Cinema e Argumento

Rapidamente: “Águas Rasas”, “O Contador”, “Neruda” e “Nós Duas Descendo a Escada”

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Poesia e realidade se misturam nos melhores momentos de Neruda, que se engrandece em todos os sentidos ao deixar de lado as formalidades históricas.

ÁGUAS RASAS (The Shallows, 2016, de Jaume Collet-Serra): O desafio que existe em assistir a Águas Rasas é o mesmo de todos os outros filmes do diretor espanhol Jaume Collet-Serra: saber até que ponto devemos nos desprender de coincidências e exageros para realmente curtir a experiência. O cinema realizado por ele é indiscutivelmente comercial (levam sua assinatura os suspenses de gosto duvidoso A Casa de Cera e A Órfã, além de outras obras mais inofensivas mas igualmente esquecíveis como Sem Escalas), estilo que está novamente impresso em Águas Rasas, que não consegue se esquivar de comparações com o indie Mar Aberto e com (obviamente) o clássico Tubarão. Ou seja, nada de muito novo é contado aqui, e o jeito é não levar a situação muito a sério para embarcar na proposta que, quando encarada dessa forma, diverte e prende a atenção. Tecnicamente, Águas Rasas capta o realismo da tensão vivida pela protagonista, o que é fundamental para não tirar o espectador do filme. O problema é que, assim como em todos os filmes do diretor, a situação sai do controle nos momentos derradeiros, abusando da boa vontade do espectador de todas as formas possíveis. Águas Rasas não escapa disso, construindo um clímax de resoluções hiperbólicas para uma história que, de repente, passa a ser sobre a implicância pessoal de um tubarão com uma surfista. Aí sim, em um momento tão crucial, o longa dá uma daquelas rasteiras que desprendem a plateia por completo da experiência. 

CONTADOR, O (The Accountant, 2016, de Gavin O’Connor): Cinco anos após o extraordinário Guerreiro, o diretor Gavin O’Connor volta a misturar ação e drama em uma receita, que, dessa vez, prioriza o primeiro gênero ao segundo. Particularmente, prefiro a composição inversa (é ela que me faz ser tão fã de Guerreiro), o que não chega a tirar os méritos de O Contador, um filme bem executado e que reforça a mão firme de O’Connor atrás das câmeras. Mas, nesse caso, é uma questão de gosto: ao conduzir uma trama essencialmente investigativa, o longa, cujo roteiro é escrito por Bill Buduque (que estreou mal no cinemas em 2014 com o tedioso O Juiz), termina por se emaranhar em uma série de situações e complicações desnecessárias, tornando a história embolada demais em vários momentos. E quando não há nada de muito revelador saindo dessa cerimônia toda, fica a impressão de que tudo não passou de um capricho (algo que tem se tornado a especialidade de Christopher Nolan desde Batman – O Cavaleiro das Trevas Ressurge). A situação é exatamente essa com O Contador, que tem um elenco de suporte digno de nota (J.K. Simmons, John Lithgow, Jeffrey Tambor), mas parece não sacar que é no confronto – inclusive físico – do protagonista com seu passado, seus fantasmas e suas raízes familiares que O Contador ganha uma força que vai além da mera testosterona que Gavin O’Connor tem inegável facilidade em colocar na tela.  

NERUDA (idem, 2016, de Pablo Larraín): Já de fora da lista de pré-selecionados ao Oscar 2017 de melhor filme estrangeiro, Neruda marca a nova parceria entre o diretor Pablo Larraín e o astro Gael García Bernal, que trabalharam juntos no excelente No. O resultado aqui é mais irregular porque Neruda traz dois filmes dentro de um: enquanto a primeira parte não passa de um correto relato histórico (que, dependendo da disposição, pode ser até um pouco sonolento), a segunda esbanja criatividade ao se apropriar da poesia chilena de Pablo Neruda para costurar a trama. A quebra narrativa do filme é clara, e é de se perguntar porque Larraín perde tanto tempo com as cerimônias de contextualização histórica ao invés de simplesmente traduzir, desde o início, a bela obra do poeta para toda a narrativa do filme. Quando se torna um filme mais poético do que histórico, Neruda entrega momentos genuinamente emocionantes do ponto de vista não apenas emocional, mas também cinematográfico (as cenas finais de Gael na neve são impecáveis). Com essa libertação, o longa fascina ao misturar realidade e ficção e ao refletir sobre o protagonismo de cada personagem na trama (e, por que não, na vida). É aí que está o verdadeiro DNA do cinema de Larraín: no olhar criativo e diferenciado que lança para todo e qualquer tema – até mesmo os aparentemente banais. 

