Melhores de 2012 – Fotografia

Você pode até não se entusiasmar com As Aventuras de Pi como um todo, mas é impossível deixar de reconhecer a belíssima técnica do filme. Da trilha de Mychael Danna aos impecáveis efeitos visuais, o que mais se destaca na parte técnica é a fotografia do chileno Claudio Miranda, premiado com o Oscar 2013 na respectiva categoria. Ele, que já havia feito um ótimo trabalho em O Curioso Caso de Benjamin Button, consegue se superar em As Aventuras de Pi, ajudando o filme de Ang Lee a se tornar uma experiência visualmente impecável. Não são apenas as cenas mais “apelativas” (o voo da baleia, os peixes voadores, o pôr-do-sol em alto mar) que parecem perfeitas pinturas, mas a própria forma como Miranda enquadra o jovem Pi Patel. Sempre compreendendo que, apesar das paisagens tentadoras, o filme não pode se tornar apenas uma exploração das mesmas, ele nos deixa sempre muito próximos do protagonista – o que mostra uma total compreensão da proposta do roteiro de David Magee e da direção de Ang Lee. Um trabalho que se presta a explorar todas as possibilidades visuais e detalhistas daquele universo e que sempre nos lembra que uma fotografia não deve ser um destaque à parte: ela precisa traduzir e, acima de tudo, complementar as ideias da história contada.
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OUTROS INDICADOS:
A fotografia de 007 – Operação Skyfall é um dos pontos altos da carreira do mestre Roger Deakins / Evocando as tonalidades de preto-e-branco do time Botafogo, a fotografia de Heleno é minuciosa e traz um inegável charme ao filme estrelado por Rodrigo Santoro / O impecável trabalho técnico de A Invenção de Hugo Cabret também é muito bem explorado pelo trabalho do fotógrafo Robert Richardson / Em plena sintonia com a direção de arte e com o mundo idealizado por Wes Anderson, a fotografia de Moonrise Kingdom é fundamental para a criação do clima nostálgico presente na obra.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – A Árvore da Vida | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Quem Quer Ser Um Milionário? | 2008 – Ensaio Sobre a Cegueira
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Moonrise Kingdom (35.71%, 15 votos)
2. As Aventuras de Pi (30.95%, 13 votos)
3. 007 – Operação Skyfall (16.67%, 7 votos)
4. A Invenção de Hugo Cabret (11.09%, 5 votos)
5. Heleno (4.76%, 2 votos)
Melhores de 2012 – Efeitos Visuais

O Hobbit: Uma Jornada Inesperada é esse filme de excessos narrativos que todos nós vimos. Mas não é um encanto voltar à Terra Média? Impressionante como no mais novo filme de Peter Jackson nos sentimos dentro do mesmo universo de O Senhor dos Aneis. Muito em função dos efeitos visuais: os longas anteriores não envelheceram e essa nova adaptação de uma obra de R.J.J. Tolkien utiliza os mesmos princípios que vimos na consagrada trilogia de Jackson. Não está necessariamente errado quem diz que O Hobbit é mais do mesmo nesse quesito. No entanto, é meio injusto deixar de reconhecer que esse é um filme que apresenta um mesmo mundo de anos atrás com exatamente o mesmo encantamento. Efeitos primorosos, detalhistas e sempre muito realistas – para os padrões da Terra Média, claro. Qual o problema da repetição quando ela é simplesmente grandiosa?
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OUTROS INDICADOS:
Do impecável naufrágio aos detalhes do tigre Richard Parker, os efeitos visuais de As Aventuras de Pi contribuem para a instigante viagem visual que é o filme de Ang Lee / Como não ficar sem fôlego com o impressionante trabalho de efeitos na cena do tsunami em O Impossível? / Como podemos ver em Prometheus, o senso de Ridley Scott para efeitos visuais continua intacto / Se Os Vingadores não foi lá uma maravilha de filme, mas pelo menos apresentou efeitos bastante dignos.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. As Aventuras de Pi (61.76%, 21 votos)
2. O Impossível (11.76%, 4 votos)
3. Os Vingadores (11.76%, 4 votos)
4. Prometheus (8.82%, 3 votos)
5. O Hobbit: Uma Jornada Inesperada (5.88%, 2 votos)
Melhores de 2012 – Figurino

