Cinema e Argumento

TOP 10

Respondendo a corrente passada pelo Cinéfila Por Natureza, um top 10 de atrizes que fazem a minha cabeça, seja por causa de seu talento para a atuação ou por causa de suas qualidades físicas. Quem ainda não recebeu o convite, sinta-se convidado – pois é difícil selecionar aqueles que ainda não receberam a proposta ;)

1. Meryl Streep

Recordista de indicações ao Oscar que se supera a cada dia em suas escolhas cinematográficas. Nunca teve sequer uma atuação ruim e é a estrela com maior status do cinema. Fui até ao cinema ver Terapia do Amor só por causa dela. E não me arrependi. Além de tudo, o tempo parece não passar para ela, que está jovem e bela no recente Mamma Mia! Streep dispensa maiores discursos e já é uma estrela eterna do cinema, que será sempre lembrada.

2. Susan Sarandon

Minha antiga atriz favorita, que perdeu o posto por causa de suas inúmeras escolhas equivocadas. De qualquer forma, Sarandon ainda me instiga para ver seus filmes. Mesmo quando são bobagens que eu nem preciso ver pra saber que não vou gostar (Tudo Acontece Em Elizabethtown, por exemplo), quero conferir por causa dela. Grande atriz que no passado fez maravilhas. E como diz o fofoqueiro do Rubens Ewald Filho: “Sarandon é uma das poucas atrizes que nunca fez plástica e que continua maravilhosamente humana“. Sua participação em Alfie – O Sedutor comprova a beleza atual da atriz.

3. Rachel Griffiths

Não, não é por causa de Six Feet Under. Quer dizer, também é, principalmente. Depois da Brenda Chenowith eu conheci mais a carreira dela e fiquei impressionado. Atriz talentosa e versátil, com talento pra drama e comédia. Recebeu uma merecidíssima indicação ao Oscar por Hilary & Jackie (e merecia até vencer) e fez um trabalho super competente no ótimo O Casamento de Muriel. Sem falar de sua iluminada personagem no atual seriado Brothers & Sisters. A cada projeto dela anunciado, já me prontifico a conhecer.

4. Jodie Foster

Suas aparições são raras e seus projetos são muito seletos. Não é uma atriz que você vê constantemente e com certeza é uma atriz que você não vai ver atuando mal. Jodie Foster exala competência e tem dois merecidos Oscar em casa. Mesmo quando faz filmes banais (O Quarto do Pânico e Plano de Vôo são alguns exemplos), não deve nada pra ninguém. Arrasa e se afirma como uma estrela maior e dotada de grande talento.

5. Laura Linney

Dia desses descobri o passado negro dela (eu estava vendo TV e vi que ela é protagonista de Congo, um filme sobre um macaco falante), mas pouco me importei. Laura Linney é uma daquelas atrizes que ninguém duvida do talento e que um dia vai subir ao palco do Kodak Teather para receber sua estatueta dourada. Uma das melhores atrizes de sua geração, além de ser absurdamente simpática.

6. Kate Winslet

Sabe que eu já nem me empolgo tanto quando a Kate Winslet chega anunciando algum novo trabalho? Isso se deve ao fato de que eu sei que ela sempre entrega uma boa atuação. Então, independente de qualquer coisa, confio nela incondicionalmente. Atriz de respeito e que nunca desaponta, tem também uma grande beleza a seu favor (e que vá pro inferno quem acha que ela é “gorda”!). Simplesmente maravilhosa.

7. Cate Blanchett

Sensação dos últimos tempos (dois anos seguidos indicada ao Oscar, e esse ano duplamente), Cate Blanchett é de um talento raro; e, assim como Kate Winslet, é uma constante de excelência. Mesmo que tenha alguns deslizes em sua carreira, sempre tem grande presença e ainda vai longe com o seu nome. Cate é rara e uma grande atriz, inquestionavelmente.

8. Julianne Moore

Uma das atrizes mais irregulares dessa minha lista, mas ainda assim incrivelmente maravilhosa em tudo que faz no cinema. Julianne Moore tem um passado de glória e qualquer projeto dela hoje em dia já desperta curiosidade justamente por causa de sua presença. Mesmo quando estamos diante de catástrofes… Mas Ensaio Sobre a Cegueira está aí pra provar que ela continua excelente.

