Cinema e Argumento

Going, but not gone yet.

Estranhamente eu não tenho tido mais tempo pra ver filmes. Antes, mesmo quando a rotina era repleta de tarefas e obrigações inadiáveis, eu sempre conseguia reservar um tempo para a sétima arte. Atualmente está bem difícil. Mesmo que eu tenha momentos para ver alguns filmes, uso esse tempo para fazer outras coisas. Por conta dessa minha inércia cinematográfica, decidi tirar umas férias aqui do blog. Mas óbvio que não o abandonarei – as postagens serão feitas mais raramente e se resumirão basicamente às críticas de produções que eu vi. Em conseqüência, meus comentários em outros endereços também serão mais escassos. O estudo para o vestibular de jornalismo é árduo e outras tarefas do dia-a-dia clamam por atenção. Em breve espero poder estar de volta. P.S: Só botei essa foto da Susan Sarandon porque eu acho lindíssima, já que o filme é bem irregular :P Um abraço e até mais!

Filmes em DVD

A Noviça Rebelde, de Robert Wise

Com Julie Andrews, Christopher Plummer e Eleanor Parker

A Noviça Rebelde não tem praticamente nada de religião, e essa tradução para o português foi um pouco equivocada. “The Sound Of Music” é uma perfeita definição das intenções do filme de Robert Wise. O show, contudo, é da perfeita Julie Andrews, que cativa a todo momento e ilumina a tela com sua presença impecável. Pena que a atriz tenha vencido o Oscar em um trabalho inferior (Mary Poppins) e não aqui, onde tem o grande momento de toda a sua carreira. Os valores de bondade e pureza se desgastaram com o tempo (hoje em dia é meio difícil acreditar naqueles personagens tão inocentes), mas considerando a época de A Noviça Rebelde, foi um enorme acerto os personagens terem essas características tão marcantes e representativas de uma época onde o ser humano ainda não havia sido corrompido pela sociedade. O musical não quer julgar ninguém e muito menos dar lições de moral, é uma bela história sobre os nossos sonhos e como podemos fazer para que tudo se torne realidade ao seguirmos o caminho certo.

FILME: 8.5

Tempo de Despertar, de Penny Marshall

Com Robin Williams, Robert De Niro e Julie Kavner

É bem raro eu conseguir me empolgar com filmes “médicos”. Algumas jornadas são encenadas de forma emocionantes (como é o caso de O Óleo de Lorenzo), mas dificilmente algum longa consegue escapar da típica narrativa dessas histórias. Não é diferente com Tempo de Despertar. Porém, a humildade do longa torna tudo muito atraente. O filme de Penny Marshall se despe de complicadas explicações técnicas ou apelações dramáticas envolvendo a doença representada e aposta no lado humano dos envolvidos no tal tratamento. O longa teve indicações para o Oscar, incluindo melhor filme. Mas é a dupla DeNiro-Williams que faz o longa ser excelente do jeito que é. Ambos naturais e em momentos bem interessantes.

FILME: 8.0

O Rei Leão, de Roger Allers e Rob Minkoff (revisto)

Com as vozes de Matthew Broderick, Rowan Atkinson e Whoopi Goldberg

O Rei Leão foi uma animação marcante na minha infância, mas não foi uma daquelas que conquistou o meu afeto como tantas outras, caso de O Corcunda de Notre Dame. Mesmo assim esse filme é uma das melhores animações da história, justamente por causa de sua mensagem sentimental e de suas lições inesquecíveis. Assistir novamente essa obra dá uma sensação incrível de nostalgia, fazendo com que eu retornasse para os tempos primórdios da minha infância. O que se conclui é que, por mais que as animações fiquem cada vez mais perfeitas em seus detalhes (vide os filmes da Pixar, que se superam constantemente), nenhuma consegue ter todo aquele charme que as de antigamente tinham. Mesmo que eu não seja fã de carteirinha de O Rei Leão, não consigo deixar de resistir a um produto tão bem acabado.

FILME: 8.0

Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg

Com Harrison Ford, Sean Connery e Alison Doody

Esse é o primeiro dos antigos Indiana Jones que tenho a oportunidade de assistir. Muita gente diz que esse A Última Cruzada é o mais fraco da série e, comparado ao recente O Reino da Caveira de Cristal, é inferior em diversos pontos. Mesmo assim não existe motivo para desprezo, já que toda a nostlagia continua presente e ainda é delicioso acompanhar as peripécias impossíveis de Indiana Jones. Esse capítulo conta com a presença de Sean Connery, um verdadeiro acerto como o pai do protagonista. Pena que A Última Cruzada se extende demais e fique bastante aborrecido em seus momentos finais.

