Cinema e Argumento

Cavalo de Guerra

I might hate you more, but I’ll never love you less.

Direção: Steven Spielberg

Elenco: Jeremy Irvine, Peter Mullan, Emily Watson, David Thewlis, Niels Arestrup, Celine Bukens, David Kross, Matt Milne, Leonard Carow

War Horse, EUA, 2011, Drama, 146 minutos

Sinopse: Ted Narracot (Peter Mullan) é um camponês destemido e ex-herói de guerra. Com problemas de saúde e bebedeiras, batalha junto com a esposa Rose (Emily Watson) e o filho Albert (Jeremy Irvine) para sobreviver numa fazenda alugada, propriedade de um milionário sem escrúpulos (David Tewlis). Cansado da arrogância do senhorio, decide enfrentá-lo em um leilão e acaba comprando um cavalo inadequado para os serviços de aragem nas suas terras. O que ele não sabia era que seu filho estabeleceria com o animal um conexão jamais imaginada. Batizado de Joey pelo jovem, os dois começam seus treinamentos e desenvolvem aptidões, mas a 1ª Guerra Mundial chegou e a cavalaria britânica o leva embora, sem que Albert possa se alistar por não ter idade suficiente. Já nos campos de batalha e durante anos, Joey mostra toda a sua força e determinação, passando por diversas situações de perigo e donos diferentes, mas o destino reservava para ele um final surpreendente. (Adoro Cinema)

A paciência é uma virtude muito valiosa. Principalmente na hora de conferir Cavalo de Guerra, que, junto com As Aventuras de Tintim: O Segredo de Licorne, forma a mais recente dupla de filmes do diretor Steven Spielberg. A carreira do diretor, nos últimos anos, não estava lá muito segura. Depois de realizar o ótimo Munique, não obteve o sucesso que esperava com Indiana Jones e o Reino da Caveira de Cristal. Desde então, demorou cerca de três anos para entregar seus mais novos trabalhos. Ao passo que As Aventuras de Tintim é uma animação prazerosa, Cavalo de Guerra desaponta como poucos filmes de Spielberg conseguiram. Aqui, ele se entrega ao melodrama e realiza uma história que, como já mencionado, só deve funcionar com os mais pacientes.

Ao longo das quase duas horas e meia de duração, Cavalo de Guerra se supera ao testar a boa vontade de quem espera um filme convincente e que não fosse baseado quase que inteiramente em tons de fábula. Spielberg pede que relevemos vários aspectos: o fato de todos se encantarem instantaneamente com um cavalo que nem conhecem, o extremismo dos personagens (notem como uns são completamente puros e outros inexplicavelmente maquiavélicos), a sorte que protege o personagem-título a todo momento e aquelas frases de efeito que só estão no roteiro para tornar tudo ainda mais motivacional. Cavalo de Guerra quer fazer o espectador chorar – e tenta da forma mais pura possível. Para quem curte, as lágrimas serão certas. Para quem não gosta desse lado do diretor, é bem preparar o energético para aguentar a sessão.

Excetuando todo o melodrama – que parece ser uma vontade recorrente do diretor, que, de vez em quando, abandona os efeitos especiais para entregar obras açucaradas – Cavalo de Guerra também tem um roteiro nada original. Ao repetir incessantemente o mesmo formato que apresenta novos personagens a cada meia hora para, depois, livrar-se deles e colocar uma despedida lacrimosa do animal, Cavalo de Guerra torna-se cansativo. Primeiro porque esse estilo não dá tempo para que o espectador se envolva com as figuras humanas. E segundo porque o roteiro quer, na realidade, que o espectador se importe, custe o que custar, com o cavalo – e não com os personagens humanos que sempre recebem destaque. Quando o cavalo está só, peca mais ainda: isso fica evidente na cena em que o animal percorre um campo cheio de obstáculos para, depois, cair agonizando no chão enroscado em um emaranhado de arames farpados. Apelação, emoção gratuita e opção preguiçosa. No final das contas, o cavalo serve apenas de pretexto para conduzir as lágrimas de um fraco retrato da guerra e da mal delineada relação entre homens e animais.

É de se lamentar, portanto, que uma técnica competente esteja à serviço de um filme que, simplesmente, não tem qualquer intenção mais digna ou complexa do que fazer apenas o espectador achar tudo “bonito mas triste”. A fotografia (lindíssima na cena final), a direção de arte, o trabalho com o som (excetuando a óbvia trilha de John Williams) e, em alguns momentos, o próprio Spielberg (deveria se aposentar caso tivesse perdido a capacidade de conduzir cenas de guerra) não conseguem reverter o clima batido e antiquado de Cavalo de Guerra. É óbvio que tem o seu público, até porque é produzido pela Disney, o que também explica a violência sem sangue, o alívio cômico envolvendo um ganso (!), as resoluções felizes (ou melhor, implausíveis) e a inocência de várias storylines. Cavalo de Guerra é para esse público específico. Os outros não terão boa vontade com tantas bobeiras em prol da insistente vontade de querer agradar e emocionar.

FILME: 5.5

Melhores de 2011 – Animação

Continuações e mais continuações. Busca pela perfeição técnica. Spin-off de personagens. Tudo isso, em alguns (raros) casos, pode ser muito interessante, mas, de vez em quando, é extremamente satisfatório lembrar do passado, quando animações conquistavam simplesmente por sua simplicidade e ingenuidade. O Ursinho Pooh é um exemplo de como ainda precisamos de histórias assim. No ano em que até mesmo a Pixar se rendeu a continuações desnecessárias, Pooh e seus amigos conseguiram se destacar. O filme da dupla  Stephen J. Anderson e Don Hall traz um delicioso sentimento nostálgico, remetendo todos, inclusive, a um estilo de infância que não existe mais. O Ursinho Pooh não tem pretensão alguma, é apenas uma ode ao passado, o que por si só já tornaria a experiência gratificante. O resultado é irresistível, sustentado por personagens carismáticos e por uma história idílica. Infelizmente, já não deve funcionar para o público infantil de hoje, que tem uma concepção completamente diferente sobre o que é uma boa animação. Pena, não é todo dia que vemos um trabalho tão sutil como esse. Que pelo menos, então, sirva como uma certa viagem ao tempo para os adolescentes e adultos de hoje.

RIO

Colorido, cheio de vida e com personagens divertidíssimos, Rio pode até ser extremamente previsível em seu roteiro – mas, no final das contas, a impressão que fica é bem positiva. É de se lamentar que as premiações não embarcaram nessa animação agradável, que tem um visual digno de ser assistido com a melhor qualidade possível. Claro que o diretor Carlos Saldanha toma algumas liberdades hollywoodianas aqui, mostrando uma visão muito estrangeira do Brasil, mas nada que estrague esse filme simpático e que tem uma trilha sonora bastante eficiente (Real in Rio e Telling the World são as melhores).

ENROLADOS

A Disney ainda não perdeu o pique para histórias sobre princesas. Enrolados é uma prova disso. Ok, o filme está longe de se comparar aos clássicos filmes do gênero, mas faz um excelente trabalho ao recriar esse tipo de história que, atualmente, anda tão escasso. E não é apenas um bom trabalho só de roteiro, mas também de técnica – onde podemos destacar, facilmente, a bela cena da canção I See the Light. Só fica a dica: se puder, fuja da versão dublada. Primeiro pelas músicas de Alan Menken, que ficam muito melhores na versão original. E segundo pelo péssimo trabalho de Luciano Huck ao dar voz a um dos personagens principais.

EM ANOS ANTERIORES: 2010 – Mary & Max: Uma Amizade Diferente | 2009 – Up: Altas Aventuras

_

Escolha do público:

1. Rio (42%, 21 votos)

2. Enrolados (40%, 20 votos)

3. O Ursinho Pooh (18%, 9 votos)

Tão Forte e Tão Perto

Nothing was gonna stop me. Not even me. 

Direção: Stephen Daldry

Elenco: Thomas Horn, Sandra Bullock, Tom Hanks, Max Von Sydow, Viola Davis, John Goodman, Jeffrey Wright, Hazelle Goodman, Dennis Hearn

Extremely Loud & Incredibly Close, EUA, 2011, Drama, 129 minutos

Sinopse: Aos 11 anos de idade, Oskar (Thomas Horn) encontra uma misteriosa chave que pertencia a seu pai (Tom Hanks), que morreu no atentado às Torres Gêmeas no dia 11 de setembro de 2011. Ele embarca em uma jornada secreta pelas cinco regiões de Nova York. Enquanto vaga pela cidade, Oskar encontra pessoas de todos os tipos enquanto tenta superar a perda do pai.

As expectativas são sempre grandes para um filme de Stephen Daldry. Estamos falando do sujeito que, em quatro filmes, não só conseguiu indicação ao Oscar por todos, mas que também já conseguiu reunir astros do calibre de Meryl Streep, Kate Winslet, Julianne Moore e Nicole Kidman em seus filmes. Melhor ainda: trabalhou com essas atrizes e extraiu grandes atuações delas. Daldry é vitorioso: veio do teatro, mas conseguiu sucesso no cinema. E isso vai além de seu reconhecimento em prêmios. Ele apresenta, também, a capacidade de abandonar vestígios teatrais e criar obras de linguagem cinematográfica mesmo. Agora, com Tão Forte e Tão Perto, ele retorna com mais um longa-metragem satisfatório. O resultado, contudo, não empolga – mas tampouco é o desastre que tantos venderam.

O que diminui o impacto de Tão Forte e Tão Perto é o seu protagonista. E não é culpa do jovem Thomas Horn (um bom ator), mas sim do próprio roteiro. Oskar, já não bastasse o estereótipo de menino-prodígio que foi treinado pelo pai para desvendar mistérios e buscar informações escondidas, é um menino irritante, daquele tipo intrometido, sem limites, que diz o que bem entende para qualquer um e que não pensa duas vezes em dar pitis até mesmo com sua mãe que, coitada, não fez nada e tem que ouvir do próprio filho que deveria estar morta no lugar do marido. Não que o menino seja imaturo; ele faz tudo isso porque é chato mesmo (ou seria porque tem uma síndrome de Asperger mal explorada?). Culpa mais uma vez do roteiro que não justifica muito bem o gênio do protagonista – que ainda faz questão de ficar chacoalhando um instrumento musical o filme inteiro.

A situação muda, por outro lado, quando Oskar contracena com outros personagens, sejam os passageiros mas eficientes, como os de Viola Davis e Jeffrey Wright, ou aqueles que possuem grande importância emocional no enredo, como o de Max Von Sydow (merecidamente indicado ao Oscar 2012 de ator coadjuvante). Até mesmo Sandra Bullock surge bem aproveitada com excelentes momentos dramáticos, provando que a celebração que recebeu por Um Sonho Possível foi, no mínimo, prematura. É quando o protagonista divide a cena com outras figuras que Tão Forte e Tão Perto ganha pontos. A relação estabelecida por ele com esses outros personagens traz os melhores momentos do filme justamente por explorar certos dramas que não ficam trabalhados da devida maneira quando a história insiste em mostrar a jornada individual de seu protagonista.

O mais importante é que Tão Forte e Tão Perto lida bem com as emoções, que poderiam facilmente transformar a experiência em algo insuportável se trabalhadas da forma errada. Só que Stephen Daldry nunca foi um diretor apelativo com as emoções (e isso lhe rendeu muitas críticas em O Leitor, considerada uma fria adaptação) e aqui, apesar de, em certos momentos, quase cair no óbvio, sempre acerta na dosagem. A essência do filme é boa e, por isso mesmo, a parte emocional dele deve atingir os que apreciam o trabalho do diretor. O problema mesmo é o garoto, que quase faz com que o espectador se desinteresse por sua jornada. Também se não fizesse tantos rodeios para chegar em sua mensagem, talvez Tão Forte e Tão Perto não tivesse dividido tantas opiniões. Por fim, quem gosta do diretor deve encontrar um filme satisfatório que consegue até arrancar algumas lágrimas (aproveitem para procurar a belíssima trilha de Alexandre Desplat). Já quem o acha superestimado, certamente encontrará razões para implicar com tudo.

FILME: 7.5

NA PREMIAÇÃO 2012 DO CINEMA E ARGUMENTO:

Melhores de 2011 – As regras e os elegíveis

I. São considerados todos os filmes lançados comercialmente nos cinemas brasileiros no ano de 2011.

II. Qualquer filme lançado diretamente em DVD (desde que inédito no Brasil) também está apto a concorrer.

III. As categorias são: filme, direção, ator, atriz, ator coadjuvante, atriz coadjuvante, roteiro original, roteiro adaptado, elenco, montagem, fotografia, canção original, efeitos especiais, trilha sonora, figurino, animação, edição/mixagem de som e direção de arte

IV. Em cada categoria, são admitidos apenas cinco concorrentes. A exceção encontra-se em efeitos especiais e animação, onde são três filmes na disputa.

V. Após divulgados, os indicados e os vencedores não poderão ser alterados posteriormente. A avaliação é feita de acordo com os filmes conferidos em 2011 e o que for assistido após a premiação não poderá interferir no resultado já divulgado.

VI. Algumas definições se adaptam aos princípios do autor do blog. Por exemplo: ana passado, o circuito de premiações considerou os roteiros de Toy Story 3 e Tropa de Elite 2 adaptados por se basearem em personagens que já existiam antes. No entanto, o Cinema e Argumento considera como roteiro a história de um longa e não os personagens. Portanto, os filmes já citados se enquadraram na definição de roteiro original.

VII. Não existe limite de indicações indicações ou vitórias para determinado profissional em uma categoria. Como visto em premiações passadas, Meryl Streep recebeu indicação dupla, ao passo que Kate Winslet venceu em duas categorias diferentes.

VIII. Os filmes elegíveis para a edição do 2011 do prêmio Cinema e Argumento são: 127 HorasÁgua Para ElefantesAlém da VidaAmizade ColoridaAmor a Toda ProvaAmor e Outras DrogasA Árvore da VidaBiutifulBravura IndômitaBruna SurfistinhaBurlesqueAs CançõesCapitão América: O Primeiro VingadorA Casa, Cisne NegroComo Você SabeA CondenaçãoContágioContra o TempoUm Conto ChinêsCópia FielDeixe-me EntrarDesenrolaUm DiaO Discurso do ReiEm Um Mundo MelhorEnroladosEntrando Numa Fria Maior Ainda Com a FamíliaEntre Segredos e MentirasEsposa de MentirinhaA Garota da Capa VermelhaGato de BotasUm Gato em ParisHarry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2InquietosInverno da AlmaUm Lugar QualquerO MágicoUma Manhã GloriosaMargin Call – O Dia Antes do FimMedianeras – Buenos Aires na Era do Amor VirtualMeia-Noite em ParisMelancoliaMinha Versão do AmorMissão Madrinha de Casamento, A Morte e Vida de CharlieOs MuppetsNamorados Para SempreNão Me Abandone JamaisNão Tenha Medo do EscuroUm Novo DespertarO PalhaçoPânico 4A Pele Que HabitoPiratas do Caribe: Navegando em Águas MisteriosasPlaneta dos Macacos: A OrigemProfessora Sem Classe, Reencontrando a FelicidadeReféns, Reino AnimalRioA Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1Sem SaídaSexo Sem CompromissoUm Sonho de AmorSuper 8Tarde DemaisToda Forma de AmorTudo Pelo PoderO TuristaA Última EstaçãoO Ursinho PoohVejo Você no Próximo VerãoO VencedorVIPsX-Men: Primeira Classe.

(Um agradecimento mais do que especial para o meu amigo Alex Majkowski, responsável pelas imagens dos vencedores que vocês verão nos próximos posts).

Gato de Botas

I’m not a person. I’m not a bird. I’m not even a food. I don’t know what I am.

Direção: Chris Miller

Com as vozes de: Antonio Banderas, Salma Hayek, Zach Galifianakis, Billy Bob Thornton, Amy Sedaris, Constance Marie, Guillermo Del Toro, Mike Mitchell

Puss in Boots, EUA, 2011, Animação, 90 minutos

Sinopse: Muito antes de conhecer o ogro Shrek e sua turma, Gato de Botas (Antonio Banderas) viveu uma grande aventura ao lado de Humpty Dumpty (Zach Galifianakis) e Kitty Pata Mansa (Salma Hayek). Dipostos a roubar os feijões mágicos do casal fora da lei Jack (Billy Bob Thornton) e Jill (Amy Sedaris), o trio quer mesmo é botar as mãos na famosa gansa que bota ovos de ouro. Mas algumas coisas não estavam nos planos e Gato vai descobrir, meio atrasado, que tem um grande problema pela frente para conseguir limpar o que ficou para trás: a  sua honra. (Adoro Cinema)

Em Shrek 2, maravilhosa continuação do superestimado filme que deu início ao mundo do ogro-título, o Gato de Botas entrou em cena e roubou todas as atenções. Além de tirar o posto do Burro de animal falante mais divertido da série, tornou-se também um dos personagens mais marcantes das animações contemporâneas. O felino, antes de seus encantadores olhos, é uma figura divertida e muito carismática. Shrek fracassou em seus dois últimos filmes e o diretor Chris Miller resolveu fazer um longa-metragem inteiramente dedicado ao Gato de Botas. Por um lado, a ideia era boa, já que o personagem, com o passar dos filmes, estava cada vez mais subaproveitado. Por outro, despertava a dúvida: seria ele capaz de sustentar sozinho um filme? A boa notícia é que Gato de Botas, indicado ao Oscar 2012 de melhor animação, é superior aos últimos filmes de Shrek. E, sim, o simpático animal conseguiu segurar as pontas.

Gato de Botas nunca prometeu ser um grande filme. E, de fato, não é. O trabalho do diretor Chris Miller, entretanto, tem todos os ingredientes para alcançar o grande público – principalmente quando a Pixar parece um pouco perdida em sua identidade. Aqui, a aventura é bem pontuada (notem como ela está presente em boa parte do enredo), a comédia é leve e tudo está longe de ter maiores pretensões. Gato de Botas é, por assim dizer, uma animação que cumpre a sua missão de divertir o público-alvo e, também, de deixar pequenas lições de morais que podem ser facilmente percebidas pelos pequenos. Importante notar ainda que, em nenhum momento, o longa deixa a impressão de ser uma variação de Shrek. Aqui, o resultado tem vida própria, mostrando que, talvez, o felino precisasse mesmo de um longa que explorasse todos seus atrativos que, no final das contas, estavam sendo diluídos na história do ogro.

Dublado por Antonio Banderas e Salma Hayek (mais uma vez juntos, depois de parcerias como Era Uma Vez no México), Gato de Botas só não se torna superlativo ou uma unanimidade em função de sua história boba e que não parece consistente o bastante para sustentar o ritmo proposto pelo diretor. Ao invés de apostar em algo mais realista e humano (que está presente nos valores e nas relações que o Gato estabelece com outros personagens), o filme aposta em uma proposta fantasiosa demais e que não condiz com o personagem. Em Shrek até funcionaria, mas não aqui. E Gato de Botas, ao falar de feijões mágicos, animais gigantes e ovos de ouro, fugiu um pouco das origens de seu personagem – tornando o resultado mais frágil do que deveria ser. Por sorte, a animação nunca perde o ritmo e mostra que, apesar de alguns tropeços, o spin-off do felino foi válido. Consegue divertir – e, para esse caso, já é o suficiente.

FILME: 7.5