Cinema e Argumento

G.P. do Cinema Brasileiro 2011

Se as pessoas já reclamam das cerimônias do Oscar, Globo de Ouro e afins, imagina, então, o que não devem falar do Grande Prêmio do Cinema Brasileiro… Mas, excetuando qualquer comparação com as premiações norte-americanas (até porque aqui não rola o mesmo dinheiro que lá), o G.P. ainda tem muito o que evoluir no quesito cerimônia. A começar pelo cenário sem atrativos, total falta de glamour e aquele velho clima de mera formalidade. Formalidade que ficava ainda mais presente no formato adotado para anunciar os vencedores. Às vezes, apresentavam três categorias ao mesmo tempo, falando 15 indicados e depois chamando todos os vencedores para o palco.

Outro problema é a desorganização. Teve convidado que anunciu o vencedor antes de sequer falar os indicados, apresentadores perdidos caminhando em direções erradas e completa falta de harmonia entre os depoimentos – enquanto alguns falavam por cerca de 20 segundos, outros falavam em minutos intermináveis sem qualquer intervenção da equipe organizadora. Bruno Mazzeo e Fabíula Nascimento, a dupla estilo Anne Hathaway e James Franco, bem que tentaram animar a situação com piadinhas (a maioria não causava nem um sorriso amarelo na plateia) e trazer desenvoltura para a cerimônia. Em vão. Eles, principalmente Mazzeo, falharam em todas as suas tentativas.

Quanto aos prêmios, podemos nos dar por satisfeitos. O bom senso reinou e Tropa de Elite 2 foi o grande vencedor, batendo o queridinho Daniel Filho. A coroação foi justa, uma vez que o filme de José Padilha, ao contrário de Chico Xavier, não foi só sucesso de bilheteria, mas também quase uma unânimidade entre a crítica. Nas atuações, se o prêmio de Cássia Kiss parece incompreensível (aqueles poucos minutos dela em cena não justificam prêmio algum), pelo menos o de Glória Pires parece justificável: ela é a luz e o ponto alto do fracassado Lula – O Filho do Brasil. Minha torcida era para Christiane Torloni, mas o prêmio para Glória foi justo e também uma espécie de consolo por ela ter perdido ano passado por É Proibido Fumar.

Ou seja, o G.P. do Cinema Brasileiro 2011 estava satisfatório em termos de prêmios – com exceção, claro, de algumas loucuras, como o empate na categoria de ator coadjuvante, por exemplo – mas perdeu qualquer chance de salientar as justas vitórias de Tropa de Elite 2 e suas boas escolhas em função de sua festa mecânica e sem brilho. Faltou organização, boas ideias, bom senso (colocar a premiação na terça-feira não é uma boa ideia) e, principalmente, presença dos vencedores. Vários deles estavam ausentes. Fora a satisfação de ter seu trabalho reconhecido, não devem ter perdido muita coisa nesse evento que se propõe ser, como dizem, o “Oscar brasileiro”. Não exijo o mesmo espetáculo técnico dos norte-americanos, mas pelo menos a organização e o carisma. Só que é difícil esperar isso de uma premiação cuja lista de indicados que já apontava bagunça…

OS VENCEDORES:

