Cinema e Argumento

Os indicados ao BAFTA 2017

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Mantendo a glória alcançada na última edição do Globo de Ouro, La La Land: Cantando Estações é o recordista de indicações ao BAFTA 2017.

Seguindo sua trajetória vitoriosa e aparentemente imbatível, La La Land: Cantando Estações agora também lidera a lista de indicados do BAFTA 2017. A seleção, revelada na manhã de hoje (10), surpreende pelos dois filmes que aparecem em segundo lugar no número de indicações (ambos com nove): A Chegada e Animais Noturnos. A significativa presença do primeiro é gratificante porque o preconceito com ficções é grande, mas o BAFTA não ligou muito para isso, levando o filme de Dennis Villeneuve para todas as categorias principais, o que é raro. Já o segundo não deixa de ser polêmico, uma vez que o filme de Tom Ford, celebrado desde o Festival de Veneza com o prêmio especial do júri, divide opiniões por onde passa. Novamente, não é muito comum um longa com essa natureza de recepção receber tantos confetes assim. No mais, Emily Blunt (A Garota no Trem) surge novamente como alternativa em uma lista sem Isabelle Huppert (aqui Elle não era elegível pois só estreia em março no Reino Unido) e Eu, Daniel Blake, de Ken Loach, ocupou a vaga de queridinho britânico do ano (talvez o maior em muitos anos). Os vencedores do BAFTA serão conhecidos no dia 12 de fevereiro. Confira abaixo a lista de indicados:

MELHOR FILME
A Chegada
Eu, Daniel Blake
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR DIREÇÃO
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Denis Villeneuve (A Chegada)
Ken Loach (Eu, Daniel Blake)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Tom Ford (Animais Noturnos)

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emily Blunt (A Garota no Trem)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Jake Gyllenhaal (Animais Noturnos)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Hayley Squires (Eu, Daniel Blake)
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
Nicole Kidman (Lion)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
A Qualquer Custo
Eu, Daniel Blake
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
Moonlight: Sob a Luz do Luar

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
A Chegada
Animais Noturnos
Estrelas Além do Tempo
Lion
Até o Último Homem

MELHOR FILME BRITÂNICO
American Honey
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Eu, Daniel Blake
Negação
Notes on Blindness
Sob a Sombra

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
Dheepan: O Refúgio (França)
O Filho de Saul (Hungria)
Julieta (Espanha)
Mustang (França)
Toni Erdmann (Alemanha)

MELHOR DOCUMENTÁRIO
A 13ª Emenda
The Beatles: Eight Days a Week – The Touring Years
The Eagle huntress
Notes on Blindness
Weiner

MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
Procurando Dory
Zootopia

MELHOR TRILHA SONORA
A Chegada
Animais Noturnos
Jackie
La La Land: Cantando Estações
Lion

MELHOR FOTOGRAFIA
A Chegada
A Qualquer Custo
Animais Noturnos
La La Land: Cantando Estações
Lion

MELHOR MONTAGEM
A Chegada
Animais Noturnos
Até o Último Homem
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Doutor Estranho
Florence: Quem é Essa Mulher?
Jackie
La La Land: Cantando Estações

MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Animais Noturnos
Até o Último Homem
Doutor Estranho
Florence: Quem é Essa Mulher?
Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR SOM
A Chegada
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Até o Último Homem
La La Land: Cantando Estações
Horizonte Profundo: Desastre no Golfo

MELHORES EFEITOS VISUAIS
A Chegada
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Doutor Estranho
Mogli: O Menino Lobo
Rogue One: Uma História Star Wars

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO BRITÂNICO
The Alan Dimension
A Love Story
Tough

MELHOR CURTA-METRAGEM BRITÂNICO
Consumed
Home
Mouth of Hell
The Party
Standby

BAFTA RISING STAR
Anya Taylor-Joy
Laia Costa
Lucas Hedges
Ruth Negga
Tom Holland

Passageiros

A drowning man will always try to drag you down with him.

