Cinema e Argumento

As Sufragistas

Never surrender. Never give up the fight.

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Direção: Sarah Gavron

Roteiro: Abi Morgan

Elenco: Carey Mulligan, Helena Bonham Carter, Ben Whishaw, Anne-Marie Duff,  Romola Garai, Grace Stottor,  Geoff Bell, Adam Michael Dodd, Sarah Finigan, Lorraine Stanley, Adam Nagaitis, Finbar Lynch

Suffragette, Reino Unido, 2015, Drama, 106 minutos

Sinopse: No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios. (Adoro Cinema)

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O momento mais impactante de As Sufragistas não está entre os sofridos dias de Maud Watts (Carey Mulligan) resistindo às más e preconceituosas condições de trabalho que lhe são oferecidas em uma lavanderia. A maior denúncia do filme de Sarah Gavron também não está estampada nos dramas pessoais que o roteiro de Abi Morgan coloca em meio a um relato histórico. Na realidade, As Sufragistas deixará mesmo o espectador de boca caída com seus créditos finais, que, por meio de uma linha do tempo relativamente comprida, coloca na tela a cronologia dos países que aderiram ao voto feminino. E surpresa! O ano de 2015 está lá. Isso mesmo, foi apenas em 12 de dezembro de 2015 que a Arábia Saudita, último país do mundo a negar o direito de voto às mulheres, realizou a sua primeira eleição recebendo o público feminino como votantes e candidatas a cargos políticos. É o melhor momento do filme não porque As Sufragistas divague sobre o tema de forma inexpressiva, mas porque sua relevância temática, infelizmente, é muito maior do que a cinematográfica.

É importante ressaltar que, conceitualmente, As Sufragistas faz o dever de casa. O filme tem figuras femininas por toda sua equipe: na direção, Sarah Gavron; no roteiro, Abi Morgan; no elenco, praticamente apenas mulheres (e ótimas atrizes, vale destacar). Esse passo é sim significativo para a igualdade de sexos no fazer cinematográfico, já que ainda vivemos tempos em que atrizes do calibre de Meryl Streep precisam promover laboratórios para que mulheres possam exercitar sua criação no segmento de roteiros e ingressar nesse mercado de trabalho. Tudo bem que essa concepção da equipe seria o mínimo para um filme que fala justamente sobre justiça entre homens e mulheres, mas nunca é demais comemorar que composições como essa realmente saiam do papel. O que acontece é que, dramaticamente falando, As Sufragistas não entrega absolutamente nada de criativo, talvez cometendo o erro de acreditar que a força do tema que tem em mãos é o suficiente para dar conta do impacto da experiência. Não deixa de ter sua parcela de razão, mas, para realmente se tornar um produto de discussões e grandes dimensões, é necessário muito mais. Cinema não pode ser apenas um mero registro histórico sem criação. Para isso, existe uma infinidade de programas de grandes reportagens na TV.

Não precisamos ir fundo na memória para resgatar outras produções que se entregam ao tema de igualidade sem exercitar muitas ideias. The Normal Heart, sobre a disseminação da AIDS nos Estados Unidos, é uma delas. Até mesmo – e sei que muitos vão me crucificar aqui – o oscarizado 12 Anos de Escravidão parece muito mais um simples relato sobre o horror da escravidão do que propriamente um cinema de grandes criações. De forma alguma esses filmes perdem sua relevância temática (e só a existência de obras que contemplem tais temas já vale a iniciativa), mas, se formos falar além dessas fronteiras, a impressão que fica é bem menor. As Sufragistas não foge à regra e é possivelmente o longa mais tradicional entre os já citados. As feministas de plantão certamente terão muito a contribuir em relação à fidelidade dos fatos, mas, cinematograficamente falando, o longa de Sarah Gavron se utiliza de ferramentas cômodas demais para ambientar o mundo de injustiças  vivido pelas mulheres britânicas no início do século XX. Percebam a jogada mais básica: em menor ou maior escala, todos os homens da história são tiranos ou insensíveis. Não existe saída mais óbvia do que vilanizar de forma unilateral uma maioria para vitimizar as minorias, e uma história como a de As Sufragistas merecia um pouquinho mais de requinte.

