Melhores de 2016 – Figurino

Com três Oscars na bagagem, Sandy Powell já foi figurinista de mais de 40 filmes e teve a oportunidade de ir do clássico (Shakespeare Apaixonado, A Jovem Rainha Victoria, O Aviador) ao mágico (Cinderela, A Invenção de Hugo Cabret e atualmente criando para Mary Poppins Returns). São muitos os figurinos de destaque em sua admirável carreira, e Carol certamente está entre eles. Antes da elegância incontestável dos casacos e vestidos de Carol (Cate Blanchett) ou da delicadeza e introspecção das roupas de Therese (Rooney Mara), os figurinos impressionam pela imensa inteligência em definir com precisão a personalidade de suas protagonistas e toda a jornada emocional que elas atravessam no filme dirigido por Todd Haynes. Se Therese usa roupas delicadas e de tons mais leves como o verde, representando sua identidade dócil, Carol é frequentemente vista usando vermelho, simbolizando a paixão vista pelos olhos da jovem interpretada por Rooney Mara. Quando se enamoram, ambas frequentemente trocam de cores, o que claramente denota o profundo conhecimento dos figurinos acerca do envolvimento emocional dessas duas mulheres. Já a sociedade que tanto impõe fronteiras às duas se veste com ternos marrons e beges, criando um padrão estético que leva o espectador imediatamente a associá-lós a um impedimento da paixão por qual tanto torcemos. É trabalho de sintonia rara. Ainda disputavam a categoria: Animais Fantásticos e Onde Habitam, Animais Noturnos, Brooklin e A Garota Dinamarquesa.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Macbeth: Ambição e Guerra | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – W.E. – O Romance do Século | 2011 – O Discurso do Rei | 2010 – A Jovem Rainha Victoria | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Elizabeth – A Era de Ouro | 2007 – Maria Antonieta
Melhores de 2016 – Design de Produção

Uma das melhores decisões de Animais Fantásticos e Onde Habitam é criar uma personalidade própria ao invés de ser apenas uma extensão de Harry Potter. E quando falamos sobre personalidade própria, isso também se estende a toda técnica do filme, que, ao transportar sua história do Reino Unido para os Estados Unidos, já ganha uma nova roupagem. Mas Animais Fantásticos é mais ambicioso do que somente a ideia de trocar de país. Unindo a experiência de Stuart Craig no mundo bruxo (ele participou de todos os filmes de Harry Potter) com a competência de James Hambridge em aventuras contemporâneas (ele se junto ao time com Batman: O Cavaleiro das Trevas e 007 – Cassino Royale entre outros grandes trabalhos na bagagem), o design de produção de Animais Fantásticos consegue fazer uma mistura perfeita entre a magia dos bruxos e a normalidade dos trouxas (aos que não sabem: esse é o termo usado para definir quem não faz parte do mundo mágico). Por ambientar boa parte de sua história na vida dos que não desfrutam de feitiços, o longa precisa registrar uma época com fidelidade (a história se passa nos anos 1920), e o faz com grande frescor, além de mesclar tudo isso com a inventividade não menos impressiva de um realidade paralela repleta de cenários transformados pela magia e pela imaginação. Ainda disputavam a categoria: Ave, César!, A Bruxa, Carol e O Roubo da Taça.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Expresso do Amanhã | 2014 – O Grande Hotel Budapeste | 2013 – Anna Karenina | 2012 – A Invenção de Hugo Cabret | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2 | 2010 – O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet | 2007 – Maria Antonieta
Melhores de 2016 – Som

A estrutura de Ponto Zero é fascinante porque pega o drama aparentemente comum (mas incrivelmente denso) de um garoto de 14 anos preso em um doentio furacão familiar para, lá na metade, jogá-lo em uma noite surrealista, acompanhada quase em tempo real pelo filme, que irá transformá-lo para sempre. Ao entrar nesse universo noturno e chuvoso, o requinte técnico do filme de José Pedro Goulart se acentua, explorando ainda mais o poder narrativo de setores como o de som, aqui assinado pela dupla Chrístian Vaisz e Kiko Ferraz. Entre os barulhos que ilustram eventuais momentos de horror do protagonista Ênio (Sandro Aliprandini), como o acidente na rua e o mistério em relação ao que pode estar ou não embaixo de um carro, o som também captura o minimalismo dos silêncios embalados pelo melancólico barulho de uma chuva incessante. Ponto Zero sabe, assim como em tantas outras de suas virtudes, que o trabalho de Vaisz e Ferraz é tão fundamental para a ambientação da história quanto a direção, o roteiro e o elenco dela. Ainda disputavam a categoria: A Chegada, O Contador, O Regresso e O Silêncio do Céu.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Mad Max: Estrada da Fúria | 2014 – Até o Fim | 2013 – Gravidade | 2012 – 007 – Operação Skyfall | 2011 – Harry Potter e as Relíquias da Morte | 2010 – Tron: O Legado | 2009 – Avatar | 2008 – WALL-E | 2007 – O Ultimato Bourne
Melhores de 2016 – Trilha Sonora

