Cinema e Argumento

Melhores de 2009 – Atriz

Em 2009, Kate Winslet pode não ter apresentado os melhores personagens, mas certamente arrebentou nos dois filmes que participou. A atriz é o que existe de melhor no mediano Foi Apenas Um Sonho. Se, às vezes, as dicussões dos protagonistas soam irritantes e Leonardo DiCaprio sai fora de tom, é Kate quem vem para salvar o dia. Oscilando entre explosões sentimentais e expressões contidas, a inglesa tem aqui uma interpretação genial, digna do maior número de elogios possíveis. É por ela que o filme de Sam Mendes vale a pena. Kate Winslet recebe sua terceira indicação aqui no blog e essa é a sua segunda vitória (venceu ainda esse ano como coadjuvante por outro ótima performance em O Leitor). Anteriormente: 2006 – Felicity Huffman (Transamérica), 2007 – Marion Cotillard (Piaf – Um Hino ao Amor) e 2008 – Meryl Streep (Mamma Mia!, escolha dos leitores: idem).

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MERYL STREEP (Julie & Julia)

Mais uma vez a atual musa do cinema entrega uma excelente performance em uma comédia. É prazeroso ver Streep alternando entre papéis densos, como o de Dúvida, e outros tão desconstraídos como esse de Julie & Julia. Streep apresenta um notável trabalho vocal e corporal (muito alta, desengonçada e ofegante), além de ter um timing cômico na medida para a personagem. Confesso que está longe de ser um dos grandes papéis contemporâneos da atriz, mas não dá pra ficar indiferente com uma aparição tão fora do habitual e radiante como essa.

MELISSA LEO (Rio Congelado)

O sofrimento está estampado no rosto de Melissa Leo em Rio Congelado. Logo na primeira cena já notamos o quão sofrida é a personagem. Na medida em que o filme se desenvolve, confirmamos isso – a jornada dela é de pura luta, com muitos dramas e dificuldades. Leo soube administrar a abordagem com uma habilidade absurda. Ela é mais um exemplo de que o cinema independente ainda tem muitos talentos que não são conhecidos. A atriz foi uma das privilegiadas que obteve merecido reconhecimento.

KRISTIN SCOTT THOMAS (Há Tanto Tempo Que Te Amo)

É aquele tipo de atuação que não é muito valorizada. Kristin Scott Thomas está contida em Há Tanto Tempo Que Te Amo. A atriz se comunica com o espectador através de expressões sucintas, o que leva muita gente a acreditar que não está diante de uma ótima interpretação. Pura heresia, já que é exatamente aí que está o brilhantismo da atriz. Thomas segura com perfeição as rédeas da difícil personagem, trazendo, assim, um desempenho muito digno de reconhecimento.

MERYL STREEP (Dúvida)

Acusada de cometer exageros e de estar descontrolada, Streep foi muito questionada por sua atuação em Dúvida. Mas também muito elogiada. Não sou daquele grupo que acha que aqui ela está em um momento excepcional, mas, com certeza, está suficientemente ótima para figurar entre as melhores do ano. O maior mérito da atriz é fazer com que o espectador reconheça a sua ótima interpretação mesmo que ela esteja sob a pele de uma personagem antipática e que causa repulsa. Com duas indicações esse ano, Streep se torna a recordista do prêmio do blog, com seis indicações e duas vitórias.

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Escolha do público:

1. Kate Winslet, Foi Apenas Um Sonho (60%, 24 votos)

2. Meryl Streep, Julie & Julia (15%, 6 votos)

3. Meryl Streep, Dúvida (15%, 6 votos)

4. Kristin Scott Thomas, Há Tanto Tempo Que Te Amo (8%, 3 votos)

5. Melissa Leo, Rio Congelado (3%, 1 voto)

Melhores de 2009 – Montagem

Depois da direção de Danny Boyle, talvez a montagem seja o aspecto mais admirável de Quem Quer Ser Um Milionário?. São esses dois setores que tornam a história do protagonista tão dinâmica na parte técnica. De todos os filmes de 2009, nenhum apresentou uma montagem tão ágil como essa. Ela é fundamental não só para os flashbacks que são intercalados com precisão para explicar a atual situação de Jamal (Dev Patel), mas também para mostrar de forma muito interessante o difícil cotidiano da Índia – tanto no passado quanto no presente. Em anos anteriores: 2007 – O Ultimato Bourne e 2008 – Onde os Fracos Não Têm Vez.

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GUERRA AO TERROR

Filmes de guerra, na maioria das vezes, são favorecidos no setor de montagem. Pra falar bem a verdade, nem sei se Guerra ao Terror é brilhante nesse aspecto. Mas, assim como todos os outros filmes desse gênero, foi uma produção que me conquistou nesse setor.

FROST/NIXON

Toda a agilidade dos tensos debates entre David Frost (Michael Shannon) e Richard Nixon (Frank Langella) são frutos de uma edição muito dinâmica. Cada plano comandado por Ron Howard e cada enquadramento de câmera foram unidos perfeitamente pela montagem – que surpreendeu para um filme desse estilo.