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Direção: Morten Tyldum

Roteiro: Jon Spaihts

Elenco: Chris Pratt, Jennifer Lawrence, Michael Sheen, Laurence Fishburne, Andy Garcia, Vince Foster, Kara Flowers, Conor Brophy, Julee Cerda, Aurora Perrineau, Lauren Farmer

Passengers, EUA, 2016, Ficção Científica, 116 minutos

Sinopse: Durante uma viagem de rotina no espaço, dois passageiros são despertados 90 anos antes do tempo programado. Sozinhos, Jim (Chris Pratt) e Aurora (Jennifer Lawrence) começam a estreitar o seu relacionamento. Entretanto, a paz é ameaçada quando eles descobrem que a nave está correndo um sério risco e que eles são os únicos capazes de salvar os mais de cinco mil colegas em sono profundo. (Adoro Cinema)

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Não faz sentido Jennifer Lawrence estar em Passageiros. Feminista ferrenha, a estrela favorita do diretor David O. Russell topou participar de um filme cujas ideias contradizem tudo o que ela já defendeu sobre os direitos de escolha e igualidade da mulher. Para isso, precisamos fazer uma significativa alteração na sinopse: Passageiros é, na verdade, sobre um homem que, fadado a viver 90 anos sozinho em uma nave após ter acordado por acidente antes de seus outros 4.999 colegas, resolve despertar uma moça que acaba de se tornar sua mais nova paixão só de observá-la dormindo. Existem muitos absurdos nessa proposta. O primeiro deles é obviamente esse amor mal concebido do nosso “herói” por uma moça que ele passa a investigar obsessivamente através de vídeos disponíveis sobre ela no sistema da nave que viaja em piloto-automático sem nunca poder alterar sua rota. O segundo é ele considerar acordá-la com a justificativa de que precisa de companhia após quase um ano sozinho, quando, na verdade, tal decisão revela não uma necessidade de contato humano, mas sim uma necessidade de consumo: ele se apaixonou e quer essa mulher na sua vida de qualquer jeito. E, por fim, o terceiro é realmente despertá-la, condenando a moça não somente a morrer antes da nave chegar a um sonhado destino (afinal, são 90 anos em que eles precisam ficar na nave impossibilitados de voltar a dormir), mas também a conviver com ele sem saber que foi despertada para ser seu próximo par romântico. 

Sob o ponto de vista realmente correto (e contemporâneo), Passageiros contaria essa história questionando moralmente toda a situação. Já como está nos cinemas, o contexto é amplamente romantizado, comprovando que todas as outras fragilidades presentes no filme seriam mesmo inevitáveis para uma equipe que não percebe o problema de uma ideia já em suas linhas mais gerais. Dirigido sem qualquer personalidade por Morten Tyldum (não era de se esperar mesmo algo diferente de um diretor que vem do formalíssimo O Jogo da Imitação), Passageiros tem a esperteza de trazer dois grandes astros que, sim, em tese são os nomes apropriados para um filme dessa dimensão. Entretanto, era quase impossível imaginar que Chris Pratt (sem qualquer carisma depois de ter se transformado em um galã hollywoodiano de tanquinho bem definido) e Jennifer Lawrence (que tem se preservado depois de Jogos Vorazes e de sua temporada de indicações ao Oscar) não teriam química alguma em cena. Amigos na vida real, não existe qualquer chama entre os dois que possa de alguma forma compensar a equivocada proposta do roteiro de romantizar uma situação moralmente questionável. Com a ineficiência do trabalho de Pratt e Lawrence (individual ou em dupla), Passageiros passa a depender ainda mais de sua concepção estética e, claro, dos conflitos que estabelece em uma trama que se resume basicamente a um longo dueto. Novos poréns surgem na fórmula: não há muita imaginação no universo criado por Tyldum (e dizer que os efeitos visuais são bons é redundante, pois, no atual cenário tecnológico, isso não é menos do que a obrigação de uma ficção) e nem nas problematizações feitas na história, que frequentemente costuma se levar a sério.

Escrito por Jon Spaiths (autor da boa surpresa que foi o recente Doutor Estranho), Passageiros é um filme frágil em tudo o que estabelece narrativamente. Expositivo, faz com que Jim (Chris Pratt) diga sozinho e em voz alta coisas como “eu acordei 90 anos antes!”, verbalizando o que já havia sido compreendido pela plateia muitos minutos antes. Em termos de criar e resolver problemas, Spaiths não hesita em se utilizar das ferramentas mais fáceis possíveis, a exemplo da criação de uma máquina capaz de ressuscitar pessoas ou da rápida e gratuita aparição de um personagem cuja única função é desatar nós dramáticos (e o fato de ele ser interpretado por alguém da relevância de Laurence Fishburne só engana o espectador – no mau sentido – sobre as reais intenções do roteiro). Como bom alívio cômico, Michael Sheen é um dos saldos positivos de Passageiros ao dar vida a um robô que, infelizmente, também é sabotado pelo roteiro ao ser o responsável por inexplicavelmente revelar um segredo, como se, de repente, fosse uma máquina provida de algum senso moral e de justiça, o que não é muito bem explicado pelo filme. Quando o cinema recebe uma enxurrada cada vez maior de filmes passados no espaço (o trailer de outros dois – Vida e O Espaço Entre Nós – foram exibidos na minha sessão), é saudável ter um balanço entre obras mais complexas como Gravidade e o recente A Chegada e outras mais descompromissadas. A questão é que, em qualquer um dos casos, representações, por mais rasteiras que possam parecer, importam porque introjetam ideias em milhões de plateias. E Passageiros, que dá a sua protagonista o nome de Aurora (fazendo uma assumida referência A Bela Adormecida), acredita, em pleno 2017, que é mesmo necessário um “príncipe encantado” para salvar uma mocinha e torná-la uma nova pessoa com o “amor”. Aí realmente não dá para perdoar.

