Cinema e Argumento

Antes Que o Mundo Acabe

Direção: Ana Luiza Azevedo

Elenco: Pedro Tergolina, Eduardo Cardoso, Murilo Grossi, Carolina Guedes, Bianca Menti, Eduardo Moreira, Janaína Kremer Motta

Brasil, 2009, Drama, 104 minutos, 10 anos

Sinopse: Daniel (Pedro Tergolina) mora numa pequena cidade do interior do Rio Grande do Sul. Divide seu tempo entre escola, amigos e a namorada. Mas isso está prestes a mudar, quando começa a receber cartas de seu verdadeiro pai (Eduardo Moreira), um fotógrafo que viaja pelo mundo.

2010 está sendo o ano da adolescência no cinema brasileiro. Antes Que o Mundo Acabe é o terceiro filme que estreia no país sobre o assunto. Os anteriores foram As Melhores Coisas do Mundo e Os Famosos e os Duendes da Morte. Coincidência ou não, dois desses três filmes foram filmados no estado do Rio Grande do Sul – e o mais curioso é que são ambos são completamente distintos. Enquanto Os Famosos e os Duendes da Morte prima por um forte tom complexo, Antes Que o Mundo Acabe aposta na total simplicidade.

É na simples abordagem que o longa de estreia de Ana Luiza Azevedo perde a chance de ser melhor. Todo o cotidiano do protagonista aparece em cena de forma muito rasa. Ou melhor, os problemas vividos por eles é que possuem essa característica. O namoro com a colega, os problemas com o melhor amigo e a indecisão na hora de aceitar seu verdadeiro pai são mostrados com certa superficialidade. Não digo que o texto tenha que partir para o profundo, mas a tal fase adolescente que o filme se propõe a discutir fica com pouco impacto – para não dizer quase nulo.

Antes Que o Mundo Acabe, no entanto, também se torna acessível ao não apostar em dramalhões. A falta de maior profundidade também contribui para que o longa-metragem consiga agradar a todos. E, exigências a parte, realmente consegue. É complicado rivalizar com um filme tão leve e que se mostra tão verdadeiro, já que é fácil constatar a naturalidade dos atores (em especial o protagonista Pedro Tergolina, ótimo) e das situações encenadas.

O pensamento que se deve ter em mente quando se for assistir Antes Que o Mundo Acabe é que o filme não comete ousadias. Tudo é linear e, de certa forma, previsível. Não que isso invalidade a proposta (muito pelo contrário, ela funciona), só enfraquece o possível potencial de cada aspecto da película. Ainda assim,  é um filme para toda a família. Nunca apela para infantilidade ou para uma abordagem exclusivamente adulta. Merece reconhecimento por alcançar um ótimo balanceamento entre esses dois aspectos.

FILME: 7.0

Alice no País das Maravilhas

Off with their heads!

Direção: Tim Burton

Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Alan Rickman (voz), Michael Sheen (voz)

Alice in Wonderland, EUA, 2010, Aventura, 108 minutos, 10 anos

Sinopse: Alice (Mia Wasikowska), agora aos 19 anos, está em uma festa da nobreza em Oxford, onde vive, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou quando tinha seis anos mas não se lembrava mais. Lá, ela é saudada pelo Coelho Branco, o Ratão, o Dodo, Tweedledee e Tweedledum e várias flores falantes. Eles discutem sobre a sua identidade como “A verdadeira Alice”, que matará o Jaguadart e derrubará a Rainha Vermelha,devolvendo o poder à Rainha Branca.

Não sei se é uma afirmação correta, mas é bem provável que Alice no País das Maravilhas seja o lançamento mais esperado de 2010. A produção foi comentada em todos os cantos e, aqui no sul, chegou até a ser tema de um importante evento de moda. É uma pena que o filme de Tim Burton não satisfaça a ansiedade gerada. Alice no País das Maravilhas não tem sequer um aspecto maravilhoso ou qualquer cena memorável. É uma grande decepção – não só para a crítica, mas para o grande público, que também não se empolgou com o resultado.

