Cinema e Argumento

A trilha sonora de… Anna Karenina

Sempre fui fã de Dario Marianelli e, depois de trilhas memoráveis como Desejo e Reparação, não esperava outros grandes trabalhos dele. Não esperava no sentido de que ele não precisa provar mais nada a ninguém e qualquer investida menos brilhante não afetaria em nada o seu status. Mas eis que, em suas mais recentes trilhas, o italiano resolve mostrar que não existe momento certo para deixar de impressionar. Não bastasse Jane Eyre, que chegou por aqui em DVD no início do ano e que tem uma trilha cheia de momentos sublimes, Marianelli ainda nos presenteia com Anna Karenina (previsto para entrar em cartaz nos cinemas brasileiros apenas em fevereiro de 2013).

Apesar da distante data, já podemos ter um gosto do novo filme de Joe Wright com a incrível trilha de Marianelli. Se em Jane Eyre ele apostou basicamente em violinos, aqui ele utiliza vários instrumentos para criar um trabalho grandioso e que casa muito bem com o imponente visual que podemos conferir nos cartazes e no próprio trailer de Anna Karenina. Caso Joe Wright tenha realizado um filme de quinta grandeza, a trilha transmite isso muito bem. De um singelo piano até ao uso da sonoridade de valsas impecáveis, o italiano apresenta composições menores e outras de ritmo crescente, além de faixas com óperas, can can e vocais femininos. Contar mais do que isso é estragar a surpresa que é ouvir a trilha de Anna Karenina. Não deixem de procurar!

1. Overture
2. Clerks
3. She is of the Heavens
4. Anna Marches into A Waltz
5. Beyond the Stage
6. Kitty’s Debut
7. Dance With Me
8. The Girl and the Birch
9. Unavoidable
10. Can-Can
11. I Don’t Want You to Go
12. Time for Bed
13. Too Late
14. Someone is Watching
15. Lost in a Maze
16. Leaving Home, Coming Home
17. Masha’s Song
18. A Birthday Present
19. At the Opera
20. I Know How to Make You Sleep
21. Anna’s Last Train
22. I Understood Something
23. Curtain
24. Seriously

Looper: Assassinos do Futuro

I’m from the future. Go to China!

Direção: Rian Johnson

Roteiro: Rian Johnson

Elenco: Joseph Gordon-Levitt, Bruce Willis, Emily Blunt, Paul Dano, Piper Perabo, Jeff Daniels, Noah Segan, Pierce Gagnon, Qing Xu, Nick Gomez, Tracie Thoms

Looper, EUA, 2012, Ação, 118 minutos

Sinopse: Kansas City, 2044. Viagens no tempo são uma realidade, mas estão apenas disponíveis no mercado negro. Seu principal cliente é a máfia, que costuma enviar ao passado pessoas que deseja que sejam eliminadas, já que é bastante complicado se livrar dos corpos no futuro. Os responsáveis por estes assassinatos são os loopers, organização a qual Joe (Joseph Gordon-Levitt) faz parte. Um dia, ao realizar mais um serviço corriqueiro, ele descobre que seu alvo é a versão mais velha de si mesmo (Bruce Willis), trazida em viagem no tempo por ter se tornado uma séria ameaça à máfia no futuro. (Adoro Cinema)

2012 tem sido um ano sofrível para o cinema em qualquer aspecto: o verão estadunidense foi o mais fraco de bilheteria dos últimos 19 anos, os filmes do Oscar (que sempre chegam com atraso ao Brasil) foram facilmente esquecidos e pouquíssimos foram os exemplares que conseguiram surpreender. Por isso, qualquer longa um pouco mais inspirado e bem construído já chama a atenção ao entrar em cartaz. É o caso de Looper: Assassinos do Futuro, que talvez nem seja marcante, mas que, devido ao seu baixo nível de pretensões e ao modo como desenvolve sua trama com bastante segurança, já pode ser considerado uma das boas surpresas do ano.

Em seus primeiros minutos, Looper adota um ritmo bem rápido, deixando o espectador meio perdido ao fazer a apresentação de tramas e personagens. Só que é apenas questão de tempo para que esse novo trabalho do diretor Rian Johnson comece a adotar um tom mais calmo para mostrar ao que realmente veio.  O roteiro – também da autoria de Johnson – não se preocupa em inserir adrenalina a cada cena para prender a atenção. Pelo contrário: Looper mastiga bem essa história futurista mas que, assim como uma interessante parcela das ficções atuais, traz uma abordagem mais pé no chão dos próximos anos da humanidade.

Em Looper, é difícil dizer quem é mocinho ou vilão, principalmente porque – e isso é outro mérito do filme – todos têm suas intenções muito bem desenvolvidas. Toda a história é movimentada a partir de fatos críveis e não apenas por uma ou outra intriga que só existe para que o filme tome grandes proporções. Ajuda, claro, do roteiro que leva o devido tempo para trabalhar personagens e situações. Dessa forma, é fácil perceber que Looper tem momentos de ação muito pontuais e bem distribuídos. Nada ali é por acaso: cada cena de “ação” representa uma certa virada na trama.

