Cinema e Argumento

Os indicados ao Oscar 2016

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O Regresso lidera a lista do Oscar 2016 com 12 indicações.

Ao contrário do ano passado, a lista do Oscar 2016 não reservou grandes surpresas ou indicações mais autênticas. A lista, correta e bastante de acordo com o que tem sido celebrado de melhor da atual safra, apenas preferiu deixar de fora apostas dadas como certas em detrimento de outras que já estavam no nosso radar. Em maior escala, destacam-se as ausências de Helen Mirren como atriz coadjuvante por Trumbo – Lista Negra (prejudicada pelo absurdo que é a dupla fraude de Alicia Vikander e Rooney Mara), Quentin Tarantino em melhor roteiro original com seu Os Oito Odiados (poucos podiam prever as inclusões de Ex-MachinaStraight Outta Compton), Aaron Sorkin e seu Steve Jobs em roteiro adaptado e Ridley Scott como melhor diretor por Perdido em Marte (uma exclusão que particularmente não me incomoda). Nenhuma, no entanto, se equipara ao erro que é Carol ter ficado de fora da disputa de melhor filme e direção, provando que a Academia realmente tem sérios problemas com filmes mais delicados e de temática gay nas categorias principais.

Há quem tenha se surpreendido com a inclusão de Lenny Abrahamson como melhor diretor por O Quarto de Jack, mas, conforme comentamos em nossas previsões, não é preciso puxar muito a memória para lembrar de Behn Zeitlin quebrando o bolão de todo mundo ao ser finalista por Indomável Sonhadora. Sempre é uma boa apostar na lembrança do cinema independente (e faz todo sentido, já que o filme estrelado por Brie Larson concorre em categorias importantes como melhor filme e atriz). Também não é espantosa a lembrança de Charlotte Rampling por seu magnífico desempenho em 45 Anos. Já não é de hoje que o Oscar escolhe uma interpretação esnobada por todos os outros prêmios para sua lista. O que surpreende mesmo (e positivamente) é a tendência da Academia de finalmente dar o devido valor para atuações menores e mais contidas, mas nem por isso menos brilhantes (caso de Marion Cotillard ano passado com Dois Dias, Uma Noite). Se alguém roubou vaga na lista de melhor atriz, certamente foi Jennifer Lawrence, lembrada apenas pelo Globo de Ouro, comprovando seu poder mesmo com Joy sendo completamente esnobado.

Confira abaixo a lista completa de indicados, liderada por O Regresso com 12 indicações. A cerimônia do Oscar acontece no dia 28 de fevereiro.

MELHOR FILME
Brooklyn

A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria

Ponte dos Espiões
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñarritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
Tom McCarthy (Spotlight – Segredos Revelados)

MELHOR ATRIZ
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Jennifer Lawrence (Joy – O Nome do Sucesso)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Rooney Mara (Carol)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
Tom Hardy (O Regresso)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Ex-Machina: Instinto Artificial
Ponte dos Espiões
Spotlight – Segredos Revelados
Straight Outta Compton – A História do N.W.A.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Brooklyn
Carol
A Grande Aposta
Perdido em Marte
O Quarto de Jack

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Embrace of the Serpent (Colômbia)
Cinco Graças (França)
O Filho de Saul (Hungria)
Theeb (Jordânia)
A War (Dinamarca)

MELHOR ANIMAÇÃO
Anomalisa
Divertida Mente

O Menino e o Mundo
Quando Estou com Marnie

Shaun – O Carneiro

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Amy
Cartel Land
The Look of Silence
What Happened, Miss Simone?
Winter on Fire: Ukraine’s Fight for Freedom

MELHOR TRILHA SONORA
Carol
Os Oito odiados
Ponte dos Espiões
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Earned It” (Cinquenta Tons de Cinza)
“Manta Ray” (Racing Extinction)
“Simple Song #3” (Juventude)
“Writing’s On the Wall” (007 Contra Spectre)
“Til it Happens to You” (The Hunting Ground)

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso

MELHOR FOTOGRAFIA
Carol
Os Oito Odiados
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém

MELHOR FIGURINO
Carol
Cinderela
A Garota Dinamarquesa
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Ex-Machina: Instinto Artificial
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MONTAGEM
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR EDIÇÃO DE SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
O Regresso
Sicario: Terra de Ninguém
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR MIXAGEM DE SOM
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Regresso
Star Wars: O Despertar da Força

MELHOR CABELO E MAQUIAGEM
Mad Max: Estrada da Fúria
O Regresso
The 100-Year-Old Man Who Climbed Out the Window and Disappeared

MELHOR DOCUMENTÁRIO DE CURTA-METRAGEM
Body Team 12
Chau, Beyond the Lines
Claude Lanzmann: Spectres of the Shoah
A Girl in the River: The Price of forgiveness
Last Day of Freedom

MELHOR CURTA-METRAGEM
Ave Maria
Day One
Everything Will Be Okay (Alles Wird Gut)
Shok
Stutterer

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Bear Story
Prologue
Sanjay’s Super Team
We Can’t Live Without Cosmos
World of Tomorrow

Quem serão os indicados ao Oscar 2016?

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Hora de conhecer os indicados ao Oscar! Em uma temporada extremamente confusa e cheia de dúvidas até aqui (além de um Globo de Ouro que não iluminou absolutamente nada), o suspense reina mais do que nunca. Muitas perguntas serão respondidas amanhã. A fraude de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Rooney Mara (Carol) vai colar entre os votantes como aconteceu com Hailee Steinfeld em Bravura Indômita? Ou eles irão contra a corrente como quando indicaram Kate Winslet como protagonista por O Leitor? Filmes de grande orçamento como Mad Max: Estrada da FúriaStar Wars: O Despertar da ForçaPerdido em Marte serão levados a sério? Essas são apenas algumas das muitas dúvidas que temos para este ano. O anúncio dos indicados, incluindo categorias técnicas, será feito nesta quinta-feira (14) a partir das 11h20 (horário de brasília). Ang Lee, Guillermo Del Toro, John Krasinski e a presidente da Academia Boone Isacs apresentam a lista. Confira abaixo as nossas apostas nas categorias principais com comentários: 

MELHOR FILME
Carol
Divertida Mente
A Grande Aposta
Mad Max: Estrada da Fúria
Perdido em Marte
Ponte dos Espiões
O Quarto de Jack
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

Fique de olho emStraight Outta Compton. Revisando a lista, ela parece um pouco fechada demais, sem surpresas, apenas com a inclusão não tão difícil de prever de Ponte dos Espiões (o BAFTA já comprou esse Spielberg sério, político e histórico que tem a cara da Academia). Em 2015, houve toda aquela choradeira cheia de culpa da plateia branca quando dezenas de negros subiram ao palco para cantar “Glory”, de Selma: Uma Luta Pela Igualdade, escancarando a indústria racista que estava refletida no prêmio. Mas isso será corrigido na prática este ano? Quem sabe os votantes não se embalam com o Screen Actors Guild Awards e também não indicam Straight Outta Compton em sua categoria principal para aliviar a consciência? É uma grande possibilidade, mesmo que seja a única indicação do filme em toda a lista.

MELHOR DIREÇÃO
Adam McKay (A Grande Aposta)
Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria)
Lenny Abrahamson (O Quarto de Jack)
Steven Spielberg (Ponte dos Espiões)

Fique de olho em: Ridley Scott (Perdido em Marte). Deve ser porque não vejo nada demais em Perdido em Marte, mas simplesmente não consigo imginar Ridley Scott concorrendo e sendo considerado favorito por um filme que é apenas um entretenimento correto. Todd Haynes é muito mais merecedor de uma lembrança aqui por seu ótimo trabalho em Carol, mas suas chances já parecem mortas na disputa. Tiro tanto Scott quanto Haynes da disputa para colocar Steven Spielberg (apostando na total força de Ponte dos Espiões) e Lenny Abrahamson, apostando naquela surpresinha que a Academia adora fazer com filmes independentes ao estilo Behn Zeitlin indicado a melhor direção por Indomável Sonhadora.

