Milk – A Voz da Igualdade

Direção: Gus Van Sant

Elenco: Sean Penn, Emile Hirsch, James Franco, Josh Brolin, Diego Luna, Joseph Cross, Alison Pill, Victor Garber, Stephen Spinella

Milk, EUA, 2008, Drama, 120 minutos, 16 anos.

Sinopse: Em vida, Harvey Milk (Sean Penn) foi um pioneiro dos direitos homossexuais nos Estados Unidos. A vida e a morte deste personagem, recordado como o primeiro homem abertamente homossexual eleito para um cargo oficial na Califórnia, são lembradas no filme mais recente de Gust Van Sant, “Milk – A Voz da Igualdade”.

A proposta do filme nunca empolga e tem tom reciclado. Sean Penn, então, vem para salvar o dia, em uma aparição perfeita.”

Já estava demorando bastante tempo para que o diretor Gus Van Sant finalmente fizesse um filme abertamente sobre homossexuais. Afinal, todo mundo sabe que ele sempre gostou de colocar algumas histórias paralelas sobre esse assunto em seus longas. Milk – A Voz da Igualdade é o debut gay cinematográfico do diretor. Ele literalmente levanta a bandeira pela causa, exige direitos e reclama da sociedade . Nunca tinha visto um filme tão explícito sobre esses ideais. Em tempos em que o preconceito por homossexuais ainda existe, o filme veio a cair como um bom alerta. Até quando vamos continuar assim? E é aí que o longa ganha seus principais pontos negativos. A “causa” representada pelos personagens nunca é cativante e em certos momentos é mais fácil se sentir repelido daquelas bagunças e daquelas passeatas constantes do que torcer pelas figuras que estão na tela.

O roteiro de Dustin Lance Black não é nem um pouco admirável – e não entendo o favoritismo ao Oscar, já que parece só ter a função de juntar alguns relatos de histórias reais e misturar isso com política. Faltou humanidade, faltou drama. Milk – A Voz da Igualdade tem uma essência muito documental, prejudicando o ritmo da jornada do protagonista que já tem problemas por não conseguir cativar pela falta de competentes conflitos dramáticos. No entanto, é fácil constantar que existe bom cinema na tela. Gus Van Sant pode até ser um impostor superestimado (os fãs dele que me desculpem, mas ele não merece um terço da admiração que tem) mas tem algumas boas características em seu estilo, o que não deixa de estar evidente aqui.  Um fator de bastante relevância é a boa reconstituição de época dá o tom certo para o estilo de documentário do filme. Idem para a trilha de Danny Elfman, em excelente momento de sua carreira.

Indicado a sete categorias no Oscar, Milk – A Voz da Igualdade não merecia concorrer nem a metade delas. É de se estranhar que tenham gostado tanto de um filme tão aberto em seu lado homossexual e tão mal trabalhado em suas idéias. Apesar de passar as suas duas horas falando das causas dos gays, o filme só consegue ser contundente em seus valores nos seus momentos finais (que, realmente, apresentam um resultado respeitável). O resto é pura enrolação regada a piadinhas, personagens excêntricos e política. Até interessante, mas longe de ser alguma coisa apreciável para tanta celebração por parte da crítica. Entretanto, existe uma menção do prêmio da Academia que é simplesmente incontestável. Essa é a atuação do ótimo Sean Penn, que mergulhou no personagem de uma forma incrível. Nunca exagera em seus trejeitos e muito menos se aproveita do personagem para super representar. É tudo correto, na dose certa. Do elenco coadjuvante, gostei bastante do Emile Hirsch e do Josh Brolin, as duas figuras que sempre que aparecem, funcionam.

Se existe uma coisa que eu detesto é ser enganado por trailer. Confesso que eu tinha me empolgado muito com o trailer de Milk – A Voz da Igualdade. Achei que veria uma humanização da luta por direitos, uma história que passasse emoção e me fizesse sentir encorajado a lutar por qualquer tipo de causa. Não aconteceu isso. Vi um longa regular, sem nenhuma cena marcante e com poucos aspectos realmente excelentes. O que importa aqui é a atuação de Penn, a figura visualmente mais empenhada na produção e um dos poucos que transmite bastante qualidade no resultado. O primeiro filme abertamente gay de Gus Van Sant é uma decepção. O diretor se vendeu e realizou um filme preso em formatos para satisfazer a crítica. Exatamente como fez anos atrás em Gênio Indomável. O resultado, então, de Milk – A Voz da Igualdade pode até ser positivo mas nunca será estimulante.

FILME: 6.5

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14 comentários em “Milk – A Voz da Igualdade

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  4. Discordo em muita coisa que disse a respeito do filme e concordo sobre a atuação do Sean Penn que foi impecável, pelo menos pra mim.