9. Nicole Kidman

Outra belíssima atriz que admiro mais por causa do passado glorioso. Tudo bem que hoje ela anda bem em baixa, mas continua linda e ainda consegue fazer com que eu veja um filme só por causa dela, caso de A Pele e Invasores. Esse ano deve voltar em grande estilo com Australia, onde parece estar estupenda, retomando a parceria com de Moulin Rouge! – Amor Em Vermelho com o diretor Baz Luhrmann.

10. Diane Keaton

Não dá pra entender bem o que a Diane Keaton fez com a sua carreira. Vencedora do Oscar, ex-musa de Woody Allen e capaz de grandes performances cômicas (Alguém Tem Que Ceder) e dramáticas, Keaton tem se entregado a projetos bobocas e parece nem se importar mais com sua reputação. Uma pena, já que ela ainda é uma das veteranas que mais me instiga com a sua presença em projetos.

Ensaio Sobre a Cegueira

Direção: Fernando Meirelles

Elenco: Julianne Moore, Mark Ruffalo, Gael García Bernal, Danny Glover, Alice Braga, Sandra Oh

Blindness, EUA, 2008, Drama, 118 minutos, 16 anos.

Sinopse: Uma inédita e inexplicável epidemia de cegueira atinge uma cidade. Chamada de “cegueira branca”, já que as pessoas atingidas apenas passam a ver uma superfície leitosa, a doença surge inicialmente em um homem no trânsito e, pouco a pouco, se espalha pelo país. À medida que os afetados são colocados em quarentena e os serviços oferecidos pelo Estado começam a falhar as pessoas passam a lutar por suas necessidades básicas, expondo seus instintos primários. Nesta situação a única pessoa que ainda consegue enxergar é a mulher de um médico (Julianne Moore), que juntamente com um grupo de internos tenta encontrar a humanidade perdida.

Mesmo que tenha pouquíssimos longas em seu currículo, o diretor Fernando Meirelles mais uma vez prova que é a melhor figura brasileira trabalhando no exterior. Ele surpreende com um longa diferente na sua estética e que não deve nada ao trabalho de José Saramago.

O título acusa um filme sobre cegueira, mas ele não é bem isso. Não é apenas isso. Ensaio Sobre a Cegueira é uma história sobre a degradação da sociedade, os limites do ser humano, a falta de moralidade e o desespero atordoante. A doença misteriosa que atinge os seres humanos de uma população é mero pretexto para que uma análise do mundo em que vivemos seja feita. Ao mesmo tempo em que os personagens perdem a visão, o lado obscuro de suas respectivas almas vem à tona. Devido a essa temática difícil e a outros inúmeros fatores, o livro homônimo de José Saramago era considerado impossível de ser filmado, e as expectativas em torno do longa de Meirelles eram imensas. É um alívio, ao fim da sessão, constatar que o produto que acabamos de assistir é muito mais que uma missão cumprida, é uma história que ganhou vida própria em uma estética inovadora e diferente.

Depois de comprovar competência com direções arrebatadoras nos longas Cidade de Deus e O Jardineiro Fiel – esse último injustiçado nas premiações na categoria de direção – Fernando Meirelles mais uma vez dá orgulho. Em certas partes se limita apenas a fazer o básico e em outras consegue surpreender (a cena do estupro, apesar de reduzida, consegue mexer com os nervos do espectador), dando literalmente vida aos momentos que Saramago criou em sua obra. Mas óbvio que os méritos técnicos não são apenas do diretor. A fotografia branca de César Charlone (ainda bem que colocaram legendas amarelas!) tem sim seus momentos de irregularidade. Contudo, eu quero que alguém me diga quando foi a última vez que uma fotografia tão intrigante como essa foi apresentada? Temos também a bonita trilha de Marcos Antônio Guimarães, que faz lembrar bastante a sonoridade da canção Proven Lands que Jonny Greenwood compôs para Sangue Negro. Eu esperava mais desse setor de Ensaio Sobre a Cegueira, que podia ter criado passagens mais inspiradas como o trailer sugeria.

Ensaio Sobre a Cegueira também é o esperado retorno de Julianne Moore após tantos erros desde sua última aparição no Oscar. Não podia ter um retorno mais recompensador, fazendo com que nós esqueçamos todas as bobagens que ela fez nos seus últimos caminhos. Julianne não cai em excessos, representando a “esperança” do longa da forma mais adequada possível. Nada de berros ou choros compulsivos, a  grande presença dela no longa está em cada olhar triste, em cada expressão de desespero. Ela é a estrela do filme e nenhum outro ator do elenco alcança a mesma qualidade. Eles não têm momentos individuais muito marcantes, mas como um todo funcionam de forma excelente. Danny Glover tem um pouco mais de presença por ter uma ou outra narração. Narrações, aliás, que foram reduzidas. Mas mesmo assim ficaram fora de contexto no longa, não representando muita coisa.