Os vencedores do Globo de Ouro 2017

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Maior surpresa (agradável) da noite, a francesa Isabelle Huppert foi a melhor atriz dramática por Elle.

Fazendo história, o Globo de Ouro desse domingo (08) reforçou o favoritismo absoluto do musical La La Land: Cantando Estações na temporada de premiações. O filme de Damien Chazelle (do já impressionante Whiplash: Em Busca da Perfeição) quebrou recordes e, vencendo todos as categorias em que concorria, se tornou o maior vencedor da história do prêmio em 74 anos, batendo os até então soberanos Um Estranho no Ninho e O Expresso da Meia-Noite, ambos com seis prêmios (alguns deles por categorias que já não existem mais, como ator revelação). Foram sete as vitórias: filme comédia/musical, direção, roteiro, ator e atriz em comédia/musical (Emma Stone e Ryan Gosling), trilha sonora e canção original (“City of Stars”). Se continuar nesse ritmo, La La Land devolverá aos estadunidenses o Oscar de direção (que há seis anos só vai para “estrangeiros”) e consagrará o diretor mais jovem da história do prêmio da Academia (Chazelle tem apenas 32 anos). Já os dramas Moonlight: Sob a Luz do Luar e Manchester à Beira-Mar tiveram que se contentar apenas com as estatuetas de melhor filme e ator drama (Casey Affleck), respectivamente.

Se o prêmio para Aaron Taylor-Johnson como ator coadjuvante por Animais Noturnos parecia o prelúdio de uma noite de desastres (é absurdo ele ser celebrado enquanto seu colega Michael Shannon sequer foi indicado e é até superior em cena), boas surpresas vieram ao longo da cerimônia, como a vitória do francês Elle na categoria de filme estrangeiro, dando um tapa de luva na caretice do Oscar que já excluiu o longa de Paul Verhoeven da lista de pré-selecionados de sua categoria. Enquanto o discurso emblemático da homenagem de Meryl Streep indicava que esse se firmaria como o momento mais emocionante da noite (não só pela linda introdução de Viola Davis, mas por tudo o que Meryl disse com uma elegância ímpar, sem trazer nada para si, da importância do ofício do ator a tudo de mais sombrio e nefasto que a eleição de Donald Trump traz para os Estados Unidos), eis que o Globo de Ouro revela uma maturidade ímpar ao entregar o prêmio de melhor atriz em drama para Isabelle Huppert (Elle). A francesa, que tem uma das carreiras mais prolíferas e emblemáticas da Europa (e do mundo), falou que não deveriam existir fronteiras quando o assunto é cinema. E só devemos agradecer ao fato de que o Globo de Ouro compreendeu essa ideia em um momento certo. Confira abaixo a lista de vencedores:

MELHOR FILME DRAMA: Moonlight: Sob a Luz do Luar
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ATRIZ DRAMA: Isabelle Huppert (Elle)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATOR DRAMA: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
MELHOR ROTEIRO: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ANIMAÇÃO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Elle (França)
MELHOR TRILHA SONORA: La La Land: Cantando Estações
MELHOR SÉRIE DRAMA: The Crown

MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Atlanta
MELHOR TELEFILME OU MINISSÉRIE: The People v. O.J. Simpson: American Crime Story
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Billy Bob Thornton (Goliath)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Tracee Ellis Ross (Black-ish)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Donald Glover (Atlanta)
MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATOR EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Tom Hiddleston (The Night Manager)
MELHOR ATOR EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Hugh Laurie (The Night Manager)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Olivia Colman (The Night Manager)

Apostas para o Globo de Ouro 2017

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Com apresentação de Jimmy Fallon, o Globo de Ouro revela nesse domingo (08) a sua lista de premiados. Até aqui, La La Land: Cantando Estações lidera as apostas por ser o líder de indicações com ampla vantagem, mas principalmente por ser o filme sensação da temporada. O filme de Damien Chazelle é aposta fácil em praticamente todas as categorias de comédia/musical. Entre os dramas, Moonlight: Sob a Luz do Luar e Manchester à Beira-Mar dividem o favoritismo, com o primeiro largando na frente após acumular uma série de prêmios vindos de associações de críticos. Confira abaixo, a nossa lista de apostas que ainda inclui seriados, minisséries e telefilmes. Lembrando que, aqui no Brasil, o Globo de Ouro é transmitido pela TNT a partir das 22h.

