Cinema e Argumento

Tron – O Legado

I kept dreaming of a world I thought I’d never see. And then, one day… I got in.

Direção: Joseph Kosinski

Elenco: Garrett Hedlund, Jeff Bridges, Olivia Wilde, Michael Sheen, Bruce Boxleitner, Beau Garrett, Anis Cheurfa, Conrad Coates

Tron: Legacy, EUA, 2010, Ficção, 127 minutos

Sinopse: Kevin Flynn (Jeff Bridges) é um gênio da informática que, um dia, desapareceu sem deixar vestígios. Seu filho Sam (Owen Best), na época com sete anos, é criado pelos avós e a empresa de Flynn, a Encom, é gerenciada pelos demais acionistas. Já com 27 anos, Sam não quer assumir o controle da empresa e prefere boicotá-la uma vez por ano. Um dia, o braço direito de seu pai, Alan Bradley (Bruce Boxleitner), recebe um bipe, o que faz com que Sam vá até o local onde Kevin tinha uma série de consoles de videogame. Lá Sam encontra uma passagem secreta, que o leva a uma câmara onde está o último trabalho de seu pai. Sam o aciona e é levado a outro mundo, tecnológico, habitado por programas de computação.

Mesmo aqueles que não apreciam Avatar reconhecem a revolução visual que o filme trouxe para o cinema. O filme de James Cameron foi o que deu origem ao sucesso estrondoso do 3D, que hoje faz com que muitas produções obtenham sucessos que não são merecidos, como o recente Alice no País das Maravilhas, por exemplo, absurdamente encontrado entre as dez maiores bilheterias da história. Não sei se Tron – O Legado teria exatamente o mesmo efeito na indústria caso tivesse sido lançado antes do longa de James Cameron, mas, certamente, já serviria de anúncio para o que estaria por vir.

Tron – Uma Odisséia Eletrônica foi lançado pela Disney em 1982, já explorando algumas revoluções técnicas e investindo no mundo dos computadores em sua temática. 28 anos depois, a produtora resolve lançar Tron – O Legado. Com quase nada de detalhes que impossibilitem o espectador leigo de entrar na história, esse blockbuster veio no momento certo, por dois motivos. O primeiro é a época em que vivemos, totalmente voltada para o mundo cibernético, o que faz com que a história seja atraente. Segundo, o cinema encontra-se em um estado tão evoluído de efeitos que o mundo sonhado pelo filme original na década de 80 ganha, agora, traços impressionantes.

Tron – O Legado é o grande blockbuster de 2010: cheio de pirotecnias, tomadas grandiosas, cenas de ação com suspense e muitos efeitos especiais. Quem pensou que o diretor John Kosinski poderia se perder no meio de tanta tecnologia, como aconteceu recentemente no cinema com o superficial Speed Racer, pode ir mudando de ideia. Se existe algo que não é um problema em Tron – O Legado, esse é o uso de efeitos. Se as cenas de ação se beneficiam com o uso preciso deles, a direção de arte também tira proveito. Os cenários e a fotografiam são tecnológicos, mas nunca parecem falsos. Pelo contrário, o mundo de Tron – O Legado chega a arrepiar na sua concepção visual de tão impecável. Algo para deixar qualquer um de boca aberta.

Portanto, é um espetáculo para os olhos e para os ouvidos (vale mencionar  esutupenda trilha do Daft Punk) que não pode deixar de ser visto nas telonas. Certamente, em dvd, não terá metade do impacto que tem em uma boa sala de cinema. E, para aqueles que, assim como eu, fogem sem pensar duas vezes do preço abusivo do 3D nunca recompensado nos filmes, a dica é aproveitar o deleite visual de Tron – O Legado nesse formato. Claro que o filme seria igualmente encantador na sua técnica sem os malditos óculos, mas o formato é mais um ponto positivo, já que consegue nos deixar ainda mais por dentro dos cenários da história. Nada de objetos voando ou brincadeirinhas. O 3D aqui serve como um artifício sutil para construir várias camadas de imagem que nos transportam com mais detalhismo para os cenários.

A notícia ruim é que se Tron – O Legado é arrebatador no visual e consegue criar sequências de ação extraordinárias, o roteiro não consegue prender a atenção do espectador na hora da calmaria. Ou seja, quando tem que criar a trama, trazer consistência para os fatos e embasar os personagens, o filme fica devendo muito. É falho na tentativa de criar problemas interessantes e, atrapalhado por uma duração de mais de duas horas, torna-se meio monótono quando precisa se basear apenas em diálogos.  Isso nem deveria ser novidade, uma vez que o filme anterior já tinha esse problema. O fato é que não existe conteúdo sólido e a falta dessa base impede que Tron – O Legado seja mais do que apenas um lindo espetáculo técnico.

