Cinema e Argumento

Apostas para o Globo de Ouro 2017

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Com apresentação de Jimmy Fallon, o Globo de Ouro revela nesse domingo (08) a sua lista de premiados. Até aqui, La La Land: Cantando Estações lidera as apostas por ser o líder de indicações com ampla vantagem, mas principalmente por ser o filme sensação da temporada. O filme de Damien Chazelle é aposta fácil em praticamente todas as categorias de comédia/musical. Entre os dramas, Moonlight: Sob a Luz do LuarManchester à Beira-Mar dividem o favoritismo, com o primeiro largando na frente após acumular uma série de prêmios vindos de associações de críticos. Confira abaixo, a nossa lista de apostas que ainda inclui seriados, minisséries e telefilmes. Lembrando que, aqui no Brasil, o Globo de Ouro é transmitido pela TNT a partir das 22h.

MELHOR FILME DRAMA: Moonlight: Sob a Luz do Luar / alt: Manchester à Beira-Mar
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL: La La Land: Cantando Estações / alt: Deadpool
MELHOR ATRIZ DRAMA: Natalie Portman (Jackie) / alt: Amy Adams (A Chegada)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL: Emma Stone (La La Land: Cantando Estações) / alt: Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
MELHOR ATOR DRAMA: Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar) / alt: Denzel Washington (Cercas)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL: Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações) / alt: Ryan Reynolds (Deadpool)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Viola Davis (Cercas) / alt: Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Mahershala Ali (Moonlight: Sob a Luz do Luar) / alt: Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
MELHOR DIREÇÃO: Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações) / alt: Barry Jenkins (Moonlight: Sob a Luz do Luar)
MELHOR ROTEIRO: Manchester à Beira-Mar / alt: La La Land: Cantando Estações
MELHOR ANIMAÇÃO: Zootopia: Essa Cidade é o Bicho / alt: Moana: Um Mar de Aventuras
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “City of Stars” (La La Land: Cantando Estações) / alt: “Can’t Stop the Feeling” (Trolls)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Toni Erdmann (Alemanha) / alt: O Apartamento (Irã)
MELHOR TRILHA SONORALa La Land: Cantando Estações / alt: A Chegada
MELHOR SÉRIE DRAMAWestworld / alt: The Crown

MELHOR SÉRIE COMÉDIAAtlanta / alt: Mozart in the Jungle
MELHOR TELEFILME OU MINISSÉRIEThe People v. O.J. Simpson: American Crime Story / alt: The Night Of
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DRAMA: Evan Rachel Wood (Westworld) / alt: Claire Foy (The Crown)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DRAMA: Rami Malek (Mr. Robot) / alt: Matthew Rhys (The Americans)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Julia Louis-Dreyfus (Veep) / alt: Sarah Jessica Parker (Divorce)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Donald Glover (Atlanta) / alt: Jeffrey Tambor (Transparent)
MELHOR ATRIZ EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Sarah Paulson (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: Kerry Washington (Confirmation)
MELHOR ATOR EM TELEFILME OU MINISSÉRIE: Courtney B. Vance (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story) / alt: John Turturro (The Night Of)
MELHOR ATOR EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: John Lithgow (The Crown) / alt: Sterling K. Brown (The People v. O.J. Simpson: American Crime Story)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE, MINISSÉRIE OU TELEFILME: Thandie Newton (Westworld) / alt: Olivia Colman (The Night Manager)

Heroísmo sem prazo de validade

merylsthreeÉ proibido envelhecer em Hollywood. Mais ainda se o artista em questão tem uma carreira vitoriosa. Já foi dito sobre Madonna na música e podemos muito bem atribuir também a Meryl Streep no cinema: sua maior ousadia foi ter se permitido envelhecer na indústria. Imaginem então quando essa indústria é a dos Estados Unidos (a europeia é outro papo, ainda que qualquer prêmio para Maggie Smith por Downton Abbey seja vítima de críticas)! Em Hollywood, as grandes ou não viveram para contar novas histórias de glória (Vivien Leigh, por exemplo, morreu com apenas 54 anos) e outras que consideramos ícones chegaram ao fim da vida – e da carreira – sem um terço do prestígio que alcançaram ao início dela, como Bette Davis, cuja última indicação ao Oscar se deu 27 anos antes de sua morte, comprovando que, já à beira dos anos 1990, uma diva como ela já sofria para encontrar chances à altura apesar da constante atividade nas telas.

