Cinema e Argumento

Melhores de 2012 – Animação

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A carreira de Tim Burton parecia fadada ao fracasso com Sombras da Noite. Porém, bastou Frankenweenie entrar em cartaz para percebermos que o diretor ainda pode trabalhar seus elementos favoritos sendo original, divertido e envolvente. Em sua mais nova animação, Burton faz várias referências a outros filmes sem nunca perder o controle da história, que, apesar do preto-e-branco, é acessível para todos os públicos. Com um excelente ritmo e um impecável trabalho técnico (também temos a trilha mais inspirada de Danny Elfman em anos!), Frankenweenie traz, com muito frescor, todas as qualidades que fizeram de Burton um diretor reconhecido mundialmente. É uma animação dark mas também afetiva, com alguns personagens bizarros porém adoráveis, e trabalhada a partir de uma trama que foge dos padrões engessados de animações que são apenas cópias umas das outras. Uma grata surpresa.

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OUTROS INDICADOS:

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Na mesma época em que lançou o monótono Cavalo de Guerra, Steven Spielberg mostrou um senso diferente de diversão com As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne / Com roteiro de Keiko Niwa em parceria com o mestre Hayao Miyazaki, O Mundo dos Pequeninos é mais uma animação japonesa especial por ser feita com o coração.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – O Ursinho Pooh | 2010 – Mary & Max: Uma Amizade Diferente | 2009 – Up: Altas Aventuras

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. Frankenweenie (52.94%, 18 votos)

2. As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne (38.24%, 13 votos)

3. O Mundo dos Pequeninos (8.82%, 3 votos)

Melhores de 2012 – Direção de Arte

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É o típico caso em que o filme não foi unanimidade, mas cujo trabalho técnico foi reconhecido – e premiado – por onde passou. E A Invenção de Hugo Cabret merece todos os elogios do mundo pelo visual minucioso e encantador. O que mais impressiona, sem qualquer sombra de dúvida, é a direção de arte do italiano Dante Ferretti. Poucas vezes Paris impressionou além do cartão-postal e foi reconstituída de forma tão bela. Fica visível para o espectador que cada detalhe foi devidamente pensado e o resultado desse conjunto de acertos é o excepcional trabalho que podemos ver ao longo do filme. Das ruas da capital francesa até os cenários que são palco das homenagens ao cinema, A Invenção de Hugo Cabret nunca deixa de ser instigante ao transportar o espectador para dentro daquele mágico universo. Mesmo quem não se empolga com o filme (como é o meu caso) há de reconhecer a preciosidade alcançada por Ferretti nessa especialíssima direção de arte.

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 OUTROS INDICADOS:

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A Terra Média volta a encantar graças também à direção de arte em O Hobbit – Uma Jornada InesperadaO Impossível reconstituiu com perfeição a devastação e o caos hospitalar da Tailândia pós-tsunami / Singela, nostálgica e cheia de simbologias, a direção de arte é um dos pontos altos de Moonrise Kingdom / Muito além dos efeitos visuais, Prometheus ainda realiza um belo trabalho de direção de arte para dar vida ao universo de Ridley Scott.

EM ANOS ANTERIORES: 2011Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007Maria Antonieta

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. A Invenção de Hugo Cabret (32.14%, 18 votos)

2. Moonrise Kingdom (32.14%, 18 votos)

3. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (16.07%, 9 votos)

4. Prometheus (14.29%, 8 votos)

5. O Impossível (5.36%, 3 votos)

Melhores de 2012 – Maquiagem

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Há quem diga que o trabalho de maquiagem baseado em figuras da vida real é mais fácil justamente por ter uma referência, algo a ser reproduzido. Que heresia! É justamente o contrário: tendo alguém como parâmetro, a exigência das plateias é muito maior e o trabalho, claro, precisar ser muito mais minucioso. E J. Roy Helland, colaborador de Meryl Streep desde o tempo de A Escolha de Sofia, em parceria com o trabalho prostético de Mark Coulier, reproduziu com perfeita fidelidade todas as fases da polêmica Margaret Thatcher. Isso é o que existe de fascinante na maquiagem de A Dama de Ferro: mais do que impressionar com uma idosa e frágil Thacher, ela acompanha todas as transições de visual da personagem durante décadas. Como a própria Meryl discursou várias vezes na temporada de premiações de 2012, seu trabalho como atriz não seria possível sem a irrepreensível dedicação de Helland e Coulier. Uma maquiagem que serve a sua intérprete com a mesma magnitude.

