Cinema e Argumento

A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2

Forever isn’t as long as I’d hoped.

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Direção: Bill Condon

Roteiro: Melissa Rosenberg, baseado no romance homônimo de Stephenie Meyer

Elenco: Kristen Stewart, Robert Pattinson, Taylor Lautner, Michael Sheen, Dakota Fanning, Kellan Lutz, Peter Facinelli, Billy Burke, Joe Anderson, Ashley Greene, Nikki Reed, Jamie Campbell Bower, Lee Pace, Cameron Bright

The Twilight Saga: Breaking Dawn – Part 2, Aventura, 115 minutos

Sinopse: Após dar a luz a Renesmee (Mackenzie Foy), Bella Swan (Kristen Stewart) desperta já vampira. Ela agora precisa aprender a lidar com seus novos poderes, assim como absorver a ideia de que Jake (Taylor Lautner), seu melhor amigo, teve um imprinting com a filha. Devido ao elo existente entre eles, Jake passa a acompanhar com bastante atenção o rápido desenvolvimento de Renesmee, o que faz com que se aproxime cada vez mais dos Cullen. Paralelamente, Aro (Michael Sheen) é informado por Irina (Maggie Grace) da existência de Renesmee e de seus raros poderes. Acreditando que ela seja uma ameaça em potencial para o futuro dos Volturi, ele passa a elaborar um plano para atacar os Cullen e eliminar a garota de uma vez por todas. (Adoro Cinema)

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Foram necessários cinco filmes para que um diretor finalmente compreendesse por completo a essência da saga Crepúsculo. No caso, Bill Condon, que já havia dirigido Amanhecer – Parte 1, mas que só agora conseguiu reunir, de forma escancarada, os elementos que tanto “enlouquecem” as fãs: o romance idealizado sem medo de ser cafona, a trilha sonora pensada exatamente para exaltar os momentos apaixonados dos protagonistas, as cenas que nem precisariam existir se não fosse… a necessidade de fisgar ainda mais o público-alvo. A Saga Crepúsculo: Amanhecer – Parte 2 certamente merece reconhecimento por não tentar ser mais do que realmente é. Só que se esse desfecho cai com uma luva em níveis açucarados para atender as expectativas das fãs, por outro lado também deixa sempre evidentes as maiores fragilidades de Crepúsculo: do roteiro frouxo a pequenos detalhes muito questionáveis do ponto de vista dramático, Amanhecer – Parte 2 continua a decepcionar quem não aprecia a obra de Stephenie Meyer.

Mas Bill Condon estava certo em fazer um desfecho devidamente “apelativo” para o público-alvo. Não faria sentido, nessa altura do campeonato, tentar realizar algo diferente. Seria tempo perdido. Até porque vários diretores de perfis bem distintos já passaram pela saga e nunca conseguiram dar um perfil mais autoral ou ousado para a história de amor de Bella (Kristen Stewart) e Edward (Robert Pattinson). Então vamos aos fatos: primeiramente, impressiona o fato de Crepúsculo ser uma saga de forte sucesso nas bilheterias e ainda ter efeitos visuais tão desleixados. Só investem o dinheiro arrecadado no salário dos atores? E antes o problema fosse apenas os lobos mal concebidos: o verdadeiro horror aqui é Renesmée, filha do casal protagonista, que parece ter saído diretamente do clássico jogo The Sims de tão explicitamente computadorizada. É um atentado ao espectador de bom senso, que pode muito bem se constranger com a criança. A corrida de Bella e Edward na floresta, logo no início, também é lamentável. Sem falar da maquiagem, que continua péssima, a ponto de deformar alguns atores – como Kellan Lutz, sempre irreconhecível. Já em termos de história, podemos confirmar o que sempre foi muito claro: não existe razão – além da financeira, claro – para Amanhecer ser narrado em dois capítulos.