MELHOR ATRIZ
Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa)
Charlotte Rampling (45 Anos)
Brie Larson (O Quarto de Jack)
Cate Blanchett (Carol)
Saoirse Ronan (Brooklyn)

Fique de olho em: Rooney Mara (Carol). Se Marion Cotillard fez todo mundo perder pontos no bolão do ano passado com sua indicação por Dois Dias, Uma Noite, quero, lá no fundo, acreditar que o absurdo de não ver Charlotte Rampling indicada a prêmio algum por 45 Anos também deve ser surpreendentemente corrigido pelo Oscar. É complicado apostar na categoria porque ninguém sabe muito bem como os votantes vão reagir ao movimento de fraude de Alicia Vikander (A Garota Dinamarquesa) e Rooney Mara (Carol) para a lista de coadjuvantes. Pela lógica, Vikander deve ser a única lembrada como protagonista por justamente ter um outro papel coadjuvante possível de ser lembrado (Ex-Machina: Instinto Artificial).

MELHOR ATOR
Bryan Cranston (Trumbo – Lista Negra)
Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)
Leonardo DiCaprio (O Regresso)
Matt Damon (Perdido em Marte)
Michael Fassbender (Steve Jobs)

Fique de olho em: Johnny Depp (Aliança do Crime). A categoria mais previsível de atuação está praticamente consolidada. Somente duas opções em escala bem menores podem surpreender, começando por Johnny Depp, que coloco como primeira opção porque todo mundo fala nisso. Tenho relutância em considerá-lo porque Johnny Depp está desacreditado há anos e Aliança do Crime parece apenas um momento de sorte momentâneo na carreira do ator. Que fique registrado também: nunca devemos subestimar o prestígio de Tom Hanks, ignorado anos atrás por Capitão Phillips, em Ponte dos Espiões, um filme que tem tudo para surpreender em qualquer categoria.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Helen Mirren (Trumbo – Lista Negra)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Kate Winslet (Steve Jobs)
Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados)
Rooney Mara (Carol)

Fique de olho em: Jane Fonda (Juventude). Não pense duas vezes: Helen Mirren, Jennifer Jason Leigh e Kate Winslet são apostas indiscutíveis para essa categoria. Se você acha que Alicia Vikander e Rooney Mara serão lembradas aqui, a lista, então, está fechada sem maiores discussões. O problema mesmo é se as duas ou pelo menos uma delas conseguir chegar à protagonista. A alternativa mais óbvia caso isso aconteça é Rachel McAdams (Spotlight – Segredos Revelados), beneficiada por um filme que está no radar de todos. Já a outra opção é Jane Fonda, uma escolha de cinema mais alternativo e autoral, além de ser uma forma de celebrar uma veterana já premiada duas vezes pelo Oscar (e que está naquele típico papel de cinco minutos que rouba a cena).

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Christian Bale (A Grande Aposta)
Jacob Trambley (O Quarto de Jack)
Mark Ruffalo (Spotlight – Segredos Revelados)
Mark Rylance (Ponte dos Espiões)
Paul Dano (Love & Mercy)

Fique de olho em: Idris Elba (Beasts of No Nation). Não sei se o ano está realmente fraco, mas foi muito difícil chegar a uma aposta final nessa categoria. O único nome que parece ser certo é o de Mark Rylance, unanimidade indicada a todos os prêmios. Aquele feeling inexplicável me diz que Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar) não chega lá, até porque o único prêmio a honrá-lo com uma lembrança foi o Globo de Ouro. Tenho minhas dúvidas também se o sempre subestimado Paul Dano (Love & Mercy) emplaca com um filme tão pequeno e pouco visto. Por isso, aqui tomamos nossas maiores liberdades: Mark Ruffalo por Spotlight (é ator confiável, ativo, sempre presente em bons projetos e já indicado duas vezes ao Oscar), Jacob Trambley por O Quarto de Jack (impulsionado pelo filme e pelo amor da Academia às crianças) e Christian Bale por A Grande Aposta (seguindo basicamente a mesma lógica de Ruffalo). Se o Oscar deixar de ser careta e considerar a relevância do Netflix, Idris Elba emplaca por Beasts of No Nation. Um desejo: Benicio Del Toro por Sicario.