É até fácil enumerar os defeitos que fizeram Alice no País das Maravilhas não ter alcançado êxito. Para começar, o roteiro é super problemático. Ao invés de apostar em uma simples refilmagem do clássico desenho, resolveu abordar uma história posterior aos acontecimentos mostrados na animação. A notícia ruim é que essa história não tem a mínima graça. Não existe razão para narrar uma nova aventura de Alice (Mia Wasikowska) no tal país maravilhoso do título. Tudo teria muito mais encantamento se uma pequena protagonista descobrindo aquele estranho lugar fosse mostrada- e não uma adolescente apática só querendo sair de lá.

Os problemas do roteiro não param por aí. Como se não fosse o bastante, parece que nada acontece em Alice no País das Maravilhas. Durante um bom tempo, o espectador pode se perguntar: tá, afinal, sobre o que é essa história? Não fica claro o que o filme quer fazer com os personagens e muito menos com cada cena. Por falar em personagens, eis aí outro problema significativo do longa de Tim Burton. São milhares de figuras em cena – e a grande maioria mal trabalhada. Muitos personagens para pouca ação. Ou seja, desperdiça uma história, prejudica personagens em potencial e ainda alcança uma abordagem inexpressiva.

Muito criticada foi Mia Wasikowska (que arrebentou na primeira temporada do seriado In Treatment) por sua representação. O problema é que ela e praticamente todo o elenco foram prejudicados pelo texto. Johnny Depp que o diga. É visível o esforço dele, mas a amplitude completamente simplória do Chapeleiro Maluco não deixa o ator ir muito além. Sem falar, claro, que ainda lhe “presenteiam” com um momento de dança muito constrangedor. A única que se salva é Helena Bonham Carter – e sua personagem, justamente, é a que mais deveria causa antipatia. Entretanto, como tem acontecido muitas vezes no cinema contemporâneo, percebemos que estamos admirando mais o vilão do que o mocinho.

Nem o visual de Alice no País das Maravilhas chega a ser impressionante. Aliás, em alguns momentos, fica plastificado demais pelo uso em demasia de efeitos especiais. É um bom aspecto do filme – mas, também, decepcionante. Aliás, todo e qualquer aspecto desse filme fica aquém de qualquer produção da carreira de Tim Burton. O DNA dele está presente aqui, mas onde foi parar o empenho e a originalidade tão característica do diretor? Burton deixa a sensação de que dirigiu tudo no piloto automático. Algo que fica visível nos momentos derradeiros, em especial na batalha final, onde ele apela para o clássico embate entre mocinhos e bandidos. Nem a guerra travada em cena causa sequer um momento de suspense.

Existem situações em que a expectativa destrói um filme. Não sei se esse é o caso. Talvez, até seja. Mas, Alice no País das Maravilhas conseguiria desapontar mesmo se não estivesse sendo tão esperado. É um trabalho problemático e que desperdiça diversos setores com potencial. Não considero a produção ruim. No entanto, não consigo deixar de expressar a minha total decepção com a irregularidade do filme. É uma pena que um cineasta tão especial como Tim Burton tenha apresentado esse resultado inexpressivo. O que é meio incompreensível, uma vez que Burton já havia se envolvido com uma refilmagem. Contudo, ao contrário do ótimo A Fantástica Fábrica de Chocolate, Alice no País das Maravilhas fica bem abaixo da média.

FILME: 6.0


Idas e Vindas do Amor

Direção: Garry Marshall

Elenco: Ashton Kutcher, Jennifer Garner, Anne Hathaway, Julia Roberts, Taylor Lautner, Jamie Foxx, Queen Latifah, Kathy Bates, Topher Grace, Jessica Alba, Patrick Dempsey, Bradley Cooper, Shirley MacLaine

Valentine’s Day, EUA, 2009, Comédia Romântia, 125 minutos, 12 anos

Sinopse: As histórias de um grupo de habitantes de Los Angeles com pouco em comum, cujas vidas se cruzam, em meio a romances e corações partidos, durante um dia dos namorados. Casais e solteiros vivenciam os altos e baixos de encontrar, manter ou terminar relacionamentos no dia do amor.

Caso eu tivesse a oportunidade de dar algum tipo de conselho na hora da elaboração de uma comédia romântica, eles seriam dois: nunca deixe que a duração ultrapasse duas horas e não coloque milhares de personagens em cena. São raros os filmes que conseguem funcionar com duração excessiva e centenas de casos amorosos. Simplesmente Amor é um bom exemplo, ainda que não seja melhor exatamente por causa dessas características citadas. Idas e Vindas do Amor não chega a ser tão prejudicado por esse formato. A verdadeira fraqueza do filme está no roteiro superficial e previsível.

O número de atores famosos no elenco assusta. Algo que nos leva a pergunta: como tantas pessoas foram parar em um filme convencional como esse? Se ao menos Idas e Vindas do Amor tivesse uma proposta diferente, daria para entender. Não é o caso. Esse filme do questionável Garry Marshall (ele realizou o ótimo Uma Linda Mulher mas, também, o péssimo Ela é a Poderosa) não apresenta nada além do convencional. São histórias de amor comuns e que tomam caminhos previsíveis. Ou seja, ninguém vai acompanhar o filme com aquela sensação de que algo surpreendente vai acontecer. Todos os caminhos percorridos são conhecidos.

A previsibilidade não quer dizer que seja impossível se entreter com o filme. Quem gosta do gênero e da estrutura, vai conseguir acompanhar as histórias tranquilamente. Ainda assim, acho difícil o espectador mais comum não se incomodar com tantos papéis superficiais. Podemos tomar como exemplo a participação de Taylor Lautner, que deve se resumir, basicamente, em umas quatro falas (sendo que uma delas se refere a uma baboseira em torno do físico do ator). Julia Roberts é outra figura que aparece com pouco brilho em uma participação, digamo, apenas afetiva. Claro que é agradável ver tantos profissionais famosos juntos em um filme. Mas do que adianta se eles não são aproveitados como deveriam?

Idas e Vindas do Amor foi duramente massacrado pela crítica e recebido de forma muito tímida pelo público. Não vejo razão para tanta frieza. O que assisti foi uma comédia romântica qualquer, daquelas que não acrescentam nada mas, também, não ofendem. Garry Marshall não retorna com aquela vitalidade de Uma Linda Mulher e apresenta um resultado mediano. Para quem estiver disposto a assistir, já é preciso ter em mente que Idas e Vindas do Amor é uma diversão passageira. Fraco em seu roteiro, é verdade. E a maioria das comédias românticas que invadem os cinemas não são assim?

FILME: 6.5


Filmes em DVD

Vitória Amarga, de Edmund Goulding

Com Bette Davis, Humphrey Bogart e Geraldine Fitzgerald

Não foi só a maravilhosa interpretação de Bette Davis que teve reconhecimento em Vitória Amarga. O filme teve boa repercussão, sendo a maior bilheteria de Davis até então e também recebendo uma indicação ao Oscar na categoria principal e no segmento de trilha sonora. Não venceu nada, já que concorria contra o grandioso e inesquecível …E o Vento Levou. Mas, isso não diminui a ótima qualidade alcançada por Vitória Amarga. A história é bem simples: uma rica mulher (Davis, em sua primeira indicação ao prêmio da Academia depois de duas vitórias na cerimônia) descobre que tem poucos meses de vida em função de um problema no cérebro. O filme fala exclusivamente sobre isso, sem se aventurar por outros caminhos. O resultado, além de muito satisfatório, conquista não só por narrar com qualidade a simples história, mas também por fugir de caminhos óbvios de filmes desse estilo. Vitória Amarga em nenhum momento é melodramático ou sequer mais triste. Encontra um balanceamento perfeito nas emoções.