Ao contrário de Harry Potter e as Relíquias da Morte, que, a princípio, tinha uma divisão muito duvidosa mas que, depois, revelou-se uma grata surpresa, em Amanhecer não existe qualquer fator novidade: os dois filmes poderiam sim ser apenas um. Com isso, a trama seria mais enxuta e o arco dramático (do casamento até o desfecho) não deixaria margens para prolongamentos desnecessários que, claro, sucumbem a verdadeiras bobagens. Mas se existe uma surpresa no segundo longa da série dirigido por Bill Condon, essa é a própria Bella. A partir do momento em que se torna vampira, ela muda completamente: não só por se tornar uma espécie de guerreira e dona do próprio nariz, mas por estar melhor fotografada e sem suas eternas caretas de desamparada incompreendida. E isso prova que, quando quer, Kristen Stewart sabe ser diferente. Já Robert Pattinson continua engessado e apático, murchando frente a nova abordagem de seu par. Enquanto isso, Taylor Lautner está meio de escanteio no grande conflito da trama. O único que parece rir secretamente de tudo, como se revelasse de forma sutil que está ali só para ganhar dinheiro, é Michael Sheen, ator que cada vez mais se torna um expert em construir personagens divertidos de tão exagerados e caricatos.

Caindo no velho esquema do filme que é praticamente todo sobre uma preparação para um grande momento, Amanhecer – Parte 2 ainda revela uma surpresa para os seus últimos momentos: a cena da batalha na neve. Só que esse clímax é uma faca de dois gumes, e se você não quiser ler spoilers, abandone o texto. De um lado, a melhor cena de toda a série (com restrições ao padrão da saga, claro), que consegue ser movimentada e bem fluida. De outro, uma mudança brusca: essa cena não existe. É a previsão de um futuro que não acontece na história. Ou seja: com essa cena, Amanhecer – Parte 2 irrita por fazer o espectador de bobo. E não é nem em relação a enganação em si, mas como ela brinca com as emoções do espectador, visto que, nela, inclusive, um personagem do elenco fixo chega a morrer. Porém, sem a cena, o filme de Bill Condon seria ainda mais frouxo, com uma resolução totalmente desestimulante e fácil, reafirmando que uma divisão de filmes não era necessária. Cabe a você decidir se o filme ficaria melhor ou pior sem a tal batalha na neve.

Muito se foi dito que Amanhecer – Parte 2 é o “melhor” filme da saga Crepúsculo e que, inclusive, ele chega a surpreender positivamente. Não vejo dessa forma. Comparado aos outros longas, ele é, repetindo, o que melhor compreende para quem está falando: seja quando conduz o romance de forma bastante idealizada ou quando encerra a história com uma retrospectiva (homenagem?) de todos os personagens que passaram pela história de Stephenie Meyer. Não tenho dúvidas que Bill Condon se saiu bem nesse sentido. No entanto, o resultado não é nada além disso: Crepúsculo continua sem um roteiro consistente, um enredo que justifique tanta mobilização dos personagens e motivações convincentes. É mais do mesmo, apenas com a diferença de que um longa da série nunca foi tão endereçado às fãs. Para elas, deve ter sido o desfecho perfeito. Já eu, cinéfilo isento de qualquer amor por Bella e Edward, ainda fiquei por ver um longa realmente interessante sobre essa história de amor.

FILME: 5.5

2*

Na coleção… Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban

Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban assustou vários fãs da série. De verdade. Inclusive, é fácil encontrar quem ainda não consegue aceitar muito bem a brusca mudança de tom com a entrada do diretor Alfonso Cuarón. Sai todo aquele universo de fábula criado por Chris Columbus para a entrada de um clima mais pesado, seco e pé no chão. Evolução mais do que necessária e que foi de encontro com o próprio público, que já precisava começar a se desprender do esquema repetitivo da saga para dar chance a algo novo e mais cinematográfico. E o mexicano Cuarón se mostrou a escolha certa para isso, conseguindo, pela primeira vez, fisgar a atenção da crítica que, a partir desse filme, deixou de elogiar apenas a parte técnica para também valorizar os detalhes da trama criada por J.K. Rowling.

Os primeiros minutos de Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban não são lá muito interessantes: a formalidade de apresentar o verão do protagonista com os seus tios unilaterais pode até ser divertida, mas fica cada vez mais evidente que nada acrescenta ao momento de constante autodescoberta de Harry Potter (Daniel Radcliffe). Sem falar da maluca viagem no Noitibus Andante, que é muito frenética e fora de tom. Assim, até que Harry se encontre com Rony (Rupert Grint) e Hermione (Emma Watson), O Prisioneiro de Azkaban é desinteressante e, apesar da abordagem inovadora (notem como Cuarón se dá até o direito de acompanhar o protagonista com câmera na mão), dá para perceber que essa nova fase da série ainda estava tentando se encontrar.