O escritor do livro ficou emocionado ao fim da sessão quando assistiu ao longa. Nada mais justificável. Eu estaria completamente realizado se eu tivesse visto um filme tão competente que foi baseado em uma obra minha. O roteiro segue exatamente o livro, sem grandes liberdades mas ainda excepcional em sua narrativa. É visível que o longa é comprido (são duas notáveis horas), entretanto, é algo necessário para que a história seja contada da forma mais fluente possível. O livro de Saramago está ali, em um filme que não deve nada para a obra. Desde já, um dos melhores do ano.

FILME: 8.5

4

Going, but not gone yet.

Estranhamente eu não tenho tido mais tempo pra ver filmes. Antes, mesmo quando a rotina era repleta de tarefas e obrigações inadiáveis, eu sempre conseguia reservar um tempo para a sétima arte. Atualmente está bem difícil. Mesmo que eu tenha momentos para ver alguns filmes, uso esse tempo para fazer outras coisas. Por conta dessa minha inércia cinematográfica, decidi tirar umas férias aqui do blog. Mas óbvio que não o abandonarei – as postagens serão feitas mais raramente e se resumirão basicamente às críticas de produções que eu vi. Em conseqüência, meus comentários em outros endereços também serão mais escassos. O estudo para o vestibular de jornalismo é árduo e outras tarefas do dia-a-dia clamam por atenção. Em breve espero poder estar de volta. P.S: Só botei essa foto da Susan Sarandon porque eu acho lindíssima, já que o filme é bem irregular :P Um abraço e até mais!

Filmes em DVD

A Noviça Rebelde, de Robert Wise

Com Julie Andrews, Christopher Plummer e Eleanor Parker

A Noviça Rebelde não tem praticamente nada de religião, e essa tradução para o português foi um pouco equivocada. “The Sound Of Music” é uma perfeita definição das intenções do filme de Robert Wise. O show, contudo, é da perfeita Julie Andrews, que cativa a todo momento e ilumina a tela com sua presença impecável. Pena que a atriz tenha vencido o Oscar em um trabalho inferior (Mary Poppins) e não aqui, onde tem o grande momento de toda a sua carreira. Os valores de bondade e pureza se desgastaram com o tempo (hoje em dia é meio difícil acreditar naqueles personagens tão inocentes), mas considerando a época de A Noviça Rebelde, foi um enorme acerto os personagens terem essas características tão marcantes e representativas de uma época onde o ser humano ainda não havia sido corrompido pela sociedade. O musical não quer julgar ninguém e muito menos dar lições de moral, é uma bela história sobre os nossos sonhos e como podemos fazer para que tudo se torne realidade ao seguirmos o caminho certo.

FILME: 8.5

Tempo de Despertar, de Penny Marshall

Com Robin Williams, Robert De Niro e Julie Kavner

É bem raro eu conseguir me empolgar com filmes “médicos”. Algumas jornadas são encenadas de forma emocionantes (como é o caso de O Óleo de Lorenzo), mas dificilmente algum longa consegue escapar da típica narrativa dessas histórias. Não é diferente com Tempo de Despertar. Porém, a humildade do longa torna tudo muito atraente. O filme de Penny Marshall se despe de complicadas explicações técnicas ou apelações dramáticas envolvendo a doença representada e aposta no lado humano dos envolvidos no tal tratamento. O longa teve indicações para o Oscar, incluindo melhor filme. Mas é a dupla DeNiro-Williams que faz o longa ser excelente do jeito que é. Ambos naturais e em momentos bem interessantes.

FILME: 8.0

O Rei Leão, de Roger Allers e Rob Minkoff (revisto)

Com as vozes de Matthew Broderick, Rowan Atkinson e Whoopi Goldberg

O Rei Leão foi uma animação marcante na minha infância, mas não foi uma daquelas que conquistou o meu afeto como tantas outras, caso de O Corcunda de Notre Dame. Mesmo assim esse filme é uma das melhores animações da história, justamente por causa de sua mensagem sentimental e de suas lições inesquecíveis. Assistir novamente essa obra dá uma sensação incrível de nostalgia, fazendo com que eu retornasse para os tempos primórdios da minha infância. O que se conclui é que, por mais que as animações fiquem cada vez mais perfeitas em seus detalhes (vide os filmes da Pixar, que se superam constantemente), nenhuma consegue ter todo aquele charme que as de antigamente tinham. Mesmo que eu não seja fã de carteirinha de O Rei Leão, não consigo deixar de resistir a um produto tão bem acabado.