Melhor Curta-Metragem Animação: Tempestade
Melhor Curta-Metragem Documentário: Geral
Melhor Curta-Metragem Ficção: Recife Frio
Melhor Longa-Metragem Estrangeiro: O Segredo dos Seus Olhos
Melhores Efeitos Visuais: Nosso Lar
Melhor Longa-Metragem Infantil: Eu e Meu Guarda-Chuva
Melhor Figurino: Quincas Berro D’Água
Melhor Maquiagem: Chico Xavier
Melhor Direção de Arte: Quincas Berro D’Água
Melhor Som: Tropa de Elite 2
Melhor Trilha Sonora: O Homem Que Engarrafava Nuvens
Melhor Trilha Sonora Original: Olhos Azuis
Melhor Montagem Ficção: Tropa de Elite 2
Melhor Montagem Documentário: Dzi Croquettes
Melhor Direção de Fotografia: Tropa de Elite 2
Melhor Longa-Metragem Documentário: O Homem Que Engarrafava Nuvens
Melhor Atriz Coadjuvante: Cássia Kiss (Chico Xavier)
Melhor Ator Coadjuvante: André Mattos (Tropa de Elite 2) e Caio Blat (As Melhores Coisas do Mundo)
Melhor Roteiro Original: Tropa de Elite 2
Melhor Roteiro Adaptado: Chico Xavier
Melhor Atriz: Glória Pires (Lula – O Filho do Brasil)
Melhor Ator: Wagner Moura (Tropa de Elite 2)
Melhor Direção: José Padilha (Tropa de Elite 2)
Melhor Longa-Metragem de Ficção: Tropa de Elite 2
Voto popular – Melhor longa-metragem estrangeiro: A Rede Social
Voto popular – Melhor longa-metragem documentário: Dzi Croquettes
Voto popular – Melhor longa-metragem nacional: Tropa de Elite 2

Esposa de Mentirinha

Direção: Dennis Dugan

Elenco: Adam Sandler, Jennifer Aniston, Brooklyn Decker, Nicole Kidman, Nick Swardson, Bailee Madison, Griffin Gluck, Dave Matthews, Kevin Nealon

Just Go With It, EUA, 2011, Comédia, 117 minutos

Sinopse: Danny Maccabee (Adam Sandler) queria um relacionamento sério, mas foi infeliz em sua tentativa de casamento. Para driblar a carência, passa a vivenciar somente namoricos e transas sem o menor compromisso. Assim, ele toca sua vida como cirurgião plástico bem sucedido, tendo sua melhor amiga Katherine (Jennifer Aniston), mãe solteira de um casal de pirralhos, como fiel escudeira. Mas um dia ele conhece a jovem Palmer (Brooklyn Decker) e a paixão toma conta de ambos. Disposto a se casar com ela, Danny pisa na bola quando, para conquistá-la, inventa que é marido da amiga, pai das crianças e que vai se separar. Começa então uma verdadeira aventura amorosa recheada de confusões de todos os tipos.

Nem me lembrava da última vez que assisti a um filme de Adam Sandler. Gostava dele quando tinha meus 13 anos de idade e adorei, por exemplo, Como Se Fosse a Primeira Vez. O tempo passou, eu cresci e pude perceber que Adam Sandler é  um péssimo sujeito. Não só tem o dom de fazer sempre o mesmo tipo de filme como também consegue tornar quase que insuportável um longa que, talvez, seria diferente sem a sua presença. Porque, sejamos sinceros, Esposa de Mentirinha é um filme perdido – mas, certamente, seria mais assistível caso Sandler não estivesse presente.

Partindo da velha premissa de um protagonista que começa contando uma pequena mentira, mas que, aos poucos, está cada vez mais submerso nesse mundo, Esposa de Mentirinha tenta de tudo para ser uma boa comédia. Excetuando fatos absurdos e irrelevantes para o gênero (o protagonista é infinitamente rico e ninguém parece perceber que ele é um completo imbecil), o diretor Dennis Dugan tenta fazer um feel good movie de férias com personagens excêntricos. Dá para fazer com qualidade? Claro qie sim,  até o episódio especial de Chaves em Acapulco conseguiu provar isso! Mas muita coisa dá errada em Esposa de Mentirinha

A principal delas é não saber qual o limite da excentricidade. Dá para engolir personagens sem noção, mas é difícil conviver com figuras que, de tão bizarras, chegam a ser ridículas – em especial o insuportável personagem de Nick Swardson. De resto, podemos citar situações bobas (até respiração boca-a-boca com uma ovelha!), falta de conexão entre as cenas e por aí vai… Jennifer Aniston está ali fazendo o que pode – e ela é um ponto positivo, vale ressaltar – assim como Nicole Kidman aparece bem à vontade em cena, fazendo um papel diferente do que lhe é oferecido. O destaque também vai para a garota Bailee Madison, sempre impagável toda vez que aparece.

