Simplesmente Complicado

I think we should grow old together.

– Sorry to tell you, but we already grew old apart.

Direção: Nancy Meyers

Elenco: Meryl Streep, Alec Baldwin, Steve Martin, John Krasinski, Lake Bell, Rita Wilson, Hunter Parrish, Alexandra Wentworth

It’s Complicated, EUA, 2009, Comédia Romântica, 119 minutos, 12 anos

Sinopse: Jane (Meryl Streep) é uma mãe de três filhos que tem uma relação amigável com o seu ex-marido, Jake (Alec Baldwin), após dez anos da separação. A convivência entre eles acaba se tornando um romance, sendo que Jake, no momento, está comprometido com uma moça. Agora, Jane vive um dilema, já que se tornou a amante de seu antigo marido.

Qualquer pessoa, em sã consciência, torce para que Meryl Streep finalmente leve o seu terceiro Oscar. Mas são poucos aqueles que apóiam uma vitória da atriz por um papel de comédia. Heresia pura. Nos últimos tempos, Streep vem se especializando nesse gênero e em Simplesmente Complicado ela mostra que não precisa cantar (Mamma Mia!), falar estranho (Julie & Julia) ou se transormar em uma megera chique (O Diabo Veste Prada) para fazer comédia. Ela, de rosto limpo e sem adereços, consegue ser cômica com precisão.

Pena que Simplesmente Complicado não tenha a mesma vitalidade da protagonista. É ilusão esperar algo de um filme de Nancy Meyers e quem assiste a um filme desses já tem uma certa noção do que vai ser representado pelos atores. Aqui não é diferente, só que dessa vez esse estilo eterno de Meyers já começa a cansar. Algumas carcterísticas são aceitáveis, mas outras coisas já são difícies de engolir, como, por exemplo, a choradeira dos filhos adultos da protagonista que ainda não superaram o divórcio dos pais depois de dez anos. Ou ainda a constrangedora cena de Alec Baldwin nu na frente da webcam.

Qualquer semelhança com Alguém Tem Que Ceder não é mera coincidência. É bem certo que o roteiro quer reproduzir o que deu certo no filme estrelado por Jack Nicholson e Diane Keaton. Principalmente no que se refere aos questionamentos femininos de mulheres mais velhas e também nas situações em que elas voltam a ser idealizadas como infinitamente mais interessantes que as jovens garotas que seduzem os maridos de meia-idade. Assunto interessante. Mas um assunto que já foi trabalhado antes por Meyers e que aqui ganha uma versão B, que deixa a sensação de reciclagem.

O elenco, claro, é quem salva o dia. Exclusivamente Streep, que, como “herdeira” de Diane Keaton nesse tipo de trama, faz mais um ótimo trabalho – que, inclusive, foi indicado ao Globo de Ouro de melhor interpretação comédia/musical. Mas Alec Baldwin não é nenhum Jack Nicholson e falta aquela química de voar faíscas que existia entre Keaton e Nicholson no filme anterior. Baldwin não passa do correto, assim como Steve Martin (que aqui está num momento contido).

Simplesmente Complicado pode ser considerado uma certa decepção. Nancy Meyers já fez filmes desse tipo e conseguiu divertir bastante como um guilty pleasure, mas aqui as falhas ficaram mais evidentes do que em qualquer outro de seus filmes. Falhas que nem Streep conseguiu apagar por completo. Portanto, fica a sensação de divertimento sim durante o filme, mas também de aborrecimento por conta de um roteiro, com o perdão do trocadilho, complicado como esse. O longa, no final das contas, é mais do mesmo, onde a atriz principal é a grande razão para qualquer justificativa plausível de uma conferida.

FILME: 6.5


10 comentários em “Simplesmente Complicado

  1. Eu gostei do filme.
    Achei a química entre Meryl Streep e Steve Martin maravilhosa. Apostaria num próximo filme com os 2.
    Alec Baldwin eu concordo, está meio por fora – sobrando, mas desde 30 Rock que eu não o vejo muito bem, apesar de ter notado uma sensível diferença entre o personagem do filme e do seriado.