Outro aspecto que não chega a ser necessariamente ruim, mas que poderia ser melhor são os protagonistas. Garrett Hedlund tem todo o tipo e o preparo físico para o papel, mas o ator é completamente neutro. Não fede nem cheira, sabe? E Jeff Bridges, que tem dois papéis, conseguiu o feito de estar satisfatório em um e péssimo no outro. Se a serenidade é um ponto positivo quando Bridges interpreta Kevin Flynn, o mesmo já não pode se dizer da caricatura quando ele surge na tela como CLU. Ele não soube mesclar exageros com descontração como fez Michael Sheen em sua pequena participação. De resto, Tron – O Legado é o blockbuster na essência da palavra. O blockbuster que não foi para as salas de cinema no verão americano e que só foi chegar agora, tardiamente em 2010. Talvez isso explique o fracasso do longa mundo afora…

FILME: 7.5

NA PREMIAÇÃO 2010 DO CINEMA E ARGUMENTO:

Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

Para certas pessoas, a guerra é a cura. A guerra funciona como uma válvula de escape. Comigo foi sempre assim, parceiro.

Direção: José Padilha

Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Tainá Müller, Milhem Cortaz, André Mattos, Rod Carvalho, Maria Ribeiro

Brasil, 2010, Drama/Policial, 115 minutos

Sinopse: 2010. Nascimento (Wagner Moura) enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

O primeiro Tropa de Elite nada mais era do que um filme bem dirigido e que só fez sucesso entre o grande público por causa da estranha satisfação e humor que as pessoas encontravam ao ver o capitão Nascimento (Wagner Moura) treinando o BOPE no meio de tapas e exigências físicas. O filme também estourou porque o protagonista dizia inúmeros bordões como “pede pra sair”. Por alguma razão, o público se “divertia” com isso e fez do longa um instantâneo hit do cinema brasileiro. Ou seja, pelo menos para mim, Tropa de Elite não era um grande filme – a não ser na direção de José Padilha e na atuação de Wagner Moura, os únicos aspectos dignos de grandes elogios. Fez sucesso estrondoso com os brasileiros, mas foi reconhecido por razões que não eram cinematográficas. Superestimado, então.

Tinha muito receio de conferir Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro. Não queria assistir uma repetição de bordões ou mais uma sucessão de tiroteios, mortes e torturas. Todavia, desde o início, foi visível que a recepção dessa continuação foi completamente diferente do volume anterior. O filme é, atualmente, o mais visto da história do Brasil, mas, curiosamente, fez menos sucesso no boca-a-boca com o povo. Sabe por quê? Tropa de Elite 2 abandona firulas para contar uma história consistente e com mais conteúdo. Partiu do cinema de entretenimento (pelo menos foi visto assim por muita gente) para o cinema de denúncia. Essa sequência supera o primeiro justamente por se levar muito mais a sério e querer levar o espectador para a reflexão. Guerra, tráfico e polícia não são temas corriqueiros no cinema. São temas sérios.

Dando um tapa na cara dos políticos e da própria polícia, Tropa de Elite 2 mexe em várias feridas sem temor algum. O diretor José Padilha não hesita em criticar tudo e todos, colocando em dúvida o que se passa nas favelas e no próprio Palácio do Planalto. Ninguém é santo e até o próprio capitão Nascimento (Wagner Moura) começa a se enojar do mundo em que trabalha. Ao contrário do que poderia acontecer, o roteiro faz denúncias e criticas sem parecer enfadonho. É certo que existem  algumas previsibilidades estruturais e aqueles velhos exageros de mortes cheias de sangue e tiros (algo que sempre incomoda os mais conservadores), mas, em conteúdo, Tropa de Elite 2 é certeiro em tudo que se propõe a questionar. Talvez essa proposta tenha dado tão certo porque o roteiro costurou com precisão a vida profissional e pessoal do protagonista.

Outro mérito desse ótimo longa-metragem é que, caso não tivesse o número dois em seu título, nada mudaria. A continuação praticamente independe do primeiro volume, criando uma história atemporal e sem amarras ao enredo do filme anterior. Mas, para quem viu a primeira versão de Tropa de Elite, é fácil notar que a continuação evoluiu em todos os aspectos. Wagner Moura aparece cada vez mais impressionante (e humano) como o capitão Nascimento, José Padilha usa toda sua habilidade extraordinária atrás das câmeras não só para filmar sequências de ação mas também para se aventurar em planos e closes mais inovadores dramaticamente e a trama tem um conteúdo de maior consistência e relevância social.