No geral, todo o arco dramático escrito por Abi Morgan (é sempre complicado ter boa vontade com ela depois do desastre que foi A Dama de Ferro) segue caminhos já conhecidos, como o fato da protagonista obviamente se entregar ao movimento sufragista depois de tanto renegá-lo. Existe também a figura de uma garota mais jovem em quem a Maud de Carey Mulligan obviamente vê o seu reflexo de adolescente sofrida e sem chances na vida de anos atrás – e precisa algum esforço para adivinhar como se desenhará o destino dessa relação? Este é o clássico caso de um filme basicamente certinho e inofensivo, mas que em momento algum expande suas ambições. Público para isso tem de sobra, e não podemos dizer que As Sufragistas não é dotado de elementos para satisfazê-los. Mesmo os mais exigentes devem reconhecer o bom elenco feminino, especialmente Mulligan, em seu trabalho mais relevante desde Educação. Aos curiosos, vale o comentário: Meryl Streep, apesar da divulgação, tem apenas uma cena, mas sua escalação faz todo sentido, já que somente uma atriz de sua grandeza poderia dar a força de presença necessária para Emmeline Pankhurst, a líder foragida do movimento sufragista que era raramente vista e só discursava para suas seguidoras em momentos e lugares estratégicos.

Com uma boa parte técnica (destaque para a trilha de Alexandre Desplat), As Sufragistas tem um claro comodismo ao construir a dramaticidade de sua trama, mas termina cumprindo sua missão como produto temático, se isso for suficente. Na estreia do filme em Londres, um grupo de mulheres protestantes ultrapassou as barreiras de segurança e invadiu o tapete vermelho bradando pelas gerações que morreram sem direito ao voto e lembrando que o sufragismo ainda está aí. Helena Bonham Carter comemorou a iniciativa delas e disse estar feliz pelo filme ter tido algum efeito, e que é justamente para isso que ele existe. Só vou discordar um tantinho de Helena e voltar a afirmar que, sim, o bom cinema é aquele que provoca e que mais questiona do que responde, mas a forma também me parece fator preponderante para uma experiência mais instigante. As Sufragistas pode fazer um belo serviço para as discussões envolvendo os direitos da mulheres. Já nos debates sobre cinema em si, o papo deve ser menos empolgante…

Rapidamente

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Jennifer Lawrence tenta, mas o último filme da saga Jogos Vorazes é problemático individualmente e como complemento aos outros capítulos da saga.

JOGOS VORAZES: A ESPERANÇA – O FINAL (The Hunger Games: Mockingjay – Part 2, 2015, de Francis Lawrence): Lamentável uma série que dependia tanto deste último volume para se tornar um marco terminar de forma tão decepcionante. Com a sucessão de escolhas erradas que foi dividir o último capítulo em dois volumes, Jogos Vorazes, no final das contas, fica na lembrança como uma franquia bastante irregular. São inúmeras as razões que fazem de A Esperança um capítulo aquém do que a série mostrou no ótimo Em Chamas, e todas estão ligadas a essa velha decisão comercial que coloca as bilheterias em primeiro lugar e não a história. Como complemento ao capítulo anterior, este novo filme só enrola durante longos 130 minutos para chegar a um clímax mal conduzido e pobremente arquitetado (Julianne Moore mais uma vez deu azar!), enquanto Jennifer Lawrence faz o que pode com o roteiro pobre em ação e que não cria discussões ou metáforas interessantes nos momentos de calmaria. Nós já sabemos tudo o que precisamos saber sobre a protagonista e sua batalha, e o que importa mesmo aqui é passar a régua e terminar as contas. Só que Jogos Vorazes: A Esperança – O Final tem pouco a dizer (reflexo de que tudo deveria ter sido condensado em um filme só), além de um elenco desperdiçado, um triângulo amoroso insosso e uma das cenas finais mais cafonas do ano. Não serve nem como uma carinhosa despedida do saudoso Philip Seymour Hoffman, em seu último filme lançado nos cinemas.

MY HOUSE IN UMBRIA (idem, 2003, de Richard Loncraine): Deve ter sido pela dívida de nunca ter premiado uma dama como Maggie Smith que o Emmy a consagrou como melhor atriz em telefilme/minissérie por esse açucarado drama dirigido por Richard Loncraine. A teoria é essa porque My House in Umbria não traz qualquer desafio para a veterana ou sequer uma cena mais especial onde ela possa realmente brilhar. Na tentativa de fazer um mosaico com personagens de diferentes origens e idades (todos sobreviventes de um ataque terrorista em um trem que passam uma temporada na mansão da protagonista vivida por Maggie), My House in Umbria fica sem consistência pois não desenvolve com propriedade nenhuma das figuras em questão. Até mesmo a relação da protagonista com uma garotinha que fica órfã após a tragédia é trabalhada de forma rasa e sem a emoção que merecia. Maggie está lá, com sua habitual sobriedade britânica, mas a mão frequentemente pesada de Loncraine para o drama mina o filme quase por completo, especialmente quando, na falta de conflitos mais sólidos, o diretor resolve aumentar o tom da trilha sonora ou inventar pequenos conflitos que nunca se revelam uma verdadeira contribuição para o todo da história.  

