Um drama intimista e outro de grandes ambições estéticas e narrativas despontam como os títulos mais indicados da nossa lista de melhores filmes de 2024. Tanto Todos Nós Desconhecidos quanto Pobres Criaturas acompanham jornadas pessoais muito particulares, ambas emolduradas por admiráveis sofistificações técnicas e ideias fora da curva que se refletem em nada menos do que indicações em dez categorias para cada longa. Eles são seguidos de perto por Ainda Estou Aqui e O Aprendiz, lembrados em oito categorias. O Oscarizado longa-metragem de Walter Salles e cinebiografia de Donald Trump levam figuras da vida real para as telas com narrativas ímpares, conferindo marcante frescor para um gênero frequentemente preso a fórmulas.
Confira abaixo a lista completa de indicados, cujo recorte se dá a partir dos filmes lançados comercialmente no Brasil ao longo do ano, seja nas salas de cinema ou em streaming:
MELHOR FILME Ainda Estou Aqui Anatomia de Uma Queda O Aprendiz Jurado Nº 2 Pobres Criaturas Saudade Fez Morada Aqui Dentro A Substância Todos Nós Desconhecidos Vidas Passadas Zona de Interesse
MELHOR DIREÇÃO Andrew Haigh (Todos Nós Desconhecidos) Coralie Fargeat (A Substância) Jonathan Glazer (Zona de Interesse) Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas) Walter Salles (Ainda Estou Aqui)
MELHOR ELENCO Ainda Estou Aqui Ficção Americana Pobres Criaturas As Três Filhas Todos Nós Desconhecidos
MELHOR ATRIZ Demi Moore (A Substância) Emma Stone (Pobres Criaturas) Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui) Natalie Portman (Segredos de Um Escândalo) Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda)
MELHOR ATOR Andrew Scott (Todos Nós Desconhecidos) Bruno Jeferson (Saudade Fez Morada Aqui Dentro) Jeffrey Wright (Ficção Americana) Kōji Yakusho (Dias Perfeitos) Sebastian Stan (O Aprendiz)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE Claire Foy (Todos Nós Desconhecidos) Julianne Moore (Segredos de Um Escândalo) Maria Bakalova (O Aprendiz) Penélope Cruz (Ferrari) Toni Collette (Jurado Nº 2)
MELHOR ATOR COADJUVANTE Jamie Bell (Todos Nós Desconhecidos) Jeremy Strong (O Aprendiz) Milo Machado Graner (Anatomia de Uma Queda) Paul Mescal (Todos Nós Desconhecidos) Selton Mello (Ainda Estou Aqui)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL Anatomia de Uma Queda Jurado Nº 2 Segredos de Um Escândalo A Substância Vidas Passadas
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO Ainda Estou Aqui Ficção Americana Pobres Criaturas Todos Nós Desconhecidos Zona de Interesse
MELHOR MONTAGEM Ainda Estou Aqui Anatomia de Uma Queda O Aprendiz Rivais Todos Nós Desconhecidos
MELHOR FOTOGRAFIA O Aprendiz Pobres Criaturas O Sabor da Vida Todos Nós Desconhecidos Zona de Interesse
MELHOR TRILHA SONORA O Aprendiz Pobres Criaturas O Quarto ao Lado Rivais A Substância
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO Ainda Estou Aqui Estômago 2: O Poderoso Chef Pobres Criaturas Zona de Interesse Wicked
MELHOR FIGURINO Furiosa: Uma Saga Mad Max Pobres Criaturas Priscilla O Quarto ao Lado Wicked
MELHOR SOM Alien: Romulus Furiosa: Uma Saga Mad Max Um Lugar Silencioso: Dia Um A Substância Zona de Interesse
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL “Compress/Repress” (Rivais) “Folie à Deux” (Coringa: Delírio a Dois) “Never Too Late” (Elton John: Never Too Late) “Quiet Eyes” (Vidas Passadas) “Vaster Than Empires” (“Queer”)
MELHORES EFEITOS VISUAIS Alien: Romulus Furiosa: Uma Saga Mad Max Guerra Civil Um Lugar Silencioso: Dia Um O Mal Que Nos Habita
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS O Aprendiz Um Homem Diferente Pobres Criaturas A Sociedade da Neve A Substância
A última novela que acompanhei com absoluta devoção foi Avenida Brasil, lá em 2012, quando consumíamos audiovisual de maneira bem diferente. Desde então, nos últimos anos — e, especialmente, nas produções pós-pandemia —, não embarquei mais neste formato que tanto define o público brasileiro. Minha impressão é que não há espaço para contemplação: hoje, tramas precisam estar sempre recheadas de ganchos e reviravoltas, mesmo em detrimento do compromisso com a realidade e com a própria lógica interna de suas dramaturgias. É crime pra cá, trapaça pra lá, traição no meio, planos mirabolantes e um punhado de malabarismos só para manter uma história indo em frente, custe o que custar, naquilo que produtores e roteiristas acreditam ser a solução para prender a atenção de plateias dispersas diante da hiper conexão.