Portanto, fico muito feliz de ter cedido aos meus preconceitos com Tropa de Elite. Não queria assistir essa continuação, mas não resisti de curiosidade após tantos comentários louvando o filme. E não é para menos, a continuação se difere bastante do primeiro em muitos aspectos e consegue ser um dos grandes filmes de 2010 (possivelmente, o mais ousado). Não chego a exagerar em elogios porque não consigo apreciar em extremos produções desse gênero – afinal, não é o meu estilo. Contudo, seria muita heresia de minha parte deixar de elogiar um filme surpreendente como esse, que vem para provar que o cinema de alta qualidade sobre “favelas” não foi um momento único do cinema nacional em Cidade de Deus. José Padilha provou, com Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, que ainda existem equipes dispostas a ir muito além do básico nessa temática tão batida do cinema brasileiro.

FILME: 8.5


Nascimento (Wagner Moura), agora coronel, foi afastado do BOPE por conta de uma mal sucedida operação. Desta forma, ele vai parar na inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Contudo, ele descobre que o sistema que tanto combate é mais podre do que imagina e que o buraco é bem mais embaixo. Seus problemas só aumentam, porque o filho Rafael (Pedro Van Held) tornou-se adolescente, Rosane (Maria Ribeiro) não é mais sua esposa e seu arqui inimigo Fraga (Irandhir Santos) ocupa posição de destaque no seio de su

Alice no País do Globo de Ouro

Indicações do Globo de Ouro: tão constrangedoras quanto a dancinha do Chapeleiro Maluco em Alice no País das Maravilhas. Quando eu criar coragem para comentar essa lista vergonhosa, posto aqui no blog. Primeiro vou deixar passar a indignação… Confira a lista completa.

O Garoto de Liverpool

There’s just no point hating someone you love.

Direção: Sam Taylor-Wood

Elenco: Aaron Johnson, Anne-Marie Duff, Kristin Scott Thomas, Thomas Brodie-Sangster, Sam Bell, Josh Bolt, Ophelia Lovibond

Nowhere Boy, Inglaterra/Canadá, Drama, 98 minutos

Sinopse: John Lennon (Aaron Johnson) é um jovem que não aceita bem as regras impostas na escola e dentro de casa. Abandonado pela mãe quando tinha cinco anos, ele vive com seus tios George (David Threfall) e Mimi (Kristin Scott Thomas). Quando George morre, Lennon é obrigado a viver com Mimi, extremamente austera e sisuda. No funeral do tio, ele vê sua mãe (Anne-Marie Duff), que se mantém afastada. Seu primo consegue o endereço dela, o que faz com que Lennon resolva visitá-la. O reencontro com o filho é a realização de um sonho para Julia, que passa cada vez mais seu tempo com ele. Animada e um tanto quanto inconsequente, ela apresenta ao filho o rock’n’roll. Logo, desperta nele a vontade de montar uma banda de rock.

Quando escrevi meu texto para Coco Antes de Chanel, critiquei o filme de Anne Fontaine no sentido de que a vida de Coco Chanel (Audrey Tautou) antes da fama não era interessante e que, por isso, o filme não tinha força nem momentos de maior destaque. Também apoiei a ideia de que, no cinema, histórias biográficas precisam ser movimentadas e falar de figuras extraordinárias. Antes de Chanel, Coco era uma pessoa comum, o que transformou o filme de Anne Fontaine em um longa-metragem sem atrativos especiais. Sorte que a vida de John Lennon antes dos Beatles foi dramaticamente interessante para sustentar, com facilidade, um filme inteiro.

O Garoto de Liverpool poderia muito bem se chamar Lennon Antes dos Beatles, já que a história nem sequer cita o nome da banda durante a projeção. Focado inteiramente na adolescência de John Lennon (Aaron Johnson), esse filme da diretora Sam Taylor-Wood usa o bom e velho estilo britânico para narrar a conturbada relação do jovem com sua distante mãe, Julia (Anne-Marie Duff), e com sua tia, Mimi (Kristin Scott Thomas). Esse é o principal foco de O Garoto de Liverpool, que se preocupa bastante em humanizar o protagonista e deixar a música apenas como pano de fundo em uma história familiar. Interpretado pelo ótimo Aaron Johnson, John Lennon aparece como um jovem qualquer, vivenciando problemas com a família, aproveitando a juventude e admirando a cultura de sua época.