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Divertida Mente
Os Oito Odiados
Ponte dos Espiões
O Regresso
Spotlight – Segredos Revelados

Fique de olho em: Sicario – Terra de Ninguém. Muito mais fácil apostar em roteiro adaptado, principalmente porque a lista do Writers Guild of America é toda confusa por não aceitar muitos roteiros em função da não-sindicalização de seus autores. Da lista do Sindicato, repito Ponte dos EspiõesSpotlight, acrescentando Divertida Mente (hora da Pixar merecidamente voltar à categoria), Ponte dos Espiões (de novo acreditando na glória do filme de Spielberg) e O Regresso (será mesmo que vão deixar o vencedor Iñárritu do ano passado de fora?). Como alternativa principal, vou de Sicario, seguindo a lista do WGA.

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Carol
A Grande Aposta
O Quarto de Jack
Steve Jobs
Trumbo – Lista Negra

Fique de olho emPerdido em Marte. Três dos indicados a melhor filme têm tudo para se repetir aqui (CarolA Grande ApostaO Quarto de Jack). As outras duas vagas devem ficar com um queridinho dos prêmios (Aaron Sorkin, que chega com Steve Jobs e um recente Globo de Ouro na bagagem) e Trumbo – Lista Negra, em uma dessas apostas meio aleatórias. De novo, prefiro não acreditar em tanta exaltação para Perdido em Marte e o coloco apenas como uma possível surpresa.

Star Wars: O Despertar da Força

Chewie, we’re home!

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Direção: J.J. Abrams

Roteiro: J.J. Abrams, Lawrence Kasdan e Michael Arndt

Elenco: Daisy Ridley,  John Boyega,  Adam Driver, Harrison Ford, Domhnall Gleeson, Carrie Fisher,  Oscar Isaac, Max Von Sydow, Lupita Nyong’o, Andy Serkis, Mark Hamill,  Anthony Daniels, Peter Mayhew, Kiran Shah, Simon Pegg

Star Wars: The Force Awakens, EUA, 2015, Aventura/Ficção Científica, 115 minutos

Sinopse: Décadas após a queda de Darth Vader e do Império, surge uma nova ameaça: a Primeira Ordem, uma organização sombria que busca minar o poder da República e que tem Kylo Ren (Adam Driver), o General Hux (Domhnall Gleeson) e o Líder Supremo Snoke (Andy Serkis) como principais expoentes. Eles conseguem capturar Poe Dameron (Oscar Isaac), um dos principais pilotos da Resistência, que antes de ser preso envia através do pequeno robô BB-8 o mapa de onde vive o mitológico Luke Skywalker (Mark Hamill). Ao fugir pelo deserto, BB-8 encontra a jovem Rey (Daisy Ridley), que vive sozinha catando destroços de naves antigas. Paralelamente, Poe recebe a ajuda de Finn (John Boyega), um stormtrooper que decide abandonar o posto repentinamente. Juntos, eles escapam do domínio da Primeira Ordem. (Adoro Cinema)

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O testamento da influência definitiva de Star Wars é mesmo esse novo capítulo chamado O Despertar da Força. Ora, mesmo com a unanimidade de que A Ameaça FantasmaO Ataque dos ClonesA Vingança dos Sith, os filmes realizados por George Lucas entre 1999 e 2005, foram o quase suicídio artístico da franquia, ninguém deu muita bola: O Despertar da Força já causava alvoroço muito tempo antes de sua estreia e hoje quebra recordes mundo afora. Não é por ser fácil faturar gordas bilheterias hoje em dia que o filme está por todos os lados, mas por resgatar elementos clássicos da série a partir do olhar de um realizador que sabe como ninguém preservar o passado sob a luz da contemporaneidade. A missão era difícil e carregada de responsabilidades sem precedentes, mas J.J. Abrams, mais uma vez, mostra que a força e, claro, o talento estão ao seu lado.

Não dá para afirmar que J.J. Abrams tem 100% de aproveitamento em sua carreira porque nela existe algo chamado Lost. Entretanto, não é difícil colocar o diretor entre os melhores realizadores de sua escala atualmente. Depois das mil maravilhas que fez com Star Trek, ele mais uma vez se mostra superlativo atrás das câmeras com O Despertar da Força, o filme que precisávamos ter visto dez anos atrás no lugar de A Ameaça Fantasma. Isso mesmo, é sem qualquer receio de exageros que podemos ser categóricos: o novo filme de Star Wars elimina do mapa a trilogia anterior comandada por George Lucas (que, convenhamos, tem seus méritos como a mente por trás do universo, mas raramente é grande como diretor). Mais do que um filme muito bem executado, O Despertar da Força cumpre com louvor a missão de ser um resgate para os antigos fãs e uma bela introdução para os leigos que venham a abraçar a história daqui para frente. Não é nem referencial demais nem excessivamente zerado, reproduzindo o mesmo conceito que fez dos novos Star Trek aventuras tão bem recebidas.