Entretanto, não demora muito para que o filme comece a impressionar. A viagem de trem para Hogwarts é notável (especialmente em função do suspense envolvendo a invasão dos Dementadores), a chegada na escola com o coral cantando Double Trouble também mostra que o compositor John Willians conseguiu se reinventar (é seu melhor momento na saga) e todo o trabalho com o novo elenco – que agora inclui nomes como David Thewlis, Emma Thompson e Michael Gambon – atestam o amadurecimento de Harry Potter. Ainda é importante ressaltar aqui a própria forma como a direção de arte transformou Hogwarts em um novo lugar, adequado ao tom apresentado pelo novo diretor, mas sem abandonar os elementos que tornaram os filmes de Columbus tão encantadores nesse sentido.

Mais enxuto que o habitual (excetuando os longos créditos finais de quase 15 minutos, o filme tem apenas pouco mais de duas horas de duração), Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban também se mostra mais evoluído em função de seus protagonistas, que já entraram na pré-adolescência. Eles mostram plena segurança como protagonistas, incluindo Daniel Radcliffe, que, apesar de não ser impecável, segura muito bem os dilemas de seu personagem. A exceção no trio é Emma Watson, que já começa a dar fortes sinais da sua série de caras e bocas que seria uma marca (negativa) sua durante os próximos três filmes (em As Relíquias da Morte – Parte 1, ela corrigiu isso de forma louvável). Da parte técnica repaginada à direção que trouxe uma reviravolta essencial para o mundo de Harry Potter, O Prisioneiro de Azkaban foi um marco por ser o pontapé inicial que a série precisava para deixar de ser um produto personalizado para os fãs: com ele, o jovem bruxo despertou a curiosidade de novos públicos.

FILME: 8.5

Holy Motors

Who were we when we were who we were back then?

Direção: Leos Carax

Roteiro: Leos Carax

Elenco: Denis Lavant, Edith Scob, Kylie Minogue, Eva Mendes, Michel Piccoli, Elise Lhomeau, Jeanne Disson, Leos Carax, Nastya Golubeva Carax, Reda Oumouzoune, Annabelle Dexter-Jones, Elise Caron, Corinne Yam

França/Alemanha, Drama, 115 minutos

Sinopse: Oscar (Denis Lavant) transita solitário em vidas paralelas, atuando como chefe, assassino, mendigo, monstro, pai… Mergulha profundamente em cada um dos papéis e é transportado por Paris e arredores em uma luxuosa limusine, comandada pela loira Céline (Edith Scob). Ele é um homem em busca da beleza do movimento, da força motriz, das mulheres e dos fantasmas de sua vida. (Adoro Cinema)

Louco. Complexo. Desafiador. Intrigante. Incompreensível. É bom, de vez em quando, assistir a um filme que ultrapassa todas barreiras do convencional e convida o espectador a entrar em uma viagem totalmente nova e diferente de tudo aquilo que estamos acostumados a ver nos cinemas. Holy Motors é um desses exemplares que uns amam, outros odeiam. Não existe meio termo. Talvez todo esse caráter polêmico tenha lhe tirado maiores chances no último Festival de Cannes, onde perdeu a coroação máxima para o elogiado Amour, de Michael Haneke. Porém, assim como o filme vencedor da Palma de Ouro, o novo trabalho de Leos Carax tem tudo para se tornar um clássico “cult”, para quem gosta desse tipo de definição. Bom ou ruim, Holy Motors não causa indiferença. E isso é algo a ser considerado.

Nunca eu indicarei Holy Motors a alguém. Nunca. Isso porque corro o sério risco de irritar aqueles que comprarem o conselho. Mas é bem provável que, de repente, acerte em cheio o gosto de alguns (raros) interessados. É uma experiência atípica, um delírio que deixa a lógica de lado, onde o espectador precisa de tempo para se acostumar com o universo do longa de Leos Carax. Mas a verdade é que não é necessário compreender todo o filme para entrar no clima. Quem se propor a embarcar nessa viagem maluca e bizarra certamente sairá recompensado da sessão. Alguns podem dizer que Holy Motors é mais um experimento do que propriamente cinema – e existe certa razão nessa afirmativa – mas é impossível não reconhecer o brilhantismo de Carax ao manipular signos e metáforas sem nunca se distanciar de uma narrativa cinematográfica bem orquestrada e instigante.