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OUTROS INDICADOS:

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Fundamental para mostrar todas as facetas do monsieur Oscar (Dennis Lavant), a maquiagem de Holy Motors ajuda a construir o fascinante delírio que o filme é / A veracidade dos efeitos do tsunami na Tailândia também está presente no eficiente trabalho de maquiagem de O Impossível.

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. A Dama de Ferro (43.18%, 19 votos)

2. Holy Motors (36.36%, 16 votos)

3. O Impossível (20.45%, 9 votos)

Melhores de 2012: indicados

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“007 – Operação Skyfall” lidera a lista de melhores de 2012 do Cinema e Argumento

Já é tradição no Cinema e Argumento escolher quais os filmes que mais se destacaram ao longo do ano em várias categorias. E, para escolhermos os melhores de 2012, resolvemos adotar um procedimento diferente. Ao invés de anunciarmos os indicados e vencedores a cada post, publicamos agora apenas a lista completa de indicados para, posteriormente, divulgarmos apenas os vencedores. Uma tentativa de aumentar o suspense, digamos assim.

Lembrando que nossas escolhas contemplam apenas os filmes inéditos lançados comercialmente no Brasil durante o ano em questão, tanto nos cinemas quanto em home video. Também vale ressaltar que nós decidimos em qual categoria certos casos “polêmicos” se enquandram: entendemos, por exemplo, que, apesar de 007 – Operação Skyfall ser baseado no personagem criado por Ian Fleming, isso não define o roteiro como adaptado. Oara nós, o que vale é a história. Por falar no filme de Sam Mendes, ele lidera a nossa lista, com oito indicações, seguido por O Impossível com sete e Guerreiro, Holy MotorsPrecisamos Falar Sobre o Kevin com cinco cada.

OBS: durante a próxima semana, estaremos de férias. Voltamos no dia 27, com nossas apostas para o SAG 2013. Até lá! =)

MELHOR FILME

007 – Operação Skyfall
Argo
Guerreiro
Precisamos Falar Sobre o Kevin
A Separação

MELHOR DIREÇÃO

Ben Affleck (Argo)
Gavin O’Connor (Guerreiro)
Leos Carax (Holy Motors)
Lynne Ramsay (Precisamos Falar Sobre o Kevin)
Sam Mendes (007 – Operação Skyfall)

MELHOR ATRIZ

Charlize Theron (Jovens Adultos)
Glenn Close (Albert Nobbs)
Meryl Streep (A Dama de Ferro)
Michelle Williams (Sete Dias Com Marilyn)
Tilda Swinton (Precisamos Falar Sobre o Kevin)

MELHOR ATOR

Denis Lavant (Holy Motors)
George Clooney (Os Descendentes)
Jean Dujardin (O Artista)
Rodrigo Santoro (Heleno)
Tom Holland (O Impossível)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE

Janet McTeer (Albert Nobbs)
Judi Dench (007 – Operação Skyfall)
Sandra Bullock (Tão Forte e Tão Perto)
Shailene Woodley (Os Descendentes)
Viola Davis (Histórias Cruzadas)

MELHOR ATOR COADJUVANTE

Ewan McGregor (O Impossível)
Ezra Miller (As Vantagens de Ser Invisível)
Javier Bardem (007 – Operação Skyfall)
Max Von Sydow (Tão Forte e Tão Perto)
Nick Nolte (Guerreiro)

MELHOR ELENCO

Guerreiro
Histórias Cruzadas
O Impossível
Moonrise Kingdom
A Separação

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL

007 – Operação Skyfall
Holy Motors
Moonrise Kingdom
A Separação
Weekend

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO

Argo
Frankenweenie
Heleno
Precisamos Falar Sobre o Kevin
As Vantagens de Ser Invisível

MELHOR ANIMAÇÃO

As Aventuras de Tintim: O Segredo do Licorne
Frankenweenie

O Mundo dos Pequeninos

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
O Impossível
A Invenção de Hugo Cabret
Moonrise Kingdom
Prometheus

MELHOR FIGURINO

O Artista
Histórias Cruzadas
A Invenção de Hugo Cabret
Jane Eyre
W.E. – O Romance do Século

MELHOR FOTOGRAFIA

007 – Operação Skyfall
As Aventuras de Pi
Heleno
A Invenção de Hugo Cabret
Moonrise Kingdom