Ao menos para mim, ver novelas virou sinônimo de um constante exercício de suspensão de crença, o que até acho tolerável, desde que a recompensa seja muito boa, o que não tem sido o caso na grande maioria das produções recentes. Se os folhetins televisivos se veem em completa crise, seja ela criativa ou comercial, agora eles também precisam lidar com uma importante novidade: os streamings passaram a desbravar o mercado das novelas, e Beleza Fatal, a produção original Max que exibiu seu capítulo derradeiro nesta última sexta-feira (21), acaba sendo um marco em uma discussão acalorada em meio à crise catastrófica de, por exemplo, Mania de Você, que registrou há poucas semanas a pior audiência de uma novela das nove para a Rede Globo, desbancando Travessia, de Glória Perez, não por acaso, outra produção bastante recente.
Beleza Fatal mexe em muitos calos porque mobilizou o público: nas mídias sociais, foi comentada, virou meme, revigorou o embalo do ritual coletivo de se assistir semanalmente a um programa e, com mais liberdade para tratar de temas considerados espinhosos pela TV aberta, tocou em questões que refletem os dias atuais. Trata-se de uma novela que, assim como a ótima Pedaço de Mim, da Netflix, repensa formatos tradicionais, a começar pela existência de núcleos mais enxutos e um número menor de episódios. É fácil e divertido acompanhar Beleza Fatal, pois, com economia, pouco sobra em cena e todos os personagens criados pelo roteirista Raphael Montes estão ali para, de um jeito ou de outro, colaborar para que a história avance.
Há outro aspecto ao mesmo tempo importante e desafiador: no formato de streaming, a resposta do público não influencia no andamento da história, como acontece na TV aberta. Tudo já está escrito e filmado, e isso pode ser tanto uma bênção quanto uma maldição. Sem o termômetro do público, é impossível dosar mais ou menos os personagens e até mesmo repensar os rumos de uma trama a partir dos índices de audiência. Em suma, se a proposta de uma determinada novela pega, o sucesso, em tese, está garantido até o fim. Por outro lado, se não engrena, é impossível colocar mudar a rota. Felizmente, Beleza Fatal acerta a mão e mantém um fôlego admirável ao longo de suas dezenas de episódios, convicta de seu estilo e de sua proposta.
A minha relação conflituosa com a novela de estreia da Max reside na ideia de que ela, apesar dos inegáveis acertos, ainda carrega muitos vícios da TV aberta, mas falemos sobre isso daqui a pouco. De forma resumida, Beleza Fatal explora a linha tênue entre justiça e vingança, com foco no plano traçado por Sofia (Camila Queiroz) para derrubar Lola (Camila Pitanga), responsável por colocar sua mãe injustamente na prisão e, depois, mandar assassiná-la. Sofia vive com a família Paixão, também assombrada por uma tragédia pessoal: a morte da filha Rebeca (Fernanda Marques) pelas mãos de Rog (Marcelo Serrado) e Benjamin (Caio Blat) durante uma cirurgia plástica. E é claro: Lola não poderia deixar de estar envolvida com esse núcleo, liderado pela poderosa família Argento.