No entanto, nada é capaz de apagar a inconveniência de Adam Sandler. Ele, que hoje tem 45 anos de idade, interpreta sempre o mesmo tipo e já demonstra estar batido (ou seria “velho”?) para histórias assim. Exagerado, sem carisma e inconvicente, ele coloca quase tudo a perder em Esposa de Mentirinha. Sem ele, o filme seria uma bobagem assistível repleta de defeitos perdoáveis – aquela comédia com exageros e que aposta no romance para concluir a história.  Contudo, a presença de Sandler faz questão não apenas de evidenciar esses defeitos, mas também de maximizá-los.

FILME: 5.5

O som das trilhas

Biutiful, por Gustavo Santaolalla

Gustavo Santaolalla é um compositor que está longe de ter a minha admiração. As melodias criadas por ele são sempre eficientes (mesmo em trilhas que não são grandiosas como apontam, a exemplo de O Segredo de Brokeback Mountain), mas, se formos ouvir a trilha inteira, podemos notar várias repetições de estilo. É o caso de Biutiful (notem com os nomes das canções têm grafias erradas, assim como o título do filme), que traz aquele velho estilo de Santaolalla que todos conhecemos, em especial aquele que ouvimos em Babel. O que ele faz em Biutiful é reciclado. Reciclado, mas eficiente. No filme, a trilha chama mais a atenção e tem mais eficiência do que separado. No entanto, é um trabalho positivo – mas, assim como todos os outros do compositor, nada que seja digno de celebração exacerbada.

Mildred Pierce, por Carter Burwell

Carter Burwell é um sujeito muito trabalhador, mas que nunca fez trilhas grandiosas e que recebessem muitos aplausos. Conhecido por ser colaborador dos filmes dos irmãos Coen, ele também já fez outros trabalhos interessantes como Adaptação e A Pele. Porém, creio que nunca fiquei tão satisfeito com uma trilha de Burwell quanto em Mildred Pierce. Na minissérie, já dava para notar a eficiência da trilha, mas ouvi-la separadamente é um deleite. Desde as composições de créditos iniciais e finais até faixas excelentes como Mouting Monty, o compositor acertou apostou na simplicidade para alcançar um resultado digno de reconhecimento. Um trabalho que vale a pena conferir, especialmente por se tratar de um dos momentos mais inspirados do subestimado Burwell.

The Village, por James Newton Howard

Quando penso em James Newton Howard, logo me lembro dos lindos violinos e das composições singulares que ele fez para A Vila. A grande maioria detesta esse filme incompreendido (que, para mim, é o auge de M. Night Shyamalan), mas, mesmo aqueles que não compartilham da minha opinião quanto ao longa devem reconhecer a completa beleza dessa trilha sonora. Além de cumprir muito bem a missão de ambientar ainda mais o espectador no clima filme, o álbum serve como exemplo de como se fazer uma bela trilha que varie entre drama e suspense sem se perder. Basta ouvir What Are You Aking Me? e, principalmente, Those We Don’t Speak of para entender. Trabalho de mestre para se ter na coleção!

How to Train Your Dragon, por John Powell

Nunca me liguei nos trabalhos de John Powell (o único que devo ter ouvido mais de uma vez é o de O Ultimato Bourne), mas foi extremamente interessante ter conhecido o que ele fez para a trilha de Como Treinar o Seu Dragão. Por esse filme, Powell recebeu uma indicação ao Oscar. E com todos os méritos, já que essa é uma das melhores trilhas para uma animação dos últimos anosa. Talvez um pouco longo demais e, em certos casos, repetitivo, o álbum transmite toda a aventura da história com muito dinamismo. São poucas as trilhas de animação que se sustentam do início ao fim (talvez só as da Pixar)… Sorte que John Powell conseguiu isso em Como Treinar o Seu Dragão.