MELHORES EFEITOS VISUAIS

As Aventuras de Pi
O Hobbit: Uma Jornada Inesperada
O Impossível
Prometheus
Os Vingadores

MELHOR TRILHA SONORA

As Aventuras de Pi
O Impossível
Jane Eyre
Tão Forte e Tão Perto
W.E. – O Romance do Século

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL

“Lay Your Head Down” (Albert Nobbs)
“Masterpiece” (W.E. – O Romance do Século)
“Skyfall” (007 – Operação Skyfall)
“Strange Love” (Frankenweenie)
“Who Were We?” (Holy Motors)

MELHOR MONTAGEM

Argo
Guerreiro
O Homem Que Mudou o Jogo
Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
Precisamos Falar Sobre o Kevin

MELHOR EDIÇÃO/MIXAGEM DE SOM

007 – Operação Skyfall
Drive
O Homem Que Mudou o Jogo
Millenium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
O Mundo dos Pequeninos

MELHOR MAQUIAGEM

A Dama de Ferro
Holy Motors
O Impossível

Os piores filmes de 2012

A minha lista de piores do ano não tem Battleship – A Batalha dos MaresAs Aventuras de Agamenon ou Abraham Lincoln – O Caçador de Vampiros. Eles não estão presentes porque sempre procuro sofrer o menos possível quando vou ao cinema. Não preciso ver esses filmes para saber que são péssimos. Simples assim. E com o ingresso do cinema cada vez mais caro, fico ainda mais atento quanto aos filmes que escolho ver. É economia de tempo, dinheiro e paciência. Por isso, a minha lista de piores do ano – que segue abaixo, em ordem alfabética – pode ser um pouco diferente do que você está acostumado a ver por aí. Dentro do universo de longas que assisti em 2012, selecionei dez que me irritaram profundamente – alguns por serem inquestionavelmente ruins mesmo e outros por serem grandes decepções. De Steven Spielberg a Phyllida Lloyd, o que eu vi de mais insuportável no cinema em 2012:

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AMOR IMPOSSÍVEL, de Lasse Hallström: E pensar que, um dia, o sueco Lasse Hallström já reuniu nomes de calibre como Judi Dench em filmes que volta e meia eram celebrados pelo Oscar. Mas a verdade é que ele nunca foi um grande diretor. E Amor Impossível traz toda a sua mediocridade como cineasta. Culpa também do roteiro horroroso escrito por Simon Beaufoy (festejado mundialmente por seu trabalho em Quem Quer Ser Um Milionário?), que em nada ajuda a proposta desinteressante e monótona. Não sei quem disse aos envolvidos que uma história sobre pesca de salmão no Iêmen era um assunto estimulante. Até o elenco está murcho aqui, incluindo Kristin Scott Thomas, frequentemente beirando a caricatura. De cortar os pulsos.

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CAVALO DE GUERRA, de Steven Spielberg: Talvez seja mais por implicância mesmo, mas não tenho muita paciência com esses filmes açucarados que brincam com a boa vontade do espectador. Cavalo de Guerra pede que eu acredite demais em coincidências e que, em consequência disso, eu embarque em um clima excessivamente manipulador. Há quem goste. Não é o meu caso. E, por isso, Cavalo de Guerra é o meu filme menos favorito do Spielberg em anos. Para agravar a situação, a Primeira Guerra Mundial é mal situada e retratada com todas as formalidade do gênero. Ah, e ainda tem espaço para alívio cômico, aqui representado por um “divertido” ganso… Dessa vez não deu, Spielberg.

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A DAMA DE FERRO, de Phyllida Lloyd: Nunca pensei que Meryl Streep fosse ganhar o seu tão aguardado terceiro Oscar por um filme ruim. Não era nenhuma novidade que Phyllida Lloyd não tinha currículo para dirigir a cinebiografia de uma polêmica figura política, mas aqui ela impressionou – no sentido negativo – não só por trazer uma abordagem completamente neutra de Margaret Thatcher (uma personagem que merecia complexidades em função de seus posicionamentos fortes) – mas por cometer o erro de achar que, para conhecermos por completo a protagonista, precisamos acompanhar toda a sua vida. Sem falar que A Dama de Ferro é contado do ponto de vista errado, repleto de alucinações cansativas e irrelevantes de uma idosa Thatcher.