AVATAR

Falar bem de qualquer aspecto técnico de Avatar é cair no lugar comum. Não é diferente com a montagem – que, talvez seja a parte técnica mais subestimada do filme. Enquanto todos prestam a atenção nos efeitos, quase ninguém se lembra que a edição é outro fator fundamental e bem orquestrado do filme de Cameron.

DISTRITO 9

Filme de maiores méritos técnicos do que qualquer outra coisa, Distrito 9 acertou em cheio na hora da montagem. Bem utilizada nos momentos de ação e também na hora de retratar o bizarro mundo criado em cena, esse artifício foi o que trouxe um aspecto, digamos, mais “realista” para a produção.

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Escolha do público:

1. Quem Quer Ser Um Milionário? (38%, 16 votos)

2. Avatar (31%, 13 votos)

3. Frost/Nixon (14%, 6 votos)

4. Distrito 9 (10%, 4 votos)

5. Guerra ao Terror (7%, 3 votos)

Melhores de 2009 – Elenco

Pode até parecer clichê chamar de excepcional o elenco de Dúvida. Mas a verdade é que, além de atores extraordinários, todos eles estão em ótimos momentos. Meryl Streep, Philip Seymour Hoffman, Amy Adams e  Viola Davis estão em plena sintonia. Ninguém ofusca ninguém. Todos possuem momentos de brilhantismo, cenas respeitáveis ou momentos significativos. Coroamento irrempreensível para um grupo de atores que não foi reconhecido como deveria na temporada de premiações. Fazia tempo que um filme não apresentava um trabalho de atores tão magnético. E alguém me explica como eles perderam o prêmio de melhor elenco no SAG?! Anteriormente: 2006 – Pequena Miss Sunshine, 2007 – Bobby, e 2008 – Vicky Cristina Barcelona (escolha dos leitores: Queime Depois de Ler).

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O CASAMENTO DE RACHEL

Temos outro conjunto de atores que também apresentou um entrosamento respeitável no ano de 2009. Em O Casamento de Rachel encontramos a voracidade dos sentimentos familiares estampados nas atuações de cada um dos atores. É uma pena que somente a ótima Anne Hathaway tenha sido lembrada, uma vez temos outros nomes que se destacam na produção, como a inspirada Rosemarie DeWitt (talvez, a melhor) e o ótimo Bill Irwin.

MILK – A VOZ DA IGUALDADE

Milk – A Voz da Igualdade segue o mesmo estilo de elenco dos dois filmes já citados nessa categoria. É um conjunto cheio de ótimos atores – mesmo que Sean Penn seja, claramente, a grande estrela. Vale ressaltar nomes como Emile Hirsch e Josh Brolin, os coadjuvantes mais interessantes da história em termos de atuação. O filme não é lá essas coisas e foi superestimado. Porém, é o elenco que dá para o longa de Gus Van Sant um saldo positivo.

BASTARDOS INGLÓRIOS

O único grande desempenho de Bastardos Inglórios vem de Christoph Waltz, mas não dá pra negar que o conjuto de atores do filme de Tarantino é excelente. Seguem ótimas atuações de Mélanie Laurent, Daniel Brühl e Diane Krueger, todos excelentes. O único porém do excelente elenco é Brad Pitt, que está caricato em excesso. São os atores que conseguem, de certa forma, salvar parcialmente o filme de Tarantino quando o roteiro resolve ficar monótono.

O LEITOR

Criticado por ter roubado a vaga de Batman – O Cavaleiro das Trevas na categoria principal do Oscar, O Leitor não foi apreciado como merecia. Só teve reconhecimento para Kate Winslet, que está em grande desempenho. Mas, não é só ela que tem ótimos momentos. O jovem David Kross surge intenso, Ralph Fiennes preciso nas dúvidas de seu personagem e até Lena Olin e Bruno Ganz, em pequenas aparições, estão excelentes.

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Escolha do público:

1. Dúvida (47%, 25 votos)

2. Bastardos Inglórios (34%, 18 votos)

3. O Leitor (9%, 5 votos)

4. O Casamento de Rachel (8%, 4 votos)

5. Milk – A Voz da Igualdade (2%, 1 voto)

Melhores de 2009 – Roteiro Original

(500) Dias Com Ela não só é um dos melhores filmes do ano, também é o mais adorável. Foi uma grata surpresa trazida pelo diretor Marc Webb, que entregou um dos filmes mais queridos pelo público esse ano. Não é só pelo fato de ser simpático que (500) Dias Com Ela conquistou. O longa conta uma história de amor num formato bem diferente. É certo que o tom romântico está presente, mas na realidade estamos diante de uma história triste e emotiva. O roteiro, no final das contas, acerta em praticamente tudo: desde os rumos tomados na história até os personagens bem construídos. Sem falar, claro, de algumas cenas únicas, em especial aquela envolvendo realidade X expectativa. Em anos anteriores: 2006 – Pequena Miss Sunshine, 2007 – Ratatouille e 2008 – WALL-E.