NÓS DUAS DESCENDO A ESCADA (idem, 2016, de Fabiano de Souza): Se Nós Duas Descendo a Escada tem um mérito inegável, esse é o de não problematizar a questão sexual de suas duas protagonistas. Ao contrário do que se vê nos filmes mais rasteiros de temática LGBT, a obra assinada por Fabiano de Souza não se preocupa em radiografar preconceitos para ter algum estofo dramático. Professor e critico de cinema, o gaúcho prefere contar uma história muito cotidiana sobre duas mulheres que se apaixonam e que, depois, precisam aprender a lidar com a desconstrução desse amor. A forma quase caseira com que Nós Duas Descendo a Escada é filmado poderia ser um ganho em realismo caso o roteiro e as ideias não fossem tão frágeis. Abarrotado de referências literárias, musicais e cinematográficas que saltam de forma gratuita e pouco orgânica na tela, o longa aposta em obviedades até na concepção de suas personagens: enquanto a Mona de Carina Dias é a clássica mulher madura, experiente e bem resolvida, a Adri de Miriã Possani é a jovem insegura em questões, pessoais, sexuais e profissionais, evidenciando um contraponto que já foi insistentemente explorado em produções memoráveis como Azul é a Cor Mais Quente e Carol. Como vitrine para duas boas atrizes e um bom passeio por Porto Alegre, Nós Duas Descendo a Escada tem seu valor. Já todo o resto está muitos degraus abaixo.

Animais Noturnos

When you love someone, you have to be careful with it. You might never get it again.

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Direção: Tom Ford

Roteiro: Tom Ford, baseado no livro “Tony & Susan”, de Austin Wright

Elenco: Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon, Aaron Taylor-Johnson, Armie Hammer, Laura Linney, Isla Fisher, Jena Malone, Andrea Riseborough, Robert Aramayo, Karl Glusman, Ellie Bamber

Nocturnal Animals, EUA, 2016, Drama/Suspense, 116 minutos

Sinopse: Susan (Amy Adams) é uma negociante de arte que se sente cada vez mais isolada do parceiro (Armie Hammer). Um dia, ela recebe um manuscrito de autoria de Edward (Jake Gylenhaal), seu primeiro marido. Por sua vez, o trágico livro acompanha o personagem Tony Hastings, um homem que leva sua esposa (Isla Fisher) e filha (Ellie Bamber) para tirar férias, mas o passeio toma um rumo violento ao cruzar o caminho de uma gangue. Durante a tensa leitura, Susan pensa sobre as razões de ter recebido o texto, descobre verdades dolorosas sobre si mesma e relembra traumas de seu relacionamento fracassado. (Adoro Cinema)

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Por exercício e vocação, Tom Ford é, sem trocadilhos, um sujeito de estilo. Ao resgatar a Gucci de uma trajetória decadente, fez com que a marca se tornasse um negócio bilionário. Anos depois, comprou a Maison Yves Saint-Laurent, onde assumiu o cargo de comandante do negócio após a saída do lendário estilista francês em 2002. Isso é o que, em linhas muito gerais, resume todo o poder de Tom Ford no mundo da moda. Por outro lado, o que ninguém esperava é que ele, aos 48 anos, decidisse se tornar cineasta (sem abandonar a indústria da moda, claro). E um cineasta dos mais incríveis: lançado em 2009, Direito de Amar representa um trabalho muito íntimo de Ford, mas que revela um diretor cujo talento ultrapassa todas as fronteiras relacionadas a sua mera identificação pessoal com o material original (o livro A Single Man, de Christopher Isherwood). Obviamente, tanto em Direito de Amar quanto agora em Animais Noturnos, a estética é elemento primordial para o estilista no cinema. A diferença é que, enquanto no primeiro ela exaltava as pequenas belezas de um cotidiano essencialmente morto, no segundo a situação se inverte com requintes que representam desde profundos vazios existenciais até interessantes provocações sobre um mundo de aparências.

