Cinema e Argumento

Filmes em DVD

scotland

O Último Rei da Escócia, de Kevin MacDonald (revisto)

Com James McAvoy, Forest Whitaker e Gillian Anderson

4

Continua sendo um dos meus filmes favoritos daquele Oscar, mas não inteiramente por causa do excelente desempenho de Forest Whitaker. O filme é bem mais do que somente a presença do ator. Além dele, temos um James McAvoy bem expressivo no filme que deu propulsão para a sua carreira. Mais do que isso, o roteiro do filme é muito bem amarrado, transitando muito bem pelo dúbio temperamento do personagem Idi Amin Dada e pelas variações do médico Nicholas Garrigan. Sem falar que acaba em um momento de pura tensão e intensidade. Merecia mais apreciação.

FILME: 8.5

affection

A Razão do Meu Afeto, de Nicholas Hytner

Com Paul Rudd, Jennifer Aniston e Allison Janney

35

Gotei mais do que esperava desse singelo filme que é muito sincero em seus sentimentos. Conta a história de uma mulher (Jennifer Aniston) que, ao dividir um apartamento com um homem homossexual, acaba aos poucos se apaixonando por ele. O mais interessante de A Razão do Meu Afeto é que o longa sabe dosar a medida certa de drama para construir a sua história – que, no final das contas, fica com o espectador após o filme. Não é um filme de grandes filosofias ou mensagens profundas, mas uma pequena produção que sabe lidar com as emoções de forma muito verdadeira.

FILME: 8.0

fellowship

O Senhor dos Anéis – A Sociedade do Anel, de Peter Jackson (revisto)

Com Elijah Wood, Ian McKellen e Viggo Mortensen

3

Respeito demais a trilogia O Senhor dos Anéis e acho que, de fato, é uma série marcante e com uma produção técnica perfeita. Mas, não consigo entrar no clima da história – que, ao menos para mim, parece ficar só dando voltas no mesmo assunto – e muito menos me empolgar com ela. Portanto, as quase três horas de duração soam cansativas para mim e acredito que é necessário ser fã da série para poder acompanhar com tranquilidade sem cair no tédio em algumas partes. Apesar de tudo, A Sociedade do Anel tem seus momentos e abre a história com competência, exatamente por causa de suas grandiosidades técnicas que impressionam.

FILME: 7.5

darkmatter

Fúria Pela Honra, de Shi-Zheng Chen

Com Ye Liu, Meryl Streep e Aidan Quinn

3

É complicado fazer um filme que não tem história. Fúria Pela Honra passa o filme inteiro falando sobre a dedicação de um chinês (Ye Liu) trabalhando com cosmologia nos Estados Unidos. As reais intenções do longa só vão ser reveladas no final, quando descobrimos a que extremos chega o garoto quando descobre que seus avanços de pesquisa não serão considerados por causa de um professor arrogante. O filme é baseado em fatos reais e conta com a presença de Meryl Streep que, por alguma razão que não me vem a cabeça, resolveu participar desse longa. Por que ela quis fazer um filme tão mediano e sem propósito para a sua carreira? A boa notícia é que, mesmo que sem força e novidades, Fúria Pela Honra não chega a ser ruim ou  sequer subestimar o espectador.

FILME: 6.5

sleuth

Um Jogo de Vida ou Morte, de Kenneth Branagh

Com Michael Caine e Jude Law

2

Em seus melhores momentos, Um Jogo de Vida ou Morte é um interessante duelo de insanidade e inteligência entre os seus protagonistas. Em seus piores, uma bobagem maluca que não chega a lugar algum. A verdade é que, se não fosse por seus atores (em especial Caine, já que Jude Law perde o compasso em algumas tomadas), esse filme de Kenneth Branagh seria completamente descartável, principalmente porque o roteiro é falho. Portanto, não chega a ser uma experiência válida, mas tem seus pontos positivos também.

FILME: 5.5

woodcock

Em Pé de Guerra, de Craig Gillespie

Com Seann William Scott, Billy Bob Thornton e Susan Sarandon

2

Quando uma premissa não consegue sustentar o roteiro, o filme pode se tornar chato. É o caso de Em Pé de Guerra – que já começa partindo do erro de achar que a história em si pode render alguma novidade – que é um filme completamente sem graça. A história é desinteressante e o tratamento dela idem. Os atores não poderiam estar menos inspirados (até a radiante Susan Sarandon está apagada), trazendo a sensação de inverossimilhança para o espectador. O positivo é que o longa de Craig Gillespie não chega a ser ofensivo ou desastroso. É apenas sem vida e nada original.

