Cinema e Argumento

Na coleção… Kill Bill – Volume 1

A última frase dita em Bastardos Inglórios, “acho que essa é a minha obra-prima”, foi interpretada por muitos como uma declaração literal do diretor Quentin Tarantino. Se isso for mesmo verdade, tenho que dizer que discordo da opinião dele. É fato que Bastardos Inglórios tem tudo para ser o queridinho absoluto da filmografia do diretor, mas não acredito que Tarantino tenha sito tão inventivo e original nele como foi em Kill Bill – Volume 1, que é o ponto alto de sua carreira. Ousado, divertido, tenso e até mesmo uma verdadeira homenagem ao cinema, a primeira parte da saga da Noiva (Uma Thurman) é um espetáculo – seja ele visual ou narrativo. É Tarantino dando seu melhor atrás das câmeras, provando que o absurdo pode se relacionar com a excelência.

Narrando a vingança de uma mulher que entrou desperta do coma após ser traída e espancada pelo Bill (David Carradine) do título e por mais quatro pessoas, Kill Bill – Volume 1 já começa trazendo o papel da vida de Uma Thurman (no segundo volume, ela teria a melhor interpretação de sua carreira), que não apenas se dedicou inteiramente a um intenso trabalho físico de preparação para a personagem, mas como também compreendeu todo o clima proposto pelo diretor. Ela, junto com todos os outros do elenco (Daryl Hannah, Viviva A. Fox, Lucy Liu, etc), é um dos destaques dessa história que só poderia ser contada por Tarantino. Sim, nas mãos de outra pessoa, Kill Bill – Volume 1 poderia cair no ridículo – algo que nunca acontece aqui. O que vemos é um longa cheio de referências, com uma estética vibrante e que, principalmente, sabe a hora de se levar a sério e quando deve dar risada do que está mostrando.

Primeira parte de uma história que foi inicialmente pensada para ser apenas um único longa, Kill Bill – Volume 1 também consegue se diferenciar com maestria do seu segundo volume. Os dois filmes possuem tons bens diferentes, o que, claro, divide bastante o público. Só que o primeiro consegue ser superior não só por ser mais dinâmico tanto em termos de ação quanto em termos de trama mesmo, mas também por conseguir explorar melhor todos os elementos cinematográficos, desde a deliciosa trilha sonora que traz momentos antológicos, como a batalha final entre O-Ren Ishii (Lucy Liu) e A Noiva (Thurman), até a forma visual como conta a história, utilizando-se de animações, flashbacks e demais ferramentas. Repleto de sangue por todos os lados, Kill Bill – Volume 1 mostra um Tarantino livre e capaz das mais impressionantes insanidades (no bom sentido), mas sem nunca, óbvio, perder sua vontade de mostrar o quanto ama o cinema. Um clássico contemporâneo.

FILME: 9.0

Brasil ficou devendo em 2011: Another Year, de Mike Leigh

I feel like Thelma and Louise! This little car is going to change my life!

Mike Leigh é um diretor único por saber trabalhar com maestria a humanidade de seus personagens. A verossimilhança emocional é o ponto alto de seus longas, característica facilmente perceptível no intenso Segredos e Mentiras ou no doloroso O Segredo de Vera Drake – ambos longas que, vale lembrar, trazem performances extraordinárias de seus atores. Se em Simplesmente Feliz o diretor pisou na bola ao entregar o filme inteiro a uma personagem insuportável, agora ele retorna ao seu clássico jeito de fazer cinema com esse ótimo Another Year, filme que nunca embarcou em terras brasileras e que ainda permanece sem destino por aqui.

Leigh, como sempre, entrega um filme de sutilezas sobre as pequenas coisas da vida. Um jeito meio Amélie Poulain de valorizar os fatos mais “corriqueiros” de nossa existência, como a visita de um amigo ou, então, um almoço em família. Tudo isso com aquela habitual habilidade do diretor em extrair o melhor do lado humano de cada personagem. Os atores deixam a sensação de que estamos acompanhando, de fato, a vida de pessoas que poderiam muito bem estar morando na casa ao lado da nossa. São personagens verdadeiros, acima de tudo.