Metade do êxito de Beleza Fatal está na concepção dos personagens. Se Lola cumpre com folga o papel de uma vilã clássica, inescrupulosa e que adoramos odiar, o texto de Raphael Montes busca também conferir uma fragilidade imensa ao também vilão Benjamin ou, então, doçura e cumplicidade ao casal Elvira (Giovanna Antonelli) e Lino (Augusto Madeira). A escrita faz a trama partir de dilemas já consagrados — no caso, a eterna (e nada sutil) luta entre o bem e o mal — coexistir com perspectivas contemporâneas, entre elas, a naturalidade com que são discutidas questões sobre sexualidade identidade e sexualidade de gênero, seja com personagens abordados causas mais, digamos, panfletárias, ou com outros que se apresentam bissexuais sem que isso seja uma questão para os outros.
Muito do envolvimento despertado pelos personagens se deve à ótima escalação do elenco principal. Enquanto Camila Pitanga se diverte horrores na composição de Lola (e Beleza Fatal não poupa esforços para torná-la uma personagem marcante com bordões, desfile de figurinos e todo tipo de maldade), Caio Blat acerta em cheio na inegável mediocridade de seu Benjamin, um quase-homem com grandes aspirações, mas sem nenuma vocação para um dia minimamente alcançá-las. Outro que se diverte é Marcelo Serrado, muito feliz na caricatura das toscas facetas de um personagem detestável, bem como Giovanna Antonelli e Augusto Madeira, que esbanjam química e carisma como um casal humilde, apaixonado e pelo qual é fácil torcer.
Ainda assim, meu grande destaque vai para uma coadjuvante: Júlia Stockler como Gisela. Ela dá humanidade, camada e complexidade a uma personagem suscetível a um vitimismo piegas e sem muito alcance dramático. Sua jornada de autoconhecimento e de luta contra um relacionamento grotesco de tão abusivo é das mais bonitas da novela, tornando fácil a missão de solidarizarmos com uma personagem que, desde sempre sabemos, não merece passar por tamanho sofrimento pelas mãos do marido e de uma família a qual claramente não pertence. Stockler trata com delicadeza as fraquezas de uma mulher inerte diante do que lhe cerca e a gradativa força que ela adquire conforme abre os olhos para a realidade.
Não compartilho do mesmo entusiasmo pelo encadeamento da dramaturgia, cuja embalagem pop e camp se traduz melhor na direção geral de Maria de Médicis, profissional com vasta trajetória televisiva desde o início dos 2000, tendo já dirigido títulos como as minisséries JK e Queridos Amigos e novelas como Paraíso Tropical e Cheias de Charme. Em termos de roteiro, Beleza Fatal exige desprendimento integral da realidade por parte do espectador. Sobram conveniências em todas as storylines, que, caso fossem submetidas ao filtro do bom senso, jamais passariam da primeira leva de episódios. E aí mora a minha relação conflituosa com a novela: ela segue presa a saídas fáceis, exageros e suspensões de crença que, em grande parte, minaram a credibilidade do formato na TV aberta em anos recentes.
O formato condensado de episódios — Beleza Fatal se resolve em 40, contra as muitas vezes tradicionais centenas do gênero — ameniza o problema porque o investimento de tempo de quem assiste acaba sendo menor, porém, um comprometimento maior com a lógica cairia bem. O policial que não resolve absolutamente nada vivido por Enzo Romani é o menor dos problemas: do início ao fim, há um infinito entra e sai da delegacia e da prisão, como se as pessoas estivessem lá a passeio, advogados e investigadores mudando de lado conforme necessidade da trama para surpreender, incriminações repletas de furos e uma facilidade tremenda na execução de qualquer plano, sejam eles invasões a bancos, hackeamento de câmeras ou “simples” assassinatos. Se a consequência existe apenas diante de eventuais vontades do roteiro, como é possível levar a sério os perigos e as ameaças da história?