Blue Valentine, por Grizzly Bear

Para falar bem a verdade, só fui prestar a atenção na trilha de Namorados Para Sempre na hora dos créditos finais – que são lindos, por sinal. Alligator (Choir Version) encerra com perfeição a dolorosa história de amor do filme de Derek Cianfrace. Por causa dela, fui procurar o álbum completo e o resultado ficou somente no regular: nada de tão especial como essa música de desfecho mas também nada abaixo da média. A banda Grizzly Bear compreendeu todo o lado independente do filme e trouxe uma satisfatória ambientação de cada momento da vida dos personagens. Uma trilha diferente em vários momentos, mas que não chega a alcançar tudo aquilo que poderia…

Deixe-me Entrar

I told you we couldn’t be friends.

Direção: Matt Reeves

Elenco: Kodi Smit-McPhee, Chloe Moretz, Richard Jenkins, Cara Buono, Elias Koteas, Sasha Barrese, Dylan Kenin, Chris Browning, Ritchie Coster

Let Me In, EUA, 2010, Suspense, 115 minutos

Sinopse: Owen (Kodi Smit-McPhee) é um garoto solitário, que vive com a mãe e é sempre provocado pelos valentões da escola. Um dia ele conhece, perto de sua casa, Abby (Chloe Moretz). Sempre nas sombras, ela aos poucos de aproxima de Owen e logo se tornam amigos. Só que Abby possui um segredo: ela é muito mais velha que sua aparência indica e necessita de sangue para sobreviver. Para consegui-lo, seu acompanhante (Richard Jenkins) realiza assassinatos na surdina, de forma a retirar o sangue das vítimas e levá-lo para Abby.

Raramente refilmagens norte-americanas de filmes estrangeiros funcionam, principalmente quando elas são feitas às pressas e pouco tempo depois do original ter recebido destaque. Se Quarentena, remake do maravilhoso terror espanhol [REC] foi um exemplo de como isso pode dar errado, Deixe-me Entrar vem para trazer algumas surpresas. Derivado do sueco Deixe Ela Entrar, de 2008, esse remake de Matt Reeves prova que copiar a ideia de outros países, às vezes, pode funcionar.

Talvez fosse justamente essa veia mais comercial que impedia Deixe Ela Entrar de ser um grande filme. O original tinha suas boas ideias, mas não apresentava o ritmo necessário para atingir um grande público. Ele se alternava entre o suspense e o drama humano, o que afastava aqueles que procuravam uma história mais dinâmica no mistério. Deixe-me Entrar corrigiu isso e apresentou um resultado mais abrangente. Claro que muito se perde – as estéticas norte-americanas para o suspense não são lá tão originais e aqui isso fica presente na irregular trilha de Michael Giacchino, que varia entre a diversidade e o previsível – mas, no geral, mostra-se mais eficiente que o original.

Sorte que a história, na transição de países, não perdeu aquilo que era o seu principal foco: a relação entre os dois personagens principais. E esse é outro aspecto muito interessante dessa refilmagem. Trazendo dois ótimos atores para os jovens papeis (Kodi Smit-McPhee, de A Estrada, e Chloe Moretz, de Kick-Ass), o enredo ficou ainda mais verossímil por causa deles. Eles seguram o filme com segurança, especialmente porque os coadjuvantes não possuem tanta importância – e Richard Jenkins, por exemplo, tem pouco a fazer com seu papel limitado.

Mesmo que levemente superior ao filme sueco, Deixe-me Entrar não consegue se desvencilhar da incômoda sensação que deixa de trabalho requentado. Não existe nada de muito novo (a não ser, como já mencionado, um tratamento maior de suspense) e fica mais do que claro que não existem razões artistícas para esse filme ter sido feito. Como sempre, é uma jogada comercial. Existem cenas idênticas, assim como as resoluções. Com isso, Deixe-me Entrar não consegue contar nada além de uma história repetida. Se fosse o original e não a cópia, certamente seria ainda mais interessante…