Explorando o lado mais metropolitano e menos a abordagem sonhadora e cartão-postal de Paris, o diretor cria um clima eficiente: os movimentos de câmera, a fotografia e o clima sombrio constroem uma narrativa extremamente intrigante, que varia do drama ao mistério. Afinal, quem é o protagonista interpretado por Denis Lavant? O que ele faz? O que significa cada uma de suas “tarefas”? Quais são as suas motivações? É um filme que desafia o espectador a juntar as peças e achar as respostas sozinho. Explicações são quase nulas em Holy Motors. Há quem ache isso um demérito e um empecilho para se criar qualquer conexão com aquele universo, mas é aí que reside uma das maiores qualidades do trabalho de Carax: nem todo filme precisa de respostas. Ok, não dá para evitar a sensação de que muitas situações estão ali só tornar a experiencia “experimental” e underground. Contudo, o diretor não perde o equilíbrio porque, apesar desses momentos, consegue realizar outros muito sensíveis, especialmente os mais dramáticos.

Importante notar que Holy Motors tem uma estrutura episódica: o que importa é cada personalidade assumida pelo protagonista, a situação em que ela está inserida e o que ela de fato representa. E a boa notícia é que o filme não se torna cansativo em função das nove identidades do personagem principal. Para driblar a mesmice que seria tão comum em um formato como esse, o diretor se vale de muitas abordagens: drama, crime, nudez, cemitérios, mortes e relações mal resolvidas. Quem obviamente se beneficia dessa variedade  é o ator Denis Lavant, que impressiona com a sua total entrega ao personagem. Do homem convencional ao mendigo repugnante, ele se despe (literalmente) de vaidades para lidar com uma figura extremamente desafiadora. E seu resultado não é menos que louvável.

Quando se encaminha para o final, Holy Motors ainda nos reserva outra grata surpresa: a participação da cantora pop Kylie, naquele que é, sem dúvida o momento mais interessante de todo o filme. A australiana, que começou sua carreira como atriz de TV, estava afastada das telas desde que fez uma ponta no musical Moulin Rouge – Amor em Vermelho. Aqui, ela afastou-se do seu marcante guarda-roupa e de qualquer vaidade para dar vida a uma personagem que é o coração de Holy Motors e que também é uma viagem ao passado para o protagonista. Soltando a voz com Who Were We? (canção originalmente escrita para o filme e interpretada em uma cena musical muito bem pontuada), ela segura tudo com notável segurança e sensibilidade, não fazendo feio ao lado do impecável Denis Lavant. Holy Motors certamente é um filme incômodo e que precisa de revisões para ser devidamente mastigado. Mas, como bem apontou o crítico Tim Robey, do The Telegraph, você dificilmente vai conseguir tirá-lo da cabeça (fazendo referência a Can’t Get You Out of My Head, outro hit de Kylie parte da trilha sonora). E vamos ser sinceros: poucos filmes conseguem esse feito.

FILME: 8.5

NA PREMIAÇÃO 2012 DO CINEMA E ARGUMENTO:

Maneiras de fazer um filme

“É um filme que fala sobre aqueles momentos que todos nós passamos, em que uma notícia pequena ou totalmente indiferente reflete diretamente na tua vida e parece que te obriga a mudar alguma coisa nela”. É assim que o diretor Filipe Matzembacher define Cinco Maneiras de Fechar os Olhos, longa que dirigiu com Abel Roland, Amanda Copstein T. S., Emiliano Cunha e Gabriel Motta Ferreira. Só que o filme tem um ineditismo: ele foi concebido, produzido e finalizado em uma cadeira de conclusão de curso. No caso, o curso de cinema da Pontíficia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS).

Outros trabalhos já tinham sido realizados em ambientes acadêmicos com outras intenções (é o caso de Apenas o Fim, de Matheus Souza), mas Cinco Maneiras de Fechar os Olhos é o primeiro a ser inteiramente elaborado como componente da grade curricular de uma universidade brasileira. Quem quiser conferir o trabalho dos jovens cineastas já pode se programar: o longa entra em cartaz nessa sexta-feira (30), em Porto Alegre, no Santander Cultural (Rua Sete de Setembro, 1028), onde fica até o dia 6, com sessões diárias às 15h, 17h e 19h.