Há parte do público que celebra a “inspiração” e a “referência”, mas Beleza Fatal não é exatamente original ao fazer uma colagem de outros formatos e conflitos bem sucedidos na TV e no cinema. São um tanto excessivas as semelhanças com a premissa de Avenida Brasil, por exemplo, que ganhou o Brasil ao mostrar a história de, vejam só, a história de uma jovem que, ao longo de uma vida, traça um plano de vingança contra quem destruiu sua infância. Lá pelas tantas, Beleza Fatal também se move à la Parasita, o Oscarizado drama do sul-coreano Bong Joon-Ho sobre uma família pobre infiltrada no dia a dia de uma família rica. E o que dizer dos inegáveis toques de Succession na construção de Benjamin, o primogênito errático, fraco e mimado que tenta a todo custo conquistar a aprovação do pai e provar que merece estar na linha sucessória dos negócios da família?
O último capítulo, exibido de forma isolada pela Max, ao contrário dos outros, liberados a cada semana em blocos de cinco pelo streaming, colocou no liquidificador outros elementos de natureza novelesca, a exemplo do clássico “quem matou?”. Casamentos, julgamentos e viagens de última hora para o exterior também não faltaram. No entanto, Beleza Fatal acabou menos pulsante do que o esperado e amarrou às pressas o grande ponto de inflexão da novela: o de como a mocinha Sofia acabou embebedada pela vingança e se enraizou na mulher que sempre desejou destruir. Ótima provocação, inclusive bem defendida pela interpretação de Camila Queiroz. Já a execução… Nem tanto.
Somando acertos e fragilidades, a primeira novela da Max termina, sim, no saldo positivo — e o melhor de tudo: com o aval do público. Não chega a ser o novelão que o Brasil estava precisando como se chegou a anunciar pelas mídias sociais porque, apesar de conseguir perfilar bem o consumidor dos dias de hoje, ainda não dá um salto em termos de dramaturgia, preservando, repito, muitos vícios da TV aberta recente, tão ávida a priorizar a atenção em termos de números de audiência e não necessariamente em fidelização do público através de uma robustez dramática. Para uma estreia ambiciosa, no entanto, a Max sai ganhando — e, diante do sucesso, não faltará tema de casa e trabalho aos envolvidos.
O diretor Walter Salles recebe o Oscar de melhor filme internacional para Ainda Estou Aqui.
O Brasil finalmente tem um Oscar de melhor filme internacional em casa, e não há melhor notícia para resumir o Oscar 2025. A conquista por si só é gloriosa, uma vez que Ainda Estou Aqui chegou lá com uma trajetória das mais bonitas, começando pela grande estratégia de lançamento e campanha promovida pela Sony Pictures Classics nos Estados Unidos. Fernanda Torres, protagonista do filme, também foi fundamental na estratégia de divulgação do longa: incansável, a atriz tomou frente em todas as aparições na imprensa e se tornou um fenômeno também em terras estrangeiras. Tão impressionante quanto a visibilidade alcançada por Ainda Estou Aqui foi a circunstância: o filme de Walter Salles derrotou nada menos do que Emilia Pérez, filme que, sim, teve sua trajetória implodida pela protagonista Karla Sofía Gascón, mas que, ainda assim, tinha 13 indicações ao Oscar, mais do que qualquer outro filme em língua não-inglesa em quase 100 anos da premiação. Ou seja, tudo envolvendo o reconhecimento brasileiro é repleto de triunfos e significados.
Indicada a melhor atriz, Fernanda Torres exerceu papel fundamental na campanha de Ainda Estou Aqui.
Nas categorias principais, a Academia realmente caiu de amores por Anora, concedendo ao filme de Sean Baker um reconhecimento raro, afinal, poucos são os trabalhos que saem da cerimônia levando para casa as estatuetas de melhor filme, direção, atriz, roteiro e montagem. Se Anora não é nem mesmo o trabalho mais interessante da carreira de Baker (isso sim é frequente no Oscar: realizadores sendo reconhecidos por suas obras menos marcantes), a notícia não poderia ser melhor para o cinema independente, reconhecido ainda em outras categorias como melhor animação (Flow) e melhor documentário (Sem Chão). Até mesmo O Brutalista pode se encaixar nessa lógica: mesmo que tenha ares de uma grande produção, o longa de Brady Corbet custou apenas 10 milhões de dólares e, para fins de categorização, chegou, inclusive, a concorrer ao Independent Spirit Awards de melhor direção. Qualquer reconhecimento ao cinema que foge do mainstream e do padrão blockbuster é sempre bem-vindo.