FILME: 7.5

Amadeus, de Milos Forman

Com F. Murray Abraham, Tom Hulce e Elizabeth Berridge

São desnecessárias três horas de duração de um filme magistral, onde o setor técnico é simplesmente perfeito. O longa do excelente Milos Forman (do maravilhoso Um Estranho No Ninho) tem uma das mais impecáveis reconstituições de época já feita, conseguindo traduzir toda a grandiosidade estilística da época em que Wolfgang Amadeus Mozart viveu. Falando em Mozart, o setor musical também é muito competente, transmitindo toda a classe da música do inesquecível compositor. Todavia, foi nos desempenhos de F. Murray Abraham e Tom Hulce que eu vi a maior força de Amadeus.

FILME: 7.5

Chicago, de Rob Marshall (revisto)

Com Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Richard Gere

Nada em Chicago justifica o prêmio para o musical na categoria principal do Oscar. É fato que Julianne Moore merecia disparado a estatueta de coadjuvante por As Horas; mas eu entendo a consagração de Catherine Zeta-Jones (a verdadeira estrela de Chicago). Mas não na a vitória na categoria principal. Acho que foi meio que uma desculpa por não terem premiado o verdadeiro musical da década, Moulin Rouge! – Amor em Vermelho. Tento, de todas as maneiras, entrar no clima do espetáculo de Rob Marshall, mas não consigo. Vejo diante de mim apenas um longa bem feito e com excelentes características técnicas, onde parece faltar sentimento por parte da produção pelo projeto.

FILME: 7.0

Acertos Brilhantes e Erros Competentes.

De certa forma, a glória do status de Julianne Moore vive no passado. Foi anteriormente que ela apresentou trabalhos excepcionais em uma infinita lista de trabalhos memoráveis. Chegando ao auge de sua carreira com uma dupla indicação ao Oscar (protagonista por Longe do Paraíso e coadjuvante por As Horas) anos atrás, Julianne não levou nenhuma das estatuetas a qual concorria. Difícil entender o que se passou na mente dos votantes ao não concederem uma merecida consagração para ela, que já havia aparecido na festa outra duas vezes, com Fim de Caso e Boogie Nights – Prazer Sem Limites. Deixando as premiações de lado, a ruivinha além de ser uma belíssima mulher consegue unir perfeitamente esse fator ao seu inegável talento. O que se sucede é que, depois de sua última aparição no Kodak Theater, sua carreira desandou. Porcarias como O Vidente, A Cor de Um Crime e Totalmente Apaixonados infestaram a sua carreira. Não cito Os Esquecidos porque nem acho longa muito ruim (é bem interessante em seu primeiro ato, só desandando só no seu final). Independente da má qualidade dos filmes, Julianne nunca apresentou um desempenho ruim, sendo sempre o ponto alto dessas produções. Sua reputação foi abalada por conta de suas péssimas escolhas (será que isso não pode pesar na sua campanha ao Oscar com Ensaio Sobre a Cegueira, já que sua principal concorrente é Kate Winslet, que tem uma carreira gloriosa?), mas seu talento nunca foi questionado. Sempre foi e sempre será uma extraordinária atriz, um dos maiores talentos de sua geração. Só o que ela construiu até agora, durante seus 47 anos (!!!), já valida esse título. E que venha Ensaio Sobre a Cegueira. Acho que seu melhor trabalho é como Laura Brown em As Horas, e vocês? Ah, esqueci de mencionar também a inesquecível personagem de Magnólia!

Em Paris

Em Paris, de Christophe Honoré

Com Romain Duris, Louis Garrel e Joana Preiss

3

Sempre vi o cinema francês como uma constante. Os resultados de seus filmes são sempre bons e raramente desapontam. Quando um furacão chamado Piaf – Um Hino Ao Amor e uma cultuada animação chamada Persépolis fizeram o país europeu brilhar novamente no mundo da sétima arte, uma pequena produção chamada Em Paris passou despercebida. Não é digna de premiações, mas é um satisfatório exemplar vindo da França, que trabalha relacionamentos; principalmente os familiares. Não, aqui não temos nenhuma situação onde uma família cura feridas do passado, lágrimas sendo derramadas por arrependimentos ou diálogos enfatizando a força dos laços familiares. Em Paris fala de relacionamentos sem ser explícito quanto a isso. E com essa estrutura temos a sustentabilidade do roteiro.