Auge da carreira eclética mas subestimada de Carter Burwell (Fargo, Adaptação, Antes Que o Diabo Saiba Que Você Está Morto, Quero Ser John Malkovich), a trilha sonora de Carol marca a nova colaboração do compositor com o diretor Todd Haynes. A proximidade dos dois em trabalhos como Velvet Goldmine e a minissérie Mildred Pierce certamente foi um ganho para toda a delicadeza alcançada por essa mais recente parceria. Em Carol, a trilha sonora cumpre com perfeição a mais importante das funções desse segmento em qualquer obra: a narração. Não apenas as partituras de Burwell criam temas inesquecíveis para o romance de Therese Belivet (Rooney Mara) e Carol Aird (Cate Blanchett), como também conduzem a dramaticidade da história sem nunca sublinhar o que é óbvio ou forçar emoções. A intensidade da trilha de Carol está na sutileza, e ela é tanta que reverbera durante muito tempo após a sessão sem que tenha exagerado em qualquer nota para alcançar tal feito. É trabalho de mestre. Ainda disputavam a categoria: A Bruxa, A Chegada, Ponto Zero e O Regresso.
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Sicario: Terra de Ninguém | 2014 – Ela | 2013 – Gravidade | 2012 – Tão Forte e Tão Perto | 2011 – A Última Estação | 2010 – Direito de Amar | 2009 – O Curioso Caso de Benjamin Button | 2008 – Desejo e Reparação| 2007 – A Rainha
Melhores de 2016 – Ator Coadjuvante

Certamente deve ter acontecido algum equívoco por parte dos votantes das premiações em 2016 para que Christian Bale fosse indicado como melhor ator coadjuvante no lugar de Steve Carell por A Grande Aposta. É de indignar a preguiça: quando Carell está sob pesada maquiagem fazendo drama (Foxcatcher – Uma História Que Chocou o Mundo), o reconhecimento é garantido. Já quando volta às raízes da comédia, é como se praticamente não existisse (já era assim lá em 2006 com Pequena Miss Sunshine, onde Alan Arkin acabou sendo o único do elenco masculino a receber qualquer honraria). Em A Grande Aposta, Carell é novamente subestimado, mas a situação é muito mais grave porque não há desculpas para o esquecimento, seja pelo status já alcançado pelo ator ou por sua própria expressividade em cena. Como um sujeito que parece sempre à beira de um infarto tamanha a ansiedade com o trabalho, o ator entrega uma de suas interpretações mais completas ao transitar entre a comédia e o drama, uma vez que, apesar do humor, seu Mark Baum é um homem atormentado por fantasmas do passado (mais especificamente aqueles envolvendo o suicídio do irmão) e pela consciência de que sua profissão pode agraciar ou devastar vidas na mesma proporção. E Carell o faz com toda versatilidade, humanidade e sutileza que sempre foram tão subestimadas em filmes como Amor a Toda Prova e Eu, Meu Irmão e Nossa Namorada. Ainda disputavam a categoria: Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos), Humberto Carrão (Aquarius), Michael Shannon (Animais Noturnos) e Tom Hardy (O Regresso).
EM ANOS ANTERIORES: 2015 – Edward Norton (Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)) | 2014 – Jared Leto (Clube de Compras Dallas) | 2013 – Philip Seymour Hoffman (O Mestre) | 2012 – Nick Nolte (Guerreiro) | 2011 – Alan Rickman (Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2) | 2010 – Michael Douglas (Wall Street – O Dinheiro Nunca Dorme) | 2009 – Christoph Waltz (Bastados Inglórios) | 2008 – Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez) | 2007 – Casey Affleck (O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford)