Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

Para certas pessoas, a guerra é a cura. A guerra funciona como uma válvula de escape. Comigo foi sempre assim, parceiro.

Direção: José Padilha

Elenco: Wagner Moura, Irandhir Santos, André Ramiro, Tainá Müller, Milhem Cortaz, André Mattos, Rod Carvalho, Maria Ribeiro

Brasil, 2010, Drama/Policial, 115 minutos

Sinopse: 2010. Nascimento (Wagner Moura) enfrenta um novo inimigo: as milícias. Ao bater de frente com o sistema que domina o Rio de Janeiro, ele descobre que o problema é muito maior do que imaginava. E não é só. Ele precisa equilibrar o desafio de pacificar uma cidade ocupada pelo crime com as constantes preocupações com o filho adolescente. Quando o universo pessoal e o profissional de Nascimento se encontram, o resultado é explosivo.

O primeiro Tropa de Elite nada mais era do que um filme bem dirigido e que só fez sucesso entre o grande público por causa da estranha satisfação e humor que as pessoas encontravam ao ver o capitão Nascimento (Wagner Moura) treinando o BOPE no meio de tapas e exigências físicas. O filme também estourou porque o protagonista dizia inúmeros bordões como “pede pra sair”. Por alguma razão, o público se “divertia” com isso e fez do longa um instantâneo hit do cinema brasileiro. Ou seja, pelo menos para mim, Tropa de Elite não era um grande filme – a não ser na direção de José Padilha e na atuação de Wagner Moura, os únicos aspectos dignos de grandes elogios. Fez sucesso estrondoso com os brasileiros, mas foi reconhecido por razões que não eram cinematográficas. Superestimado, então.

Tinha muito receio de conferir Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro. Não queria assistir uma repetição de bordões ou mais uma sucessão de tiroteios, mortes e torturas. Todavia, desde o início, foi visível que a recepção dessa continuação foi completamente diferente do volume anterior. O filme é, atualmente, o mais visto da história do Brasil, mas, curiosamente, fez menos sucesso no boca-a-boca com o povo. Sabe por quê? Tropa de Elite 2 abandona firulas para contar uma história consistente e com mais conteúdo. Partiu do cinema de entretenimento (pelo menos foi visto assim por muita gente) para o cinema de denúncia. Essa sequência supera o primeiro justamente por se levar muito mais a sério e querer levar o espectador para a reflexão. Guerra, tráfico e polícia não são temas corriqueiros no cinema. São temas sérios.

Dando um tapa na cara dos políticos e da própria polícia, Tropa de Elite 2 mexe em várias feridas sem temor algum. O diretor José Padilha não hesita em criticar tudo e todos, colocando em dúvida o que se passa nas favelas e no próprio Palácio do Planalto. Ninguém é santo e até o próprio capitão Nascimento (Wagner Moura) começa a se enojar do mundo em que trabalha. Ao contrário do que poderia acontecer, o roteiro faz denúncias e criticas sem parecer enfadonho. É certo que existem  algumas previsibilidades estruturais e aqueles velhos exageros de mortes cheias de sangue e tiros (algo que sempre incomoda os mais conservadores), mas, em conteúdo, Tropa de Elite 2 é certeiro em tudo que se propõe a questionar. Talvez essa proposta tenha dado tão certo porque o roteiro costurou com precisão a vida profissional e pessoal do protagonista.

Outro mérito desse ótimo longa-metragem é que, caso não tivesse o número dois em seu título, nada mudaria. A continuação praticamente independe do primeiro volume, criando uma história atemporal e sem amarras ao enredo do filme anterior. Mas, para quem viu a primeira versão de Tropa de Elite, é fácil notar que a continuação evoluiu em todos os aspectos. Wagner Moura aparece cada vez mais impressionante (e humano) como o capitão Nascimento, José Padilha usa toda sua habilidade extraordinária atrás das câmeras não só para filmar sequências de ação mas também para se aventurar em planos e closes mais inovadores dramaticamente e a trama tem um conteúdo de maior consistência e relevância social.

