Um Olhar do Paraíso

Direção: Peter Jackson
Elenco: Saoirse Ronan, Stanley Tucci, Mark Wahlberg, Rachel Weisz, Susan Sarandon, Michael Imperioli, Rose Mclever, Reece Ritchie
The Lovely Bones, EUA, 2009, Drama, 115 minutos, 12 anos
Sinopse: Depois que é estuprada e assassinada, Susie Salmon (Saoirse Ronan), uma garota de 14 anos, acompanha do Céu como sua família e seus amigos se recuperam de sua perda, e observa as tentativas frustradas da polícia em descobrir a identidade do sujeito que a matou.

Nunca fui um dos grandes entusiastas de Um Olhar do Paraíso. Mas não quer dizer que também não deixei de ter expectativas. Esse novo filme de Peter Jackson chegou a ser considerado um dos grandes nomes do Oscar e também era aguardado como um dos filmes mais interessantes da temporada. Nenhuma promessa em relação a isso se cumpriu. O filme foi mal recebido pelo público e ainda foi destruído pela crítica. Não sei se é para tanto. Mas, infelizmente, é fácil constatar que Um Olhar do Paraíso tem inúmeras escolhas erradas e até mesmo abordagens moralmente questionáveis em seu roteiro.
De imediato, já fica claro que a maioria dos personagens é mal trabalhada. A protagonista (vivida pela ótima Saoirse Ronan, mas que não tem muito o que fazer, já que contracena praticamente sozinha com efeitos especiais) fala coisas óbvias e faz observações até mesmo cafonas na narração em off. Os pais da garota apresentam um luto bagunçado: não dá pra captar o que a mãe (Rachel Weisz) está sentindo, já que uma hora está bem, logo em seguida sai de casa sem qualquer aviso prévio, depois chora e em questão de minutos já está recuperada… O pai (Mark Wahlberg), por um outro lado, cai no típico estereótipo da figura paterna que, cegamente, quer se vingar de quem cometeu a tal atrocidade. Depois, os coadjuvantes que não chegam a lugar algum, como a avó (Susan Sarandon) inerte no roteiro, o namoradinho que não convence, a amiguinha “sobrenatural”, a irmã heroína…
Não pára por aí. Morrer, no filme, não é tão trágico. Pode ser legal também. O paraíso é lindo e divertido. Ao mesmo tempo em que observa o luto da família, a menina joga, brinca, pula e admira lindas paisagens. Enquanto, lá embaixo, várias situações clichês acontecem nesse meio tempo. Fica a sensação de que o roteiro é preguiçoso, já que, apesar da boa proposta, não conseguiu trazer sequer algo de novo ou emocionante. Esse é o pior defeito de Um Olhar do Paraíso: o texto, além de ter inúmeras falhas, também é óbvio. O filme de Peter Jackson nunca emplaca por definitivo. Só promete e não cumpre nada. Aliás, esse nem parece um filme daquele Jackson que soube unir tão bem efeitos e dramaticidade em longas como O Senhor dos Anéis e King Kong ou aquele que criou uma história emocionalmente forte em Almas Gêmeas.
Se serve de consolo, o filme não é a catástrofe que tantos críticos anunciaram. Um Olhar do Paraíso está longe de ser um dos piores do ano. Só foi mal realizado, vítima de grandes ambições por conta da equipe do filme e, mais do que tudo, desfavorecido por tantas expectativas envolvendo a adaptação do livro e a equipe envolvida no projeto. Dá pra ter certeza que se fosse realizado por pessoas não tão relevantes, o filme não teria sido tão massacrado. Até porque a produção tem sim méritos. Pequenos, mas tem. O maior deles é a presença de Stanley Tucci. Irreconhecível por conta do estranho visual, o ator mais uma vez comprova ser extremamente versátil – e ele é o que existe de melhor na história: sua aparição é intrigante e muito magnética. Tudo fica mais interessante quando ele está em cena.
Para completar, a solução de alguns personagens é terrível (a de Tucci chega a dar dó), as últimas cenas são clichês (a de Saoirse chega a ser enjoativa de tão brega) e o desfecho ocorre de forma muito rápida, onde a trama se resolve, digamos, em cerca de cinco minutos. Se não fossem essas más impressões que o filme deixa nos últimos minutos, Um Olhar do Paraíso não terminaria deixando marcas tão negativas, já que, durante seu desenvolvimento, fica claro que, mesmo com falhas, dá pra acompanhar tranquilamente a história sem maiores exigências. Confesso que, realmente, falei muito mal do filme aqui – mas também gostaria de deixar algum tipo de defesa para ele. Como já mencionei, não é um desastre e, certamente teria mais pieadade por parte do público se certos nomes não estivessem envolvidos. Não é fácil ser Peter Jackson, viu?
FILME: 6.0


















