Coração Louco
“Son, I’ve played sick, drunk, divorced, and on the run. Bad Blake hasn’t missed a goddamn show in his whole fucking life.”

Direção: Scott Cooper
Elenco: Jeff Bridges, Maggie Gyllenhaal, Colin Farrell, James Keane, Beth Grant, Rick Dial, Debrianna Mansini, Jack Nation
Crazy Heart, EUA, 2009, Drama, 112 minutos, 12 anos
Sinopse: Decadente cantor de country alcoólatra (Jeff Bridges) vê a chance de retomar sua carreira e melhorar sua vida quando começa a se relacionar com uma repórter (Maggie Gyllenhaal).

É praticamente impossível assistir Coração Louco e não ter O Lutador em mente. Ambos os filmes são absurdamente iguais em suas temáticas: alguém que um dia foi famoso e prestigiado, mas que hoje amarga esquecimento, problemas financeiros e conflitos familiares. Assim como o Randy “The Ram” Robinson de Mickey Rourke, o Bad Blake de Jeff Bridges também quer retomar a sua vida. E Coração Louco vai falar exclusivamente sobre isso.
Não vejo muita diferença entre esse filme de Scott Cooper com O Lutador (que, para mim, é superestimado, incluindo a atuação do protagonista). Os dois longas possuem a mesma temática e o mesmo tipo de desenvolvimento. A diferença que me salta aos olhos, no entanto, é que Jeff Bridges consegue um feito que Mickey Rourke não conseguiu: se desvencilhar de sua imagem pessoal para viver um personagem. No filme de Aronofsky, tinhamos Rourke. Em Coração Louco, temos Bad Blake e não Jeff Bridges.
Alguns podem vir me dizer que as semelhanças de Rourke com o roteiro eram imensas e que Bridges não tem nada parecido com o seu personagem. Mas não é aí que está o mérito de um bom ator? Se desvencilhar de qualquer obstáculo de um personagem? Bridges não é um dos meus atores favoritos (aliás, pouco eu sabia sobre ele antes desse filme), mas desde já fico satisfeito por completo com a habilidade que ele apresentou nesse filme.
Ele não cai no caricato, cria uma figura que foge de sua própria imagem e ainda consegue levar os filmes nas costas com bastante humanidade e simpatia. Ele convida o espectador a torcer por ele – e consegue. Agora, se teria o meu voto no Oscar é outra história. Para melhorar a situação, temos a sempre ótima e bem-vinda Maggie Gyllenhaal. Ela, sempre conhecida por fazer papéis mais ousados como Secretária, aqui representa uma mulher simples. Mas nem por isso deixa de alcançar um bom nível de atuação. Ela é o oposto perfeito do protagonista. Outro coadjuvante menor é Colin Farrell, em uma positiva aparição.
Entretanto, é uma verdadeira pena que o filme não funcione tanto como os atores. O que vemos em Coração Louco é aquele velho clichê do famoso que hoje é decadente. Uma história que todo mundo já viu e que todo mundo está cansado de ter que ver, todo santo ano, uma nova cópia desse gênero. E o filme não faz a mínima questão de querer se diferenciar. É exclusivamente por essa razão que o filme não vinga, deixando sempre a sensação de que, se não fossem os atores, teríamos aqui uma experiência que não seria nem sequer agradável.
FILME: 7.5