Portanto, fico muito feliz de ter cedido aos meus preconceitos com Tropa de Elite. Não queria assistir essa continuação, mas não resisti de curiosidade após tantos comentários louvando o filme. E não é para menos, a continuação se difere bastante do primeiro em muitos aspectos e consegue ser um dos grandes filmes de 2010 (possivelmente, o mais ousado). Não chego a exagerar em elogios porque não consigo apreciar em extremos produções desse gênero – afinal, não é o meu estilo. Contudo, seria muita heresia de minha parte deixar de elogiar um filme surpreendente como esse, que vem para provar que o cinema de alta qualidade sobre “favelas” não foi um momento único do cinema nacional em Cidade de Deus. José Padilha provou, com Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro, que ainda existem equipes dispostas a ir muito além do básico nessa temática tão batida do cinema brasileiro.

FILME: 8.5


Nascimento (Wagner Moura), agora coronel, foi afastado do BOPE por conta de uma mal sucedida operação. Desta forma, ele vai parar na inteligência da Secretaria de Segurança Pública do Estado. Contudo, ele descobre que o sistema que tanto combate é mais podre do que imagina e que o buraco é bem mais embaixo. Seus problemas só aumentam, porque o filho Rafael (Pedro Van Held) tornou-se adolescente, Rosane (Maria Ribeiro) não é mais sua esposa e seu arqui inimigo Fraga (Irandhir Santos) ocupa posição de destaque no seio de su

10 comentários em “Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro

  1. Tropa de Elite 2 essa cena foi capitão Nacismento luta sozinho contra bandidos nas Avenada dos Rio de Janeiro..

  2. Pedro, eu considero o primeiro filme extremamente superestimado!

    Robson, a continuação é muito mais evoluída que o filme original em todos os sentidos. Dá pra notar isso claramente. Isso foi o que mais me agradou.

    Kamila, pra mim, o filme funcionou o tempo inteiro, desde os primeiros minutos.

    Bruno, eu tenho certa resistência com esse tipo de filme, mas vale muito dar uma chance para “Tropa de Elite 2”. O longa é muito mais do que aparenta!

    Kahlil, eu nem queria ver essa continuação, mas a recepção foi tão impressionante que tive que conferir. E, realmente, o filme merece todos os elogios que recebeu.

    Othons, a continuação é bem melhor que o primeiro!

    Wally, concordo!

  3. Um dos melhores do ano, com certeza. Filmaço que exerce uma finalidade maravilhosa para com o original, em bela complementação.

  4. eu não gostei esse em 2007,mas segundo filme é muito massa graça capitão Nacismento é anti héroi…..

  5. Eu realmente não boto fé que ainda não assisti ao filme… tb não é exatamente meu estilo de filme, mas se for bom não tem problema algum!

    hehe

    Abraços.

  6. Gosto muito desta continuação. Acho um belo trabalho. Curioso que, pra mim, o filme só ganhou fôlego a partir do seu ato final, que é sensacional em sua análise e contundente na crítica que faz. Uma grande obra do nosso cinema.

  7. Eu gostei do primeiro mas, como você, também não entendi tanto caso com ele. É bom, tem uma idéia interessante. Padilha tinha um pensamento de denúncia no primeiro e o tiro saiu pela culatra. Assim, ele viu a oportunidade no segundo de fazer valer sua intenção de denúncia e nesse funcionou perfeitamente sem deixar de ser um ótimo filme, superando todas as marcas recordes de público de forma amplamente merecida.

  8. Não gosto do primeiro filme também, apesar de não acreditar que os problemas dele estejam ligados a essa satisfação de ver tapa na cara – acredito que o filme tenha outros problemas maiores, enfim. O Tropa 2 não só se eleva como imagem, mas como discurso. A rispidez do Nascimento continua a mesma, o que muda é a maneira de olhar as coisas e de como encará-las. O filme é muito mais “encontrado” com sua própria verdade do que o primeiro, que pendia entre o chocante e o discurso do homem corruptível. Aqui também há o homem corruptível, mas em primeiro lugar, depois, como consequência lógica, vem o choque pelo bizarro. O problema é então encarado por sua raiz, não pelo desabrochar da pétala.

    Abs!

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