  5. Vinícius, acho que “Milk” é um dos filmes menos originais do Gus Van Sant.

    Kamila, acho todos os outros roteiros indicados ao Oscar mais interessantes que o do Dustin Lance Black.

    Lucas, eu acho que “Milk” tem pontos positivos, mas não tantos para o enorme barulho que as premiações andam fazendo em relação a ele.

    Alex, espero a sua opinião!

    Weiner, eu adorei Gus Van Sant uma época, mas ultimamente eu só tenho me decepcionado com ele…

    Marcel, digo “aleluia” também! Tava achando que era só eu aqui nos blogs que não tinha gostado muito do filme.

    Marcos, Harvey Milk é um grande personagem e Sean Penn o interpretou de maneira fenomenal. O problema é o que acontece em volta dele, sempre menos interessante do que ele.

    Roberto, o Penn tem a minha torcida no Oscar!

    Rose, acho que o roteiro é o principal erro do filme.

  6. Sinceramente concordo que o roteiro do filme rodeou demasiadamente a campanha para o cargo, sem explorar a idéia do ativismo praticado por Harvey e seus seguidores, a indicação ao Oscar, imagino que deva prender-se a Sean Penn pelo brilhente papel, mas é só isso.
    O filme seria com certeza um SUPER FILME se mostrasse além das tentativas o ativismo, o relacionamento sério entre as pessoas, explorando não só o cargo politico a ser ocupado, mas demonstrando que nos primórdios da decada de 70, já existiam gays que trabalhavam, sustentavam-se, viviam honestamente. O enfoque central ficou na minha opinião preso a idéia de poder, quando outras questões poderiam ter sido exploradas.

    De qualquer modo, vale a pena a assistir… São tão poucos filmes com a temática GLS sério que surgem que qdo aparecem, creio valer a pena arriscar e assistir

  7. Excelente filme.
    Que performance transfigurante e assombrosa de Sean Penn.
    Brilhante realização.

    Cumps.

    Roberto F. A. Simões
    CINEROAD

  8. Não sou expert no assunto e não vi o filme, mas acho que um filme que trata de uma pessoa em situação de exclusão social e que alcança, pela primeira vez, um cargo público, lembra alguma coisa da realidade atual, não? Parece um receita ótima para que um um filme faça sucesso, quer seja sobre Harvey Milk ou sobre Barack Obama.
    Se meu pensamento tiver algum sentido, o diretor merece o oscar de “melhor sacada do ano”.

  9. ALELUIA!! Alguém que pensa como eu, no que diz respeito a esse filme. JURO, que já estava começando a achar que o problema era comigo. Mas enfim, concordo em tudo que você disse, desde o roteiro que eu não vi nada demais, até o exagero de indicações no Oscar. Acho que só merecia as de atuação e talvez Figurino e Trilha Sonora, mas só. Não vi nada demais na edição, muito menos na direção e no roteiro. Putz, deu até vontade de ter escrito sua crítica agora! uahaushauh
    abraço

  10. Não imaginava que o roteiro de Dustin Lance Black trouxesse tantas falhas. Mas eu já esperava algo com aspecto documental. Como a Kamila, também me surpreende algumas pessoas criticarem um roteiro que vem despontando como favorito ao Oscar. Vou conferir assim que puder.
    E eu sou um dos fãs de Gus Van Sant! ;) Vou ver se te perdoo. :-)

  11. gostei da critica embora discorde de alguns pontos. pra começar gostei muito do roteiro. acho q a construcao da narrtiva e os dialogos sao sutis e bonitos, a forma como ha a expressao de afeto entre os homossexuais e a representacao nao afetada deles. acho que sean penn tb fez um bom trabalho ja q sua atuação é limpa, carismatica. o filme tem ritmo e sem tom politico, q a principio era meu grande receio, é usado aqui de forma medida. confesso que fiquei surpreso com o produto final e milk é sim um longa de excelente qualidade.

  12. Como disse, lá no blog do Louis, estou surpresa de ver os comentários negativos em torno do roteiro de Dustin Lance Black, já que ele é o favorito ao Oscar de Melhor Roteiro Original… De qualquer forma, “Milk” é um dos filmes que eu quero muito assistir nesta temporada do Oscar.

  13. “O diretor se vendeu e realizou um filme preso em formatos para satisfazer a crítica”, discordo completamente nesse ponto. Se algo que “Milk” não lembra, isso é “Gênio Indomável”. A forma tradicional dos dois é a mesma, mas aqui percebemos como o diretor evoluiu durante esses anos e isso fica evidente em algumas cenas que estão mais para sua fase “experimental” do que qualquer outra coisa. Enfim, o filme tem minha torcida em várias categorias no Oscar :)

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