Com um pulsante vermelho, Animais Noturnos descortina seus contrapontos logo na sequência de abertura, onde mulheres obesas aparecem nuas dançando como cheerleaders. Ford, apoiado pela trilha orquestral sempre impressiva do polonês Abel Korzeniowski, faz questão de endeusá-las como mulheres dignas de uma obra de arte. E elas realmente são: poucos minutos depois, o filme revela que todas fazem parte de uma exposição multimídia promovida por Susan (Amy Adams), a riquíssima dona de uma galeria de arte que leva uma vida onde belos saltos altos, impecáveis maquiagens e irresistíveis armações de óculos não conseguem camuflar a tristeza de uma mulher incompleta. Se Susan impacta em um primeiro momento com tanta elegância para depois se mostrar um ser humano insatisfeito, seu marido não fica muito atrás: a beleza de Hutton (Armie Hammer) soa quase artificial e, à beira da falência, tudo o que ele pode fazer é se agarrar ao que tem de mais sedutor no exterior para conseguir manter novos casos extraconjugais. O belo é feio (ou pelo menos desesperançoso) em Animais Noturnos, o que certamente é uma bela oportunidade para uma atriz talentosa como Amy Adams. A incompletude da protagonista se agrava quando ela recebe um manuscrito de seu ex-marido, que, ao escrever um romance violento e perturbador, dá a entender que ainda há algo a ser dito para a mulher que partiu seu coração e o abandonou anos atrás.

A partir desse manuscrito, que será lido da forma mais dramática possível por Susan (um dos maneirismos equivocados de Tom Ford), Animais Noturnos passa a narrar a história desse material, tentando desvendar o quanto ele pode ter relações com a vida real da protagonista. Nesse universo paralelo onde Tony (Jake Gyllenhaal) vive uma noite de terror com a mulher e a filha na beira da estrada, a beleza inexiste. O que importa nele – e com toda a razão – é a crueza dos fatos e, principalmente, dos personagens, todos basicamente homens que se entregam a emoções conturbadas como a covardia, o masoquismo e o senso cego de fazer justiça com as próprias mãos. É nessa fatia de Animais Noturnos que se revela o talento de Tom Ford em conseguir impactar sem qualquer alegoria estética, já que existe uma constante tensão na história, seja pela imprevisibilidade de todos os personagens (do sádico marginal vivido por Aaron Taylor-Johnson ao xerife anti-convencional de Michael Shannon, ambos ótimos) ou pela própria forma como o diretor captura o nervosismo de cada momento (a perseguição na estrada é uma das sequências mais tensas do ano). Sem dúvida, esse livro lido por Susan ganha contornos muito mais interessantes pelas leituras de Tom Ford.

Todavia, como se espera na maioria dos casos, Animais Noturnos se enfraquece ao ter que lidar com a estrutura de dois filmes dentro de um. E isso tem menos a ver com a lógica de que uma história é mais interessante do que outra (até no excepcional Relatos Selvagens temos as nossas preferências entre os capítulos) e mais com a forma com que o longa costura as duas tramas. A história da personagem de Amy Adams depende diretamente da que é contada no livro lido por ela para que o círculo possa se completar com mais sentido, e é aí que o roteiro escrito por Tom Ford não tem o mesmo refinamento da direção. Se não bastassem as transições óbvias entre um universo e outro para mostrar o quanto os dois universos conversam (o barulho de um tiro no livro repercute em um pássaro na janela assustando Amy Adams, por exemplo), ainda é preciso que o cineasta force um pouco a barra em soluções visuais para abrir os olhos do espectador quanto ao que está sendo discutido nas entrelinhas, como se a história não se bastasse por si só. Isso está claramente refletido na cena em que Ford faz uma personagem desfilar em um corredor onde está pendurado um quadro imenso com a palavra “vingança”. E mais: ainda a coloca para contemplar a obra. É certo que o paralelo entre os dois mundos já não é o mais revelador, mas o fato do diretor arranjar soluções pouco criativas para a conversa deles dá mais uma leve amortecida na situação.

