Cinema e Argumento

Entre Lençóis

Entre Lençóis, de Gustavo Nieto Roa

Com Reynaldo Gianechhini e Paola Oliveira

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Eu adoro as suas mãos, sabia disso?

– É? O que elas tem demais?

– As suas são lindas: o formato dos dedos, a textura, o desenho das unhas.

– Não é tudo igual?

– Não, claro que não! Sabia que dá pra saber como um homem é na cama só de olhar para as mãos dele?

– Você tá de sacanagem!

– Não estou não. Inclusive eu acho que escolhi você pela forma como você pegava o seu copo de whisky ou então como colocava as mãos sobre a mesa.

[Risos e uma música cafona no fundo. Ela começa a fazer cócegas no pescoço dele.]

– Não acredito que a parte do meu corpo que você mais gosta sejam as minhas mãos.

– Eu não disse isso! Eu disse que foi a parte que me chamou a atenção. Você tem um monte de coisas que eu gosto.

– É? Tipo o quê?

[Ele coloca a língua entre os dentes e faz uma cara sensual. Uma música excêntricamente cômica como as de Desperate Housewives começa no fundo.]

– Tipo… suas orelhas.

– Você tá de sacanagem! [de novo! ele fala isso o filme inteiro.]

– Não tô, eu adoro o formato delas! Adoro! Adoro seu nariz, a grossura do seu pescoço. E essa veia aqui que aparece quando você franze a testa.

– Esqueceu do meu cotovelo!

[Ambos dão risadas]

– O que você gosta de você?

– Eu sempre tive orgulho dos meus olhos, da minha boca, dos meus músculos.

– Eu também gosto disso. Mas o que eu posso fazer se essas suas orelhinhas são tão bonitinhas?!

[Ambos dão risadas novamente]

E imaginem 90 minutos de filme com esses tipos de diálogos e outros mais cafonas e clichês ainda. Olha, eu até dava um prêmio de roteiro pra esse filme!

FILME: 5.0

Últimas Trilhas Sonoras

Antes de mais nada gostaria de comentar a minha ausência aqui pelo blog. O ano já começou a todo vapor na faculdade e ando cheio de tarefas. Por isso, as postagens aqui no blog vão acontecer nesse ritmo mesmo. Até pensei em abandoná-lo por uns tempos, mas decidi continuar postando só que em velocidade devagar. Sem falar, claro, que serão posts bem limitados, de resenhas de filmes e trilhas apenas. Nada de memes, especiais ou coisas do gênero. Não tenho muito tempo para dedicar a esses tipos de posts, sem contar que eles demandam mais dedicação e tempo de minha parte. Então, pessoal,  agradeço a compreensão de vocês. Qualquer coisa, estamos aí! Por enquanto, retorno ao meu relatório de Produção e Planejamento Gráfico e Editorial =P

Kill Bill – Volume 1, por Vários

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Tarantino é considerado um diretor pop por diversas razões. Uma delas é a trilha sonora de suas produções. Impossível não se contagiar com a enorme diversidade musical do álbum de Kill Bill – Voume 1. Tarantino faz questão de marcar as melhores cenas do filme com excelentes músicas e o conjunto final é maravilhoso. Desde o clássico confronto de O-Ren Ishii (Lucly Liu) e The Bride (Uma Thurman) ao som de Don’t Let Me Be Misunderstood até os memoráveis créditos iniciais com Bang Bang (My Baby Shot Me Down) ganham uma alma essencialmente cult. Uma coletânea para se ter em casa.

Frost/Nixon, por Hans Zimmer

4

Começa de forma espetacular com a faixa Watergate e só mantem esse excelente nível durante toda a trilha. Hans Zimmer pode até pisar na bola de vez em quando com umas trilhas irregulares – como O Código Da Vinci, por exemplo – mas sabe realizar excelentes trabalhos como aqui em Frost/Nixon, outra trilha injustamente ignorada pelo Oscar. O maior mérito do trabalho de Zimmer é fazer com que a sua trilha funcione dentro e fora do filme, conquistando com seus arranjos originais e competentes. Merecia mais reconhecimento. Muito mais.

About Schmidt, por Rolfe Kent

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O trabalho de Rolfe Kent em As Confissões de Schmidt é bem eclético, acompanhando muito bem as inconstantes emoções do personagem. Quando Schmidt fica triste, a trilha fica melancólica; quando Schmidt se irrita, a trilha fica cômica. Esse é o grande mérito desse simples trabalho que conquista por causa de sua grande simplicidade. Tudo combina muito bem com o filme de Alexander Payne. Temos também uma faixa com a carta que o protagonista escreve para seu filho adotivo na África falando mal de sua família e sobre como é ruim envelhecer. Hilário… E triste também. Assim como o filme.