Se a química entre Jim Broadbent e Ruth Sheen é fundamental para o desenvolvimento de todas as histórias, nenhuma presença consegue ser tão marcante quanto a de Lesley Manville. Maravilhosa em cada aparição, a atriz conquista a todo momento, mostrando uma segurança notável ao transitar entre o drama e a comédia de uma personagem extremamente interessante e bem construída. Manville é o que existe de melhor em Another Year, entregando uma interpretação que foi injustamente ignorada na temporada de premiações (foi lembrada apenas por uma merecida indicação ao BAFTA).

No entanto, já fica o aviso: Another Year é para aqueles que apreciam a carreira de Mike Leigh. Quem não gosta do estilo do diretor pode achar o filme perfeitamente exaustivo e longo. Afinal, são duas horas de duração onde os conflitos estão instalados de forma subjetiva, já que não existem grandes acontecimentos. De qualquer forma, esse é um ótimo filme. Ainda não alcança os melhores momentos do diretor e, claro, possui falhas (a ótima ponta de Imelda Staunton no início é desperdiçada e o enredo, no ato final, perde muito a força), mas, sem dúvida, vale a conferida.

FILME: 8.0


Os piores de 2011

A fórmula infalível da desgraça: Nicolas Cage + Joel Schumacher

1. Reféns, de Joel Schumacher: O horror! Dá dor de cabeça só de lembrar da tortura daqueles 90 minutos. Reféns junta tudo o que existe de pior em Hollywood. Tudo isso, claro, vindo de uma dupla implacável nesse assunto: Nicolas Cage e Joel Schumacher, ambos profissionais decadentes e que são sempre sinais de bombas. Mas, dessa vez, teve até espaço para a Nicole Kidman dar uma ajudinha! O filme não tem ritmo, é carente de história, não cria suspense, irrita a cada cena e é filmado de uma forma incrivelmente cafona. Não deseje nem para o seu pior inimigo! SOS!

2. A Garota da Capa Vermelha, de Catherine Hardwicke: Se não fosse pela obra-prima do mal gosto chamada Reféns, esse filme de Catherine Hardwicke seria o pior de 2011. A diretora, que um dia chegou a nos enganar com Aos Treze, apresenta uma história completamente insossa, com personagens caricatos e inertes, bem como uma trama sem qualquer suspense ou envolvimento. Lamentável ver ótimos atores como Julie Christie e Gary Oldman numa produção tão monótona como essa – que, além de tudo, tenta ser mais um hit adolescente. E, no final, fica só na tentativa mesmo.

3. Como Você Sabe, de James L. Brooks: Não consigo perdoar filmes chatos. Principalmente quando eles vêm acompanhados de pessoas que poderiam fazer tudo dar certo. James L. Brooks, que dirigiu o ótimo Melhor é Impossível, cria uma comédia romântica completamente tediosa – que, pasmem, consegue tirar até mesmo a graça de Jack Nicholson. Incrivelmente longo para o gênero, Como Você Sabe é desprovido de carisma, entregando algo totalmente diferente do que sugeria. Até mesmo a mais disposta das almas precisa de um energético para não cair no sono.

4. Sem Saída, de John Singleton: Esse foi uma grande decepção porque tinha tudo para ser uma bobagem bem divertida. Porém, parece que Hollywood desaprendeu a fazer filmes assim. Sem Saída, além de mostrar que Taylor Lautner é pura enganação na saga Crepúsculo, nunca empolga, usando desculpas esfarrapadas para criar ação e um fiapo de história que é amarrado de forma muito desleixada no final. De brinde, atores interessantes em papeis ingratos – só de lembrar da cena em que Sigourney Weaver diz odiar balões já fico com vergonha por ela. Fraquíssimo até o último minuto.

5. A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 1, de Bill Condon: Já nem me estresso tanto quanto antes. Na realidade, acho que virou moda humilhar a série. Mas, gente, não adianta, ela não vai mudar. Por isso mesmo, acabo até me divertindo com o humor involuntário de algumas partes desse filme. Impressionante como vários diretores entram e saem da saga e tudo continua a mesma coisa: atores inexpressivos, trama que não sai do lugar e abordagens baratas de romance. No final, nem chega a ser essa tragédia toda que dizem. Só é mais uma bobagem como qualquer outro filme anterior.