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A HORA DA ESCURIDÃO, de Chris Gorak: Os filmes sobre o fim do mundo estão em crise. Já não bastasse o péssimo 2012, outro exemplar mostra que esse cenário pode ser bem tedioso. É A Hora da Escuridão, que até consegue criar certo clima de suspense em seus primeiros momentos, mas que, aos poucos, perde o fôlego e cai na monotonia. É uma pena ver o talentoso Emile Hirsch envolvido nesse filme B que não chega nem perto de empolgar. Exibido nos cinemas em cópias 3D e convencionais, passou completamente despercebido por todos. Também pudera: se é pra mostrar uma trama batida, que pelo menos seja de forma divertida.

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MAGIC MIKE, de Steven Soderbergh: Particularmente, uma das grandes decepções do ano. Primeiro porque falta diversão: Magic Mike não é pop, descontraído ou sequer um guilty pleasure. Segundo porque perde muitas oportunidades, como a de quebrar o preconceito com a nudez masculina no cinema. Infelizmente – principalmente depois do ótimo Contágio -, é mais um atestado de que Steven Soderbergh tem pouca personalidade e não consegue mais manter uma boa média nos trabalhos que realiza. Foi lembrado em algumas associações de críticos em função do desempenho de Matthew McCounaghey – o que é um mistério, já que nada nesse filme é digno de honrarias.

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NA TERRA DE AMOR E ÓDIO, de Angelina Jolie: Alguns defenderam que tem o seu valor histórico e de denúncia, mas eu só consegui ter sono. As ideias e as propostas de Angelina Jolie são nobres, mas ela falha imensamente como diretora e roteirista. No romance, erra ao não fazer o espectador torcer pelo amor impossível do casal. Na guerra, apenas choca com as cenas mais fortes, sem fazer com que alguém realmente se interesse pelos conflitos da Guerra Iugoslava. Não à toa, só foi lembrado pelo Globo de Ouro na categoria de filme estrangeiro. E foi lembrado por ser de Angelina Jolie, já que, como todos nós sabemos, o Globo de Ouro nunca perde a chance de bajular uma grande celebridade.

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A SAGA CREPÚSCULO: AMANHECER – PARTE 2, de Bill Condon: A Saga Crepúsculo não poderia chegar ao fim sem, claro, estar entre os piores do ano. Apesar de ser considerado o “melhor” da série, Amanhecer – Parte 2 é repleto de falhas como qualquer outro longa protagonizado por Edward (Robert Pattinson) e Bella (Kristen Stewart). Falta consistência, desculpas convincentes e, principalmente, um fechamento que dê sentido à existência de tantos filmes. Tem uma boa cena de batalha na neve, mas até ela está cercada de decisões bastante questionáveis. É o mais açucarado e direcionado aos fãs, mas isso não justifica muita coisa.

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SOMBRAS DA NOITE, de Tim Burton: Possivelmente, o pior filme de toda a carreira de Tim Burton. Além de ser extremamente repetitivo (quem ainda consegue ver algo de positivo nas recicladas interpretações de Johnny Depp, por exemplo?), o filme tem um humor batido e uma história extremamente dispersa, prejudicada pelo excesso de personagens. Copiando descaradamente longas como A Morte Lhe Cai BemSombras da Noite é uma das experiências mais aborrecidas de 2012. Sorte que Burton conseguiu se reerguer posteriormente com o excelente Frankenweenie.

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TED, de Seth MacFarlane: Ainda tento entender como conseguem defender essa comédia que não passa de um completo besteirol americano de mau gosto. Inclusive, também tento entender como um prêmio tão quadrado como o Oscar convocou o diretor e roteirista Seth MacFarlane para apresentar a próxima cerimônia. Rotulado como politicamente incorreto, Ted não tem ritmo e não escapa dos clichês da história do homem que não cresce e é influenciado por um amigo imaturo. Chega dar até pena ver Mila Kunis perdida no meio dessa bobagem. Lamentável.

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W.E. – O ROMANCE DO SÉCULO, de Madonna: As intenções são louváveis e o requinte da parte técnica é exemplar (figurinos e trilha são o ponto alto), mas W.E. – O Romance do Século é muito e mal desenvolvido. Culpa da megalomania de Madonna, aqui exercendo total controle sobre o filme, ocupando os cargos de diretora, roteirista e produtora – o que certamente se reflete no resultado final, que deixa bem claro suas limitações em função de uma comandante que pode até ser boa na música, mas que ainda não está nem perto de ser uma cineasta de confiança. A história merecia mais.