Madonna não poderia chamar outra pessoa para fazer os figurinos de W.E. – O Romance do Século. Afinal, Arianne Phillips atende a todos os requisitos da Rainha do Pop: as duas já trabalharam juntas em turnês da cantora e Arianne, entre vários figurinos que fez para o cinema, já foi indicada ao Oscar (por Johnny & June) e fez parceria com Tom Ford em Direito de Amar (filme que é escancaradamente uma referência estética para Madonna). Escolha acertada porque, apesar de W.E. – O Romance do Século ser um filme mal executado do ponto de vista narrativo, a diretora foi certeira nas escolhas que fez para o lado técnico de seu filme. É particularmente notável como Arianne Phillips conseguiu criar um guarda-roupa deslumbrante mas também cheio de sutilezas. Todo o figurino do filme é impressionante, mas nunca over ou tentando ser um elemento à parte de W.E. Transitando muito bem entre as duas épocas trabalhadas por Madonna, ela achou o equilíbrio certo entre a sofisticação e a simplicidade. E o resultado é de tirar o chapéu!
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OUTROS INDICADOS:

O Artista é um excelente exemplo de como um figurino de época pode ser requintado sem cair no previsível / Em Histórias Cruzadas, Sharen Davis reproduziu com discrição os figurinos da Mississipi dos anos 1960 / O encantador trabalho técnico de A Invenção de Hugo Cabret também se deve aos figurinos de Sandy Powell / Jane Eyre é outro filme de época com figurino super singelo e eficiente.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. O Artista (40%, 12 votos)
2. A Invenção de Hugo Cabret (23.33%, 7 votos)
3. Jane Eyre (20%, 6 votos)
4. W.E. – O Romance do Século (10%, 3 votos)
5. Histórias Cruzadas (6.67%, 2 votos)
Melhores de 2012 – Edição/Mixagem de Som

007 – Operação Skyfall surpreendeu por ser uma homenagem ao clássico James Bond e, ao mesmo tempo, uma excelente reinvenção. Só que, de quebra, o filme de Sam Mendes ainda inovou no lado técnico. Se a bela fotografia de Roger Deakins foi o aspecto mais elogiado, também não dá para deixar de reconhecer o excelente trabalho de som, que é fundamental para ambientar o espectador na realista aventura do agente secreto. A edição, que ficou aos cuidados de Per Hallberg e Karen M. Baker, e a mixagem, sob o comando de Scott Millan, Greg P. Russell e Stuart Wilson, primam pela discrição, mas impressionam toda vez que necessário (o ponto alto é o encontro de Bond com o vilão Silva nos momentos finais do longa). Em um primeiro momento, pode parecer um trabalho óbvio, mas basta prestar bem a atenção para perceber sua inegável eficiência na ação e no suspense da história.
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OUTROS INDICADOS:

Todo o estilo retrô de Drive também é resultado de um ótimo trabalho de som / O Homem Que Mudou o Jogo teve, merecidamente, a edição e a mixagem de som como alguns de seus aspectos mais reconhecidos / O som tem papel decisivo no suepense de Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres / O Mundos dos Pequeninos narra a vida de dois universos diferentes de dimensões diferentes, e o ótimo trabalho de som ajuda a diferenciá-los
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres (40.63%, 13 votos)
2. Drive (31.25%, 10 votos)
3. 007 – Operação Skyfall (28%, 9 votos)
4. O Homem Que Mudou o Jogo (0%, 0 votos)
5. O Mundo dos Pequeninos (0%, 0 votos)
Melhores de 2012 – Atriz Coadjuvante