6. Um Lugar Qualquer, de Sofia Coppola: Prêmio Filme Pedante do Ano para esse. Aguentei a Coppolinha por bastante tempo, mas dessa vez não deu. Não vejo sentido ou sequer graça em tomadas de intermináveis mostrando uma mesma coisa com uma trilha legal no fundo. Sério que isso é ser cult? Para mim, isso tem outro nome: pretensão. Um Lugar Qualquer tem o desejo de discutir muitas coisas e de ser um retrato da solidão e da imcompletude, mas é uma espécie de sonífero. Nem a presença de iluminada Elle Fanning muda a situação desse longa que sai do nada para chegar em lugar nenhum.

7. Esposa de Mentirinha, de Dennis Dugan: Gostava de Adam Sandler quando era criança e não tinha bom senso. Hoje, só a presença dele já me incomoda. É o mesmo papel de sempre, exageros repetidos e, pior de tudo, fazendo um filme ruim atrás do outro. Ele, que já não é mais novinho e deveria criar vergonha na cara por passar anos fazendo tudo igual, é o principal defeito de Esposa de Mentirinha – um longa que por si só já seria problemático, mas que, com os ares de Sandler, torna-se constantemente incômodo. Se alguma coisa vale a pena é o sotaque da menininha Bailee Madison e a pequena participação de Nicole Kidman. De resto, pffff…

8. Entrando Numa Fria Maior Ainda Com a Família, de Paul Weitz: De novo, gente? De novo? Daqui a pouco vai ser Entrando Numa Fria Maior Ainda com a Família, o Papagaio e os ET’s. E um de novo com o mesmo assunto de sempre. Não sei como atores do calibre de Robert De Niro e Blythe Danner ainda se submetem a filmes como esse. A série, que só foi engraça de verdade no primeiro volume, não precisa ser mais detalhada, já que a redundância de todas as continuações provam que a história não tem potencial o suficiente para ser tão explorada.

9. Sexo Sem Compromisso, de Ivan Reitman: Esse foi o ano dos amigos fazerem sexo sem qualquer envolvimento emocional. Por mais que Amizade Colorida e Amor e Outras Drogas fossem medianos, traziam ótimas químicas entre os seus protagonistas. Só que nem isso Sexo Sem Compromisso conseguiu trazer. Ashton Kutcher, com a mesma cara de sempre, e Natalie Portman, visivelmente deslocada, não conseguem fazer essa história parecer verdadeira – principalmente porque o roteiro não ajuda com sua narrativa pouco atraente e previsível. Nem a promessa de cenas mais “à vontade” entre os dois foi cumprida. Pura decepção

10. Além da Vida, de Clint Eastwood: Minha relação com Clint Eastwood já é problemática faz bastante tempo: Gran Torino, A Troca e Invictus, para mim, são produções sem personalidade, onde o diretor não consegue empolgar em momento algum. Além da Vida é mais ou menos assim, mas aqui a inexpressividade de Clint alcança um nível, digamos, preocupante. É o tipo de história onde ficamos aguardando um grande momento a cada nova cena e, no final… esse momento nunca acontece! Uma montagem preguiçosa também estraga a festa, além do final de Matt Damon e Cécile de France, que ultrapassa o nível do cafona.

As Canções

Eu não fui o amor da vida dele, mas ele foi o da minha.

Direção: Eduardo Coutinho

Documentário, Brasil, 2011, 90 minutos

Sinopse: De volta ao palco de um teatro, o diretor Eduardo Coutinho, dessa vez, resolve conhecer as histórias por trás das músicas que marcaram a vida de diversas pessoas. De Roberto Carlos a Noel Rosa, histórias que falam sobre amor, lembranças, desilusões, saudades e arrependimentos. Mais uma vez, o diretor realiza uma viagem ao lado mais humano de todos nós.

Quando eu for bem velhinho, bem velhinho, que usar um bastão, eu hei de ter um netinho, ai, pra me levar pela mão!

