
O Ultimato Bourne, de Paul Greengrass (revisto)
Com Matt Damon, David Strathairn e Joan Allen

Esse foi considerado por mim o melhor longa do ano passado e somente agora tive a oportunidade de rever essa maravilhosa produção que é um dos melhores filmes de ação dessa geração (se não o melhor). A entrada do competente diretor Paul Greengrass (merecidamente indicado ao Oscar por Vôo United 93) na série foi um grande acerto e aqui no desfecho da trilogia ele realiza mais um marcante trabalho na cadeira de diretor. Mas não é só ele – o setor técnico do filme é impecável, desde a ótima trilha de John Powell até a frenética fotografia. O formato de O Ultimato Bourne desagrada muita gente, mas até os membros da Academia se renderam a tal qualidade, dando merecidas três estatuetas para o filme. Outro ponto que merece nota é a participação do sempre competente David Strathairn, que fez belos momentos com a fixa Joan Allen (uma figura constante em excelência nos filmes de Bourne) e roubou a cena. Encerrando de forma empolgante ao som de uma nova versão de Extreme Ways, de Moby, O Ultimato Bourne é uma aula de como se fazer um filme de ação.
FILME: 9.5

Contos Proibidos do Marquês de Sade (revisto)
Com Geoffrey Rush, Kate Winslet e Joaquin Phoenix

Ainda estou para entender a implicância de tanta gente com esse instigante drama de época que foge dos típicos padrões apresentados nesse tipo de história. Alguns reclamam do teor sexual da história, outros da caricatura do Geoffrey Rush; já eu acho Contos Proibidos do Marquês de Sade muito bem conduzido e cheio de grandes pontos a serem considerados. Começando, claro, pelo fabuloso elenco. Rush, indicado ao Oscar, criou um personagem bem enigmático que desperta diversos tipos de sensação. Mas ele está longe de ser a única estrela do filme – fiquei bastante satisfeito com o Joaquin Phoenix, que está em um momento bem inspirado de sua carreira. Kate Winslet e Michael Caine estão corretos e satisfatórios. A fotografia escura e a direção de arte exaltam o mundo sujo e cheio de corrupções em que a história acontece, dando um retrato bem realista da insanidade. O longa perde pontos em sua resolução, onde fica histérico demais.
FILME: 8.0

Quebra de Confiança, de Billy Ray
Com Ryan Phillippe, Laura Linney e Chris Cooper

Um filme de investigação envolvendo o FBI que não apela para tiros, momentos finais exagerados ou gente malvada criando planos mirabolantes. Esse é o mérito de Quebra de Confiança: ser um excelente exemplar do gênero sem utilizar aquelas típicas bobagens que encontramos no gênero. Fico resistente com a escolha de Ryan Phillippe para interpretar o protagonista – o tempo não fez bem a ele, que não tem mais nenhum carisma para sustentar um longa sozinho. Sorte que temos Laura Linney e Chris Cooper no elenco, atores fantásticos e que realizam trabalhos excelentes nesse longa. A princípio não se sabe quem é mocinho ou quem é bandido na história, e o roteiro faz questão com que o espectador veja os dois lados da moeda de cada ser humano. Utilizando uma estrutura bem banal mas que estranhamente funciona de maneira bem efetiva, mantendo o interesse necessário, Quebra de Confiança é uma ótima surpresa que merece ser conferida.
FILME: 8.0

Contatos Imediatos do Terceiro Grau, de Steven Spielberg
Com Richard Dreyfuss, Melinda Dillon e Teri Garr

