Cinema e Argumento

the viva la vida tour.

Podem falar à vontade que Coldplay é sem graça (que mancada, hein, revista Veja?!).

Lá estarei eu no domingo, firme e forte.

As malas para o Rio de Janeiro começam a ser montadas.

E o encontro que acontecerá lá com o blogueiro Wally, do Cine Vita, também se aproxima.

Fim-de-semana promete ser inesquecível.

E é por causa desses acontecimentos que o Cinema e Argumento, depois de uma semana tendo posts quase que diários, vai ficar desativado durante alguns dias a partir de hoje.

Semana que vem o blog está de volta com novas críticas e uma preparação para o Oscar (que promete ser o mais chato dos últimos anos).

So long, farewell.

Um Sonho Possível

If you go to Tennessee, I’ll be there at all the games. I’ll be there to support you.

Direção: John Lee Hancock

Elenco: Sandra Bullock, Quinton Aaron, Tim McGraw, Kathy Bates, Jae Head, Lily Collins, Ray McKinnon, Kim Dickens

The Blind Side, EUA, 2009, Drama, 129 minutos, Drama, Livre

Sinopse: Leigh Anne Tuohy (Sandra Bullock) é uma mãe de família que ao levar seu filho para escola, vê que o menino ganhou uma nova amizade, Michael Oher (Quinton Aaron), um rapaz que passou por sete instituições diferentes e que nunca frequentou uma escola. Sabendo disso, Leigh adota o rapaz e o aconselha a jogar futebol americano, e é isso o que ele faz. Com grande potencial o rapaz se torna um astro do futebol americano.

Algumas atrizes são tão populares que são ovacionadas mesmo quando não deveriam. Vejam Sandra Bullock, por exemplo, que passou a vida inteira fazendo sucesso em comédias como Miss Simpatia e agora colhe os frutos desse carinho dos fãs. Só isso para explicar a celebração de Bullock em Um Sonho Possível. Bastou ela fazer algo diferente do habitual (ou seja, algo que possa ser reconhecido por crítica e premiações) que ela começou a ser apoiada nos quantro cantos do planeta. E quase todo esse apoio é resultado do público que a faz estrela e não necessariamente da atuação dela.

Mas, a verdade é que Bullock alcança apenas o nível do correto no filme. Com um cabelo bizarro e suas habituais expressões, a atriz não faz nada além do óbvio aqui e toda badalação em torno de seu desempenho é injustificável, pois não existem maiores méritos em sua atuação. Mas, para dizer que não peguei muito pesado, reconheço o envolvimento dela no projeto. Bullock embarcou na história e fica visível que fez o que era necessário para um filme como esses. Entretanto, isso, como todo mundo sabe, não é o suficiente.

Um Sonho Possível é aquela corriqueira história de auto-estima que o povo americano adora: um sujeito totalmente loser, de repente, se torna um grande ídolo. Ele é ajudado por muitas pessoas que, por alguma razão obscura, acreditam que ele tem potencial para alguma coisa. Temos, então, uma história que narra uma bonita trajetória de superação, correto? Errado. O roteiro não poderia ser mais datado, deixando o enredo arrastado (são longas duas horas de filme) com o uso de velhas fórmulas batidas. Uma pena. Histórias assim podem ser muito eficientes, quando bem trabalhadas.

Até que para um filme pequeno como esse, Um Sonho Possível tem interessantes atributos e se sai bem dentro de suas restrições. Está longe de ser um grande filme, isso é verdade, mas é bem certo que várias pessoas vão aprovar o resultado justamente por causa do jeito óbvio do longa-metragem. A história é banal, mas consegue ser efetiva com muita gente. É aquele típico caso onde o lado crítico tem que ser deixado de lado para não ver o filme de todo ruim. Agora, difícil é levar a sério como o Oscar conseguiu se envolver tanto com um filme como esses ao ponto de indicá-lo na categoria principal, onde é o concorrente mais fraco.

FILME: 6.0


Simplesmente Complicado

I think we should grow old together.

– Sorry to tell you, but we already grew old apart.

Direção: Nancy Meyers

Elenco: Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski, Lake Bell, Rita Wilson, Hunter Parrish, Alexandra Wentworth

It’s Complicated, EUA, 2009, Comédia Romântica, 119 minutos, 12 anos

Sinopse: Jane (Meryl Streep) é uma mãe de três filhos que tem uma relação amigável com o seu ex-marido, Jake (Alec Baldwin), após dez anos da separação. A convivência entre eles acaba se tornando um romance, sendo que Jake, no momento, está comprometido com uma moça. Agora, Jane vive um dilema, já que se tornou a amante de seu antigo marido.

Qualquer pessoa, em sã consciência, torce para que Meryl Streep finalmente leve o seu terceiro Oscar. Mas são poucos aqueles que apóiam uma vitória da atriz por um papel de comédia. Heresia pura. Nos últimos tempos, Streep vem se especializando nesse gênero e em Simplesmente Complicado ela mostra que não precisa cantar (Mamma Mia!), falar estranho (Julie & Julia) ou se transormar em uma megera chique (O Diabo Veste Prada) para fazer comédia. Ela, de rosto limpo e sem adereços, consegue ser cômica com precisão.