A Beutiful Mind, por James Horner

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Sou grande fã de James Horner – que tem trabalhos memoráveis como Titanic e Casa de Areia e Névoa. Nessa trilha de Uma Mente Brilhante, ele realiza outro trabalho muito bom, mas que não chega a ser um dos mais inspirados. É exatamente uma característica sua que atrapalha o resultado do álbum – Horner, na maioria das vezes, utiliza composições muito compridas. Se em alguns casos isso funciona muito, aqui nem tanto. São 75 minutos de trilha e chega a ser até difícil ouvir tudo, já que tem que ter muita paciência pra isso. Entretanto, de forma alguma isso desmerece essa boa trilha do compositor, que mais uma vez acertou. Mesmo que com pouco brilho.

The Passion of the Christ, por John Debney

3

Na maioria das vezes, filmes envolvendo religião sempre inventam de colocar aqueles corais entoando melodias sacras na trilha. A Paixão de Cristo é um exemplo. Sou admirador desse filme de Mel Gibson – mas que vi uma vez só e não faço questão de ver novo porque sofri de tanta angústia o longa inteiro – mas a trilha sonora não funciona fora do filme. Dentro da história causa sim emoção, mas no cd soa banal, sem inspiração. Foi indicada ao Oscar de melhor trilha sonora e perdeu para Em Busca da Terra do Nunca. De certo os votantes a indicaram por causa das sensações que ela transmite durante a jornada de Jesus na película.

Operação Valquíria

Direção: Bryan Singer

Elenco: Tom Cruise, Bill Nighy, Kenneth Branagh, Tom Wilkinson, Terence Stamp, Carice Von Houter, Thomas Kretschmann

Valkyrie, EUA/Alemanha, 2008, Drama, 115 minutos, 16 anos

Sinopse: 2ª Guerra Mundial. Claus von Stauffenberg (Tom Cruise) é um coronel que retorna à Alemanha gravemente ferido, devido à guerra na África. Ao chegar ele se envolve em uma conspiração para acabar com o governo local, que tem por objetivo matar Adolph Hitler (David Bamber). O objetivo do grupo é pôr em prática a Operação Valquíria, um plano já existente que prevê a implementação de um governo que conduza a Alemanha após a morte de seu líder. Aos poucos o coronel Claus ganha destaque na organização, sendo encarregado para que cometa o assassinato de Hitler.

Operação Valquíria tem uma história séria e competente, mas não consegue criar nenhum tipo de emoção para envolver o espectador. Isso leva o filme de Bryan Singer para um nível inferior ao do que poderia ter alcançado.”

Logo quando o nome de Batman – O Cavaleiro das Trevas não foi anunciado entre os cinco indicados ao principal prêmio do Oscar, uma onda de críticas começou a ser criada em torno de O Leitor, que, supostamente, teria roubado injustamente a vaga do mascarado. A principal reclamação era que o filme de Stephen Daldry só estava lá porque era um filme sobre a Alemanha nazista e que esse assunto sempre tem grande repercussão entre os votantes. Operação Valquíria veio mostrar que essa máxima de que filmes desse assunto sempre se dão bem não é tão certa assim. Adiado milhões de vezes e com o seu trailer sendo divulgado faz um bom tempo nos cinemas, o longa de Bryan Singer foi um grande fracasso nos Estados Unidos e agradou pouca gente.

Culpa de Tom Cruise é que não é – apesar de ser uma figura que perdeu nos últimos tempos boa parte da credibilidade que tinha, ele de forma alguma é o que leva Operação Valquíria a ser um longa mediano. Culpa de Bryan Singer também não é, já que ele é um excelente diretor e já demonstrou isso em interessantes filmes como Os Suspeitos. A produção escorrega no roteiro, mais precisamente nas emoções; ou melhor, na falta delas. A história até é bem estruturada – o roteiro é enxuto e não dá informações demais – mas não tem como torcer pelos personagens se simplesmente nós conhecemos muito pouco sobre eles. A vida afetuosa do protagonista é nula e o público só enxerga cada figura do filme em ação contra Hitler. Nada de humanização, nada de sentimento. Frio e seco, calculista em cada milímetro.