De qualquer forma, Animais Noturnos, mesmo com eventuais fragilidades, é um filme perfeitamente eficiente, muito em função da mão segura de Tom Ford como diretor. Seu nome ainda revela outro prestígio: o que alcançou dentro do círculo de atores em Hollywood. Afinal, são poucos os diretores que conseguem reunir tantos profissionais de prestígio como Amy Adams, Jake Gyllenhaal, Michael Shannon e Aaron Taylor-Johnson em um elenco que ainda conta com grandes atores como Laura Linney em pontas reveladoras do ponto de vista dramático. O elenco é um dos grandes méritos de Animais Noturnos, o que não deixa de ser uma ramificação do bom trabalho de Tom Ford atrás das câmeras. Afinal, de nada adianta atores talentosos se não existe alguém com uma clara noção do que quer para direcioná-los. No fim, pode ser que a mais nova investida do diretor-roteirista-estilista não tenha a mesma potência que o seu trabalho de estreia. Isso não quer dizer, contudo, que Animais Noturnos não preserve grande parte de sua reconhecida e admirável assinatura, estampada também na cena final, que, assim como em Direito de Amar, induz ao alento para em seguida nos despedaçar de alguma forma. Coisas de Tom Ford. Há quem compre. Outros que detestem. Particularmente, com uma ressalva aqui e outra ali, sigo aprovando.

Sully: O Herói do Rio Hudson

Everything is unprecedented until it happens for the first time.

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Direção: Clint Eastwood

Roteiro: Todd Komarnicki, baseado no livro “Highest Duty: My Search for What Really Matters”, de Chesley ‘Sully’ Sullenberger e Jeffrey Zaslow

Elenco: Tom Hanks, Aaron Eckhart, Laura Linney, Anna Gunn, Valerie Mahaffey, Delphi Harrington, Mike O’Malley, Jamey Sheridan, Holt McCallany, Katie Couric, Blake Jones, Molly Bernard

Sully, EUA, 2016, Drama, 95 minutos

Sinopse: 15 de janeiro de 2009. Logo após decolar do aeroporto de LaGuardia, em Nova York, uma revoada de pássaros atinge as turbinas do avião pilotado por Chesley “Sully” Sullenberger (Tom Hanks). Com o avião seriamente danificado, Sully não vê outra alternativa senão fazer um pouso forçado em pleno rio Hudson. A iniciativa é bem sucedida, com todos os 150 passageiros a bordo sendo salvos. Tal situação logo transforma Sully em um grande herói nacional, o que não o isenta de enfrentar um rigoroso julgamento interno coordenado pela agência de regulação aérea nos Estados Unidos. (Adoro Cinema)

Faz parte das afirmações dolorosas de serem feitas, mas é impossível se esquivar: Clint Eastwood tem se tornado um cineasta cada vez mais irrelevante. Se, entre 2003 e 2006, os anos foram de ouro para o veterano diretor (Sobre Meninos e Lobos! Menina de Ouro! Cartas de Iwo Jima!), a situação só desandou dali em diante: apesar das atividades ininterruptas, sua carreira vem oscilando entre a inexpressividade (Invictus), o tédio (Além da Vida) e o mero patriotismo (Sniper Americano). O que parecia ser um caminho sem volta realmente se confirma com a estreia de Sully: O Herói do Rio Hudson, longa que, para piorar, reúne todos os aspectos negativos que pautaram a filmografia recente de Eastwood.

Os problemas cruciais de Sully começam ainda em sua concepção. Afinal, como expandir para quase 100 minutos a dramaturgia de um evento real que durou aproximadamente três minutos e meio? Além: onde está o conflito de uma trama centrada em um evento que, fadado a terminar em tragédia, acabou preservando a vida de mais de 150 pessoas? Dessa forma, o roteiro escrito por Todd Komarnicki faz de tudo para dar algum estofo dramático à jornada do protagonista, um piloto veterano que, ao confiar mais na sua experiência e nos seus sentidos humanos, reescreveu o destino ao pousar um grande avião no rio Hudson dos Estados Unidos para salvar seus tripulantes com sucesso. Só que a missão de problematizar esse feito heroico é falha, pois basta uma pequena perspectiva para perceber que não há nada a ser problematizado ali.