Olha, não tenho a mínima ideia de quem é essa música. Nem de quando ela é. Lembro apenas desse refrão. Só sei que, toda vez que penso na minha avó, lembro dela cantarolando essa marchinha… Mais especificamente na Augusto Pestana, uma rua que tem no lado da minha casa, aqui em Porto Alegre. Não sei ao certo quando foi que ouvi pela primeira vez essa música, mas lembro que sempre quando passeava com a minha avó ela me cantava essa música pra mim. Dizia que alguém cantava para ela… Ouvi diversas vezes. E, hoje, quando penso na minha avó, imediatamente penso nesse refrão do velhinho que deseja ter um netinho para levá-lo pela mão.

Ano passado, no dia da criança, ela me deu um pacote de doces de presente – algo que ela sempre comprava para mim, quando eu era criança. E ela também escreveu um cartão, onde dizia que eu cresci, que falo uma língua que não é mais a dela… Inclusive chegou a mencionar que não sabe nem mais quais são as músicas que eu escuto, já que são todas em inglês. É, o tempo passa muito ligeiro e parece que foi ontem que eu andava com ela pelas ruas do Bom Fim todo dia. Sei que hoje, com essa história de trabalhar o dia inteiro e de estudar de noite, fica difícil vê-la com tanta frequência… Assim, não posso seguir a música e levá-la pela mão o tempo inteiro. Mas acho que falo dessa música porque eu quero que ela saiba que o o meu coração quer sempre levá-la pela mão. Sempre.

A minha avó tem papel essencial na minha vida. Hoje, não seria nem metade do que sou se não fosse por ela. Desde cedo sempre me incentivou à leitura, ao hábito de ir ao cinema e a apreciar cultura. Isso é algo que vou levar para a vida inteira. Isso formou o meu caráter. Se não fosse pela minha avó, não estaria cursando Jornalismo – e, talvez, nem teria amado o cinema. Ela me ensinou muita coisa: como valorizar as nossas relações, como apreciar a cultura e, acima de tudo, como devemos sempre pensar que os afetos que construímos são os nossos bens mais preciosos. Tenho muitas músicas na minha vida. Músicas que ouço constantemente, que canto em festas e que marcaram muitos momentos da minha vida. Mas nenhuma outra será tão importante para mim como essa do velhinho. É a música que sempre vai me lembrar de tudo o que vivi e vivo com ela.

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Porque é exatamente assim que fiquei depois de As Canções: querendo contar uma história, cantar uma música que marcou a minha vida e ouvir tudo isso de mais outras pessoas. Coutinho, de novo, mergulhando na humanidade de seus entrevistados! Ótimo!

FILME: 8.5

As indicações ao Oscar de… Amy Adams

Atendendo a pedidos, o Cinema e Argumento retoma essa série de posts que tem como objetivo analisar as indicações ao Oscar de profissionais do cinema… Recomeçamos, então, com uma atriz que tem cara de novinha, como se fosse uma revelação adolescente. Só que Amy Adams está longe de ser uma novata: aos 37 anos de idade: já atuou em mais de 40 trabalhos, além de já ter marcado presença em séries como Smallville, The West Wing e The Office. A popularidade de Adams começou mais especificamente com Retratos de Família, que rendeu sua primeira indicação ao Oscar. Hoje, a atriz já trabalhou com importantes nomes do cinema como Mike Nichols, Susan Sarandon e Meryl Streep. Conhecida por sempre fazer papel de pessoa doce e quase ingênua (o que também lhe rende muitas críticas), Adams já acumula três indicações ao Oscar. Abaixo, comentários sobre as passagens dela como concorrente na Academia:

2006 – Melhor Atriz Coadjuvante

Michelle Williams (O Segredo de Brokeback Mountain)

Rachel Weisz (O Jardineiro Fiel)

Amy Adams (Retratos de Família)

Frances McDormand (Terra Fria)

Catherine Keener (Capote)