MELHOR FILME DRAMA: Moonlight: Sob a Luz do Luar / alt: Manchester à Beira-Mar
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: La La Land: Cantando Estações / alt: Deadpool
MELHOR ATRIZ DRAMA: Natalie Portman (Jackie) / alt: Amy Adams (A Chegada)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) / alt: Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
MELHOR ATOR DRAMA: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) / alt: Denzel Washington (Cercas)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações) / alt: Ryan Reynolds (Deadpool)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Cercas) / alt: Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) / alt: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações) / alt: Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ROTEIRO: Manchester à Beira-Mar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ANIMAÇÃO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho / alt: Moana: Um Mar de Aventuras
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações) / alt: “Can’t Stop the Feeling” (Trolls)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Toni Erdmann (Alemanha) / alt: O Apartamento (Irã)
MELHOR TRILHA SONORA: La La Land: Cantando Estações / alt: A Chegada
MELHOR SÉRIE DRAMA: Westworld / alt: The Crown

MELHOR SÉRIE COMÉDIA: Atlanta / alt: Mozart in the Jungle
MELHOR TELEFILME OU MINISSÉRIE: The People v. O.J. Simpson: American Crime Story / alt: The Night Of
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Evan Rachel Wood (Westworld) / alt: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Rami Malek (Mr. Robot) / alt: Matthew Rhys (The Americans)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Sarah Jessica Parker (Divorce)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Donald Glover (Atlanta) / alt: Jeffrey Tambor (Transparent)
MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: Kerry Washington (Confirmation)
MELHOR ATOR EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: John Turturro (The Night Of)
MELHOR ATOR EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: John Lithgow (The Crown) / alt: Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Thandie Newton (Westworld) / alt: Olivia Colman (The Night Manager)

Heroísmo sem prazo de validade

merylsthreeÉ proibido envelhecer em Hollywood. Mais ainda se o artista em questão tem uma carreira vitoriosa. Já foi dito sobre Madonna na música e podemos muito bem atribuir também a Meryl Streep no cinema: sua maior ousadia foi ter se permitido envelhecer na indústria. Imaginem então quando essa indústria é a dos Estados Unidos (a europeia é outro papo, ainda que qualquer prêmio para Maggie Smith por Downton Abbey seja vítima de críticas)! Em Hollywood, as grandes ou não viveram para contar novas histórias de glória (Vivien Leigh, por exemplo, morreu com apenas 54 anos) e outras que consideramos ícones chegaram ao fim da vida – e da carreira – sem um terço do prestígio que alcançaram ao início dela, como Bette Davis, cuja última indicação ao Oscar se deu 27 anos antes de sua morte, comprovando que, já à beira dos anos 1990, uma diva como ela já sofria para encontrar chances à altura apesar da constante atividade nas telas.

Só que Meryl Streep, que recebe, no próximo domingo (08), o troféu Cecil B. DeMille no Globo de Ouro em homenagem ao conjunto de sua obra, colocou abaixo tudo o que era predestinado para atrizes que, como ela, alcançam glória e sucesso quando jovens, mas parecem fadadas a estacionar sua relevância e reconhecimento em algum momento da filmografia. Hoje com 67 anos, Meryl segue trabalhando. E brilhando. Mais ainda: ganhando prêmios. Por isso mesmo é tão cobrada, e misteriosamente tão criticada. Heroísmo tem prazo de validade em Hollywood, o que com certeza está representado em sua figura. Se você é boa, já ganhou uma penca de prêmios e provou ser capaz de fazer qualquer papel, não pense duas vezes: ou você arrasa ou não será digna de qualquer coisa. Se estrear filme todo ano, então, a coisa só piora. Vira over, sem consistência, indigna de reconhecimento. No caso de Meryl, a cobrança ainda vai além: é preciso não somente que ela arrase a cada trabalho, mas que também esteja gravando com o alto escalão de Hollywood. Qualquer coisa abaixo desse escopo é motivo para chamá-la de superestimada, repetitiva e até mesmo preguiçosa.