    Não concordo com o seu 3o parágrafo. Primeiramente porque Meyers ainda pode fazer ainda outros filmes que contenham esse mesmo assunto. Não há porque não fazê-lo. Em nenhum lugar está escrito que os assuntos não podem ser repetidos. Se fosse assim, não existiriam mais comédias românticas.
    Segundo, quando vc diz “(…)mulheres mais velhas e também nas situações em que elas voltam a ser idealizadas como infinitamente mais interessantes que as jovens garotas que seduzem os maridos de meia-idade.(…)” acho que está equivocado. Em momento algum eu vi isso no filme. Vi apenas um cara com saudades da calmaria e tranquilidade, de seu porto seguro.
    Não vi a personagem de Streep em nenhum momento infinitamente mais interessante, pelo contrário, mostra o medo de envelhecer, medo de se jogar numa possível furada, medo de se jogar no novo. Achei que mostra ela bem humana.
    Enfim… gostei bastante do filme. Ri muito e recomendo!

  2. Vinícius, não foi engraçado como poderia ser porque parece uma cópia de “Alguém Tem Que Ceder”. Cópia piorara, né…

    Reinaldo, é entretenimento sim. Mas o que me irrita é que esses diretores óbvios não se esforçam nem um pouquinho para serem diferentes… Se acomodam em um formato e ficam neles pra sempre.

    Luis, da Nancy Meyers eu só gosto de verdade do “Alguém Tem Que Ceder”.

    Robson, exatamente!

    Santiago, concordo! A Meyers até poderia continuar com essas temáticas, mas poderia mudar um pouco a linguagem. Já está cansando…

    Cadu, obrigado!

    Mayara, sabe que eu gostei mais do trailer do que do filme? =P

    Uma Dose de Cinema, uma observação: agora sou ex-funcionário haha Mas, enfim, eu curti o filme. Mas a Nancy Meyers já chegou no limite com essas histórias repetitivas. Os filmes delas parecem sempre os mesmos!

  3. Eaí Matheus! Que coincidência a gente se encontrar por aqui. Fato que toda e qualquer alma que trabalha na espaço respira cinema! A maioria pelo menos, sempre tem a taxa percentual de erros! haha!

    Vou adicionar teu link lá no meu blog tbm! E qto ao filme, talvez eu tenha curtido mais do que tu por esperar menos. Fui com a intenção de ver um filme sem muito a oferecer e me diverti bastante! Adorei quando ficou todo mundo chapado! hahahaha! Mas mesmo assim a gente tá parecido de notas (tirando Educação). Eu dei 6 e tu 6.5 pro filme. Como eu não dou notas quebradas, estamos na mesma!

    Abração!

  4. Apesar de não concordar muito achei o texto ótimo. Observações bem pertinentes. Parabéns

  5. Ótima crítica, é isso mesmo. Meyers deveria perceber que faz filmes para adultos, que de fato, passam por todos esses problemas (divórcios, novos amores que são antigos…), mas que conseguem superar. Ao invés de tornar o roteiro em virtuoso, o tranforma em um círculo vicioso de falhas e clichês. Está na hora de amadurecer, não é mesmo?

    Abraço!

  6. Discordo redondamente de vc nessa aqui Matheus. Não vou me empenhar na defesa do filme (penso ser contraprodutivo no nosso caso), apenas coloco que é comum diretores manterem certas obsessões em suas obras (Scorsese, Von Trier e Almodóvar mantém sem serem criticados em virtude disso), não vejo pq uma diretora que pretende um cinema mais comercial deva ser criticada pela mesma razão.
    Achei o filme um charme. E, lembremos, é entretenimento. Pensante sim, mas entretenimento. Como tal, cumpre sua função exemplarmente.

    ABS

  7. É daquele tipo de comédia que poderia ser muito mais engraçada, mas que por algum motivo não foi. Como disse, a própria Meyers já foi melhor nesse gênero (e é estranho que tenha sido lembrada pelo GG justamente por esse filme).

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