Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres
The most detestable collection of people that you will ever meet: my family.

Direção: David Fincher
Elenco: Daniel Craig, Rooney Mara, Christopher Plummer, Robin Wright, Joely Richardson, Stellan Skarsgård, Steven Berkoff, Goran Visnjic
The Girl With the Dragon Tattoo, EUA/Inglaterra, 2011, Drama, 148 minutos
Sinopse: Harriet Vanger (Moa Garpendal) desapareceu há 36 anos, sem deixar pistas, em uma ilha no norte da Suécia. O local é de propriedade exclusiva da família Vanger, que o torna inacessível para a grande maioria das pessoas. A polícia jamais conseguiu descobrir o que aconteceu com a jovem, que tinha 16 anos na época do sumiço. Mesmo após tanto tempo, seu tio Henrik Vanger (Christopher Plummer) ainda está à procura e decide contratar Mikael Bomkvist (Daniel Craig), um jornalista investigativo que trabalha na revista Millennium. Bomkvist, que não está em um bom momento por enfrentar um processo por calúnia e difamação, resolve aceita a proposta e começa a trabalhar no caso. Para isso, ele vai contar com a ajuda de Lisbeth Salander (Rooney Mara), uma investigadora particular incontrolável e anti social. (Adoro Cinema)

É necessário gostar de histórias frias e racionais para apreciar os trabalhos do diretor David Fincher. Até mesmo o seu filme mais humano, O Curioso Caso de Benjamin Button, não vai além por perder tempo demais em histórias que pouco acrescentam ao dilema que deveria ser o norte da produção. Fincher, como bom cineasta calculista, sempre faz um bom trabalho com montagem e fotografia, mas, para certos gostos, é gélido e distante demais. O que é verdade: difícil entrar de corpo e alma nos seus trabalhos, que parecem apenas convidar o espectador a observar e não a participar de um enredo. Após o cultuado A Rede Social, Fincher resolveu apostar na refilmagem do filme sueco Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. De acordo com ele, já tinha pensado nesse remake há muito tempo, antes do original fazer sucesso. Verdade ou não, a sensação que o novo trabalho dele deixa é muito simples: mais das habituais características do diretor.
Como Fincher tem seus fãs irredutíveis, será fácil encontrar quem defenda com unhas e dentes Millennium – Os Homens Que Não Amavam as Mulheres. E, claro, se levarmos em consideração todos os aspectos positivos da carreira do diretor que sempre lhe deram sucesso, o filme estrelado por Daniel Craig e Rooney Mara termina com saldo bem positivo. O problema é, justamente, ser baseado em um material recente que já tinha relativo sucesso. Para o espectador que não conferiu o original sueco, Millennium não consegue deixar tanta curiosidade para conferir o longa que deu origem a tudo isso. Pelo que dizem, Fincher melhorou bastante o enredo. Portanto, se o que vemos em Millennium é uma versão melhorada, então, a história não deve ser lá grande coisa mesmo.
Não são frequentes os remakes excepcionais, principalmente quando eles são de filmes estrangeiros tão recentes (Deixe-me Entrar, Quarentena), mas com certeza esse será defendido até o fim dos tempos por, justamente, ser um filme de David Fincher. O fato é que, analisando Millennium de forma isolada, o resultado não empolga. A abertura (fantástica, mas, convenhamos, avulsa) dá a entender que o filme terá um ritmo mais frenético e pesado – algo que, posteriormente, só iria se refletir nas fortes cenas da atriz Rooney Mara e mais para o final, em um momento de Daniel Craig e Stelan Skarsgård. Porém, Millennium dá muitas voltas para solucionar um mistério que termina sem grandes surpresas. São 160 minutos de um filme que não é particularmente acessível (as poucas e incômodas cenas de violência podem afastar os estômagos mais fracos) e que, claramente, é dirigido aos fãs do diretor.
Millennium tem sim os seu méritos. E o elenco é um deles. Enquanto Rooney Mara e Daniel Craig fazem uma boa dupla, os coadjuvantes Christopher Plummer e Stellan Skarsgård também merecem destaque. No sentido de transmitir toda a frieza das locações e, claro, do clima da história, Fincher também acerta. A montagem e a fotografia também estão ali para ajudar nesse sentido. Por fim, Millennium é um filme de serial killer que tem uma trama bem contada e que desenvolve tudo com a habitual precisão de seu diretor, que parece comandar tudo com uma cartilha embaixo do braço. Já para o público que precisa de uma história com mais emoção e envolvimento, fica devendo.
FILME: 7.0








