Na coleção… Babel

Na época em que foi lançado, Babel sofreu inúmeras comparações com Crash – No Limite. Os paralelos feitos entre a obra de Alejandro González Iñárritu e o celebrado longa-metragem de Paul Haggis são válidos. No entanto, os dois filmes são bem distintos em suas essências. O formato pode ser parecido, mas a linguagem utilizada no conteúdo é diferente. Enquanto Crash – No Limite limitava-se a falar sobre o preconceito da sociedade norte-americana, Babel versa sobre a comunicação por meio de um caráter global.
Iñárritu considera Babel o terceiro volume de uma trilogia – que começou a ser construída com o ótimo Amores Brutos e que recebeu continuidade, depois, no denso 21 Gramas. Das três produções, Babel pode ser considerada a que menos alcança resultados notáveis. Contudo, de maneira alguma, deve ser desprezada por isso, já que é o longa-metragem mais acessível da tal trilogia. Sem falar, claro, que possui aspectos extremamente interessantes – e também intensos.
A forte direção de Iñárritu consegue ir além da mera costura de várias histórias. Ele coloca, na trama, traços dramáticos complexos e ainda se permite trabalhar a identidade cultural de cada país retratado em cena. Indicado ao Oscar, ele perdeu a estatueta na categoria de direção para Martin Scorsese. Por mais que eu considere Os Infiltrados um dos filmes mais bem realizados da carreira de Scorsese, o grande trabalho daquele ano, para mim, era o de Iñárritu.
Logo em seguida, claro, aparecem as performances. Todos os atores possuem algum momento especial. No entanto, ao meu ver, o destaque fica com Rinko Kikuchi e Adriana Barraza. Ambas estão ótimas em seus respectivos papéis e são elas que carregam a maior parte da força emocional do filme. Enquanto Kikuchi é a figura mais complexa, Barraza é a mais sentiemental. Não desmereço Brad Pitt e Cate Blanchett, mas os dois ficaram atrás das duas atrizes “desconhecidas”.
No geral, Babel tem seus méritos, mas também não deixa de ter falhas. A maior delas é ser um longa-metragem cansativo, já que a duração é um pouco excessiva. Também fica aquela sensação de que “já vimos isso antes”. Porém, são defeitos que não diminuem a excelência do filme. Na avaliação geral, eles só fazem com que Babel não seja o longa memorável que poderia ser, eles só não deixam o filme ir muito além do ótimo resultado.
FILME: 8.0