Tentando compensar a base dramática fragilíssima de Sully, erram tanto Kormanicki quanto Eastwood. O primeiro sobrecarrega o filme com firulas desnecessárias como os flashbacks da adolescência do protagonista que, aleatórios, não iluminam nada sobre o presente dele ou como os diferentes pontos de vista que o longa adota na hora de encenar seu grande evento (superficialmente, acompanhamos as histórias individuais de alguns passageiros antes de eles embarcarem no avião). Enquanto isso, o diretor frequentemente força a barra no tom dramático que dá aos eventos, indo de cenas dignas de novela quando perturba Sully (Tom Hanks) com falas de outros personagens que pipocam em sua mente ao conceito que aplica no comportamento da equipe de Segurança Aérea cuja única missão parece ser inexplicavelmente destruir a carreira do protagonista. 

Tom Hanks, um cara bacana até quando atua no piloto-automático, é o sujeito perfeito para um papel como o de Sully: homem correto e de carreira respeitável, o protagonista exalta o retrato do cidadão norte-americano íntegro que os Estados Unidos adoram ver nas telas. Em contramão, o filme subutiliza duas grandes atrizes, aqui escaladas para papeis rasteiros para seus respectivos talentos. A primeira é Laura Linney, que dispensa comentários, mas nada tem a fazer a não ser falar ao telefone com o marido sem nunca contracenar com ele. A segunda é Anna Gunn, a eterna Skyler White de Breaking Bad, reduzida ao papel unidimensional da única investigadora feminina do time que quer derrubar o heroico piloto. Fica a dúvida: por que selecionar intérpretes tão talentosas para papeis esquecíveis como esse? Talvez seja mais uma jogada para desviar a atenção do fato de que o que mais falta em Sully é uma história.

Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2017

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Com o furacão La La Land: Cantando Estações de fora da categoria principal, o drama Manchester à Beira-Mar é o favorito e líder de indicações ao Screen Actors Guild Awards 2017.

Seguindo a primeira semana movimentada da temporada de premiações, hoje foi o dia de conhecermos os indicados ao Screen Actors Guild Awards, prêmio cujo corpo de jurados é formado exclusivamente por atores. Com a exclusão não tão inesperada de La La Land: Cantando Estações da categoria de melhor elenco (não há nomes tão expressivos entre os intérpretes fora Emma Stone e Ryan Gosling, ambos lembrados em suas respectivas categorias), o que surpreendeu mesmo foi a inclusão de Um Limite Entre Nós, visto que ele segue a mesma lógica de La La Land: aparentemente, parece que esse é um show apenas da dupla Viola Davis e Denzel Washington. De resto, ao que tudo indica, a briga pela categoria de melhor elenco está entre Manchester à Beira-Mar (líder de indicações e favorito na categoria de melhor ator) e Moonlight, os dois dramas mais celebrados da temporada.

Nas categorias individuais, a que sofreu uma boa mexida foi a de melhor atriz: com a exclusão de Annette Benning (20th Century Women), quem surpreendentemente ganhou a vaga foi Emily Blunt, que é ótima em A Garota no Trem, mas é feio vê-la concorrendo por um filme ruim, especialmente quando Isabelle Huppert (Elle) ficou de fora da disputa. Dando continuidade a sua boa semana, Florence: Quem é Essa Mulher? carimbou mais uma indicação para Meryl Streep (que cada vez mais se aproxima de uma vigésima indicação ao Oscar, já que a atriz também tem tudo para ganhar uma indicação ao BAFTA) e viu seu movimento de fraude para Hugh Grant dar certo com a nomeação do ator na categoria de coadjuvante. Entre os homens, quem ganha força é Andrew Garfield (Até o Último Homem), estabelecendo-se de vez em uma seleção já consolidada. Confira abaixo os indicados nas categorias de cinema:

MELHOR ELENCO
Capitão Fantástico
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós

Manchester à Beira-Mar
Moonlight

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emily Blunt (A Garota no Trem)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Dev Patel (Lion)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight)

Os indicados ao Globo de Ouro 2017

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O musical La La Land concorre em sete categorias do Globo de Ouro. Dirigido por Damien Chazelle, o filme estreia dia 19 de janeiro de 2017 nos cinemas brasileiros.