É importante mencionar o respeito que J.J. Abrams preserva em O Despertar da Força não apenas com o estilo e com os elementos clássicos que fizeram de Star Wars um fenômeno, mas também com a construção da história, que traz ao palco antigos personagens – e muitos deles, a exemplo de Han Solo (Harrison Ford), em funções realmente decisivas, e não em participações curiosas aqui ou ali. A nova história se constrói com a ajuda de figuras como Solo e introduz heróis que, além de funcionais para o drama e a ação de O Despertar da Força, representam uma grande vitória para o momento cada vez mais combativo à desigualdade que assola Hollywood. Sim, no filme de J.J. Abrams o protagonista é negro, e se reclamarem só um pouquinho logo ele se junta a uma mulher que, nos momentos finais, ainda é decisiva para que os conflitos sigam em frente. George Miller e sua Imperatriz Furiosa de Mad Max: Estrada da Fúria devem estar muito orgulhosos.

No que se refere a novas ideias para o desenvolvimento em si, O Despertar da Força talvez seja menos criativo do que os dois exemplares recentes de Star Trek. O zelo um tanto excessivo à fórmula clássica é compreensível dada a dimensão das expectativas, mas o forte apego às raízes da trilogia não deixa de eventualmente despertar a curiosidade em ver um Star Wars mais renovado na linguagem. Afinal, algumas saídas, apesar de muito eficientes, não são necessariamente criativas, como a criação de BB-8, mais um robozinho adorável que claramente vem para tomar a dianteira de R2-D2 e C-3PO. Essa é uma observação particular que em nada chega a prejudicar o excelente resultado alcançado pelo filme, que tem um clímax à altura, excelente doses de humor, uma técnica digna a seu favor e ainda um final surpreendentemente triste envolvendo um importante personagem. Não é porque os filmes anteriores decepcionaram: O Despertar da Força é mesmo a continuação que precisávamos.

Os vencedores do Globo de Ouro 2016

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Teria Kate Winslet virado o jogo na disputa entre as atrizes coadjuvantes?

Uma distribuição de estatuetas desordenada e sem conceitos marcou a cerimônia do Globo de Ouro 2016 neste domingo (10). Como sabemos, esperavam-se muitas surpresas, mas não da forma como foram entregues. Logo no início da cerimônia, Kate Winslet já surpreendeu faturando a estatueta de melhor atriz coadjuvante por Steve Jobs, mas, ao contrário do que pode parecer, sua lembrança não é tão chocante assim: lembrem-se que, assim como Ang Lee vencendo Oscar por As Aventuras de Pi em um ano extremamente confuso na categoria, Winslet levou a melhor por ser a única unanimidade da categoria com indicações a todos os prêmios da temporada. Steve Jobs, que foi mal de bilheteria nos Estados Unidos e realmente não alçou voo nas categorias principais, de repente levou outro prêmio que ninguém tinha no horizonte: o de melhor roteiro para o quase sempre celebrado Aaron Sorkin. Sylvester Stallone, esnobado pela lista do Screen Actors Guild Awards e do BAFTA, foi ovacionado por sua vitória como coadjuvante por Creed: Nascido Para Lutar. Mas será mesmo que ele chega ao Oscar, visto que os votantes da Academia já haviam entregue suas cédulas?

Tarantino saiu a falar bobagem quando foi receber o prêmio de melhor trilha sonora para Os Oito Odiados no lugar do ausente Ennio Morricone (ele disse que o compositor nunca foi celebrado na América, o que é uma grande gafe, já que esse é o terceiro Globo de Ouro de Morricone), fazendo um pequeno show onde claramente queria roubar as atenções para si próprio. Morricone é lenda, e sua trilha para Os Oito Odiados é boa (mesmo que não tão presente ao longo das três horas de filme), mas, particularmente, ficaria com o delicado e marcante trabalho de Carter Burwell para Carol. Ainda em música, um dos piores prêmios envolvendo cinema deve ter sido o de canção original para a tediosa “Writing’s On the Wall”, de Sam Smith para 007 Contra Spectre. Novamente o Globo de Ouro prova que não entende nada do que significa ter uma canção como ferramenta de um filme.