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UP – ALTAS AVENTURAS

Up – Altas Aventuras, como já foi dito por aqui, não é o melhor que a Pixar realizou nos últimos tempos, mas possui o roteiro mais emocionante de todos. É impressionante como o estúdio conseguiu criar uma abordagem totalmente adulta para as memórias emotivas do protagonista e ainda assim colocar um boa dose de humor e aventura na trama. E isso já o credencia como um dos melhores roteiros originais do ano.

AVATAR

Não sou um dos grandes defensores de Avatar e muito menos enxergo no roteiro toda a filosofia que andam apontando por aí. Mas, não posso negar que a história é muito bem conduzida. De forma segura, o roteiro transita com habilidade entre o drama e a aventura nas suas quase três horas de duração. Cameron pode ser simplista no texto, mas nem por isso deixa de ser eficaz.

A GAROTA IDEAL

O cinema independente volta a figurar a lista de melhores roteiros do ano com um drama. Apesar da comédia ser o gênero mais popular dessas pequenas produções, o drama também se consolida como dono de textos muito bem trabalhados. A Garota Ideal não foge disso e consegue dramatizar com muita competência uma história que poderia ser apenas cômica em sua essência.

A PARTIDA

A Partida foi uma das melhores surpresas de 2009 e grande parte dos méritos desse filme vai para o ótimo roteiro, que dosa muito bem uma dramaticidade interessante com alguns momentos cômicos. A temática poderia cair no lugar comum e até mesmo soar como um tipo de cópia do seriado Six Feet Under. Mas isso não aconteceu. O roteiro de A Partida tem autonomia e muita segurança.

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Escolha do público:

1. (500) Dias Com Ela (54%, 22 votos)

2. A Garota Ideal (15%, 6 votos)

3. Up – Altas Aventuras (12%, 5 votos)

4. A Partida (10%, 4 votos)

5. Avatar (10%, 4 votos)

Melhores de 2009 – Roteiro Adaptado

Só a origem teatral de Dúvida já explicaria a excelência do roteiro. A peça, que venceu o Pullitzer, foi adaptada pela própria pessoa que a criou para os palcos. John Patrick Shanley, portanto, tem sim seus erros na direção  – já que ele deixa a sensação de que simplesmente filmou uma peça e não necessariamente trouxe atributos cinematográficos para a história – mas é impossível negar que o roteiro é um dos mais excepcionais dos últimos tempos. Para mim, o mais impecável desse ano. Não existe uma cena desnecessária em Dúvida e cada diálogo é milimetricamente construído para maximizar as brilhantes interpretações e a ótima trama. A história é bem conduzida, existem algumas discussões geniais (o sermão sobre a fofoca, por exemplo, é maravilhoso) e o desenvolvimento é repleto de grandes momentos. Um trabalho exemplar. Em anos anteriores: 2006 – Filhos da Esperança, 2007 – Notas Sobre Um Escândaloe 2008 – Desejo e Reparação (escolha do público: Ensaio Sobre a Cegueira)

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O LEITOR

Não sei se O Leitor tem alguma originalidade narrativa, mas é dono de uma excelente adaptação. Ainda existem alguns erros de ritmo – especialmente depois de sua metade, mas nada que estrague o ótimo trabalho de David Hare (da obra-prima As Horas), que conseguiu mais uma indicação ao Oscar por seu trabalho. Se o tratamento de algumas cenas é frio como a maioria dos cinéfilos aponta, a culpa não é do roteiro – que faz de tudo para envolver o espectador nas emoções do protagonista Michael Berg.

QUEM QUER SER UM MILIONÁRIO?

Existe algo de empolgante no roteiro de Quem Quer Ser Um Milionário?. Só isso para explicar o fato de eu ter me envolvido bastante com uma história narrada em flashbacks e cheia de coincidências. A princípio, pode parecer que não é mérito do texto. O que não é verdade. O trabalho de adaptação do filme merece elogios, pois conseguiu o feito de transformar uma história aparentemente clichê em algo muito prazeroso de se assistir.

O CURIOSO CASO DE BENJAMIN BUTTON

Dos cinco indicados na categoria, esse roteiro é, provavelmente, o que mais apresenta alguns problemas. Acho que a história perde muito com algumas narrativas (especialmente aquela dos marinheiros) e com a longa duração. Mas, não consigo deixar de elogiá-lo e de colocá-lo como um dos melhores do ano. É louvável a mensagem que o filme quer passar e, nos seus momentos finais, faz isso com muito sentimentalismo e competência – ou melhor, com perfeição.

FROST/NIXON

Mais um roteiro de origem teatral. O texto é o maior mérito de Frost/Nixon, que encontra toda a sua força no embate travado entre os dois protagonistas. Frank Langella e Michael Sheen estão ótimos, mas boa parte da excelência vem do roteiro, que traz diálogos muito inteligentes e que proporcionam conflitos igualmente competentes para as figuras em cena. É um texto bem escrito, politizado da maneira correta e com uma verossimilhança única.

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Escolha do público:

1. Quem Quer Ser Um Milionário? (31%, 22 votos)

2. Dúvida (29%, 21 votos)

3. Frost/Nixon (29%, 21 votos)

4. O Leitor (8%, 6 votos)

5. O Curioso Caso de Benjamin Button (3%, 2 votos)