Por um outro lado, Operação Valquíria caminha de forma competente nos outro setores. O nervosismo da história tem bons momentos, assim como as boas atuações que, podem até não ser dignas de maiores notas, mas se encaixam dentro do clima proposto pela trama. A direção de arte é muito boa também, conferindo um tom sério para o filme. Porém, existe um grande pecado – a trilha de John Ottman é completamente inapropriada, presente em excesso e com composições exageradas. Esse é o único porém de um longa que é muito bom na sua técnica. O que falta mesmo no filme é emoção, uma vontade de querer que o espectador torça pelos personagens. Uma certa emoção pode até surgir nos momentos derradeiros de Operação Valquíria devido ao seu triste desfecho, mas é muito pouco para uma produção que passou quase duas horas sem se importar com humanização.

FILME: 6.5

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CineCast

Depois de um bom atraso, venho divulgar aqui no blog o primeiro CineCast feito por mim, pelo Alex (Cine Resenhas), pelo Luciano (A Sala) e pelo Wally (Cine Vita). Com o intuito de ser produzido mensalmente, o CineCast tem como objetivo discutir alguns dos principais assuntos da sétima arte de forma descontraída e divertida. Já fico saber que o formato agradou o público e isso nos motiva bastante para a próxima edição. Lembrando que o público também pode contribuir com o CineCast mandando um e-mail com sua crítica, sugestão ou elogio. O nosso sucesso depende de vocês. Para ouvir a primeira edição, clique aqui.

Pagando Bem, Que Mal Tem?

Direção: Kevin Smith

Elenco: Seth Rogen, Elizabeth Banks, Justin Long, Brandon Routh, Jason Mewes, Anne Wade

Zack and Miri Make a Porno, EUA, 2008, Comédia, 95 minutos, 16 anos

Sinopse: Zack Brown (Seth Rogen) e Miriam Linky (Elizabeth Banks) são amigos há muito tempo, sendo que atualmente dividem um quarto e possuem diversas dívidas. Após terem a água e a luz cortadas, eles resolvem fazer um filme pornô caseiro para conseguir algum dinheiro. Desta forma selecionam alguns amigos para ajudá-los, jurando que o sexo não irá prejudicar a amizade existente. Só que, quando as gravações começam, o negócio se torna algo bem maior do que imaginavam.


“Pagando Bem, Que Mal Tem? prova que humor óbvio e com falhas também pode produzir uma boa diversão.”

Saneamento Básico satirizava os filmes amadores. Pagando Bem, Que Mal Tem? satiriza os filmes amadores também, só que os pornôs. Mas se o filme de Jorge Furtado tinha uma intelegência humorística admirável, Kevin Smith realiza um trabalho previsível em seu mais novo filme. Entretanto, isso não diminui em nada a boa comédia escrita no roteiro e os momentos divertidos que ela pode proporcionar. Protagonizado por um casal com excelente química – Elizabeth Banks (Três Vezes Amor) e Seth Rogen (Ligeiramente Grávidos)Pagando Bem, Que Mal Tem? consegue fazer piada do mundo do sexo sem nunca apostar no extravagante, permanecendo sempre no nível do aceitável.

O porém da história é que, em determinado momento, o sentimentalismo entra em cena e quebra o clima humorístico que estava sendo desenvolvido antes. Simplesmente não combina com a história, mesmo que os dois protagonistas sejam perfeitos um para o outro. A partir desse fato, a qualidade vai caindo aos poucos e a graça do filme vai se esvaindo a cada minuto. Porém, é válido constatar que o diretor Kevin Smith, de certa forma, não deixa tudo ir por água abaixo. Pagando Bem, Que Mal Tem? tem sempre seus bons momentos até os créditos finais e a emoção dos momentos finais não chega a produzir muitos danos para o produto final.

O resultado é um longa divertido – que possivelmente só vai agradar aqueles que conseguem se divertir com filmes cômicos focados em piadas sexuais – mas que possui sim as suas falhas. O que vale constatar é que estamos naquela típica situação em que conseguimos nos divertir mesmo com um produto irregular. Detestável para alguns, divertido para outros, Pagando Bem, Que Mal Tem? é um entretenimento aceitável e que ficará melhor ainda se uma turma for reunida para dar risadas na sala de cinema. É só se livrar de preconceitos e se divertir com o óbvio. Nem que seja para sair da sala falando que é um bom guilty pleasure.

FILME: 6.5

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