Nas atuações principais, nenhuma grande surpresa, nem mesmo a vitória de Matt Damon com a “comédia” Perdido em Marte que também faturou o prêmio principal de sua respectiva categoria. O que embola mesmo o meio de campo é a consagração de O Regresso, que levou os prêmios de melhor filme drama, direção e ator drama para Leonardo DiCaprio. Vale lembrar que Iñárritu perdeu o Globo de Ouro de diretor ano passado para Richard Linklater, e seu Birdman precisou testemunhar a surpreendente consagração de O Grande Hotel Budapeste na categoria de melhor filme comédia/musical. Ou seja, fica a dúvida: os votantes gostaram mesmo de O Regresso e essa é uma tendência a ser seguida ou tudo não passa de uma mera reparação? Dito isso, é quase nula a influência do Globo de Ouro nessa corrida principal ao Oscar, já que é praticamente impossível que os votantes da Academia se rendam a Iñárritu em um segundo ano consecutivo. A situação permanece em aberto.

Entre os seriados, o caos foi total. É marca do Globo de Ouro premiar qualquer série novata mesmo quando veteranas continuam a brilhar com o passar dos anos (Transparent!), mas os votantes chegaram a ser quase infantis ao preferir descontroladamente debutantes e estrelas. Nas comédias ninguém foi páreo para Mozart in the Jungle, da Amazon (e é bom que Gael García Bernal esteja realmente um estouro para ter tirado o prêmio do impecável Jeffrey Tambor), enquanto Julia Louis-Dreyfus, que até hoje não tem um Globo de Ouro por sua ótima composição em Veep, perdeu novamente o prêmio para a novata Rachel Bloom por Crazy Ex-Girlfriend. Já minha implicância com Lady Gaga ganhando por American Horror Story: Hotel não é em função de ela ser Lady Gaga, mas porque ninguém mais se entusiasma com o programa e, posso estar errado, mas é bastante improvável que ela esteja superior ao que pelo menos Queen Latifah faz em Bessie, citando uma de suas concorrentes.

É tanta gente nova ganhando (alguns com merecimento, vamos ser justos, como Taraji P. Henson por Empire), que fica, portanto, meio estranho ver Jon Hamm triunfando com Mad Men. Afinal, ele já tinha um Globo de Ouro em casa, e a série há tempos estava murcha na premiação. Pode ser que mereça (não acompanhei o programa), mas, em termos de conceito, não faz qualquer sentido com o que a premiação tentou desastrosamente nos vender. Não adiantou Ricky Gervais ser ousado com suas piadas (Hollywood não sabe rir de si mesma) nem a homenagem a Denzel Washington (dono de um discurso estranhamente sem inspiração), uma vez que, além de nada significar para a award season, o Globo de Ouro de ontem só serviu para dar novamente ao prêmio aquela fama tão desagradável que sempre lhe assombrou mas havia sido diminuída nos últimos anos: a de facilmente deslumbrada, sem linha de pensamento e até mesmo subornável. Confira a lista completa de vencedores:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA: O Regresso
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: Perdido em Marte
MELHOR DIREÇÃO: Alejandro González Iñárritu (O Regresso)
MELHOR ATRIZ DRAMA: Brie Larson (O Quarto de Jack)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)
MELHOR ATOR DRAMA: Leonardo DiCaprio (O Regresso)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Matt Damon (Perdido em Marte)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Kate Winslet (Steve Jobs)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Sylvester Stallone (Creed: Nascido Para Lutar)
MELHOR ROTEIRO: Steve Jobs
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: O Filho de Saul (Hungria)
MELHOR ANIMAÇÃO: Divertida Mente
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Writing’s on the Wall” (007 Contra Spectre)
MELHOR TRILHA SONORA: Os Oito Odiados