FILME: 5.0

Anjos e Demônios

Direção: Ron Howard

Elenco: Tom Hanks, Ayelet Zurer, Ewan McGregor, Stellan Skargard, Curt Lowens, Bob Yerkes, Marc Fiorini, Howard Mungo, Rance Howard

Angels & Demons, EUA, 2009, Aventura, 132 minutos, 14 anos

Sinopse: O professor de simbologia Robert Langdon (Tom Hanks), depois de decifrar os eventos retratados em “O Código Da Vinci”, é chamado pelo Vaticano para investigar o misterioso desaparecimento de quatro cardeais. Agora, além de enfrentar a resistência da própria igreja em ajudá-lo nos detalhes de sua investigação, Langdon precisa decifrar charadas numa verdadeira corrida contra o tempo porque a sociedade secreta por trás do crime em andamento tem planos de explodir o Vaticano.

Ron Howard tentou de tudo para fazer de O Código Da Vinci um produto à altura do romance de Dan Brown. Tudo bem, Brown é um péssimo escritor (algumas reviravoltas sobre os vilões e romances forçados chegam a irritar), mas sabe como ninguém unir tensão com fatos históricos. Essa união inusitada foi o que lhe deu sucesso. Da Vinci, apesar de tudo, era um produto muito fiel ao texto de Brown, mas que não causava a mesma tensão do livro: focava mais as suas atenções para as explicações históricas e religiosas do que para a ação em si. Já Anjos e Demônios faz o oposto: trata a trama como um produto de entretenimento e não se dedica tanto aos debates histórico-religiosos. Quer saber de correria e movimento.

Para alguns, essa decisão foi um acerto – tanto, que a recepção de Anjos e Demônios foi bem mais positiva que a do outro filme. Para mim, nem tanto. Existe um certo problema de verossimilhança nesse último longa-metragem de Ron Howard. Enquanto em O Código Da Vinci tudo era bem mastigado e dava para crer que, realmente, aqueles diálogos educativos encaminhavam os personagens para a aventura, aqui ocorre o oposto. Não dá para acreditar muito nas situações em alta velocidade, nos mistérios sendo desenvolvidos em questão de minutos ou nos estudos aprofundados que rendem diálogos absurdamente intelectuais e detalhistas.

O Vaticano, inclusive, é retratado como um verdadeiro circo dos horrores e da bagunça. É padre dirigindo helicóptero, padre voando de pára-quedas, incêndios dentro de igrejas, pessoas sendo mortas por engano, explosões em pontos históricos e por aí vai… Tudo isso com um Jack Bauer da religião correndo contra o relógio, liderando uma investigação de vida ou morte em tempo real e que sabe tudo e ainda no final é saudado como um enviado de Deus. No livro dava até pra acreditar e eu sempre achei que ficaria verossímil nas telas de cinema. Não foi o que aconteceu. Enquanto nas páginas funcionava, aqui ficou meio forçado, fantasioso demais. Ficção e realidade não se combinaram.

Mas, claro, é um dom divertimento quando o senso crítico é deixado de lado. Ron Howard aprendeu a lição: o público gosta de movimento não de passividade. Anjos e Demônios, então, tem muita aventura e acerta demais nesse ponto. As correrias são muito bem filmadas e com jogos de câmera interessantes, transmitindo um bom senso de aventura. Sem falar, claro, de toda a belíssima direção de arte, que reconstruiu com extrema perfeição todos aqueles lugares que o Vaticano proibiu de serem filmados. A fotografia é outro aspecto inquestionável, que traz para o espectador todo um visual arrebatador.

Anjos e Demônios, portanto, pode até ser uma aventura bem arquitetada e conduzida, mas é falho em seu conteúdo.  Terminei de ver o filme e não me lembro de sequer um fato histórico mencionado na produção. Não aprendi nada com ele. Nesse sentido, O Código Da Vinci era bem mais interessante. O filme de Ron Howard é uma experiência interessante, mas que nunca chega a ser mais notável como na literatura. O que deixa o resultado no patamar do mediano. Talvez, simplesmente, esse tipo de história tenha sido criado para ficar nas páginas de livros mesmo.

FILME: 6.5

3

Opinião – O segredo da vila

Atenção! Se você ainda não assistiu o filme “A Vila”, não continue a ler o texto, pois ele possui spoilers.

Pra começo de conversa, declaro que sou um defensor ferrenho de A Vila. Acho o melhor filme da carreira de M. Night Shyamalan – o mais bem conduzido, que traz uma atmosfera perfeita e que tem grande habilidade narrativa. Detestado por inúmeros cinéfilos, o filme talvez teria sido mais bem apreciado caso fosse o primeiro da carreira de Shyamalan, e não um filme pós-badalação de O Sexto Sentido. Pra falar a verdade, o filme estrelado por Bryce Dallas Howard e Joaquin Phoenix é criticado mais pelo desfecho do que pelo conjunto em si. Mas por que criticar um desfecho que discute um tema tão atual e urgente?

A principal razão para os moradores da vila viverem naquelas condições é revelada a partir dos segredos escondidos dentro de uma caixa que fica escondida na casa da personagem de Sigourney Weaver. As figuras do filme escolheram viver naquela condição: isolados do mundo, vivendo na simplicidade da vida, longe da realidade que cada vez mais corrompe o ser humano. Mas, o mais importante de tudo: querem viver longe da violência, que trouxe dor para muitas das pessoas que habitam aquele lugar. “Minha irmã morreu antes de completar 23 anos, um grupo de homens a estuprou e a matou. Eles a jogaram em uma lixeira”. Quando começamos a ouvir os depoimentos dos moradores, nos damos conta do que realmente se passa na história.