Rian Johnson, portanto, criou um longa-metragem muito bem balanceado. Ao mesmo tempo em que Looper nunca se rende à tentação de fisgar o espectador por explosões ou tiroteios, também nunca cai em maiores pretensões na hora de dar dimensão a tudo com um enredo excessivamente complexo. Isso, por sinal, pode ser um tanto decepcionante para várias plateias, já que é fácil entender o porquê de Looper parecer tão correto em diversos momentos e até meio carente de ação. Mas é só olhar mais de perto para ver que tais aspectos não são necessariamente depreciativos. Depende, claro, de quem o vê.

Outro mérito de Rian Johnson é concluir sua obra com escolhas diferentes e, por que não, corajosas, escapando das obviedades que estamos acostumados a ver no gênero. Com um conjunto tão bem arquitetado, esquecemos que Bruce Willis dá pouquíssima personalidade ao seu personagem (e está inserido em uma jornada individual mal aprofundada), que a maquiagem deixa Joseph Gordon-Levitt parecendo um boneco de cera em diversos momentos e que uma ou outra decisão mais sentimental e comercial do filme quase faz com que flerte com o óbvio. Como falamos no início do texto, Looper pode não ser um grande filme e talvez se beneficie muito com o ano fraco, mas é impossível negar que, apesar de ser uma mera diversão, é uma experiência com quase tudo no seu devido lugar. Já é o suficiente.

FILME: 8.0

vacation!

Inspirado em um dos mais recentes singles da banda Alphabeat, Vacation, resolvi tirar umas férias. Do blog, claro, já que trabalho e faculdade continuam… De qualquer forma, é coisa rápida: só um breve tempo para colocar tudo em dia, organizar a vida, fazer provas, concluir matérias pendentes, planejar formatura e… poder respirar nesse meio tempo! Em algum dia da próxima semana, o Cinema e Argumento está de volta. Até lá, pessoal! =)

Emmy 2012: resultados

O Emmy 2012 foi bastante parecido com o Oscar que vimos no início do ano: cerimônia sem vida, surpresas não muito interessantes e um resultado geral bem aquém do esperado. Só que uma atriz salvou a noite. E se Meryl Streep foi a luz de um Oscar terrível, Julianne Moore foi o motivo para que o Emmy 2012 seja lembrado. Injustiçada durante anos em todas as premiações, a atriz de 51 (!) anos venceu seu primeiro grande prêmio. Como a republicana Sarah Palin, Moore foi consagrada por seu estupendo desempenho em Virada no Jogo. Reconhecimento mais do que merecido para uma grande atriz. Antes tarde do que nunca, não?

De resto, mais do mesmo: ainda tento entender o alto nível de empolgação com Modern Family, uma série que já está sem fôlego. Repetir prêmios para Eric Stonestreet e, principalmente, Julie Bowen foi exagero. Só que a edição desse ano também pecou nos dramas: se Breaking Bad e Downton Abbey pareciam vir com tudo para tirar o reinado de Mad Men, eis que o programa criado por Matthew Weiner deu adeus ao Emmy por causa de… Homeland. Tudo bem que o prêmio de melhor elenco, anunciado semana passada, já anunciava um certo entusiasmo exacerbado com esse programa novato, mas aí Damian Lewis ganhar de Bryan Cranston como melhor ator? Difícil engolir. Não quero dizer que Homeland é uma série ruim, mas, ao meu ver, é bastante limitada: a primeira temporada se resume a um mistério que nunca consegue necessariamente enganar, e é difícil prever como a série conseguirá se sustentar daqui para frente. Não seria surpresa nenhuma ver Homeland sendo esquecida futuramente…

Enfim, o Emmy 2012 representa o fim da era Mad Men e nunca esperou-se um desfecho tão amargo, sem um prêmio sequer. Sei que é moda falar mal do grande vencedor, mas Homeland não merecia ser a série responsável pelo esquecimento de Mad Men. Dessa forma, o Emmy, apesar da lista sempre cheia de momentos inesperados, dessa vez não teve grandes momentos e suas escolhas erradas podem muito bem surtir efeito no próximo ano: em 2013 saberemos se Homeland é o que realmente apontam, se Breaking Bad acabará sem o grande reconhecimento que merece e se Mad Men continuará sendo vítima do mesmo crime que cometeram com Six Feet Under: zero celebração para os atores. E, nós, como sempre, estaremos lá apostando, xingando e torcendo… Afinal, do que sobreviveriam as premiações se não de nossas torcidas? Confiram, abaixo, a lista de vencedores:

Melhor série dramáticaHomeland

Melhor atriz em série dramática: Claire Danes (Homeland)

Melhor ator em série dramática: Damian Lewis (Homeland)

Melhor direção em série dramática: Timothy Van Patten (Boardwalk Empire, episódio To the Lost)