Mesmo que o trabalho envolvendo o protagonista e que o ator sejam excelentes, são as duas coadjuvantes do filme que mais chamam a atenção. Anne-Marie Duff, que recentemente fez uma ponta em Notas Sobre Um Escândalo e já havia provado talento antes no notável Em Nome de Deus, traz o típico papel da personagem simpática e adorável, mas que, aos poucos, descobrimos não ser a maravilhosa pessoa que aparenta ser. Kristin Scott Thomas, por um outro lado, faz um retrato gélido e rígido de uma mulher que aparenta ser desprovida de emoções. No entanto, assim como a personagem de Anne-Marie Duff, a Mimi de Kristin revela-se uma pessoa diferente no desenrolar do filme. Ambas atrizes foram indicadas ao BAFTA de coadjuvante e merecem o reconhecimento, já que são o maior atrativo do filme.

Utilizando uma narrativa clássica, O Garoto de Liverpool, assim como  o também britânico Educação, dedica-se a um estilo mais formal para narrar sua história. Ao meu ver, ganha muitos pontos por isso. A reconstituição de época é ideal, o formato funciona e o clima é de competência. Por mais que cinebiografias tendam a cair em obviedades, O Garoto de Liverpool consegue fugir de várias delas, ainda que tenha alguns momentos meio didáticos. De qualquer forma, podemos até não ter nesse filme um resultado espetacular, mas encontramos um produto bem produzido. Talvez não agrade aqueles que procurem um filme dedicado aos Beatles ou ao John Lennon famoso (mas quem se der ao trabalho de ler a sinopse poderá notar que esse não é o propósito da diretora). No entanto, creio que deva agradar ao público que procura embarcar numa história mais contida e nada comercial.

FILME: 8.0


Atração Perigosa

I need your help. I can’t tell you what it is, you can never ask me about it later, and we’re gonna hurt some people.

Direção: Ben Affleck

Elenco: Ben Affleck, Rebecca Hall, Jon Hamm, Jeremy Renner, Blake Lively, Pete Postlethwaite, Chris Cooper, Brian Scannell

The Town, EUA, 2010, Drama/Policial, 125 minutos

Sinopse: Doug MacRay (Ben Affleck) lidera um grupo de ladrões de bancos que sempre sai impune, apesar das investigações do FBI. Um dia, ao realizar um assalto, seu parceiro Jem (Jeremy Renner) leva uma refém, por precaução. Ela é Claire Keesey (Rebecca Hall), subgerente do banco assaltado. Solta próximo à praia algum tempo depois, Claire fica traumatizada com o acontecimento. O problema é que Jem descobre que Claire mora a apenas quatro quarteirões do bando, tornando-se uma ameaça para o grupo. Doug fica encarregado de vigiá-la mas, após uma conversa ocasional na lavanderia, inicia um relacionamento com ela.

Ben Affleck já havia provado em Medo da Verdade ser um sujeito que deveria ficar atrás das câmeras. Por mais que eu não aprecie muito o primeiro filme de Affleck, reconheço todos os méritos dele na direção – até porque o que não me agradava no longa é o roteiro. Atração Perigosa é o segundo trabalho dele como diretor e, mais uma vez, consegue provar que leva jeito para o cargo. Orquestrando uma trama sobre assalto a bancos, Affleck conduz o enredo com segurança e entrega um bom filme que consegue, com facilidade, sustentar-se durante duas horas misturando drama e um enredo de investigação policial.

Atração Perigosa nem chega a ser um filme engenhoso sobre assalto a bancos como O Plano Perfeito, por exemplo. Na realidade, o filme de Ben Affleck se preocupa mais em traçar uma linha dramática entre os personagens que se envolvem, como vítimas ou vilões, nessas situações criminosas. Com isso, ganha pontos negativos e positivos. O roteiro tropeça ao cair em alguns clichês como o do vilão que, anonimamente, faz algo terrível para a mocinha mas depois passa a ter uma relação com ela e se arrepende dos erros que cometeu. Ao mesmo tempo que confere obviedade ao enredo de Atração Perigosa, o retrato “humano” dos personagens também traz um certo diferencial para a produção, já que ele não se foca apenas em assaltos ou planos criminosos.

Conduzido com segurança, Atração Perigosa pode até não ser um filme muito original, mas tem muitos aspectos interessantes. Se a direção de Ben Affleck, possivelmente, seja o maior deles, não podemos deixar de citar, claro, o bom grupo de atores que aqui está reunido. Ben Affleck, além de dirigir, também protagoniza a história. Ainda tenho certas dificuldades em aceitá-lo como ator, mas é visível que ele parece mais seguro nesse aspecto. No entanto, os outros atores conseguem alcançar maior notoriedade, em especial a sempre satisfatória Rebecca Hall. Atração Perigosa, portanto, é um entretenimento objetivo e, de certa forma, estruturalmente comum. Mas o que importa é que o resultado funciona com muita tranquilidade.

FILME: 8.0