Formandos do período 2011/1, o quinteto de diretores diz que a experiência foi única. Emiliano Cunha, um dos integrantes da equipe de direção, destaca que a experiência foi repleta de desafios, mas também de grandes recompensas: “O maior desafio foi fazer com que toda a turma chegasse a um consenso e a um acordo temático. O processo de construção do argumento foi feito entre quase quinze pessoas, e isso foi divertido, desgastante e trabalhoso… Mas a maior satisfação foi ver a turma se aproximando cada vez mais e tendo prazer em trabalhar para um final em comum. Todos doaram um pouco mais para que conseguíssemos de fato realizá-lo”.

Narrando as mudanças nas vidas de quatro pessoas no momento em que recebem a notícia da morte de uma jovem, Cinco Maneiras de Fechar os Olhos, de acordo com Filipe, não é prejudicado pela direção compartilhada: “tomamos muito cuidado. Lembro ainda da primeira reunião que tivemos e conversamos muito sobre a demanda que cinco diretores traria. Acredito que, no fim do processo, reuniões diárias de horas sobre cada plano da decupagem, sobre cada intenção do elenco, sobre cada corte da montagem, proporcionou para todos nós uma troca ímpar, além de aproximar ainda mais esse grupo”. O diretor também conta que muitas pessoas contam a ele que conseguem enxergar o carinho e o esforço colocado sobre o projeto, em cada minuto do filme. “E essa é uma baita recompensa!”, comemora.

A equipe do filme estará presente na sessão das 19h do dia 01/12 para um bate-papo com o público presente e Emiliano diz estar com altas expectativas para as exibições de Cinco Maneiras de Fechar os Olhos: “Estamos bastante ansiosos para finalmente assistir ao filme em uma tela grande. Das poucas experiências privadas de exibição do filme que tivemos até agora, a resposta foi muito boa. Sou totalmente suspeito para falar isso, mas os depoimentos sempre foram muito elogiosos ao filme. Tenho certeza que contaremos com um público bom”.

Emiliano, além das expectativas, ainda destaca o forte fator de identificação presente na obra: “O filme possui bastante identificação com um público amplo. É um drama com temas delicados, mas aborda a profundidade dos mesmos de uma maneira mais livre, sem apelar para o melodrama”. E Filipe complementa: “Trata-se de um filme pequeno, e acho que a beleza dele está aí. Em pequenos momentos conseguimos enxergar mais sobre a vida e sobre nós mesmos”. Confira o trailer de Cinco Maneiras de Fechar os Olhos:

CINCO MANEIRAS DE FECHAR OS OLHOS
De 30 de novembro a 6 de dezembro
Diariamente às 15h, 17h e 19h
(Debate com a equipe no dia 1º/12 às 19h)
Ingresso: R$ 6,00 (R$ 3,00 para estudantes e pessoas acima de 60 anos)
Santander Cultural
Rua Sete de Setembro, 1028 | Centro Histórico, Porto Alegre – RS

Curvas da Vida

You are my sunshine, my only sunshine…

Direção: Robert Lorenz

Roteiro: Randy Brown

Elenco: Clint Eastwood, Amy Adams, Justin Timberlake, John Goodman, Chelcie Ross, Ed Lauter, Clifton Guterman, Raymond Anthony Thomas, Robert Patrick, Matthew Lillard, Scott Eastwood, Nathan Wright, Jack Gilpin

Trouble With the Curve, EUA, 2012, Drama, 111 minutos

Sinopse: Gus Lobel (Clint Eastwood) é um veterano olheiro de baseball, daqueles que se recusam a trabalhar usando o computador e apostam todas as fichas em seu feeling sobre os jogadores. Restando apenas três meses para o fim de seu contrato, ele começa a ter problemas de visão devido a um glaucoma. Escondendo a doença de todos, Gus é enviado para analisar Bo Gentry (Joe Massingill), um promissor rebatedor que pode ser a escolha de sua equipe no próximo draft. Entretanto, ao desconfiar que há algo errado com o velho amigo, Pete Klein (John Goodman) pede à filha dele, Mickey (Amy Adams), que o acompanhe na viagem. Mickey trabalha como advogada e está prestes a se tornar sócia na empresa em que trabalha, mas passa por cima dos compromissos profissionais para acompanhar o pai, apesar deles terem um relacionamento problemático. Juntos, eles avaliam o potencial de Gentry e encontram Johnny Flanagan (Justin Timberlake), um ex-jogador de baseball que é agora olheiro de outra equipe. (Adoro Cinema)