FILME: 8.5


Chéri, de Stephen Frears

Com Michelle Pfeiffer, Rupert Friend e Kathy Bates

Esse era um dos longas mais cotados para a temporada de premiações. E, assim como tantos outros casos, não teve repercussão alguma. Aqui no Brasil passou despercebido nos cinemas e agora chega discretamente em dvd. Realmente o filme não é nada demais, passando aquela sensação de neutralidade – onde praticamente nada chega a chamar muita atenção. Era de se esperar mais de um diretor tão talentoso como Stepehn Frears (que já realizou um marcante filme de época, Ligações Perigosas). O resultado é satisfatório e a produção tem seus aspectos interessantes, como a ótima trilha sonora de Alexandre Desplat (de novo!). Michelle Pfeiffer e Rupert Friend funcionam, mas o roteiro parece não trabalhar direito o romance dos dois. Chéri, também, era considerado o grande retorno de Pfeiffer. Pode até não ter sido, mas ao menos trouxe o melhor papel da atriz em anos de irregularidade.

FILME: 7.5

Nell, de Michael Apted

Com Jodie Foster, Liam Neeson e Natasha Richardson

Nell rendeu para Jodie Foster uma quarta indicação ao Oscar. Dos trabalhos que a atriz já realizou, esse é um dos mais diferentes: aqui ela interpreta uma mulher selvagem, que nunca teve contato com a civilização e nem fala uma língua conhecida. É missão, então, do personagem de Liam Neeson (em um bom momento, assim como Foster) de ajudar essa mulher que está sozinha no mundo agora que perdeu a mãe. Nell tem uma temática interessante, mas um desenvolvimento bem simples. Não é um filme de grandes momentos e muito menos de características especiais. Mas, só pelo bom trabalho de elenco, já vale uma conferida.

FILME: 7.5

O Destino Mudou Sua Vida, de Michael Apted

Com Sissy Spacek, Tommy Lee Jones e Beveryl D’Angelo

Foi por esse filme que a ótima Sissy Spacek venceu o Oscar de melhor atriz. Não quero desmerecer o prêmio, mas, das indicações que vi da atriz, essa foi a menos inspirada. Spacek estava bem mais interessante em outros longas como Carrie – A Estranha e Entre Quatro Paredes. Apesar disso, ela faz um bom trabalho em O Destino Mudou Sua Vida, mas é mais um daqueles papéis biográficos musicais que já tanto vimos por aí. O filme em si já não é grande coisa: demasiado longo e sem nenhuma ousadia. Spacek, portanto, é o que existe de melhor na história – mas nem isso quer dizer que seja algo necessariamente marcante. É uma produção mediana e com uma interpretação que  apenas faz o que é necessário para um gênero desses. Ou seja, formulaico em praticamente tudo. E por isso mesmo foi reconhecido pelo Oscar, que o indicou, inclusive, na categoria principal.

FILME: 6.5

Coisas de Meninos e Meninas, de Nick Hurran

Com Kevin Zegers, Samaire Armstrong e Sherry Miller

O jovem Kevin Zegers estava ótimo como o filho de Felicity Huffman em Transamérica. Também tinha boa presença em O Clube de Leitura de Jane Austen. Zegers, que, ao meu ver, só realizava bons projetos, cometeu esse enorme tropeço chamado Coisas de Meninos e Meninas. Não é de se surpreender que todo  e qualquer astro teen venha a realizar um desses romancezinhos colegiais que beiram a imbecilidade. No entanto, esse filme de Nick Hurran quase chega no desastre completo. Se a coitada da Samaire Amstrong (que participou do seriado The O.C.) sofre com cenas de pura vergonha alheia, Zegers ainda tenta fazer alguma graça com um jeito afeminado – afinal, é uma história de troca de corpos. Em vão. Os dois não conseguem trazer nada de muito útil para uma história pobre, clichê e mal realizada.