SÉRIES

MELHOR SÉRIE DRAMA: Mr. Robot
MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL: Mozart in the Jungle
MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME: Wolf Hall
MELHOR ATRIZ DRAMA: Taraji P. Henson (Empire)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Rachel Bloom (Crazy Ex-Girlfriend)
MELHOR ATRIZ EM MISSÉRIE/TELEFILME: Lady Gaga (American Horror Story: Hotel)
MELHOR ATOR DRAMA: Jon Hamm (Mad Men)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Gael García Bernal (Mozart in the Jungle)
MELHOR ATOR EM MISSÉRIE/TELEFILME: Oscar Isaac (Show Me a Hero)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Maura Tierney (The Affair)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME: Christian Slater (Mr. Robot)

Quem serão os vencedores do Globo de Ouro 2016?

gervaisglobes

Ricky Gervais e a sua difícil missão de substituir Amy Poehler e Tina Fey na apresentação do Globo de Ouro.

Será o Globo de Ouro de grande ajuda para solucionar os aparentes primeiros mistérios dessa temporada de premiações? Spotlight é mesmo o favorito? Mad Max pode surpreender? A comédia de Perdido em Marte é mais forte que a de A Grande Aposta? Alicia Vikander ganha prêmio por A Garota Dinamarquesa ou Ex-Machina? E Leonardo DiCaprio consolidará seu favoritismo ao Oscar? Muitas perguntas que podem ser respondidas ou ainda mais embaralhadas pela cerimônia, que será transmitida a partir das 23h pela TNT. Confira as nossas apostas:

CINEMA

MELHOR FILME DRAMA
Spotlight – Segredos Revelados / alt: Mad Max: Estrada da Fúria

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
Perdido em Marte / alt: A Grande Aposta

MELHOR DIREÇÃO
George Miller (Mad Max: Estrada da Fúria) / alt: Ridley Scott (Perdido em Marte)

MELHOR ATRIZ DRAMA
Brie Larson (O Quarto de Jack) / alt: Saoirse Ronan (Brooklyn)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Lily Tomlin (Grandma) / alt: Jennifer Lawrence (Joy: O Nome do Sucesso)

MELHOR ATOR DRAMA
Leonardo DiCaprio (O Regresso) / alt: Eddie Redmayne (A Garota Dinamarquesa)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Matt Damon (Perdido em Marte) / alt: Christian Bale (A Grande Aposta)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) / alt: Alicia Vikander (Ex-Machina: Instinto Artificial)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mark Rylance (Ponte dos Espiões) / alt: Idris Elba (Beasts of No Nation)

MELHOR ROTEIRO
Spotlight – Segredos Revelados / alt: A Grande Aposta

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
O Filho de Saul (Hungria) / alt: O Clube (Chile)

MELHOR ANIMAÇÃO
Divertida Mente / alt: Anomalisa

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“One Kind of Love” (Love & Mercy) / alt: “Simples Song #3” (Juventude)

MELHOR TRILHA SONORA
Carol / alt: Os Oito Odiados

SÉRIES

MELHOR SÉRIE DRAMA
Mr. Robot / alt: Empire

MELHOR SÉRIE COMÉDIA/MUSICAL
Transparent / alt: Mozart in the Jungle

MELHOR MINISSÉRIE/TELEFILME
Fargo / alt: Wolf Hall

MELHOR ATRIZ DRAMA
Taraji P. Henson (Empire) / alt: Viola Davis (How to Get Away With Murder)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Lily Tomlin (Grace and Frankie)

MELHOR ATRIZ EM MISSÉRIE/TELEFILME
Queen Latifah (Bessie) / alt: Kirsten Dunst (Fargo)

MELHOR ATOR DRAMA
Rami Malek (Mr. Robot) / alt: Wagner Moura (Narcos)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Jeffrey Tambor (Transparent) / alt: Aziz Ansari (Master of None)

MELHOR ATOR EM MISSÉRIE/TELEFILME
David Oyelowo (Nightingale – Peter e Sua Mãe) / alt: Patrick Wilson (Fargo)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Uzo Aduba (Orange is the New Black) / alt: Maura Tierney (The Affair)

MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE/MINISSÉRIE/TELEFILME
Ben Mendelsohn (Bloodline) / alt: Christian Slater (Mr. Robot)