Frankie Dunn, o treinador mal humorado vivido por Clint Eastwood em Menina de Ouro, tinha problemas com uma filha distante que nunca aparecia em cena. Está certo que Clint já viveu mil vezes esse papel rabugento, mas, em Curvas da Vida, parece que, além de acompanharmos mais uma vez esse estereótipo, também vemos uma extensão do conflito secundário apresentado em Menina de Ouro. É uma espécie de spinoff que ainda traz um elemento importante para os estadunidenses: o beisebol (não à toa, o singelo resultado faturou mais de 30 milhões no seu país de origem). A diferença é que, aqui, o veterano diretor está apenas na frente das câmeras, contrariando a sua (falsa) promessa de que o superestimado Gran Torino seria seu último trabalho como ator. Porém, se Clint consegue repetir o tal papel com uma composição sempre despojada, o mesmo não se pode dizer de Curvas da Vida, filme excessivamente convencional e frequentemente monótono. 

Talvez seja nobre o motivo de Clint Eastwood ter voltado atrás de sua promessa de se dedicar apenas à direção. Aqui, ele é comandado por um amigo de longa data: Robert Lorenz, seu assistente de direção/produtor desde o belíssimo As Pontes de Madison. Os dois teoricamente  saem ganhando com a ideia de Curvas da Vida: Clint, que tem a oportunidade de fazer um trabalho de “férias”, e o próprio Lorenz, que ganhou a confiança do Dirty Harry logo no seu debut como diretor.  O veterano não atuava em um filme de outro diretor desde 1993, quando fez Na Linha de Fogo, de Wolfang Petersen, e podemos dizer que a amizade deve ter falado mais alto do que seu real interesse por Curvas da Vida. O longa de Robert Lorenz, entre tantas previsibilidades, ainda consegue repetir, em maior dimensão, o principal erro de O Homem Que Mudou o Jogo: falar de beisebol como se ele fosse o esporte mais interessante do mundo. Basta a modalidade entrar em cena para que Curvas da Vida se torne tedioso, enrolado e repetitivo.

Já quando fala sobre a vida pessoal do protagonista, o cenário muda um pouco. E aí surge aquela que é a luz de Curvas da Vida: Amy Adams. Não dá para dizer que o roteiro de Randy Brown trata a complicada relação pai-filha com qualquer originalidade (pelo contrário: qualquer espectador fã desse tipo de história conseguiria escrever aqueles dilemas), mas os dois atores são tão naturais que conseguem fisgar o espectador. Clint não precisa de comentários, e Amy não se intimida diante de sua figura emblemática: apesar de continuar sem receber o papel forte e contundente que tanto merece, ela está muito bem como a mulher contemporânea obcecada pela carreira que deseja se conectar com o pai distante e difícil. É só Amy aparecer e contracenar com Clint para que Curvas da Vida se torne ligeiramente mais interessante. Méritos exclusivamente dos dois, já que o texto pouco ajuda na dramaticidade, a exemplo da figura simbólica do cavalo que parece ser uma dica para algo maior, mas logo se revela outra decepção do roteiro de Brown.

Claramente, muitos elementos de Curvas da Vida estão ali para dar algum tipo de gás para trama e aliviar a sensação de que o filme não é exclusivamente sobre beisebol (de novo, a parte mais desinteressante de todas). Entre eles, a participação de Justin Timberlake – só que o tiro sai pela culatra: o personagem é chato e qualquer investida dele, seja cômica ou romântica, é apenas enrolação. Os próprios jovens jogadores de beisebol que aparecem com cenas exclusivas também são excessos. Tudo isso deixa Curvas da Vida muito lento e sem ritmo, já que falta originalidade e até mesmo maior desenvoltura (ou seria personalidade?) do diretor para deixar o filme mais agradável. Lorenz deve ter aprendido mais com Clint, e é de se esperar que, nos seus próximos trabalhos, ele demonstre que tantos anos convivendo profissionalmente com o diretor não foram em vão. Porque, a julgar por Curvas da Vida, temos mais um diretor destinado a fazer trabalhos sustentados apenas por bons atores. Nesse caso, quem mais sai ganhando é Amy Adams.

FILME: 5.5