Melhor atriz coadjuvante em série dramática: Maggie Smith (Downton Abbey)

Melhor roteiro em série dramática: Alex Gansa, Howard Gordon e Gideon Raff (Homeland, episódio Pilot)

Melhor ator coadjuvante em série dramática: Aaron Paul (Breaking Bad)

Melhor telefilme/minissérieVirada no Jogo

Melhor ator em telefilme/minissérie: Kevin Costner (Hatfields & McCoys)

Melhor diretor em telefilme/minissérie: Jay Roach (Virada no Jogo)

Melhor atriz em telefilme/minissérie: Julianne Moore (Virada no Jogo)

Melhor roteiro em telefilme/minissérie: Danny Strong (Virada no Jogo)

Melhor ator coadjuvante em telefilme/minissérie: Tom Berenger (Hatfields & McCoys)

Melhor atriz coadjuvante em telefilme/minissérie: Jessica Lange (American Horror Story)

Melhor série cômicaModern Family

Melhor atriz em série cômica: Julia Louis-Dreyfus (Veep)

Melhor ator em série cômica: Jon Cryer (Two and a Half Men)

Melhor direção em série cômica: Steven Levitan (Modern Family, episódio Baby on Board)

Melhor atriz coadjuvante em série cômica: Julie Bowen (Moden Family)

Melhor roteiro em série cômica: Louis C.K. (Louie, episódio Pregnant)

Melhor ator coadjuvante em série cômica: Eric Stonestreet (Modern Family)

Vamos falar sobre o Emmy? – Parte 4 (apostas)

Chegou a hora de conheceremos os vencedores da 64ª edição do Emmy. Na cerimônia que acontece hoje, a partir das 21h (horário de Brasília), a disputa é, como sempre, acirrada. Mad Men reinará absoluta pelo quinto ano consecutivo? Ou Downton Abbey, nova sensação, conseguirá desbancar o programa? Tudo pode acontecer nessa premiação completamente imprevisível e que, apesar de ser frequentemente injusta, é uma das mais divertidas de se assistir em função, justamente, da imprevisibilidade – o que não acontece em prêmios como Oscar e Globo de Ouro. Nossa torcida, vale registrar, fica com Breaking Bad. Em qualquer categoria. Aqui no Brasil, a transmissão fica a cargo do Warner Channel. Abaixo, nossas apostas:

DRAMA

Melhor sérieMad Men / alt: Downton Abbey

Melhor ator: Bryan Cranston (Breaking Bad) / alt: Steve Buscemi (Boardwalk Empire)

Melhor atriz: Claire Danes (Homeland) / alt: Michelle Dockery (Downton Abbey)

Melhor ator coadjuvante: Aaron Paul (Breaking Bad) / alt: Giancarlo Esposito (Breaking Bad)

Melhor atriz coadjuvante: Maggie Smith (Downton Abbey) / alt: Anna Gunn (Breaking Bad)

Melhor direção: Michael Cuesta (Homeland, pelo episódio Pilot) / alt: Phil Abraham (Mad Men, pelo episódio The Other Woman)

Melhor roteiro: Semi Chellas e Matthew Weiner (Mad Men, pelo episódio The Other Woman) / alt: Julian Fellowes (Downton Abbey, pelo episódio #2.7)

COMÉDIA

Melhor sérieModern Family / alt: 30 Rock

Melhor ator: Alec Baldwin (30 Rock) / alt: Louis C.K. (Louie)

Melhor atriz: Amy Poehler (Parks and Recriation) / Melissa McCarthy (Mike & Molly)

Melhor ator coadjuvante: Ed O’Neill (Modern Family) / Ty Burell (Modern Family)

Melhor atriz coadjuvante: Kathryn Joosten (Desperate Housewives) / alt: Kristen Wiig (Saturday Night Live)

Melhor direção: Steven Levitan (Modern Family, pelo episódio Baby on Board) / alt: Lena Dunham (Girls, pelo episódio She Did)

Melhor roteiro: Amy Poehler (Parks and Recriation, pelo episódio The Debate) / alt: Louis C.K. (Louie, pelo episódio Pregnant)

TELEFILME/MINISSÉRIE

Melhor telefilme/minissérieVirada no Jogo / alt: American Horror Story

Melhor ator: Idris Elba (Luther) / alt: Woody Harrelson (Virada no Jogo)

Melhor atriz: Julianne Moore (Virada no Jogo) / alt: Nicole Kidman (Hemingway & Gellhorn)

Melhor ator coadjuvante: Ed Harris (Virada no Jogo) / alt: Martin Freeman (Sherlock)

Melhor atriz coadjuvante: Jessica Lange (American Horror Story) / alt: Frances Conroy (American Horror Story)

Melhor direção: Jay Roach (Virada no Jogo) / alt: Paul McGuigan (Sherlock, pelo episódio A Scandal in Belgravia)

Melhor roteiro: Danny Strong (Virada no Jogo) / alt: Steven Moffat (Sherlock, pelo episódio A Scandal in Belgravia)