Pena que Simplesmente Complicado não tenha a mesma vitalidade da protagonista. É ilusão esperar algo de um filme de Nancy Meyers e quem assiste a um filme desses já tem uma certa noção do que vai ser representado pelos atores. Aqui não é diferente, só que dessa vez esse estilo eterno de Meyers já começa a cansar. Algumas carcterísticas são aceitáveis, mas outras coisas já são difícies de engolir, como, por exemplo, a choradeira dos filhos adultos da protagonista que ainda não superaram o divórcio dos pais depois de dez anos. Ou ainda a constrangedora cena de Alec Baldwin nu na frente da webcam.

Qualquer semelhança com Alguém Tem Que Ceder não é mera coincidência. É bem certo que o roteiro quer reproduzir o que deu certo no filme estrelado por Jack Nicholson e Diane Keaton. Principalmente no que se refere aos questionamentos femininos de mulheres mais velhas e também nas situações em que elas voltam a ser idealizadas como infinitamente mais interessantes que as jovens garotas que seduzem os maridos de meia-idade. Assunto interessante. Mas um assunto que já foi trabalhado antes por Meyers e que aqui ganha uma versão B, que deixa a sensação de reciclagem.

O elenco, claro, é quem salva o dia. Exclusivamente Streep, que, como “herdeira” de Diane Keaton nesse tipo de trama, faz mais um ótimo trabalho – que, inclusive, foi indicado ao Globo de Ouro de melhor interpretação comédia/musical. Mas Alec Baldwin não é nenhum Jack Nicholson e falta aquela química de voar faíscas que existia entre Keaton e Nicholson no filme anterior. Baldwin não passa do correto, assim como Steve Martin (que aqui está num momento contido).

Simplesmente Complicado pode ser considerado uma certa decepção. Nancy Meyers já fez filmes desse tipo e conseguiu divertir bastante como um guilty pleasure, mas aqui as falhas ficaram mais evidentes do que em qualquer outro de seus filmes. Falhas que nem Streep conseguiu apagar por completo. Portanto, fica a sensação de divertimento sim durante o filme, mas também de aborrecimento por conta de um roteiro, com o perdão do trocadilho, complicado como esse. O longa, no final das contas, é mais do mesmo, onde a atriz principal é a grande razão para qualquer justificativa plausível de uma conferida.

FILME: 6.5


Educação

One of the boys I dated, and they were boys, suggested that we go to Paris and I said I’d always wanted to see Paris. As if I’d never been!

Direção: Lone Scherfig

Elenco: Carey Mulligan, Peter Sarsgaard, Dominic Cooper, Alfred Molina, Rosamund Pike, Emma Thompson, Olivia Williams, Sally Hawkins

An Education, Inglaterra, 2009, Drama, 105 minutos

Sinopse: Durante os anos 60, a vida de uma garota de 17 anos (Carey Mulligan) muda completamente depois que ela conhece um homem de 35 anos (Peter Sarsgaard), que começa a cortejá-la com jantares elegantes, clubes e viagens. O comportamento do rapaz conquista também o pai da garota, mas coloca em risco o futuro da garota na Universidade de Oxford.

Os anos 2000 foram especialmente marcantes para as jovens atrizes. Fomos apresentados a uma imensa lista de revelações que surgiram para o cinema nos últimos tempos, como a ótima Saoirse Ronan de Desejo e Reparação. Outra figura das mais interessantes é, sem pestanejar, essa Carey Mulligan – altamente reconhecida por diversas associações de críticas por seu desempenho em Educação. Merece todos os créditos. Mulligan é, realmente, excepcional.

O filme em si é de grande qualidade e aposta no bom e velho jeito britânico de fazer dramas – o que é essencial para a história, já que fica evidente que tal trama, talzez, não tivesse a mesma eficácia nas mãos de cineastas americanos, por exemplo. Todo o requinte inglês (incluindo a própria reprodução de época e as locações) são essenciais para que se compreenda melhor a jornada emocional vivida pela protagonista.

Durante alguns momentos, pode até ficar aquela corriqueira questão no ar: o filme é realmente bom ou é a protagonista que deixa essa impressão? O que se pode concluir com Educação é que estamos dentro das duas opções. Sim, o filme é ótimo e Mulligan também deixa essa sensação. Mas não é puramente mérito da atriz. É notável como o roteiro é sutil na construção da personagem e, principalmente, no modo como retrata toda a evolução sentimental e também o amaduricento dela.

Educação é um ótimo filme que tem alguns fatores não tão interessantes (como Alfred Molina, por exemplo, que me pareceu básico demais e sem variações), mas que se tornam pequenos perto da qualidade apresentada. Esse longa-metragem de Lone Scherfig pode até não ser um dos grandes lançamentos da temporada, mas, sem dúvida, merece ser descoberto. Por diversas razões. Possivelmente, o filme mais harmônico dos indicados ao Oscar.

FILME: 8.5

NA PREMIAÇÃO 2010 DO CINEMA E ARGUMENTO:

 

she is an alien.

E vai perder pra Sandra Bullock?

Só o que me faltava.

“Bonjour” nela!

Aposto em Meryl até o fim.

ps: e que vídeo lindo, né?! Dá vontade de ver todos os filmes dela de novo…