TEMPORÁRIO 12 (Short Term 12, 2013, de Destin Daniel Cretton): É com muita maturidade e sensibilidade que o diretor Destin Daniel Cretton, em seu segundo longa-metragem, conta uma história super complicada: a de uma jovem que, na casa de seus 20 anos, convive com as mais diferentes tragédias pessoais de um grupo de adolescentes em uma clínica. A sobriedade reina em Temporário 12, que, com grande delicadeza, apresenta dramas densos sem nunca cair no melodrama ou no exagero. Hoje favorita ao Oscar de melhor atriz por O Quarto de Jack, Brie Larson já entregava um belo momento no filme de Cretton e, por mais que alguns de seus conflitos pessoais sejam perfeitamente previsíveis, a atriz nunca deixa transparecer em sua atuação qualquer fragilidade que o roteiro possa ter. Ao mesmo tempo triste e esperançoso, Temporário 12 é um exemplar clássico do cinema independente que se preocupa muito mais com a complexidade dos sentimentos do que com a complexidade dos fatos. É nos pequenos momentos e na verossimilhança de seus adolescentes problemáticos e perdidos na vida que o filme de Cretton se engrandece – o que confere ao filme uma humanidade das mais preciosas.

A VERY MURRAY CHRISTMAS (idem, 2015, de Sofia Coppola): Lançado pelo Netflix, o Natal musical de Bill Murray se assemelha muito ao que simbolizam os dois decepcionantes filmes de Sex and the City, em especial o segundo: amigos se divertindo do lado de lá da tela enquanto os espectadores ficam completamente entediados assistindo sem fazer parte da festa. Não há carisma ou ator experiente como Bill Murray que sustente este especial de uma hora onde a história simplesmente inexiste e tudo é mero pretexto para que várias celebridades soltem a voz em um karaokê infinito de músicas natalinas. Sofia Coppola, que há anos não realiza algo realmente relevante, dirige A Very Murray Christmas de forma muito displicente, provando que, caso não ela não estivesse atrás das câmeras, os atores certamente conduziriam tudo da mesma maneira sem qualquer dificuldade. Isso porque Coppola não encena os números musicais com qualquer criatividade, apostando 100% na ideia de que o carisma de figuras como George Clooney e Amy Poehler é o suficiente para que a atração se sustente. O problema é que não demora muito tempo para percebermos que não é isso o que acontece. Na realidade, A Very Murray Christmas só serve mesmo para abrir nossos olhos (e ouvidos) para a boa cantora que Miley Cyrus é. 

Na TV… como a HBO marca época com “The Leftovers”

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Justin Theroux e o grande momento de sua carreira no episódio I Live Here Now: submerso em uma atmosfera inspirada em David Lynch, o ator emociona ao cantar Homeward Bound.

A HBO se tornou HBO por respeitar suas ideias e projetos. Não é toda emissora que aposta firme em cada escolha tomada até o fim. Vejam The Leftovers, por exemplo, que adapta o livro homônimo escrito por Tom Perrotta (para quem não lembra, ele é o autor das obras que originaram os filmes Eleição e Pecados Íntimos). A primeira temporada do programa, exibida em 2014, não pontuou bem em audiência (não que isso seja um fator decisivo para emissoras de TV fechada) e recebeu avaliações bastante mistas da crítica. Ainda que o primeiro ano dessa série criada pelo próprio Perrota e por Damon Lindelof (da amada e odiada Lost) adaptasse por completo o livro original, o que seria a desculpa perfeita para que o programa terminasse ali mesmo, a HBO reconheceu, apesar de tantos fatores contra, o potencial do enredo e de sua equipe, renovando The Leftovers para uma segunda temporada. Pois abençoados sejam os executivos da emissora, já que, com a nova aposta, todos nós fomos presenteados com uma dessas temporadas que eventualmente chegam à TV para marcar época.