Não era um grande ano para as coadjuvantes. Só isso para explicar as absurdas inclusões de Frances McDormand e Catherine Keener nessa lista – ambas completamente neutras e sem presença nos seus respectivos filmes. Amy Adams, então, poderia ser considerada uma dessas garotas que surgem do nada entre as finalistas só para completar a lista. Mas a verdade é que a primeira indicação da atriz foi extremamente merecida. Não só por ser uma interpretação realmente digna de estar entre as finalistas, mas também por conseguir ser o principal destaque de um filme irregular. Retratos de Família, com seu caráter independente, é todo dela, que conquista justamente com o seu tão conhecido jeito de simpática e querida – que, posteriormente, viraria sua marca. Ela não tinha como vencer esse ano – tanto por razões políticas (uma recém chegada precisa estar um estouro pra vencer logo de cara) e porque não era melhor que Michelle Williams e Rachel Weisz. A primeira deveria ter vencido (é o grande destaque de um filme que não tem dois protagonistas tão brilhantes como apontam), mas a vitória da segunda por O Jardineiro Fiel foi merecida. A esquecida deste ano foi Thandie Newton (que chegou a vencer o BAFTA), responsável por um dos grandes momentos de Crash – No Limite.

2009 – Melhor Atriz Coadjuvante

Viola Davis (Dúvida)

Penélope Cruz (Vicky Cristina Barcelona)

Amy Adams (Dúvida)

Taraji P. Henson (O Curioso Caso de Benjamin Button)

Marisa Tomei (O Lutador)

Em sua segunda indicação ao Oscar, Adams já mostrou o quanto cresceu como atriz. Contracenando com Meryl Streep e Philip Seymour Hoffman em Dúvida, ela parece não ter se intimidado com o gigante talento de seus companheiros de cena: chega a estar, inclusive, tão eficiente e interessante quanto eles. Uma pena, portanto, constatar que Adams tenha vindo com esse papel logo num ano tão disputado na categoria. Além de rivalizar com uma outra atriz de seu filme (Viola Davis, a melhor das concorrentes, cuja interpretação permanece poderosa até hoje), também não tinha condições de vencer o furacão de Penélope Cruz, a vencedora da categoria. A espanhola, que recém havia conquistado a confiança de todos após Volver, era a sensação do momento – tanto que, no ano seguinte, recebeu uma indicação muito injusta por sua atuação em Nine. No dia da cerimônia, uma falsa lista vazou horas antes da premiação e, no documento, Adams era supostamente a atriz que seria coroada. Não foi difícil acreditar que existia essa possibilidade. Porém, apesar da excelente atuação em Dúvida, não tinha um papel marcante como o de Viola e Penélope. Enquanto isso, as outras duas concorrentes, Taraji P. Henson e Marisa Tomei, estavam ali sem chances reais de ganhar.

2011 – Melhor Atriz Coadjuvante

Amy Adams (O Lutador)

Melissa Leo (O Lutador)

Helena Bonham Carter (O Discurso do Rei)

Jacki Weaver (Reino Animal)

Hailee Steinfeld (Bravura Indômita)

Quebrando sua imagem de moça frágil que cultivou durante bom tempo (e que, recentemente também esteve presente em Os Muppets), Amy Adams apresenta, em O Vencedor, a composição mais diferente de sua carreira – e, consequentemente, de suas indicações ao Oscar. Mais uma vez sofrendo por rivalizar com uma companheira de cena que tinha personagem mais chamativo (Melissa Leo era mais alegórica do que, de fato, interessante), a atriz foi injustamente deixada de lado. O que é interessante no trabalho dela é como consegue quebrar seu estereótipo e interpretar uma mulher forte e decidida sem nunca partir para apelações. Adams está ali: com o mesmo rosto de sempre e o mesmo tom de voz, mas, trabalhando mínimos detalhes, apresenta algo diferente e que se afasta do estilo de Christian Bale e Melissa Leo. Talvez esse tivesse sido o momento ideal para celebrar Adams – já que, caso vencesse, nenhuma injustiça estaria sendo feita, pois a categoria estava fraquíssima. Num ano que indicam Hailee Steinfeld como coadjuvante (claramente a protagonista de Bravura Indômita) só por ela ser criança e Helena Bonham Carter só para puxar o saco de O Discurso do Rei, nada mais justo, então, do que homenagear uma atriz que já chega em sua terceira e merecida indicação ao Oscar. Melissa Leo, que arrebentou em Rio Congelado e não em O Vencedor, poderia ter esperado mais um pouco.

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No próximo post: Alexandre Desplat.