Só que Meryl Streep, que recebe, no próximo domingo (08), o troféu Cecil B. DeMille no Globo de Ouro em homenagem ao conjunto de sua obra, colocou abaixo tudo o que era predestinado para atrizes que, como ela, alcançam glória e sucesso quando jovens, mas parecem fadadas a estacionar sua relevância e reconhecimento em algum momento da filmografia. Hoje com 67 anos, Meryl segue trabalhando. E brilhando. Mais ainda: ganhando prêmios. Por isso mesmo é tão cobrada, e misteriosamente tão criticada. Heroísmo tem prazo de validade em Hollywood, o que com certeza está representado em sua figura. Se você é boa, já ganhou uma penca de prêmios e provou ser capaz de fazer qualquer papel, não pense duas vezes: ou você arrasa ou não será digna de qualquer coisa. Se estrear filme todo ano, então, a coisa só piora. Vira over, sem consistência, indigna de reconhecimento. No caso de Meryl, a cobrança ainda vai além: é preciso não somente que ela arrase a cada trabalho, mas que também esteja gravando com o alto escalão de Hollywood. Qualquer coisa abaixo desse escopo é motivo para chamá-la de superestimada, repetitiva e até mesmo preguiçosa.

Só quem não conhece a fundo a carreira de Meryl pode dizer que ela já foi uma atriz de grandes filmes e hoje decepciona nesse sentido. Com exceção de Kramer vs. Kramer (que, de fato, é um arraso e faturou importantes Oscars como os de filme, direção e roteiro), os papeis mais célebres da atrizes não estão em obras superlativas: A Escolha de Sofia envelheceu muito mal e é basicamente lembrado apenas pelo magnífico desempenho Meryl (com toda razão), As Pontes de Madison é amado ao redor do mundo, mas, na época, basicamente só foi indicado a prêmios de melhor atriz, O Diabo Veste Prada veio se tornar sensação apenas depois de muito tempo (desbancando as críticas mornas feitas ao filme na época de seu lançamento) e A Dama de Ferro, que lhe rendeu um terceiro Oscar, dispensa comentários pela ruindade. Se a exigência é ter Meryl fazendo filme grande, vamos lembrar de Entre Dois Amores, que também ganhou uma penca de Oscars (sete especificamente), mas que quase nunca é citado como um belo momento da carreira da atriz. Olhando em retrospecto, é muito simples: Meryl Streep escolhe papeis, não filmes. É fundamental entender isso antes de criticar a média de qualidade dos longas protagonizados por ela hoje (e só o fato de uma atriz com quase 70 anos lançar no mínimo um por ano em uma indústria sexista e intolerante ao envelhecimento já deveria ser algo a se comemorar).

golden-globe-the-iron-lady-4Perto de conseguir sua vigésima indicação ao Oscar pela comédia Florence: Quem é Essa Mulher? (e por isso a existência desse post, que tenta trazer um pouco de ponderação ao ânimos exaltados de muita gente que condena uma nova menção à atriz nos prêmios), Meryl Streep é frequentemente cobrada por não trabalhar com grandes diretores. Mas, afinal, onde estão os filmes de Woody Allen, Martin Scorsese e Quentin Tarantino não para Meryl, mas para qualquer atriz da idade dela? Eles simplesmente não existem. É por isso que ela precisa mesmo fazer filmes com Nancy Meyers, Phyllida Lloyd, David Frankel e Rob Marshall. Mesmo em papeis inferiores ao seu talento, continua na vitrine, trabalhando, exercitando talento e se mantendo ativa, o que já é infinitamente mais do que a média alcançada por outras colegas de sua geração. Há ainda a crítica de que ela monopoliza todos os papeis para intérpretes de sua idade, mas existe uma razão para isso além de sua excelência como atriz (afinal, muitas outras veteranas se equiparam sim a ela nesse quesito): ao longo da carreira, Meryl Streep construiu nome na indústria ao reivindicar salários melhores, palpitar na execução dos projetos que assinava e recusar papeis sexistas ou de pura figuração quando o envelhecimento bateu a sua porta. Claro que ser mulher em Hollywood é complicado, mas muito também vem do que a uma atriz se submete ou não. Recentemente, Robin Wright e Emmy Rossum deram um show quando ameaçaram não renovar para novas temporadas de House of CardsShameless, respectivamente, caso não passassem a receber salários iguais ao dos protagonistas masculinos. Venceram, e certamente serão lembradas por isso. Meryl Streep sempre compreendeu tal ideia desde sempre e, não à toa, o que colhe hoje é resultado de anos reforçando esse posicionamento.

Independente de fazer filmes incríveis, medianos ou horríveis (isso é muito relativo, pois acho, por exemplo, As HorasDúvida, verdadeiros filmaços), a veterana, ao consolidar diversidade e níveis muito grandes de atuação na carreira, vive hoje a bênção e a maldição de ser Meryl Streep. Mas é preciso um bom senso maior do público, que cobra aspectos fantasiosos ou que estão simplesmente fora do alcance da atriz. Em seu ofício, ela faz tudo muito bem – e, aqui ou ali, também se dá o direito de apenas se divertir ao entrar em um set de cinema. Um prazer para poucos. E se há excessos em prêmios, a culpa não é dela (que nunca faz campanha), e sim dos prêmios. Quando o Globo de Ouro exibir clipes de sua carreira amanhã, o que mais ficará evidente – e isso ninguém lhe pode tirar – é a absurda versatilidade de uma carreira rica em representações: do nazismo à gastronomia, passando por passarelas da moda e bruxarias na floresta, não há quem se equipare na riqueza de papeis. No caso dela, nesse momento específico do prêmio, a qualidade dos filmes dificilmente estará em questão. O que será lembrado é exclusivamente a inegável excelência alcançada por ela em uma infinidade de papeis ao longo de décadas e centenas de prêmios, comprovando que, ao contrário de quase todos os casos, o heroísmo de Meryl Streep não tem prazo de validade. Ainda bem.