Assim como a temporada final de Breaking Bad mostrou como faz diferença um seriado ter roteiristas preocupados com a coesão da trajetória dos personagens, The Leftovers segue o padrão do programa criado por Vince Gilligan, com a diferença de tomar uma decisão das mais ousadas: ter o reboot como conceito em seu mais novo ano. Isso mesmo, dessa vez Kevin Garvey (Justin Theroux, no papel mais expressivo da sua carreira) abandonou o trabalho como policial de Mapleton e se mudou para Jarden, no Texas, onde busca um recomeço com sua nova família. Em contramão, a problemática que dá tom ao seriado continua a mesma: o repentino e inexplicado desaparecimento de 2% da população mundial no dia 14 de outubro. Só que Jarden, a nova cidade de nosso herói, ostenta um importante fato: nela, ninguém sofreu perda alguma no fatídico dia em questão, o que trouxe o seu apelido de Miracle (milagre, em português) e até mesmo a maravilhada busca dos turistas por um pouquinho da água que percorre o rio desse lugar supostamente abençoado. Ou seja, tudo é novo na segunda temporada de The Leftovers (até mesmo a abertura!), o que não deixa de ser uma forma de se distanciar do primeiro ano que tanto dividiu opiniões.

Com cenário e personagens novos, a temporada começa com um prólogo ambientado na pré-História, exatamente no local que viria se tornar a milagrosa Jarden. Lindamente filmada, a sequência acompanha o momento trágico em que uma mulher grávida se separa de sua tribo após um grande deslizamento. Sozinha, ela precisa sobreviver na mata e inevitavelmente dar luz ao seu filho em condições nada adequadas. Descobrimos aos poucos que essa é uma bela introdução para a nova fase de The Leftovers porque ela sintetiza exatamente uma das propostas da nova temporada: todos nós sofremos perdas de um jeito ou de outro, e não é porque Jarden não foi atingida pelo inexplicado desaparecimento mundial que ela não vive dramas particulares envolvendo despedidas. Dessa forma, os Garveys podem continuar como protagonistas da série, mas, no epicentro dos novos dramas, está o clã dos Murphy, que, como descobrimos logo em Axis Mundi, o capítulo de estreia, precisarão lidar com um desaparecimento inesperado. Mas, afinal – e aí está o xis da questão -, um desaparecimento de qual natureza? É a partir desse ponto que a série concentra suas discussões nesta que é a análise mais interessante pontuada pela obra de Tom Perrotta: o luto e a dificuldade que temos em seguir em frente.

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Vencedora do Emmy 2015 de melhor atriz coadjuvante em minissérie por American Crime, Regina King também está ótima e digna de prêmios como a matriarca da família Murphy em The Leftovers.

A ruptura das convencionalidades estruturais surge logo no primeiro capítulo, quando The Leftovers, ao não mostrar o que de fato aconteceu com os personagens da série após a primeira temporada, prefere simplesmente nos jogar no universo de novas figuras ao longo de um episódio de quase uma hora. Kevin Garvey e cia só dão as caras nos últimos minutos de Axis Mundi, mostrando uma imensa maturidade por parte dos roteiristas, que claramente confiam em seu material e, principalmente, em seu público. Toda a primeira metade dessa temporada divida em 10 episódios é, na realidade, um primor de negação ao lugar-comum. Ao instalar um mistério envolvendo os Murphy, a série se utiliza de dois episódios posteriores para narrar outros pontos de vista daquele mesmo período. Isso significa que, após jogar os espectadores em um conflito repleto de questionamentos, The Leftovers só retoma as discussões do tal mistério no quarto episódio. Assim, em termos cronológicos, a série simplesmente não anda ao longo desses capítulos. Não é qualquer programa que tem peito para assumir uma decisão dessas – e o melhor: a jogada não é para segurar a audiência ou coisa do gênero, e sim outro movimento em direção a uma construção dramática mais completa e transgressora.

Uma das práticas mais inspiradas da primeira temporada da série é retomada aqui: a de produzir episódios-solo para determinados personagens. No ano anterior, tivemos Nora (Carrie Coon) e Matt (Christopher Eccleston) agraciados com essa escolha (episódios assim são um presente para qualquer ator e personagem), e aqui a fórmula se repete com personagens como o próprio Matt e o protagonista Kevin. É um desafio começar narrando uma temporada a partir de diferentes pontos de vista e depois eventualmente estruturá-la com episódios-solo porque a trama como um todo pode se estagnar ou até mesmo atrasar questões importantes. Infelizmente, The Leftovers não está isenta de tropeços assim, conforme fica evidente no penúltimo episódio, dedicado a uma personagem que já não está entre as mais interessantes: Meg, interpretada por Liv Tyler. Nele, parece que resolvem tirar o atraso de muitas explicações de forma apressada e destoante do novo clima, tornando esse o único erro de uma temporada praticamente perfeita. Apesar dele, acompanhar capítulos dedicados exclusivamente a apenas um personagem é sempre uma experiência recompensadora, e o seriado sabe fazê-los como ninguém.