FILME: 8.0

Indiana Jones e a Última Cruzada, de Steven Spielberg

Com Harrison Ford, Sean Connery e Alison Doody

Esse é o primeiro dos antigos Indiana Jones que tenho a oportunidade de assistir. Muita gente diz que esse A Última Cruzada é o mais fraco da série e, comparado ao recente O Reino da Caveira de Cristal, é inferior em diversos pontos. Mesmo assim não existe motivo para desprezo, já que toda a nostlagia continua presente e ainda é delicioso acompanhar as peripécias impossíveis de Indiana Jones. Esse capítulo conta com a presença de Sean Connery, um verdadeiro acerto como o pai do protagonista. Pena que A Última Cruzada se extende demais e fique bastante aborrecido em seus momentos finais.

FILME: 7.5

Amadeus, de Milos Forman

Com F. Murray Abraham, Tom Hulce e Elizabeth Berridge

São desnecessárias três horas de duração de um filme magistral, onde o setor técnico é simplesmente perfeito. O longa do excelente Milos Forman (do maravilhoso Um Estranho No Ninho) tem uma das mais impecáveis reconstituições de época já feita, conseguindo traduzir toda a grandiosidade estilística da época em que Wolfgang Amadeus Mozart viveu. Falando em Mozart, o setor musical também é muito competente, transmitindo toda a classe da música do inesquecível compositor. Todavia, foi nos desempenhos de F. Murray Abraham e Tom Hulce que eu vi a maior força de Amadeus.

FILME: 7.5

Chicago, de Rob Marshall (revisto)

Com Renée Zellweger, Catherine Zeta-Jones e Richard Gere

Nada em Chicago justifica o prêmio para o musical na categoria principal do Oscar. É fato que Julianne Moore merecia disparado a estatueta de coadjuvante por As Horas; mas eu entendo a consagração de Catherine Zeta-Jones (a verdadeira estrela de Chicago). Mas não na a vitória na categoria principal. Acho que foi meio que uma desculpa por não terem premiado o verdadeiro musical da década, Moulin Rouge! – Amor em Vermelho. Tento, de todas as maneiras, entrar no clima do espetáculo de Rob Marshall, mas não consigo. Vejo diante de mim apenas um longa bem feito e com excelentes características técnicas, onde parece faltar sentimento por parte da produção pelo projeto.

FILME: 7.0

Acertos Brilhantes e Erros Competentes.

De certa forma, a glória do status de Julianne Moore vive no passado. Foi anteriormente que ela apresentou trabalhos excepcionais em uma infinita lista de trabalhos memoráveis. Chegando ao auge de sua carreira com uma dupla indicação ao Oscar (protagonista por Longe do Paraíso e coadjuvante por As Horas) anos atrás, Julianne não levou nenhuma das estatuetas a qual concorria. Difícil entender o que se passou na mente dos votantes ao não concederem uma merecida consagração para ela, que já havia aparecido na festa outra duas vezes, com Fim de Caso e Boogie Nights – Prazer Sem Limites. Deixando as premiações de lado, a ruivinha além de ser uma belíssima mulher consegue unir perfeitamente esse fator ao seu inegável talento. O que se sucede é que, depois de sua última aparição no Kodak Theater, sua carreira desandou. Porcarias como O Vidente, A Cor de Um Crime e Totalmente Apaixonados infestaram a sua carreira. Não cito Os Esquecidos porque nem acho longa muito ruim (é bem interessante em seu primeiro ato, só desandando só no seu final). Independente da má qualidade dos filmes, Julianne nunca apresentou um desempenho ruim, sendo sempre o ponto alto dessas produções. Sua reputação foi abalada por conta de suas péssimas escolhas (será que isso não pode pesar na sua campanha ao Oscar com Ensaio Sobre a Cegueira, já que sua principal concorrente é Kate Winslet, que tem uma carreira gloriosa?), mas seu talento nunca foi questionado. Sempre foi e sempre será uma extraordinária atriz, um dos maiores talentos de sua geração. Só o que ela construiu até agora, durante seus 47 anos (!!!), já valida esse título. E que venha Ensaio Sobre a Cegueira. Acho que seu melhor trabalho é como Laura Brown em As Horas, e vocês? Ah, esqueci de mencionar também a inesquecível personagem de Magnólia!