Só quem não conhece a fundo a carreira de Meryl pode dizer que ela já foi uma atriz de grandes filmes e hoje decepciona nesse sentido. Com exceção de Kramer vs. Kramer (que, de fato, é um arraso e faturou importantes Oscars como os de filme, direção e roteiro), os papeis mais célebres da atrizes não estão em obras superlativas: A Escolha de Sofia envelheceu muito mal e é basicamente lembrado apenas pelo magnífico desempenho Meryl (com toda razão), As Pontes de Madison é amado ao redor do mundo, mas, na época, basicamente só foi indicado a prêmios de melhor atriz, O Diabo Veste Prada veio se tornar sensação apenas depois de muito tempo (desbancando as críticas mornas feitas ao filme na época de seu lançamento) e A Dama de Ferro, que lhe rendeu um terceiro Oscar, dispensa comentários pela ruindade. Se a exigência é ter Meryl fazendo filme grande, vamos lembrar de Entre Dois Amores, que também ganhou uma penca de Oscars (sete especificamente), mas que quase nunca é citado como um belo momento da carreira da atriz. Olhando em retrospecto, é muito simples: Meryl Streep escolhe papeis, não filmes. É fundamental entender isso antes de criticar a média de qualidade dos longas protagonizados por ela hoje (e só o fato de uma atriz com quase 70 anos lançar no mínimo um por ano em uma indústria sexista e intolerante ao envelhecimento já deveria ser algo a se comemorar).

golden-globe-the-iron-lady-4Perto de conseguir sua vigésima indicação ao Oscar pela comédia Florence: Quem é Essa Mulher? (e por isso a existência desse post, que tenta trazer um pouco de ponderação ao ânimos exaltados de muita gente que condena uma nova menção à atriz nos prêmios), Meryl Streep é frequentemente cobrada por não trabalhar com grandes diretores. Mas, afinal, onde estão os filmes de Woody Allen, Martin Scorsese e Quentin Tarantino não para Meryl, mas para qualquer atriz da idade dela? Eles simplesmente não existem. É por isso que ela precisa mesmo fazer filmes com Nancy Meyers, Phyllida Lloyd, David Frankel e Rob Marshall. Mesmo em papeis inferiores ao seu talento, continua na vitrine, trabalhando, exercitando talento e se mantendo ativa, o que já é infinitamente mais do que a média alcançada por outras colegas de sua geração. Há ainda a crítica de que ela monopoliza todos os papeis para intérpretes de sua idade, mas existe uma razão para isso além de sua excelência como atriz (afinal, muitas outras veteranas se equiparam sim a ela nesse quesito): ao longo da carreira, Meryl Streep construiu nome na indústria ao reivindicar salários melhores, palpitar na execução dos projetos que assinava e recusar papeis sexistas ou de pura figuração quando o envelhecimento bateu a sua porta. Claro que ser mulher em Hollywood é complicado, mas muito também vem do que a uma atriz se submete ou não. Recentemente, Robin Wright e Emmy Rossum deram um show quando ameaçaram não renovar para novas temporadas de House of Cards e Shameless, respectivamente, caso não passassem a receber salários iguais ao dos protagonistas masculinos. Venceram, e certamente serão lembradas por isso. Meryl Streep sempre compreendeu tal ideia desde sempre e, não à toa, o que colhe hoje é resultado de anos reforçando esse posicionamento.

Independente de fazer filmes incríveis, medianos ou horríveis (isso é muito relativo, pois acho, por exemplo, As Horas e Dúvida, verdadeiros filmaços), a veterana, ao consolidar diversidade e níveis muito grandes de atuação na carreira, vive hoje a bênção e a maldição de ser Meryl Streep. Mas é preciso um bom senso maior do público, que cobra aspectos fantasiosos ou que estão simplesmente fora do alcance da atriz. Em seu ofício, ela faz tudo muito bem – e, aqui ou ali, também se dá o direito de apenas se divertir ao entrar em um set de cinema. Um prazer para poucos. E se há excessos em prêmios, a culpa não é dela (que nunca faz campanha), e sim dos prêmios. Quando o Globo de Ouro exibir clipes de sua carreira amanhã, o que mais ficará evidente – e isso ninguém lhe pode tirar – é a absurda versatilidade de uma carreira rica em representações: do nazismo à gastronomia, passando por passarelas da moda e bruxarias na floresta, não há quem se equipare na riqueza de papeis. No caso dela, nesse momento específico do prêmio, a qualidade dos filmes dificilmente estará em questão. O que será lembrado é exclusivamente a inegável excelência alcançada por ela em uma infinidade de papeis ao longo de décadas e centenas de prêmios, comprovando que, ao contrário de quase todos os casos, o heroísmo de Meryl Streep não tem prazo de validade. Ainda bem.