Após ter dominado as vitórias do Critics’ Choice Awards na noite do último domingo (11), o musical La La Land: Cantando Estações, de Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição), teve uma manhã de glória ao liderar a lista de indicados do Globo de Ouro 2017 na manhã de hoje (12). Com sete indicações, o filme estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling é seguido pelos dramas Moonlight e Manchester à Beira-Mar, com seis e cinco indicações respectivamente. Assinado pelo estilista Tom Ford (Direito de Amar), Animais Noturnos surgiu como uma relativa surpresa, principalmente se considerarmos as menções em direção, roteiro e ator coadjuvante (Aaron Taylor-Johnson tomando para si a vaga que supostamente era de Michael Shannon por esse filme). Estranhamente, o longa não foi lembrado na categoria de melhor filme, e não há lógica nisso se percebermos que Animais Noturnos foi lembrado em categorias cruciais da lista.

Pelo menos quatro longas perdem a força na temporada de premiações com a lista do Globo de Ouro: A Chegada, que ontem ganhou o Critics’ Choice de melhor roteiro adaptado e aqui não foi finalista na categoria (e nem em direção ou filme, como esperado); Um Limite Entre Nós, que precisou se contentar com as indicações de interpretação para Denzel Washington e Viola Davis quando o primeiro também era favorito para conquistar uma indicação também como melhor diretor; Jackie, que só ganhou lembrança para o desempenho de Natalie Portman (o que certamente já enfraquece a tese de que ela vencerá um segundo Oscar); e Silence, aguardado longa de Martin Scorsese que chegou a ser exibido aos votantes mas não entrou em uma categoria sequer. Surpresa na lista, Florence: Quem é Essa Mulher? não apenas estragou o bolão de todo mundo com a indicação de ator coadjuvante para Simon Helberg como se tornou o filme com mais indicações nas categorias de interpretação (Meryl Streep e Hugh Grant também são finalistas pelo longa de Stephen Frears).

Mesmo com Aquarius de fora (sério mesmo que não havia um espaço para o Brasil em uma seleção de filmes estrangeiros que conta com três produções da França?) e com a jornada aparentemente irrefreável de La La Land rumo ao Oscar, ainda há de se esperar algumas surpresas do Globo de Ouro, que não poupou algumas delas já nessa sua primeira etapa. A cerimônia de premiação acontece no dia 8 de janeiro de 2017, homenageando Meryl Streep pelo conjunto de sua obra com o troféu Cecil B. DeMille. Confira abaixo a lista de indicados na categoria de cinema: 

MELHOR FILME DRAMA
Até o Último Homem
Lion
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
A Qualquer Custo

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
20th Century Women
Deadpool
Florence: Quem é Essa Mulher?
La La Land: Cantando Estações

Sing Street

MELHOR ATRIZ DRAMA
Amy Adams (A Chegada)
Isabelle Huppert (Elle)
Jessica Chastain (Miss Sloane)
Natalie Portman (Jackie)
Ruth Negga (Loving)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Annette Bening (20th Century Women)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Hailee Steinfeld (The Edge of Seventeen)
Lily Collins (Rules Don’t Apply)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR ATOR DRAMA
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Joel Edgerton (Loving)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Colin Farrell (O Lagosta)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jonah Hill (Cães de Guerra)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Ryan Reynolds (Deadpool)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Mahershala Ali (Moonlight)
Simon Helberg (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Mel Gibson (Até o Último Homem)
Tom Ford (Animais Noturnos)

MELHOR ROTEIRO
Animais Noturnos
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

Moonlight
A Qualquer Custo

MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
My Life as a Zucchini
Sing: Quem Canta Seus Males Espanta
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“Can’t Stop the Feeling” (Trolls)
“Faith” (Sing: Quem Canta Seus Males Espanta)
“Gold” (Gold)
“How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
O Apartamento (Irã)
Divines (França)
Elle (França)
Neruda (Chile)
Toni Erdmann (Alemanha)

MELHOR TRILHA SONORA
A Chegada
Estrelas Além do Tempo
La La Land: Cantando Estações
Lion
Moonlight