Alice no País das Maravilhas

Off with their heads!

Direção: Tim Burton

Elenco: Mia Wasikowska, Johnny Depp, Helena Bonham Carter, Anne Hathaway, Crispin Glover, Alan Rickman (voz), Michael Sheen (voz)

Alice in Wonderland, EUA, 2010, Aventura, 108 minutos, 10 anos

Sinopse: Alice (Mia Wasikowska), agora aos 19 anos, está em uma festa da nobreza em Oxford, onde vive, até que descobre que está prestes a ser pedida em casamento. Desesperada, ela foge seguindo um coelho branco, e vai parar no País das Maravilhas, um local que ela visitou quando tinha seis anos mas não se lembrava mais. Lá, ela é saudada pelo Coelho Branco, o Ratão, o Dodo, Tweedledee e Tweedledum e várias flores falantes. Eles discutem sobre a sua identidade como “A verdadeira Alice”, que matará o Jaguadart e derrubará a Rainha Vermelha,devolvendo o poder à Rainha Branca.

Não sei se é uma afirmação correta, mas é bem provável que Alice no País das Maravilhas seja o lançamento mais esperado de 2010. A produção foi comentada em todos os cantos e, aqui no sul, chegou até a ser tema de um importante evento de moda. É uma pena que o filme de Tim Burton não satisfaça a ansiedade gerada. Alice no País das Maravilhas não tem sequer um aspecto maravilhoso ou qualquer cena memorável. É uma grande decepção – não só para a crítica, mas para o grande público, que também não se empolgou com o resultado.

É até fácil enumerar os defeitos que fizeram Alice no País das Maravilhas não ter alcançado êxito. Para começar, o roteiro é super problemático. Ao invés de apostar em uma simples refilmagem do clássico desenho, resolveu abordar uma história posterior aos acontecimentos mostrados na animação. A notícia ruim é que essa história não tem a mínima graça. Não existe razão para narrar uma nova aventura de Alice (Mia Wasikowska) no tal país maravilhoso do título. Tudo teria muito mais encantamento se uma pequena protagonista descobrindo aquele estranho lugar fosse mostrada- e não uma adolescente apática só querendo sair de lá.

Os problemas do roteiro não param por aí. Como se não fosse o bastante, parece que nada acontece em Alice no País das Maravilhas. Durante um bom tempo, o espectador pode se perguntar: tá, afinal, sobre o que é essa história? Não fica claro o que o filme quer fazer com os personagens e muito menos com cada cena. Por falar em personagens, eis aí outro problema significativo do longa de Tim Burton. São milhares de figuras em cena – e a grande maioria mal trabalhada. Muitos personagens para pouca ação. Ou seja, desperdiça uma história, prejudica personagens em potencial e ainda alcança uma abordagem inexpressiva.

Muito criticada foi Mia Wasikowska (que arrebentou na primeira temporada do seriado In Treatment) por sua representação. O problema é que ela e praticamente todo o elenco foram prejudicados pelo texto. Johnny Depp que o diga. É visível o esforço dele, mas a amplitude completamente simplória do Chapeleiro Maluco não deixa o ator ir muito além. Sem falar, claro, que ainda lhe “presenteiam” com um momento de dança muito constrangedor. A única que se salva é Helena Bonham Carter – e sua personagem, justamente, é a que mais deveria causa antipatia. Entretanto, como tem acontecido muitas vezes no cinema contemporâneo, percebemos que estamos admirando mais o vilão do que o mocinho.

Nem o visual de Alice no País das Maravilhas chega a ser impressionante. Aliás, em alguns momentos, fica plastificado demais pelo uso em demasia de efeitos especiais. É um bom aspecto do filme – mas, também, decepcionante. Aliás, todo e qualquer aspecto desse filme fica aquém de qualquer produção da carreira de Tim Burton. O DNA dele está presente aqui, mas onde foi parar o empenho e a originalidade tão característica do diretor? Burton deixa a sensação de que dirigiu tudo no piloto automático. Algo que fica visível nos momentos derradeiros, em especial na batalha final, onde ele apela para o clássico embate entre mocinhos e bandidos. Nem a guerra travada em cena causa sequer um momento de suspense.