Ao mesmo tempo em que encontramos esse fator positivo, vemos que nada na história do filme é algo que já não tenhamos visto previamente em outras produções. A força vai ser centrada nos seus dois talentosos atores. O protagonista, Romain Duris, já havia provado ter competência suficiente para encabeçar um longa – fez sucesso com O Albergue Espanhol e Bonecas Russas. Aqui não é diferente, Duris apresenta mais um bom desempenho. Contudo, seu personagem perde bastante para o de Louis Garrel (o menos conhecido de Os Sonhadores) que cria uma figura muito mais interessante dentro do contexto do roteiro. Não estamos diante de uma produção original ou memorável, mas de um produto bem produzido e satisfatório. O que já justifica uma espiada.

FILME: 7.5

Jogos do Poder

Direção: Mike Nichols

Elenco: Tom Hanks, Julia Roberts, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams, Emily Blunt, Brian Markinson, Jud Tylor.

Charlie Wilson’s War, EUA, 2008, Comédia, 115 minutos, 14 anos.

Sinopse:Início dos anos 80. A União Soviética invade o
Afeganistão, o que chama a atenção de políticos norte-americanos. Um
deles é Charlie Wilson (Tom Hanks), um homem mulherengo e polêmico que
não tem grande relevância política, apesar de ter sido eleito 6 vezes
para o cargo. Com o apoio de Joanne Herring (Julia Roberts), uma das
mulheres mais ricas do estado que o elege, e do agente da CIA Gust
Avrakotos (Philip Seymour Hoffman), Wilson passa a negociar uma aliança
entre paquistaneses, egípcios, israelenses e o governo norte-americano,
de forma que os Estados Unidos financiem uma resistência que possa
impedir o avanço soviético no local.

Extremamente confuso – e também restrito – Jogos do Poder é uma jogada mal realizade do diretor Mike Nichols, que dessa vez não consegue agradar com o estilo e nem mesmo com o elenco.”

Mike Nichols é um grande diretor, principalmente quando se trata da sua forma de conduzir um elenco. Ele dirigiu o telefilme mais emocionante que já tive a oportunidade de ver (Uma Lição de Vida, que traz uma estupenda atuação de Emma Thompson), criou uma memorável minissérie (Angels In America, vencedora de vários Emmy, incluindo prêmios para Meryl Streep e Al Pacino) e provou ser um grande maestro ao orquestrar diálogos excepcionais (como em Closer – Perto Demais e Quem Tem Medo de Virginia Woolf?). É estranho ver a sua mudança de gênero com esse Jogos do Poder, onde se lança em um terreno que pouco trabalhou – a comédia. Além de tudo, resolveu usar a política como engrenagem para construir o humor.

Se a estrutura já limita a aceitação do público, o roteiro não fez a mínima questão de tornar a história mais atraente ou original; Jogos do Poder é completamente político e puramente falado. Na minha visão isso resulta em tédio. E foi exatamente o que eu senti durante todo o filme. Em momento algum eu fui envolvido pela história, que é cheia de detalhes e nula em conflitos dramáticos. Normalmente, quando temos um bom elenco em mãos, os defeitos são parcialmente recompensados. Aqui não é o caso. Por mais que ótimos nomes estejam no casting, nenhum consegue sustentar o longa. Tom Hanks, que há um bom tempo vem brincando com a sua carreira, mais uma vez não convence. Julia Roberts, depois de um tempo desaparecida, mal tem presença significativa em cena. E se existe um alguém que se salva, esse é Philip Seymour Hoffman, excelente! Amy Adams também tem aparição radiante.

Entendo quem aprecia o resultado do longa, que tem várias críticas e um humor inteligente, mas dessa vez Mike Nichols pisou na bola. Por alguma razão misteriosa o Globo de Ouro se encantou com o resultado (dando, inclusive, cinco absurdas indicações para o filme), mas isso não aconteceu comigo. Fiquei bastante decepcionado com o tedioso produto que assisti. A requintada produção e alguns rostos do elenco demonstram eforço, mas é difícil quando um roteiro foi construído para atingir só certa parcela do público total.

FILME: 5.5

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