Cinema e Argumento

Melhores de 2012 – Ator

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Trabalhar nos Estados Unidos deve ter rendido ótimos trocados para Rodrigo Santoro, mas é aqui no Brasil que ele é um grande ator. De verdade. Um dos nomes mais confiáveis, sem dúvida. Com interpretações espetaculares em filmes que marcaram época (Bicho de Sete Cabeças, Abril Despedaçado), o ator voltou a brilhar completamente frente a uma produção nacional: no caso, Heleno, de José Henrique Fonseca, que narra a glória e a decadência de Heleno de Freitas, jogador que fez história no Rio de Janeiro, seja integrando o time Botafogo ou sendo um verdadeiro furacão com as mulheres e a mídia. Impressiona a forma como Santoro emagrece e definha frente às câmeras sem deixar transparecer qualquer resquício de gestos ou expressões calculadas. É uma interpretação extremamente natural, que acompanha com perfeição o charme do jogador (e Santoro nunca esteve tão sedutor no cinema) e também seus últimos dias senis jogado em uma instituição. É um dos grandes momentos do ator, que não permite que a arrogância do protagonista seja um obstáculo. Como Heleno de Freitas, ele se entrega completamente a todas as possibilidades, convencendo a todos de que toda a fama de irresistível e difícil do jogador eram sim justificáveis. Pena que lá fora as chances para Santoro não são tão especiais como aqui…

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OUTROS INDICADOS:

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DENIS LAVANT (Holy Motors)

Versatilidade é a palavra que define a interpretação do francês Denis Lavant em Holy Motors. A prazerosa alucinação que é o filme de Leos Carax pode dividir opiniões, mas isso não acontece com o trabalho do ator. Na pele de diversos personagens, ele está excepcional em cada um deles. E o melhor de tudo é que o resultado nunca se resume apenas o que vemos na excelente maquiagem: o ator atua diretamente com ela – o que, claro, é um verdadeiro presente entre os vários de Holy Motors.

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GEORGE CLOONEY (Os Descendentes)

O desempenho de George Clooney em Os Descendentes comprova que os prêmios recebidos por Syriana – A Indústria do Petróleo foram prematuros. No filme de Alexander Payne, ele se desvia do esquema de interpretar a si mesmo para entregar o seu melhor momento como ator. Na pele de Matt King, o pai de família que descobre uma traição da esposa após ela entrar em coma, Clooney mostrou uma segurança admirável e conduziu com sensibilidade e sutileza todos os momentos do filme.

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JEAN DUJARDIN (O Artista)

Dá para acreditar que Jean Dujardin veio diretamente do cinema mudo para os dias de hoje tamanha a sua desenvoltura ao interpretar um papel desse estilo. O francês, que chegou a vencer o Oscar 2013 por seu desempenho, brilha em O Artista, divertindo com grande naturalidade e também convencendo nos momentos mais reflexivos. Ao lado da também ótima Bérénice Bejo, ele lidera o filme de Michel Hazanavicius com méritos inegáveis.

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TOM HOLLAND (O Impossível)

O jovem Tom Holland foi uma das grandes surpresas de 2012. Ele não se intimidou ao fazer dupla com Naomi Watts em O Impossível, apresentando uma força inquestionável como o verdadeiro protagonista da história. É o primeiro filme de sua carreira e, julgando pelo talento que apresentou, já podemos esperar ansiosamente por seus futuros trabalhos. Segurando sozinho o filme em certos momentos, ele é, sem dúvida, um nome para se guardar.

EM ANOS ANTRIORES: 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei) | 2010 – Colin Firth (Direito de Amar) | 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade) | 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) | 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)

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1. Jean Dujardin, por O Artista (39.66%, 23 votos)

2. Dennis Lavant, por Holy Motors (22.41%, 13 votos)

3. George Clooney, por Os Descendentes (15.52%, 9 votos)

4. Rodrigo Santoro, por Heleno (12.07% , 7 votos)

5. Tom Holland, por O Impossível (10.34%, 6 votos)

Melhores de 2012 – Roteiro Original

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2012 foi um ano interessantíssimo para os roteiros originais, mas, por melhor que todos sejam, nenhum se compara ao de A Separação. Escrito por Asghar Farhadi, que também é responsável pela direção, o roteiro é um verdadeiro exemplo de como uma história bem elaborada e atenta a todos os detalhes desde o princípio faz toda a diferença. Não que A Separação não tenha outros méritos (a direção é segura e o elenco é excepcional), mas o texto de Farhadi é de uma qualidade absurda: jogando o espectador de um lado para o outro entre os personagens, ele desafia o espectador a descobrir quem diz a verdade em um conflito extremamente nervoso. E nada é apelativo, já que todos os conflitos encenados são muito próximos da vida real. Um belo trabalho calcado em diálogos que, além do confronto principal entre dois personagens, ainda encontra espaço para falar sobre velhice, lealdade e casamento com extrema simplicidade e eficiência. Roteiro de dar inveja.