Mesmo com o avanço mais devagar em termos de acontecimentos por causa da constante estrutura diferenciada dos capítulos, The Leftovers nunca deixa de inserir novos e instigantes temperos à mistura, como a crescente loucura de Kevin, que ainda tenta superar (literalmente) importantes fantasmas de seu passado. E o que dizer das simbologias ou até mesmo das ironias que o inteligentíssimo roteiro propõe? Não é curioso que, em uma cidade tão religiosa e milagrosa como Jarden, o reverendo Matt seja justamente a pessoa cuja palavra é mais questionada? E também não chega a ser tocante a forma como o episódio Lens finalmente desvenda o que está por trás da cena em que Erika (Regina King) desenterra um pássaro na floresta? Esta segunda cena, em particular, é um dos pontos altos da temporada, pois, fora a precisa direção de Craig Zobel que torna claustrofóbico o diálogo da personagem com Nora, as duas atrizes dão um show em cena. E, de quebra, a sequência que dá continuidade a esse momento é um dos momentos mais assombrosos da TV em 2015, graças também à sempre marcante e poderosa trilha instrumental de Max Richter.

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Carrie Coon, sempre muito crível e humana como a sofrida Nora, é uma das tantas atrizes do elenco feminino que elevam a carga dramática de The Leftovers.

Falando em elenco, são poucos os grupos de atores tão irrepreensíveis como esse, especialmente se nos referirmos às mulheres. Começamos por elas: Regina King, a nova adição da temporada, tem momentos dignos de prêmios (a cena já citada do episódio Lens ou qualquer aparição sua na season finale, com destaque para a sequência na ponte); Carrie Coon segue esbanjado humanidade como a mulher que perdeu toda a família no desaparecimento do dia 14 de outubro e tenta se agarrar a qualquer vislumbre de esperança rumo a uma nova vida; Ann Dowd, como o tormento na vida do protagonista Kevin, transmite com perfeição toda a provocação e o incômodo oriundos de sua personagem; e, por fim, Amy Brenneman, ex-esposa de Kevin que se entregou aos Remanescentes Culpados (grupo, seita, culto ou como você preferir que acha que o mundo acabou após o desaparecimento mundial e que isso nunca deve ser superado), dá sua boa contribuição à verossimilhança dos personagens mesmo em momentos menores.

Na ala masculina, Justin Theroux, como um homem lindíssimo, mas estranhamente inseguro e nada ciente de seu apelo físico, pela primeira vez está plenamente no controle de seu protagonista, surpreendendo nos seus dois episódios-solo e, principalmente, em I Live Here Now, capítulo derradeiro que entrega o grande momento da carreira do ator: aquele em que ele canta Homeward Bound, um dos clássicos da dupla Simon & Garfunkel. Enquanto isso, Christopher Eccleston continua impecável como o reverendo Matt e, assim como um bom padre, faz um magnífico uso das palavras. Fechando o expressivo grupo masculino está Kevin Carroll, debutante na série, que faz uma composição das mais instigantes: seu John Murphy é ao mesmo tempo um sujeito muito humano e perigoso, fazendo com que nossa compaixão por ele sempre seja alternada por uma incômoda insegurança. Se justiça existisse no mundo e prêmios significassem alguma coisa, o elenco de The Leftovers seria celebrado por todos os cantos (o único prêmio que fez justiça na temporada desse ano foi o Critics’ Choice Awards que, além de indicar o programa a melhor série, lembrou dos atores em todas as categorias de atuação). 

Sucesso de crítica e elencada por diversas publicações como uma das grandes séries de 2015, a atração, no entanto, pode realmente dividir opiniões quando chega a International Assassin, o oitavo episódio da temporada. Mergulhando em um universo à la David Lynch para ambientar a trama no subconsciente de um personagem e resolver um cliffhanger aparentemente defintivo, o episódio dá uma guinada brusca e momentânea de tom na série. A polêmica vem em função de International Assassin usar justamente de um devaneio para ajustar um conflito crível e pé no chão. É preciso comprar a proposta da viagem para não se decepcionar com as resoluções – mas é garantido: para quem embarcar no espírito, esse é um dos melhores momentos da TV em 2015 (o episódio, inclusive, está indicado ao Writer Guilds of America, o sindicato de roteiristas, na categoria de melhor roteiro de episódio dramático).

Encaro, na realidade, a provocação de International Assassin como outra inovação de um programa em constante evolução e transgressão, o que nunca encontramos tão facilmente por aí. A HBO novamente saiu em defesa do programa que, mesmo com boas críticas, seguiu com a audiência despencando: em 2016, The Leftovers se despede da TV, mas tendo a oportunidade de planejar seu desfecho com uma nova temporada de 10 episódios. Por mais que o segundo ano pudesse perfeitamente encerrar a trama sem qualquer prejuízo (a cena final é de uma simbologia linda e definitiva), é empolgante ver que temos mais pela frente – e com o devido planejamento. Ainda assim, não será fácil se despedir de um programa como esse. A TV sempre merece curtir ideias inovadoras e bem conduzidas pelo máximo de tempo – e qualidade – que puder.