FILME: 4.5

9 Canções, de Michael Winterbottom

Com Kieran O’Brien e Margo Stilley

Fazia um bom tempo que eu não me indignava tanto com um roteiro gratuito. 9 Canções não tem história e é uma sucessão de cenas de sexo (explícito, diga-se de passagem) com outras de música (e nisso, inclui-se até uma participação de Franz Ferdinand cantando Jaqueline). Ao meu ver, tudo sem propósito e filmado sem beleza alguma. São 80 minutos de vazio e muito sexo. Se Michael Winterbottom sempre me pareceu um diretor bem questionável, agora ele confirma essa minha sensação com 9 Canções.

FILME: 2.0

O Preço da Traição

Direção: Atom Egoyan

Elenco: Julianne Moore, Amanda Seyfried, Liam Neeson, Max Thieriot, Nina Dobrev, Julie Khaner, Mishu Vellani, R.H. Thomson

Chloe, EUA, 2009, Drama, 96 minutos, 16 anos

Sinopse: Catherine (Julianne Moore) e David (Liam Neeson) – ela uma médica, ele um professor – são à primeira vista, o casal perfeito. Felizes, com um filho adolescente talentoso, eles parecem ter uma vida idílica. Mas quando David perde um vôo e consequentemente sua festa de aniversário surpresa, Catherine começa suspeitar do marido. Colocando em cheque a sua fidelidade, ela decide contratar Chloe (Amanda Seyfried), uma acompanhante para seduzir David e testar sua lealdade.

Existe aquela suspeita. Depois, uma crescente paranóia. Logo, investigação.  Mais adiante, obsessão. Por fim, sexo e morte. Está presente, também, aquela clássica trilha de suspense. Em alguns momentos, notamos dramas existencialistas. Esses são elementos clássicos de suspenses que passam durante a madrugada na televisão. O gênero fez muito sucesso durante certo tempo – sendo, Atração Fatal, possivelmente,o melhor exemplar dessa safra. O Preço da Traição lembra muito esse tipo de filme. Só é uma pena que seja tão mal resolvido.

Sinceramente, não sei o que se passa na cabeça de Julianne Moore. Ela seria uma atriz exemplar, caso não se envolvesse, insistentemente, em filmes tão irregulares como esse. O Preço da Traição já parte de um argumento fraco. Não dá para esperar muito da história proposta pelos roteiristas. Contudo, poderiam ao menos não ter caído tanto no óbvio e na má qualidade. São vários os problemas do roteiro. A começar pela obviedade, já que é muito fácil deduzir, inclusive, as intenções de certos personagens. Tudo o que acontece no filme é apresentado da forma mais datada possível.

O Preço da Traição, até mais ou menos a metade, consegue segurar as pontas no ciclo previsível. Acontece que o enredo começa a forçar a barra, até culminar em um final fraquíssimo e apressado. O filme foi cercado por algumas expectativas em relação aos momentos lésbicos de Julianne Moore e Amanda Seyfried (assim como Scarlett Johansson e Penélope Cruz em Vicky Cristina Barcelona). Para quem se importa com isso, a espera vale a pena, já que uma determinada cena chega a ser até mais ousada. Ambas são belas mulheres e estão bem fotografadas no filme. No entanto, nem essa tal polêmica envolvendo as duas ou a beleza delas conseguem colocar algum charme para O Preço da Traição.

O que dá para tirar de lição de um filme como esses é bem simples: não adianta tentar apresentar um produto que, de certa forma, faz uma ode a um estilo de cinema que um dia fez sucesso sem apresentar qualquer atrativo que seja, ao menos, um guilty pleasure. O Preço da Traição não é uma desgraça, mas não consegue causar efeito no espectador. É uma experiência que funciona em certos momentos. Mas, infelizmente, soa descuidado e mal escrito. Bastava um pouquinho mais de dedicação nesse texto amador que, talvez, tudo se ajeitasse. Julianne Moore parece usar magia negra para não envelhecer. Ela deveria é usar essa magia para não fazer mais bobagens como essa.

FILME: 5.5