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OUTROS INDICADOS:

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Quem disse que um filme de James Bond não pode receber aplausos também pelo roteiro? No caso de 007 – Operação Skyfall, celebrações são mais do que apropriadas / Suscetível a todo tipo de interpretação, o roteiro de Holy Motors é um completo delírio, mas instigante justamente em função desse efeito / Moonrise Kingdom é o melhor trabalho de Wes Anderson, que, em parecia com Roman Coppola, criou um texto incrivelmente prazeroso / É bom ficar de olho em Andrew Haigh, que, em Weekend, fez um retrato  realista da intimidade de um casal (e pouco importa se ele é formado por dois homens).

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. A Separação (40.54%, 15 votos)

2. Moonrise Kingdom (32.43%, 12 votos)

3. Holy Motors (10.81%, 4 votos)

4. Weekend (10.81%, 4 votos)

5. 007 – Operação Skyfall (5.41%, 2 votos)

Melhores de 2012 – Atriz

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Só uma atriz como Tilda Swinton poderia interpretar uma personagem tão complexa quanto a Eva Katchadourian de Precisamos Falar Sobre o Kevin. Com traços exóticos inconfundíveis, ela é uma das poucas que não hesita em abandonar vaidades para se entregar totalmente à crueza de um papel. É justamente isso o que acontece no filme de Lynne Ramsay: Tilda, totalmente submersa no inferno vivido por Eva, faz questão de evidenciar, em cada detalhe de sua interpretação, o transe vivido por uma mãe que teve sua vida destruída após um trágico evento escolar. É um trabalho avassalador que, apesar de não ter um momento mais apelativo, consegue ser ainda mais eficiente e claustrofóbico em função desse sofrimento silencioso. A atriz, que aqui alcança o melhor momento de sua carreira, entrega um desempenho surpreendente – e inexplicavelmente subestimado – que, sem qualquer forçação de barra, é um dos mais marcantes dos últimos anos.

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OUTRAS INDICADAS:

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CHARLIZE THERON (Jovens Adultos)

Em Jovens Adultos, Charlize Theron tem um raro momento de sua carreira: a possibilidade de interpretar um papel que lhe dá várias chances e a chance de usar toda a sua beleza a favor dele. E a fórmula é infalível: mais bela do que nunca, Charlize não precisou ficar irreconhecível como em Monster – Desejo Assassino para mostrar mais uma vez seu talento. No filme de Jason Reitman, ela defende muito bem a difícil Mavis Gary e consegue fazer com que reconheçamos os méritos de sua interpretação, mesmo com uma personagem que não tem motivo algum para conquistar a torcida do público.

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GLENN CLOSE (Albert Nobbs)

Faltou muito para o filme de Rodrigo García conseguir dar verdadeira chance de ouro para a sempre injustiçada Glenn Close, mas ela não desaponta como o mordomo Albert Nobbs. Talvez a circunstância não seja lá muito convincente (será mesmo que todos acreditariam que aquela mulher é mesmo um homem?), mas a atriz consegue sempre se esquivar de um roteiro que volta e meia tenta lhe sabotar. Se falta intensidade e complexidade no texto, Close deixa esses detalhes de lado e interpreta com elegância um papel que também representou seu grande momento como atriz no teatro.

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MERYL STREEP (A Dama de Ferro)

A intenção de Phyllida Lloyd era mais do que nobre: colocar Meryl Streep frente a um papel histórico. E, como a britânica Margaret Thatcher, Meryl Streep realmente arrasou em A Dama de Ferro. O que ela não teve foi o pacote completo com um filme sofisticado e inteligente para, de fato, marcar época. De qualquer jeito, é um dos momentos mais interessantes da carreira de Meryl, onde a atriz, de novo, explora sua grande versatilidade ao transitar por todas as fases da primeira ministra com total naturalidade. Ninguém poderia fazer Thatcher, sobreviver ilesa a um filme ruim e ainda conquistar prêmios mundialmente como ela.