Os indicados ao Globo de Ouro 2016

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Carol lidera a lista de indicados ao Globo de Ouro com menções em cinco categorias.

Ontem perguntamos se todos estavam preparados para uma temporada de premiações cheia de emoções. Repetimos hoje o questionamento. Apesar da lista do Globo de Ouro apontar alguns caminhos (Spotlight e A Grande Aposta são os filmes com os grandes elencos, enquanto produções menores como Carol e O Quarto de Jack devem realmente chegar com notável força), a seleção divulgada hoje embolou o meio de campo principalmente em questões polêmicas, como a de Alicia Vinkander (A Garota Dinarquesa) e Rooney Mara (Carol), ambas “vendidas” como coadjuvantes (dois novos casos clássicos de fraude de categoria, como muitos apontam) e aqui lembradas como protagonistas. Nunca esqueçam de Kate Winslet em O Leitor, que ganhou todos os prêmios como coadjuvante e no final das contas chegou ao Oscar como atriz principal. Ou seja, tudo pode acontecer.

Na lista do Globo de Ouro, nomes preteridos pelo Screen Actors Guild Awards fazem sua primeira aparição na temporada, como Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar), Jane Fonda (Youth) e Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados), todos com chances significativas de chegar ao Oscar. Joy e Os 8 Odiados, totalmente ignorados pela lista do SAG divulgada ontem, seguem sem muita expressividade na competição (o primeiro só concorre a filme e atriz de comédia em função do ano fraquíssimo no segmento e o segundo emplacou algumas categorias pelo prestígio de Quentin Tarantino e, claro, do compositor Ennio Morricone), enquanto belas surpresas surgiram aqui, como Mad Max: Estrada da Fúria, uma das grandes experiências do ano, que concorre a melhor filme e direção. O Brasil infelizmente não chegou lá com o belo Que Horas Ela Volta?, mas temos o que comemorar: Wagner Moura concorre como melhor ator em drama por seu desempenho no seriado Narcos (ué, e o sotaque ruim dele?).

Sobre os indicados a TV, temos um capítulo à parte. Se incomoda o fato do SAG demorar a se atualizar nos seus favoritos em seriados, o Globo de Ouro peca pela superficialidade com que abraça novos programas. Vejam The Affair, por exemplo, que ano passado ganhou os troféus de melhor série e atriz em drama por sua primeira temporada e este ano sequer concorre nestas categorias! No entanto, os indicados realmente deram uma significativa mexida na situação: existe uma infinidade de novos programas indicados, o que obviamente reflete o plural momento que a TV e os serviços de streaming vivem atualmente. A questão é se essas lembranças são realmente pensadas pelos votantes ou se o Globo de Ouro aposta, como sempre, no calor do momento para depois não ter fidelidade alguma com suas escolhas, mesmo quando os programas dão continuidade à boa qualidade que alcançam nas suas temporadas de estreia.

Bom, preparem-se porque a jornada vai ser longa: somente se tratando de cinema, o Globo de Ouro separou nada menos que 39 filmes entre os seus indicados. Quando não existe um grande favorito na temporada e nenhum filme domina as categorias de atuação, acabamos assim, com uma lista infinita de coisas para ver. Cabe a você julgar se isso é bom. Confira abaixo a lista completa de indicados:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA
Carol
Mad Max: Estrada da Fúria
O Quarto de Jack
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Descompensada
A Espiã Que Sabia de Menos
A Grande Aposta
Joy: O Nome do Sucesso
Perdido em Marte

MELHOR ATRIZ DRAMA
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Rooney Mara (Carol)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR DRAMA
Bryan Cranston (Trumbo)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso) 
Michael Fassbender (Steve Jobs)
Will Smith (Um Homem Entre Gigantes)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso) 
Amy Schumer (Descompensada)
Melissa McCarthy (A Espiã Que Sabia de Menos)
Maggie Smith (A Senhora da Van) 
Lily Tomlin (Grandma)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Al Pacino (Não Olhe Para Trás)
Christian Bale (A Grande Aposta)
Steve Carell (A Grande Aposta) 
Mark Ruffalo (Sentimentos Que Curam)
Matt Damon (Perdido em Marte)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)
Helen Mirren (Trumbo)
Jane Fonda (Youth)
Jennifer Jason Leigh (Os 8 Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Idris Elba (Beast of No Nation)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões) 
Michael Shannon (99 Homes) 
Paul Dano (Love & Mercy) 
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)