O papel em Dúvida, apesar de menor, foi mais muito mais marcante que o de Histórias Cruzadas, mas estamos falando de Viola Davis, uma atriz que, quando recebe qualquer personagem que lhe dê chances, faz misérias ao transbordar humanidade como poucas. No filme de Tate Taylor não é diferente: Viola emociona e rouba a cena toda vez que está sob os holofotes. Nada mais justo para uma interpretação na medida e cheia de momentos especiais, que também se favorece por ser a única contida e pé no chão do mundo caricato criado pelo roteiro – também da autoria de Taylor. Em 2012, na temporada de premiações, a atriz perdeu grandes chances de ser premiada por todos os cantos ao ser considerada protagonista. Caso concorresse como coadjuvante, teria recebido o reconhecimento que merecia ao ser consagrada no lugar de Octavia Spencer, que, inexplicavelmente, arrebatou todos os prêmios da temporada por uma interpretação fora de tom – o que, ironicamente, é tudo o que a de Viola Davis não é.
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OUTRAS INDICADAS:

JANET MCTEER (Albert Nobbs)
Albert Nobbs funciona quase que exclusivamente em função de Glenn Close e também da coadjuvante Janet McTeer. Ambas interpretam o mesmo tipo de papel (mulheres disfarçadas de homem em uma época machista), mas com abordagens bem diferentes. E é bem provável que McTeer seja mais beneficiada pela roteiro do que Glenn, o que ajuda ainda mais a sua ótima interpretação – que, ao contrário da sua companheira de cena, não é sabotada pelo roteiro. Na temporada de premiações do ano passado, com Viola Davis concorrendo equivocadamente como protagonista por Histórias Cruzadas, era a melhor coadjuvante em competição.

JUDI DENCH (007 – Operação Skyfall)
De coadjuvante de luxo na franquia 007, Judi Dench passou a ser figura fundamental em Operação Skyfall. Sam Mendes, bom diretor de atores que é, soube extrair o melhor da atriz no mais novo longa de James Bond. Sua M agora tem passado, está literalmente no meio da ação e é figura-chave de várias discussões e momentos importantes. E a veterana não poderia estar mais afiada no papel, fazendo um digníssimo trabalho de coadjuvante ao lado dos também ótimos Daniel Craig e – especialmente – Javier Bardem. Só uma atriz do calibre dela poderia dar esse ar sofisticado para M.

SANDRA BULLOCK (Tão Forte e Tão Perto)
A interpretação de Sandra Bullock em Tão Forte e Tão Perto só comprova o quanto seu Oscar por Um Sonho Possível foi precipitado. Funcionando muito bem como coadjuvante, Bullock sabe dar as devidas sutilezas para uma mãe que tenta lidar com o filho genioso e com o luto pela recente morte morte de seu marido. Ela consegue dar humanidade à personagem, aproveitando todos os momentos mais lacrimosos e também aqueles que lhe exigem uma certa dosagem de emoções. Injustamente, não recebeu o reconhecimento que merecia.

SHAILENE WOODLEY (Os Descendentes)
A jovem Shailene Woodley foi uma das grandes revelações de 2012. Se Alexander Payne decepcionou atrás das câmeras em Os Descendentes, a atriz não perdeu tempo: por mais que George Clooney esteja no melhor momento de sua carreira como ator, Woodley nunca se intimidou ao lado do ator e sua ótima interpretação. Com uma naturalidade admirável ao interpretar um papel que tinha tudo para ser representado de forma over e clichê, ela conquistou seu espaço e provou que merece outras chances igualmente boas.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Amy Adams (O Vencedor) | 2010 – Marion Cotillard (Nine) | 2009 – Kate Winslet (O Leitor) | 2008 – Marcia Gay Harden (O Nevoeiro) | 2007 – Imelda Staunton (Harry Potter e a Ordem da Fênix)
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Viola Davis, por Histórias Cruzadas (49.06%, 26 votos)
2. Shailene Woodley, por Os Descendentes (18.87%, 10 votos)
3. Judi Dench, por 007 – Operação Skyfall (16.98%, 9 votos)
4. Janet McTeer, por Albert Nobbs (8%, 4 votos)
5. Sandra Bullock, por Tão Forte e Tão Perto (7.55%, 4 votos)

