. A lembrança nesse segundo prêmio é particularmente sintomática, já que a academia britânica escolheu seus indicados antes do GG revelar seus vencedores.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Capitão Fantástico
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
A Qualquer Custo
O Lagosta

O que pode acontecer: algumas surpresas, visto que a categoria de roteiro adaptado está muito mais acirrada do que a de original. Ainda assim, o ano parece de poucas alternativas até mesmo entre roteiros, o que pode ser reflexo do bom nível dos favoritos. Entre os originais, deixo de lado Jackie (que perdeu até o suposto fôlego que tinha para dar um segundo Oscar para Natalie Portman) para apostar em O Lagosta. A Academia costuma reservar uma ou mais vagas entre os roteiros para produções alternativas, então fica aí esse palpite.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Animais Noturnos
A Chegada
Um Limite Entre Nós
Lion: Uma Jornada Para Casa

Moonlight: Sob a Luz do Luar

O que pode acontecer: uma substituição de Animais Noturnos por Estrelas Além do Tempo (representando a ala de escolhas mais tradicionais), Silêncio (se o filme de Martin Scorsese finalemente conseguir nascer nessa temporada) ou até mesmo Deadpool (que surpreendentemente foi indicado ao Writers Guild of America). O filme de Tom Ford é um verdadeiro mistério: enquanto o Globo de Ouro e, principalmente, o BAFTA caíram de amores pela história, o SAG não deu importância alguma – e isso é estranho, já que o ponto mais forte de Animais Noturnos é justamente o elenco. Fora isso, a categoria dá indícios de já estar fechada. 

Melhores de 2016 – Roteiro Original

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O Som ao Redor, longa de estreia do pernambucano Kleber Mendonça Filho, pode até ser mais afiado em determinadas leituras da contemporaneidade brasileira, mas isso não diminui o valor do grande roteiro de Aquarius. É, inclusive, mera questão de estilo. No filme estrelado por Sonia Braga, Kleber reforça sua total influência como uma das grandes vozes do cinema brasileiro. E isso não se deve apenas ao que o filme representou em um conturbado momento político do nosso país. O roteiro escrito por ele, na verdade, encontra sua real excelência em outros aspectos que ficaram em segundo plano na época do lançamento do flonga. Analisado mais isoladamente, Aquarius é, antes de qualquer coisa, um hino à força feminina, construindo, com intensidade e delicadeza, a bela história de uma mulher de meia-idade independente, forte, muito bem posicionada e ativa sexualmente. A partir da riquíssima personalidade de Clara (Sonia Braga), Kleber entrega um roteiro rico em interpretações e reforça, assim como o recente Elle, a ideia que, às vezes, basta uma grande personagem ser plenamente compreendida e lida de forma inteligente em suas mais diversas facetas para que o roteiro de uma obra seja suficientemente fascinante. Ainda disputavam a categoriaDe Onde Eu Te VejoA JuventudeSpotlight – Segredos Revelados e Sinfonia da Necrópole.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 Que Horas Ela Volta? | 2014 Relatos Selvagens |  2013 – Antes da Meia-Noite | 2012 A Separação | 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

Melhores de 2016 – Figurino

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Com três Oscars na bagagem, Sandy Powell já foi figurinista de mais de 40 filmes e teve a oportunidade de ir do clássico (Shakespeare ApaixonadoA Jovem Rainha VictoriaO Aviador) ao mágico (CinderelaA Invenção de Hugo Cabret e atualmente criando para Mary Poppins Returns). São muitos os figurinos de destaque em sua admirável carreira, e Carol certamente está entre eles. Antes da elegância incontestável dos casacos e vestidos de Carol (Cate Blanchett) ou da delicadeza e introspecção das roupas de Therese (Rooney Mara), os figurinos impressionam pela imensa inteligência em definir com precisão a personalidade de suas protagonistas e toda a jornada emocional que elas atravessam no filme dirigido por Todd Haynes. Se Therese usa roupas delicadas e de tons mais leves como o verde, representando sua identidade dócil, Carol é frequentemente vista usando vermelho, simbolizando a paixão vista pelos olhos da jovem interpretada por Rooney Mara. Quando se enamoram, ambas frequentemente trocam de cores, o que claramente denota o profundo conhecimento dos figurinos acerca do envolvimento emocional dessas duas mulheres. Já a sociedade que tanto impõe fronteiras às duas se veste com ternos marrons e beges, criando um padrão estético que leva o espectador imediatamente a associá-lós a um impedimento da paixão por qual tanto torcemos. É trabalho de sintonia rara. Ainda disputavam a categoriaAnimais Fantásticos e Onde Habitam, Animais Noturnos, Brooklin e A Garota Dinamarquesa.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta