A Mulher de Preto

I believe the most rational mind can play tricks in the dark. 

Direção: James Watkins

Elenco: Daniel Radcliffe, Ciarán Hinds, Janet McTeer, Misha Handley, Andy Robb, Alexia Osborne, Shaun Dooley, Alfie Field, Cathy Sara, Liz White

The Woman in Black, Inglaterra/Canadá/Suécia, 2011, Suspense, 95 minutos

Sinopse: Arthur Kipps (Daniel Radcliffe) foi enviado por seu escritório para regularizar os documentos de uma mansão abandonada, próximo a um vilarejo, cujas crianças morrem misteriosamente de tempos em tempos, sem que ele soubesse de nada disso. Quando começa a ter uma série de visões sinistras durante a execução de suas tarefas, inclusive uma de uma mulher vestida de preto, ele descobre que existe algo relacionado ao passado daquele local e decide investigar, provocando a ira dos moradores e a morte de mais vítimas. Agora, só o tempo para dizer se o seu instinto paternal irá ajudar a resolver esse perigoso e grande mistério. (Adoro Cinema)

Basta uma escolha errada para que o final mirabolante se torne algo absurdo. Também não é necessário muito esforço para que as boas intenções com a trilha sonora tenham resultado histriônico. Ou, então, que os sustos consecutivos, no final, fiquem mal utilizados e sem qualquer efeito. Ora, de todos os gêneros cinematográficos, o suspense é o mais perigoso. É preciso talento e cautela para alcançar sucesso ao contar uma história desse estilo. Só que os desafios não param por aí: é igualmente frustante assistir a um trabalho que, com tanta vontade de acertar, termina certinho demais. E é exatamente nessa armadilha que o diretor James Watkins e a roteirista Jane Goldman caíram ao desenvolver A Mulher de Preto. O problema do filme não é o exagero mas sim a normalidade excessiva.

Inesperadamente, esse suspense estrelado pelo jovem Daniel Radcliffe fez relativo sucesso. O boca-a-boca em torno do seu clima de tensão moveu até mesmo os críticos – que, em vários casos, fizeram elogios entusiasmados ao filme. E razões para agradar o público A Mulher de Preto tem: consegue dirigir bem um ator que não é lá muito confiável (Radcliffe só foi dar sinais de que poderia ter algum futuro nas partes finais de Harry Potter), tem uma reconstituição de época respeitável e, o melhor de tudo, uma ambientação que consegue levar o espectador para dentro da história – destaque em particular para a mansão misteriosa em que o filme se passa – ela fica situada em um local que, durante parte do dia, fica ilhado e inacessível. Ainda: o suspense encenado em histórias de época também são mais eficientes, já que parecem muito mais plausíveis.

Só que existe um grande problema para quem espera algo mais consistente e diferente do que estamos acostumados a ver. O filme de James Watkins, além de apostar em um enredo que já conhecemos de cor (as criancinhas que morreram em uma casa que, hoje, é mal assombrada), desenvolve tudo como se estivesse seguindo o manual básico do bom suspense. Os sustos estão ali, mas a trama das tais crianças simplesmente não envolve, deixando a sensação de que aquele suspense simplesmente não evolui. Também não é muito convincente, para plateias que primam por verossimilhança, que o protagonista resolva, por livre e espontânea vontade, ficar dia e noite em uma casa assombrada, cheia de barulhos, perigos e ameaças. Menino corajoso, esse… Menino mesmo, já que, apesar do bom trabalho de Radcliffe, ele não convence como um sofrido viúvo (culpa da idade, não da atuação). Eis o velho comentário: “só em filme mesmo”…

Depois de mostrar a louca varrida em quem ninguém acredita (mas que, óbvio, é a única pessoa certa da história) e de apresentar as formalidades que explicam toda a razão daquele mistério, A Mulher de Preto ainda aposta em um final, digamos, fácil demais. Fica meio estranho que o protagonista consiga resolver com tanta facilidades algo que não era desvendado há anos por outras pessoas. Mas essa falta de ousadia é coerente com o resto do filme. A surpresa, no entanto, parece estar presente nos últimos minutos, em uma última cena que tinha tudo para ter aquele diferencial de que o filme tanto se esquivou. O tiro saiu pela culatra: ficou parecendo mais uma atitude de última hora para acabar em grande estilo. Só que ficou mais para Nosso Lar devido à cafonice. A Mulher de Preto, enfim, é inofensivo e não desperta ódio porque foi calculado para não ter tropeços. Tanta cautela, contudo, deixou o filme sem personalidade. Tinha potencial para mais.

FILME: 6.0

4 comentários em “A Mulher de Preto

  1. Kamila, o final me incomodou muito também!

    Luís, o final é todo problemático… Acho que a bobagem já começa na hora que o protagonista começa a achar solução para tudo.

    Mark, só achei decepcionante…

  2. Concordo na totalidade com seu texto e não creio haver o que possa ser acrescentado a ele para resumir também a minha opinião acerca dessa obra. Apenas acrescento que acho que não entendi o final do filme e o que acontece aos fantasmas da casa… talvez estivesse desatento…

  3. Tinha mesmo potencial para mais, especialmente por causa da boa parte técnica do filme e da história instigante, mas acho que a obra se perdeu por completo com aquele final, que me incomodou profundamente.

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