Drive
If I drive for you, you give me a time and a place. I give you a five-minute window, anything happens in that five minutes and I’m yours no matter what. I don’t sit in while you’re running it down. I don’t carry a gun… I drive.

Direção: Nicolas Winding Refn
Elenco: Ryan Gosling, Carey Mulligan, Albert Brooks, Ron Perlman, Christina Hendricks, Bryan Cranston, Oscar Isaac, Jeff Wolfe, James Biberi, Russ Tamblyn
EUA, 2011, Drama/Suspense, 100 minutos
Sinopse: Durante o dia, um motorista (Ryan Gosling) trabalha como mecânico e dublê em filmes de Hollywood, enquanto que à noite ele presta serviços para a máfia. Ele não vê problemas neste duplo serviço, até que um dia a situação se torna pessoal. Ele precisa não ganhar dinheiro, mas evitar sua própria morte.

Drive já começa mostrando que é diferente. E isso não se refere apenas ao lado estético, mas também ao modo como o filme, logo de cara, já se mostra instigante. Acompanhamos o personagem de Ryan Gosling fazendo uma atividade ilícita e, durante mais ou menos dez minutos, somos brindados com uma sequência que deixa a sensação de que estamos prestes a assistir a um thriller cheio de tensão. E Drive é sim um filme que consegue ser inquietante – mas, ao mesmo tempo, não é um produto facilmente digerível,o que pode causar o distanciamento de certos públicos.
Drive tem como protagonista um sujeito que fala pouco. Ele é econômico em suas declarações, prefere acenar com a cabeça ao invés de dizer um simples “sim” e não faz muita questão de socializar. Podemos dizer que é até mesmo um anti-herói, pois ele também está longe de ser uma figura exemplar, uma vez que ajuda na realização de roubos, mesmo tendo outra renda. Ou seja, o longa de Nicolas Winding Refn (premiado em Cannes por sua ótima direção) já se diferencia por aí, apresentando um protagonista que não é unanimidade e que, inclusive, pode despertar desconfianças no espectador. Méritos, também, de mais um bom trabalho de Ryan Gosling.
O clima do filme é muito interessante. Utilizando, com eficiência, a escuridão para maximizar a tensão, as noites mostradas em Drive são sempre instigantes pela fotografia e por vários outros elementos narrativos que são bem comandados pelo diretor. Na realidade, todo Drive é inquietante: parece que algum problema sempre está prestes a aparecer ou que a vinda de uma tragédia é iminente. Essa sensação é agravada com a entrada do personagem de Oscar Issac, uma figura que finalmente começa a dar sentido para um filme até então meio vazio e com rumos não definidos.
Só que, se Drive consegue utilizar bem a atmosfera que constrói para criar o suspense, elogios já não podem ser feitos a qualquer outra tentativa de colocar humanização na história. A personagem de Carey Mulligan (uma atriz que precisa urgentemente se reinventar), por exemplo, serve apenas de pretexto para as atitudes do protagonista. Em nenhum momento ela, de fato, consegue impôr presença em cena, tornando-se uma figura mal explorada, quase unidimensional. E isso é um reflexo do maior problema de Drive: a falta de calor humano. Tudo é mecânico, frio e, por que não, calculado. Um filme bem produzido, é verdade, mas apoiado demais na razão.
Sem muito apelo comercial mas com várias plateias o considerando um pequeno grande filme, Drive certamente encontrará seu público: aqueles que curtem uma história onde algo dá errado e o protagonista se vê num jogo de gato e rato envolvendo uma fortuna. Não é à toa que o cartaz do filme tem a mesma frase de efeito de Onde os Fracos Não Têm Vez – aliás, ambas as produções encontram mesmo realismo em quesitos de morte e sangue. É uma equação que agrada muita gente: Ryan Gosling + boa trilha sonora + filme com cara de alternativo. Porém, isso não quer dizer que tenha um resultado necessariamente empolgante para todos. Pelo menos para mim, é um filme com bons resultados e que tem o meu respeito, mas que não chega a ser superlativo.
FILME: 8.0