Contatos Imediatos do Terceiro Grau é aquele tipo de filme que sempre vai ser atual, já que a questão de vida extraterrestre está longe de ser resolvida. Por mais que esse tema já tenha sido tão explorado pelo cinema (e muito satirizado inclusive) e isso prejudique a visão de um cinéfilo mais novo em relação a esse longa de 1977, é impossível ficar indiferente com a grande qualidade da produção e principalmente com a seriadade que o tema é tratado. Possui, sem dúvida, ao menos duas cenas inesquecíveis – a primeira é quando uma dona de casa vê o seu filho sendo levado pelas “luzes” que atacam sua casa (essa, a cena mais arrepiante) e o desfecho memorável. Steven Spielberg comanda de forma habilidosa, visto que está no típico gênero de filme em que tem talento de sobra. Contatos Imediatos do Terceiro Grau dá uma derrapada depois de sua metade, onde perde boa parte do suspense que apresentou em seu começo. Todavia, retoma suas qualidades em seus momentos finais. O valor cinematográfico do filme é maior do que o filme em si. Deve ter intrigado e marcado muita gente na sua época.
FILME: 8.0

A Cor Púrpura, de Steven Spielberg
Com Whoopi Goldberg, Danny Glover e Oprah Winfrey

Muitos veneram essa consagrada produção (nada menos que 11 indicações para o Oscar) e se emocionam bastante com a história cheia de sofrimento e desgraça da protagonista. Eu não consegui entrar na onda e acabei ficando só com pena da pobre coitada da personagem da Whoopi Goldberg, a única do longa que consegue passar algum tipo de simpatia. Todos os outros personagens são tipos detestáveis e que me desmotivavam a continuar acompanhando a história. A Cor Púrpura é um filme que demora a engrenar (só começa mesmo a criar conflitos interessantes depois de transcorrida uma hora de projeção) e quando finalmente consegue cativar, já está se aproximando do final. É um filme esperançoso e com uma bonita mensagem que é passada de forma verossímil pela excelente Whoopi. Contudo, é a direção sem personalidade de Steven Spielberg – que está visualmente fora de seu habitual terreno cinematográfico – que prejudica o resultado. Se tivessemos uma mão dramática mais efetiva, certamente tudo seria mais amplo.
FILME: 7.0

Paranóia, de D.J. Caruso
Com Shia LaBeouf, Carrie Anne-Moss e David Morse

Um suspense tolo e que não deve ser levado a sério, justamente como outro filme do diretor D.J. Caruso: o guilty pleasure chamado Roubando Vidas, com Angelina Jolie. Mas esse perde na qualidade em relação ao filme com Jolie simplesmente por ser dirigido ao público teen, utilizando-se de situações sobre garotas gostosas e adolescentes rebeldes. O suspense é idiota e a resolução mais previsível impossível. Contudo, é aquele tipo de longa que dá pra se assistir tranqüilamente quando o senso crítico é deixado de lado. Paranóia se sustenta no carisma de Shia LaBeouf, que já havia demostrado ser um bom protagonista no péssimo Transformers e aqui tem maiores chances de demonstrar seu talento. Uma diversão para um público mais jovem.
FILME: 6.5

A Pessoa é Para o Que Nasce, de Roberto Berliner
Com Maria, Regina e Conceição

Maria, Regina e Conceição são as três famosas cegas que empolgam com suas canções nas ruas do nordeste. Depois de aparecerem na TV e em alguns festivais, o diretor Roberto Berliner decidiu falar sobre elas nesse documentário A Pessoa é Para o Que Nasce. Eu pensei que o filme ia fazer uma abordagem mais pessoal das três mulheres e relatar as dificuldas que elas sofreram na vida até conseguirem o reconhecimento popular. Não foi o que eu vi. O passado delas foi mostrado de forma muito tímida e o foco foi praticamente todo em cima da música que elas fazem e o que isso traz para as suas vidas. Claro que isso era fundamental, mas não deveria ter sido tão destacado – tanto, que em certos momentos o filme parece apenas uma narração dos diversos shows que elas fizeram. Perde-se muito tempo com esses momentos e não se humaniza direito as figuras que enxergamos na tela. Porém, quando isso acontece, o longa acerta em cheio. O resultado, no entanto, é irregular e cansativo.
FILME: 6.0