Muita gente pode não admitir, mas tenho certeza que parte do público não aprova o filme porque esperavam alguma reviravolta como a de O Sexto Sentido ou a tensão explícita de Sinais. Terminaram se deparando sim com uma reviravolta, mas uma reviravolta complexa e que está longe de ser um mero acontecimento para surpreender. É um desfecho complexo, que exige reflexão. A intenção de Shyamalan certamente não foi comercial e sim artística. A Vila foi realizado como cinema para se pensar, não para deixar o cérebro de lado como um desses suspenses quaisquer que rondam os cinemas. A escolha dos moradores foi válida. Afinal, quem não quer morar em um mundo livre da violência e das maldades causadas pelos seres humanos?

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Opiniões anteriores:

A culpa do padre Flynn, em Dúvida

A escolha de Francesca, em As Pontes de Madison

Ensina-Me a Viver

Baseada no filme Ensina-Me a Viver (Harold and Maude), de 1971, a peça de mesmo nome é estrelada por Glória Menezes, que está de volta aos palcos de Porto Alegre para representar Maude. O espetáculo é dirigido por João Falcão (diretor do longa-metragem A Máquina) e segue fielmente o texto do filme de Hal Ashby. Ainda no elenco temos nomes como Arlindo Lopes, Ilana Kaplan, Fernanda de Freitas e Antônio Fragoso.

Harold é um adolescente que tem problemas emocionais. Com uma mãe excessivamente controladora e manias mórbidas, ele tem  o hábito de frequentar funerais de desconhecidos. Maude é uma senhora apaixonada pela vida, que não tem medo de arriscar e sempre vê com muita irreverência as situações da vida. Ela também frequenta funerais de desconhecidos, mas com um valor terapêutico diferente do jovem garoto. Quando ambos notam um ao outro em diversos funerais, surge então uma amizade muito especial e que, mais tarde, vai originar um inesperado romance entre os dois.

Assim como o filme – que é considerado cult por muitos (e é o romance favorito da personagem de Cameron Diaz em Quem Vai Ficar Com Mary?) – a peça não chega a ser memorável. Os personagens são simpáticos e a história inusitada, mas em momento algum consegue se sobressair em determinado aspecto ou ser de maior significância. Contudo, é a presença da veterana Glória Menezes que faz o espetáculo valer a pena. Extremamente à vontade e iluminada no papel, Glória surge radiante, construindo uma adorável figura. A mesma competência pode ser dita do seu companheiro de cena: o jovem Arlindo Lopes apresenta talento o suficiente para representar ao lado de Glória.

Ensina-Me a Viver, portanto, pode não ser espetacular, mas consegue ter alguns excelentes aspectos. Além do elenco dar verossimilhança para a história que está sendo encenada, contamos com algumas cenas cômicas bem interessantes e que dão ritmo para o desenrolar da história. Sem falar da boa direção de João Falcão. Misturando comédia e humor, o espetáculo pode até emocionar os mais sensíveis e divertir os menos exigentes. É uma experiência válida.

60 anos de Streep

Hoje, a estrela favorita desse blog completa sessenta anos de vida. Nada mais justo do que um post dedicado a ela. Parabéns, Meryl! Para não ficar aqui falando novamente tudo o que eu acho dela, resolvi colocar abaixo outras celebridades falando sobre a recordista de indicações ao Oscar.

Uma atriz de tremenda importância da nossa geração. Ela é históricamente importante.” – William Hurt

As indicadas dessa categoria são: Meryl Streep, Meryl Streep e… Meryl Streep. E adivinha quem é a vencedora? Não existe filme ruim com ela, não existem falhas. Que Deus abençoe Meryl Streep, assim como ela vem nos abençoando.”Jim Carrey

Ela se tornou o grande gênio da minha geração.”Diane Keaton

Quando conversei com Scott Rudin sobre o elenco de “As Horas”, ele me perguntou: “O que você acha de Meryl Streep?”. E eu disse que morreria para trabalhar com ela.”Stephen Daldry

Meryl Streep sempre foi para mim um exemplo de pessoa e profissional, a atriz mais extraordinária de sua geração.” – Nicole Kidman

“Ela consegue desaparecer na alma de qualquer outra pessoa. A cada papel novo, ela se torna um ser humano totalmente novo.” – Sidney Pollack

Tive a oportunidade fazer apenas uma cena com Meryl em “As Horas” e vou ser eternamente feliz por causa disso, por estar com ela em alguma coisa.”Julianne Moore

Dirigir Meryl Streep é como se apaixonar. Você sempre vai se lembrar de ser algo mágico e criativo, mas também cercado de mistérios.”Mike Nichols