Existem situações em que a expectativa destrói um filme. Não sei se esse é o caso. Talvez, até seja. Mas, Alice no País das Maravilhas conseguiria desapontar mesmo se não estivesse sendo tão esperado. É um trabalho problemático e que desperdiça diversos setores com potencial. Não considero a produção ruim. No entanto, não consigo deixar de expressar a minha total decepção com a irregularidade do filme. É uma pena que um cineasta tão especial como Tim Burton tenha apresentado esse resultado inexpressivo. O que é meio incompreensível, uma vez que Burton já havia se envolvido com uma refilmagem. Contudo, ao contrário do ótimo A Fantástica Fábrica de Chocolate, Alice no País das Maravilhas fica bem abaixo da média.

FILME: 6.0


13 comentários em “Alice no País das Maravilhas

  1. É que muitas pessoas dizem que o filme é muito louco, mas acho que o que você diz que eles não entendem, não dar-lhe o foco de análise! E eu rotular-me louco por dizer mais do que eu amo o personagem da “Rainha dos corações”! Eu acho que é uma questão de perspectiva!

  2. esse filme foi realmente uma decepção…sempre adorei alice no pais das maravilhas por um motivo: quase ninguem percebe mas essa historia e uma historia de terror…li uma vez uma escritora afirmar que as pessoas crescem e se esquecem de como e aterrador ser criança,e alice no pais das maravilhs era isso,era a simplicidade e ingenuidade infantil perante o terror da improvavel e do absurdo,alem de trazer metaforas sobre nossa sociedade,como na historia das pequenas ostras…como tim burton tem familiaridade com esse tipo de tema,esperava que fosse o melhor filme do ano,entretanto,como disse nosso amigo logo acima,nos venderam gato por lebre…uma pena pq era mt promissor.

  3. Brenno, é uma baita decepção mesmo…

    Tommy, eu nem cheguei a gostar. Faltou algo nesse filme.

    Vinícius, para mim, “off with their heads!” é a única coisa que marca nesse filme.

    Mark, não sei se chega a ser um desastre, mas é bem desestimulante.

    Reinaldo, eu acho que o filme foi vítimas de expectativas sim. Além de ser um longa mal realizado, claro.

    Mayara, eu gostei da Helena Bonham Carter… Mas não acho a parte técnica tão digna de elogios… Nem isso conseguiu me encantar no filme.

    Pedro, foi o enfrentamente entre essas duas visões que acabaram com o filme. Ao menos na minha opinião.

  4. A visão do diretor e a visão do estúdio, quando se enfrentam, fazem um mau filme. Em certos momentos do filme – principalmente da sequência de “guerra” final – isso fica evidente. O filme é legal, nem mais, nem menos. Pouco, aliás, para Tim Burton.

  5. “Off with their heads!” é impagável. Dei risadas com a Rainha Vermelha. Mas fiquei satisfeita com o filme, que se destaca com a atuação de Helena Bonham Carter e a parte técnica. ;)

  6. Tenho que me curvar perante a clareza de sua critica Matheus. Concordo plenamente com tudo o que vc disse. Só acho que o filme não foi vítima da expectativa que alimentava. Houve uma habilidosa estratégia de marketing que nos vendeu gato por lebre. Esperávamos um filme de Tim Burton e veio um legítimo clássico Disney, com todas as suas resiliências.

    ABS

  7. Depois da sua critica nem tenho interesse em ver, pelo jeito parece um desastre mesmo!

  8. “Off with their heads!” Não conseguia tirar essa frase da cabeça depois de ver o filme, basicamente pelo que você disse: a personagem da Helena Bonham Carter é a melhor. Um bom filme, apenas abaixo do esperado.

  9. Eu achei esse filme um desastre. Mal explicado, personagens nada interessantes e Mia Wasikowska está pavorosa. Quiseram fazer uma rainha vermelha amedrontante, mas ela não passava de uma baixinha que fala demais e não põe medo em ninguém. Triste decepção.

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