MELHOR DIREÇÃO
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) 
Ridley Scott (Perdido em Marte)
Todd Haynes (Carol)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR ROTEIRO
Os 8 Odiados
A Grande Aposta
O Quarto de Jack
Spotlight – Segredos Revelados
Steve Jobs

FILME ESTRANGEIRO
The Brand New Testament (Bélgica)
O Filho de Saul (Hungria)
Cinco Graças (França)
O Clube (Chile)
The Fencer (Finlândia)

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
Divertida Mente
Shaun: O Carneiro
O Bom Dinossauro
Snoopy & Charlie Brown: Peanuts, o Filme

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Love Me Like You Do” (Cinquenta Tons de Cinza)
“One Kind of Love” (Love & Mercy) 
“See You Again” (Fast and Furious 7) 
“Simple Sound #3” (Youth) 
“Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)

MELHOR TRILHA SONORA
Os 8 Odiados
Carol
A Garota Dinamarquesa
O Regresso
Steve Jobs

TV

MELHOR SÉRIE DRAMA
Empire
Game of Thrones
Mr. Robot
Narcos
Outlander

MELHOR SÉRIE COMÉDIA
Casual
Mozart in the Jungle
Orange Is the New Black
Silicon Valley
Transparent
Veep

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
American Crime
American Horror Story: Hotel
Fargo
Flesh and Bone
Wolf Hall

MELHOR ATOR DRAMA
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Liev Schreiber (Ray Donovan)
Jon Hamm (Mad Men)
Rami Malek (Mr. Robot)
Wagner Moura (Narcos)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA
Gina Rodriguez (Jane the Virgin) 

Jamie Lee Curtis (Scream Queens)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Lily Tomlin (Grace and Frankie)
Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)

MELHOR ATOR COMÉDIA
Aziz Ansari (Master of None)
Jeffrey Tambor (Transparent)
Patrick Stewart (Blunt Talk)
Rob Lowe (The Grinder)
Will Forte (Last Man on Earth)

MELHOR ATRIZ DRAMA
Caitriona Balfe (Outlander) 
Eva Green (Penny Dreadful)
Robin Wright (House of Cards)
Taraji P. Henson (Empire) 
Viola Davis (How to Get Away With Murder) 

MELHOR ATRIZ MINISSÉRIE/TELEFILME
Felicity Huffman (American Crime) 
Lady Gaga (American Horror Story: Hotel)
Kirsten Dunst (Fargo) 
Queen Latifah (Bessie)
Sarah Hay (Flesh & Bone) 

MELHOR ATOR MINISSÉRIE/TELEFILME
David Oyelowo (Nightingale)
Idris Elba (Luther)
Mark Rylance (Wolf Hall)
Oscar Isaac (Show Me a Hero)
Patrick Wilson (Fargo)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Joanne Froggatt (Downton Abbey)
Judith Light (Transparent)
Maura Tierney (The Affair)
Regina King (American Crime)
Uzo Aduba (Orange is the New Black)

MELHOR ATOR COADJUVANTE SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Alan Cumming (The Good Wife) 
Ben Mendelsohn (Bloodline) 
Christian Slater (Mr. Robot)
Damian Lewis (Wolf Hall)
Tobias Menzies (Outlander)

Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2016

 

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A lista repleta de surpresas do Screen Actors Guild Awards é capitaneada por Trumbo, que, além da indicação a elenco, traz Bryan Cranston e Helen Mirren na disputa por seus desempenhos individuais.

Preparados para uma temporada de premiações cheia de emoções? Julgando pelos indicados ao Screen Actors Guild Awards, é exatamente isso que podemos esperar. Provavelmente Joy: O Nome do Sucesso e Os 8 Odiados não foram exibidos em tempo para os votantes (o que não faz muita diferença: Christoph Waltz ganhou Oscar por Django Livre sem sequer ser indicado ao SAG exatamente por essa razão), mas é sempre bom para a carreira nos prêmios estar na mira das principais listas, não é mesmo? Ambos os filmes, em especial o de Tarantino (que, haja paciência, tem mais de três horas de duração!) vão precisar cruzar os dedos daqui para frente. À parte os dois casos, a lista divulgada hoje foi a mais surpreendente em muitos anos – e o melhor: a mais inesperada envolvendo qualquer premiação de cinema. (atualizando: Joy e Os 8 Odiados foram sim exibidos para os votantes do Screen Actors Guild Awards, o que só piora a situação de ambos…)