Mikey Madison com o Oscar de melhor atriz por Anora.
A parcela de gosto amargo que o Oscar 2025 deixa reside na escolha de Mikey Madison em melhor atriz por Anora. Como a vitória de Fernanda Torres era mais um wishful thinking do que exatamente um favorotismo real, a injustiça acabou recaindo sobre Demi Moore (A Substância), que, indiscutivelmente, encabeçava as apostas após vitórias no Globo de Ouro e no Screen Actors Guild Awards. Protagonista de um filme que, entre outras críticas, lança luz sobre a cruel maneira com que a indústria do entretenimento é intolerante ao envelhecimento e não pensa duas vezes antes de jogar alguém no lixo para dar lugar ao frescor da juventude, Demi viu o Oscar, em uma indigesta coincidência, fazer justamente aquilo que o seu filme tanto critica. Mikey, que tem apenas 25 anos, não era, ao meu ver, uma das melhores da categoria, e certamente terá um punhado de outras chances para ganhar prêmios na vida, enquanto Demi, uma popcorn actress segundo sua própria definição, está no auge de sua carreira em A Substância. Mais do que uma injustiça, tenho a impressão de que a vitória de Mikey Madison foi prematura e possível apenas pelo grande impulso tomado por Anora nas demais categorias.
Confira abaixo a lista completa de vencedores:
MELHOR FILME: Anora MELHOR DIREÇÃO: Sean Baker (Anora) MELHOR ATRIZ: Mikey Madison (Anora) MELHOR ATOR: Adrien Brody (O Brutalista) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Zoe Saldaña (Emilia Pérez) MELHOR ATOR COADJUVANTE: Kieran Culkin (A Verdadeira Dor) MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Anora MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Conclave MELHOR FILME INTERNACIONAL: Ainda Estou Aqui (Brasil) MELHOR ANIMAÇÃO: Flow MELHOR DOCUMENTÁRIO: Sem Chão MELHOR MONTAGEM: Anora MELHOR FOTOGRAFIA: O Brutalista MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Wicked MELHOR FIGURINO: Wicked MELHOR TRILHA SONORA: O Brutalista MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “El Mal” (Emilia Pérez) MELHOR SOM: Duna: Parte 2 MELHORES EFEITOS VISUAIS: Duna: Parte 2 MELHOR MAQUIAGEM E CABELOS: A Substância MELHOR CURTA-METRAGEM: I’m Not a Robot MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: In the Shadows of the Cypress MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: The Only Girl in the Orchestra
Muitas dúvidas e poucas certezas gravitam a cerimônia do Oscar 2025, que acontece hoje (02), a partir das 21h (horário de Brasília). Se, no ano passado, Oppenheimer vinha com diversas estatuetas embaixo do Oscar já antes mesmo da premiação começar, agora é difícil cravar, por exemplo, se Sean Baker e seu Anora triunfarão, se Adrien Brody (O Brutalista) leva um segundo Oscar para casa ou se o Brasil fatura pelo menos uma das três estatuetas as quais concorre com Ainda Estou Aqui. Dá Flow ou Robô Selvagem em melhor animação? Emilia Pérez sai de mãos vazias? Fernanda Torres tem chances em melhor atriz? Sem mais delongas, deixo com vocês as minhas apostas para uma cerimônia que, para nós, brasileiros, já é histórica:
MELHOR FILME: Conclave / alt: Anora MELHOR DIREÇÃO: Brady Cobert (O Brutalista) / alt: Sean Baker (Anora) MELHOR ATRIZ: Demi Moore (A Substância) / alt: Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui) MELHOR ATOR: Adrien Brody (O Brutalista) / alt: Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Zoe Saldaña (Emilia Pérez) / alt: Isabella Rossellini (Conclave) MELHOR ATOR COADJUVANTE: Kieran Culkin (A Verdadeira Dor) / alt: Yura Borisov (Anora) MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: A Verdadeira Dor / alt: Anora MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Conclave / alt: O Reformatório Nickel MELHOR FILME INTERNACIONAL: Ainda Estou Aqui (Brasil) / alt: Emilia Pérez (França) MELHOR ANIMAÇÃO: Flow / alt: Robô Selvagem MELHOR DOCUMENTÁRIO: Sem Chão / alt: Trilha Sonora Para Um Golpe de Estado MELHOR MONTAGEM: Conclave / alt: Anora MELHOR FOTOGRAFIA: O Brutalista / alt: Nosferatu MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Wicked / alt: O Brutalista MELHOR FIGURINO: Wicked / alt: Conclave MELHOR TRILHA SONORA: O Brutalista / alt: Conclave MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “El Mal” (Emilia Pérez) / alt: “The Journey” (The Six Triple Eight) MELHOR SOM: Duna: Parte 2 / alt: Um Completo Desonhecido MELHORES EFEITOS VISUAIS: Duna: Parte 2 / alt: Better Man MELHOR CABELO E MAQUIAGEM: A Substância / alt: Emilia Pérez MELHOR CURTA-METRAGEM: The Man Who Could Not Remain Silent / alt: Anuja MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: Wander to Wonder / alt: Beautiful Men MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: The Only Girl in the Orchestra / alt: I Am Ready, Warden
Prêmio de melhor elenco foi para o drama Conclave.
As últimas duas semanas foram gloriosas para Conclave. Após a vitória no BAFTA, o filme do alemão Edward Berger agora leva para casa o prêmio de melhor elenco em cinema do Screen Actors Guild Awards. Ainda que, neste ano, o SAG esteja sem influência direta no Oscar, a vitória de Conclave mostra que o drama tem engajamento entre os atores, votantes exclusivos desse sindicato e parcela significativa dos votantes da Academia. Outra tendência a ser observada no SAG é a vitória de Demi Moore em melhor atriz por A Substância, já que Mikey Madison vinha embaralhando o meio de campo com a vitória no BAFTA. Reza a lenda que essa disputa entre Demi e Mikey favorece Fernanda Torres (Ainda Estou Aqui). Tomara que sim, ainda que improvável.
Com uma cerimônia bem mais surpreendente no campo das séries, minisséries e telefilmes (o justo reconhecimento ao elenco de Only Murders in the Builing e ao desempenho de um de seus protagonistas, Martin Short, foi o que o sindicato fez de mais diferente neste ano), o SAG registrou um único ponto fora da curva nas categorias de cinema: Timothée Chalamet como melhor ator por Um Completo Desconhecido, filme que não havia conquistado um prêmio sequer nos prêmio televisionados até aqui. Chalamet não foi muito feliz no discurso — sua confissão de que está buscando a excelência para se equiparar aos “melhores” revela alguém que parece atuar com outros objetivos que não o da simples vocação — e pode ser que sua vitória seja algo isolado do SAG, já que nunca um ator venceu um Oscar tento apenas o prêmio do sindicato de atores na conta.
Confira abaixo a lista completa de vencedores:
CINEMA
MELHOR ELENCO: Conclave MELHOR ATRIZ: Demi Moore (A Substância) MELHOR ATOR: Timothée Chalamet (Um Completo Desconhecido) MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Zoe Saldaña (Emilia Pérez) MELHOR ATOR COADJUVANTE: Kieran Culkin (A Verdadeira Dor) MELHOR ELENCO DE DUBLÊS: O Dublê
SÉRIES, MINISSÉRIES E TELEFILMES
MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE DRAMA: Xógum: A Gloriosa Saga do Japão MELHOR ELENCO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Only Murders in the Building MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Anna Sawai (Xógum: A Gloriosa Saga do Japão) MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jean Smart (Hacks) MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Hiroyuki Sanada (Xógum: A Gloriosa Saga do Japão) MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Martin Short (Only Murders in the Building) MELHOR PERFORMANCE FEMININA EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Jessica Gunning (Bebê Rena) MELHOR PERFORMANCE MASCULINA EM MINISSÉRIE OU TELEFILME: Colin Farrell (Pinguim) MELHOR ELENCO DE DUBLÊS EM SÉRIE: Xógum: A Gloriosa Saga do Japão