FILME: 8.0

Em Um Mundo Melhor

Direção: Susanne Bier

Elenco: Mikael Persbrandt, Trine Dyrholm, Ulrich Thomsen, Markus Rygaard, William Jøhnk Nielsen, Camilla Gottlieb, Satu Helena Mikkelinen, Kim Bodnia

Hævnen, Dinamarca/Suécia, Drama, 119 minutos

Sinopse: Anton (Mikael Persbrandt) é um médico que trabalha em um campo de refugiados na África. Ele divide seu tempo entre os dias que passa trabalhando e outros em casa, em uma pacata cidade na Dinamarca. Anton tem dois filhos com Marianne (Trine Dyrholm), de quem está se separando contra a vontade. Elias (Markus Ryggard), seu filho mais velho, sofre com a perseguição no colégio de um garoto maior que ele. A situação muda quando conhece Christian (William Johnk Nielsen), que perdeu a mãe recentemente e acaba de se mudar para o local. Após defender Elias, Christian é agredido. Como vingança, dá uma surra no garoto e o ameaça com uma faca. A partir de então Elias e Christian se tornam grandes amigos. Só que um plano de vingança mais ousado coloca em risco a vida de ambos.

Em Um Mundo Melhor começa parecendo um filme convencional, como se a diretor Susanne Bier estivesse ainda reproduzindo as obviedades do melodrama que apresentou no cinema norte-americano em Coisas Que Perdemos Pelo Caminho. Logo no início, acompanhamos um médico olhando crianças africanas correndo, felizes e sorridentes, atrás de seu caminhão. Essa é uma cena clássica de filmes passados na África. Por isso, Em Um Mundo Melhor deixava a sensação que seria mais uma dessas histórias previsíveis ou, então, de monotonia como Lugar Nenhum na África. O filme, entretanto, segue um caminho bem diferente.

Essa produção vencedora do Oscar 2011 de melhor filme estrangeiro pouco se foca no trabalho do protagonista como médico na África (isso é só uma storyline secundária), mas sim em dramas humanos sobre relacionamentos encenados em uma pequena cidade da Dinamarca. Dramas que, por sinal, são muito interessantes e consistentes, versando sobre os mais diversos assuntos como casamentos despedaçados, a dor de um filho ao ter perdido a mãe, bullying e a falta de comunicação em uma família. Nada fora do lugar, tudo dosado com a devida intensidade, trazendo um ritmo dinâmico para essa história que deve ser facilmente acessível a todos.

Em Um Mundo Melhor ainda tem a seu favor personagens muito complexos, que trabalham em plena sintonia com os acontecimentos criados para eles. Se os adultos expressam, sem qualquer artificialidade, os dilemas de pessoas maduras (em especial o casal que está passando por um processo de separação), as crianças exemplificam com eficiência as consequências de descobertas perigosas e a falta de compreensão do mundo adulto. São personagens que nunca fogem da realidade e que, pelo excelente trabalho de elenco, se tornam ainda mais verdadeiros, com destaque para a revelação do jovem William Jøhnk Juels Nielsen. Susanne Bier, portanto, uniu dramas envolventes com personagens bem escritos e situações atraentes, que variam entre a tensão e o drama sentimental.

Outro mérito de Em Um Mundo Melhor é conseguir fazer, sem dificuldade alguma, a transição entre adultos e personagens. Nenhuma abordagem se sobrepõe à outra e, quando se cruzam, possuem a mesma eficiência de quando trabalhadas separadamente. Claro que ainda existem situações avulsas, como a do maquiavélico africano que violenta mulheres grávidas, mas nada que tire o excelente ritmo do longa dinamarquês. Apesar de tantas virtudes e acertos, Em Um Mundo Melhor é um filme momentâneo. Assim, é fácil apreciar o filme na hora e se envolver com cada história contada por ele. Porém, os créditos finais chegam e, minutos depois, parece que o filme não está mais com você. Nesse sentido, não é tão eficiente como poderia ser. Mas, convenhamos, quem dá grande importância a isso quando ele funciona justamente quando tem que funcionar: na hora em que estamos sentados à sua frente?

FILME: 8.5