Melhores de 2016 – Maquiagem e Penteados

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Se como um todo Ave, César! divide opiniões, não há como negar a excelência da reconstituição de época que o filme faz da Hollywood dos anos 1950. E o trabalho técnico se torna ainda mais interessante porque a história captura os bastidores da indústria cinematográfica, o que abre um extenso leque de criação para segmentos como o de maquiagem e penteados, por exemplo. O trabalho da dupla Cydney Cornell e Jean Black para recriar o visual da época nesse sentido é fruto de uma grande temporada de pesquisa que abrange desde filmes como Quo Vadis ao visual de estrelas como Esther Williams e Roy Rogers. Na maquiagem e nos penteados, Cornell e Black realmente imergem astros como Channing Tatum e Scarlett Johansson na era de ouro do cinema da década de 1950, fazendo com que eles pareçam teletransportados diretamente de lá. E se a dupla ainda teve o desafio de trabalhar Tilda Swinton no papel de irmãs gêmeas com personalidades distintas, é importante valorizar outras grandes dimensões quantidade: Ave, César, por registrar os bastidores de um épico, conta com uma grande quantidade de figurantes, exigindo da maquiagem uma infinidade de borrifadas de spray para garantir um bronzeamento coletivo e convincente. Ainda disputavam a categoriaFlorence: Quem é Essa Mulher? e A Garota Dinamarquesa.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 A Morte do Demônio | 2012 – A Dama de Ferro (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2016 – Efeitos Visuais

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Doutor Estranho é um sopro de criatividade na fatigada lista de adaptações de quadrinhos para o cinema. Bem humorado e eficiente, o filme de Scott Derrickson também surpreende pela parte técnica, que dá vida a um universo muito particular de forma completamente instigante. Os efeitos visuais têm missão fundamental nessa jornada, pois nunca soam artificiais mesmo quando o longa precisar tomar escalas mais impressionantes: as cenas em que os protagonistas embaralham cidades ao brincar com suas dimensões são de tirar o fôlego pelo requinte técnico e pela originalidade. Não é sempre que heróis e vilões travam combates tão interessantes esteticamente, e Doutor Estranho, a partir da criatividade de seus efeitos, consegue se destacar nesse marasmo de filmes de quadrinhos que parecem todos iguais. Ainda disputavam a categoriaAnimais Fantásticos e Onde Habitam e Deadpool.

EM ANOS ANTERIORES: 2015 Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 Planeta dos Macacos: O Confronto | 2013 – Gravidade | 2012 O Hobbit: Uma Jornada Inesperada | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 Tron: O Legado | 2009 Avatar (primeiro ano da categoria)

Melhores de 2016 – Atriz Coadjuvante

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Não é por abandonar qualquer glamour que enalteça sua beleza já natural que Juliana Paes é uma grande revelação em A Despedida. Carismática atriz ela sempre foi, mas aqui encontra o trabalho mais íntimo de sua carreira, construindo uma personagem cuja dramaticidade vem quase inteiramente de dentro para fora. É lançando um olhar carinhoso sem que isso se confunda com piedade ou arquitetando secretamente momentos de generosidade para que Almirante (Nelson Xavier), seu amante 55 anos mais velho, não se sinta enfraquecido e até mesmo inválido que Juliana Paes constrói uma personagem fascinante: apesar de nova, sua Fátima é uma mulher visivelmente calejada e triste que se ilumina por completo com a mais atípica das paixões. Ao contrário do que se poderia esperar, principalmente pela disparidade de idade, não há um momento sequer de A Despedida em que o espectador duvide de sua paixão por Almirante. Afinal, para ela, hombridade não está na idade – e sim na retidão de caráter, no carinho, na integridade. E bastam cerca de meros vinte minutos (no belíssimo ato final do filme) para que ela permaneça na memória tanto quanto o protagonista. Ainda disputavam a categoria: Anya Taylor-Joy (A Bruxa), Jane Fonda (A Juventude), Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados) e Kate Winslet (Steve Jobs).

EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Kristen Stewart (Acima das Nuvens) | 2014 – Lesley Manville (Mais Um Ano) | 2013 – Helen Hunt (As Sessões) | 2012 – Viola Davis (Histórias Cruzadas)| 2011 – Amy Adams (O Vencedor| 2010 – Marion Cotillard (Nine| 2009 – Kate Winslet (O Leitor| 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro| 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)