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MICHELLE WILLIAMS (Sete Dias Com Marilyn)

Ela não tem qualquer semelhança com o mito Marilyn Monroe e sua caracterização para Sete Dias Com Marilyn é no máximo esforçada. Mas Michelle Williams é uma excelente atriz e, com muita habilidade, trabalha todos os interessantes dramas de uma protagonista que, além de já ter um brilho próprio, ganha uma luz extra nas mãos da atriz. Por essa simpática e eficiente cinebiografia, que ainda traz no elenco Judi Dench e o jovem Eddie Redmayne, recebeu uma merecida indicação ao Oscar.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg (Melancolia) | 2010 – Carey Mulligan (Educação) | 2009 – Kate Winslet (Foi Apenas Um Sonho) | 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!) | 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor)

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. Tilda Swinton, por Precisamos Falar Sobre o Kevin (36.36%, 20 votos)

2. Charlize Theron, por Jovens Adultos (27.27%, 15 votos)

3. Meryl Streep, por A Dama de Ferro (18.18%, 10 votos)

4. Glenn Close, por Albert Nobbs (10.91%, 6 votos)

5. Michelle Williams, por Sete Dias Com Marilyn (7.27%, 4 votes)

Melhores de 2012 – Trilha Sonora

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Alexandre Desplat tem vida pessoal? Impossível não fazer essa pergunta, já que o francês deve realizar no mínimo três trilhas por ano, para chutar uma média qualquer. Às vezes, cai na lógica de que quantidade não é qualidade, mas frequentemente entrega trabalhos muito especiais. E Tão Forte e Tão Perto figura, sem dúvida, entre os melhores de toda a sua magnífica carreira – sendo, no mínimo, a mais impressionante desde O Curioso Caso de Benjamin Button, que marcou época. O filme de Stephen Daldry não é especial, mas vale a pena prestar atenção no eficiente uso das composições, todas trazendo um Desplat impecável no uso do piano. É um trabalho muito sensível, responsável por boa parte dos momentos mais emocionantes desse filme que frequentemente fica no meio do caminho ao desenvolver seus dramas. Da primeira a última faixa, a trilha, completamente esquecida na sua respectiva temporada de premiações, nunca perde o fôlego e é um dos pontos mais preciosos de Tão Forte e Tão Perto. Bravo, Desplat!

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OUTROS INDICADOS:

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Depois de pequenos trabalhos não muito conhecidos, Mychael Danna finalmente saiu do quase anonimato com a ótima trilha de As Aventuras de Pi / A trilha de O Impossível cumpre com louvor a missão de tornar o filme de Juan Antonio Bayona ainda mais emocionante / Jane Eyre é um trabalho menor do italiano Dario Marianelli, mas tão encantador quanto seus melhores momentos / Abel Korzeniowski está em mais um belíssimo momento de sua carreira com W.E. – O Romance do Século.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – A Rainha

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. As Aventuras de Pi (33.33%, 10 votos)

2. Tão Forte e Tão Perto (23.33% , 7 votos)

3. O Impossível (20%, 6 votos)

4. W.E. – O Romance do Século (13.33%, 4 votos)

5. Jane Eyre (10%, 3 votos)

Melhores de 2012 – Montagem

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Sempre é válido reiterar a decepção que foi Guerreiro ter sido lançado diretamente em home video aqui no Brasil. Mais do que um excelente drama familiar, o filme de Gavin O’Connor merecia as telas de cinema em função de seu excelente trabalho técnico. Seria, por exemplo, uma imensa satisfação conferir, no melhor formato possível, a montagem do filme, cujo mérito vai muito além das dinâmicas e eletrizantes lutas de MMA. É, antes de mais nada, um trabalho que sabe distribuir com precisão a importância de cada um dos personagens. Nada de uma história dividida em blocos e muito menos que esquece um personagem durante certo tempo para que outro tenha destaque: tudo é sequencial, conectado e amarrado sem deixar qualquer aresta. O mais surpreendente da montagem de Guerreiro é que ela foi realizada por nada menos que quatro pessoas, o que poderia muito bem dar um resultado fragmentado ao filme. Porém, Sean Albertson, Aaron Marshall, John Gilroy e Matt Chesse provaram que a o trabalho compartilhado não passou nem perto de ser um obstáculo.

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OUTROS INDICADOS:

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A montagem só ajuda o excelente ritmo de Argo / Se não fosse pelos méritos de Christopher Tellefsen no segmento em questão, a história de O Homem Que Mudou o Jogo poderia muito bem cair na total monotonia / Apesar da longa duração, Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres tem um admirável trabalho de montagem / O vai-e-vem da narrativa de Precisamos Falar Sobre o Kevin é executado com precisão pelo trabalho de Joe Bini.

EM ANOS ANTERIORES: 2011 – 127 Horas | 2010 – A Origem | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez | 2007 – Babel

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ESCOLHA DO PÚBLICO:

1. Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (50%, 17 votos)

2. Argo (20.59%, 7 votos)

3. Guerreiro (17.65%, 6 votos)

4. Precisamos Falar Sobre o Kevin (8.82%, 3 votos)

5. O Homem Que Mudou o Jogo (2.94%, 1 voto)