Com Joy e Os 8 Odiados de fora, os votantes preferiram indicar Beasts of No Nation (mais uma vitoriosa produção do Netflix) e Straight Outta Compton a melhor elenco. Além disso, a lembrança de Trumbo nesta categoria, além de indicações individuais para Bryan Cranston em melhor ator e Helen Mirren em atriz coadjuvante, pode ser um forte indicador de que, ao contrário do que se esperava, o filme tem sim fôlego na temporada. Mirren, por sinal, confirmou o amor que desperta nos votantes com uma inesperada indicação a melhor atriz por A Dama Dourada, embolando de vez a disputa das protagonistas, cuja lista também não teve Charlotte Rampling indicada por 45 Anos nem Alicia Vikander ou Rooney Mara saindo das coadjuvantes para serem lembradas aqui, por exemplo. Quem se beneficiou com uma surpreendente inclusão foi Sarah Silverman, que concorre por I Smile Back.

Entre os atores coadjuvantes, a lista também foi quase inteiramente desmontada: o aparente favorito ao Oscar Michael Keaton não foi lembrado (e, sim, eles viram Spotlight – Segredos Revelados, que está, inclusive, indicado a elenco) e outros nomes bastante cotados como Tom Hardy (O Regresso) também ficaram de fora. Room ganhou força extra com a inclusão do jovem Jacob Tremblay aqui, e outros nomes entraram de vez na jogada: Christian Bale por A Grande Aposta, Idris Elba por Beasts of No Nation e Michael Shannon por 99 Homes.

Quando o assunto é TV, o SAG parece não se renovar: no elenco dos dramas, todas são veteranas, e nas indicações individuais apenas Bob Odenkirk (Better Call Saul) e Romi Malek (Mr. Robot) estão debutando. Surpreende no segmento a total ausência de Empire, um dos grandes hits de audiência do ano, que não conseguiu indicação nem para a ótima Taraji P. Henson (e é uma tremenda injustiça vê-la escanteada quando Julianna Margulies é indicada pela fase mais inexpressiva de The Good Wife). Quanto às comédias, fizeram justiça a Transparent, e a indicação para Ellie Kemper por Unbreakable Kimmy Schmidt é um frescor para uma lista que parece mostrar que os votantes não costumam mergulhar tão fácil em novos programas.

Confira abaixo a lista completa de indicados: 

CINEMA

MELHOR ELENCO
Beasts of No Nation
A Grande Aposta
Spotlight – Segredos Revelados
Straight Outta Compton
Trumbo

MELHOR ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Helen Mirren (A Dama Dourada)

Saoirse Ronan (Brooklyn)
Sarah Silverman (I Smile Back)

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Johnny Depp (Aliança do Crime)

Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Helen Mirren (Trumbo)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)

Rooney Mara (Carol)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Idris Elba (Beasts of No Nation)
Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Michael Shannon (99 Homes)

TV

MELHOR ELENCO DRAMA
Downton Abbey
Game of Thrones
Homeland
House of Cards

Mad Men

MELHOR ELENCO COMÉDIA
The Big Bang Theory
Key and Peele
Modern Family
Orange is the New Black
Transparent
Veep

MELHOR ATRIZ DRAMA
Claire Danes (Homeland)
Julianna Margulies (The Good Wife)

Maggie Smith (Downton Abbey)
Robin Wright (House of Cards)
Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA
Amy Poehler (Parks and Recreation)
Edie Falco (Nurse Jackie)

Ellie Kemper (Unbreakable Kimmy Schmidt)
Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Uzo Aduba (Orange is the New Black)

MELHOR ATOR DRAMA
Bob Odenkirk (Better Call Saul)
Jon Hamm (Mad Men)
Kevin Spacey (House of Cards)
Peter Dinklage (Game of Thrones)
Romi Malek (Mr. Robot)

MELHOR ATOR COMÉDIA
Jeffrey Tambor (Transparent)
Jim Parsons (The Big Bang Theory)
Louis C.K. (Louie)
Ty Burell (Modern Family)
William H. Macy (Shameless)

MELHOR ATRIZ MINISSÉRIE/TELEFILME
Nicole Kidman (Grace of Monaco)
Queen Latifah (Bessie)
Christina Ricci (The Lizzie Borden Chronicles)
Susan Sarandon (The Secret Life of Marilyn Monroe)
Kristen Wiig (The Spoils Before Dying)

MELHOR ATOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Idris Elba (Luther)
Ben Kingsley (Tut)
Ray Liotta (Texas Rising)
Bill Murray (A Very Murray Christmas)
Mark Rylance (Wolf Hall)