Oscar 2013 – Atriz

A categoria de melhor atriz sempre é a minha favorita nas temporadas de premiações. Talvez porque eu cultive um carinho muito maior pelas intérpretes femininas ou por a disputa ser realmente mais intensa entre elas. Entretanto, nunca estive tão indiferente como nessa seleção de 2013. Todas as cinco indicadas são talentosas e estão em bons momentos, mas nenhuma está superlativa – o que se reflete na própria disputa, que não tem uma favorita absoluta. Jennifer Lawrence está um pouco na frente, já que conquistou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia/musical e o SAG. Jessica Chastain, da mesma “geração” que ela e uma dessas estrelas recentes, também tem um prêmio em casa (o Globo de Ouro de atriz em drama). Mas o buzz tem crescido para a veterana Emmanuelle Riva, que recentemente venceu o BAFTA. Quem corre mesmo por fora é Naomi Watts e Quvenzhané Wallis, mas que, mesmo assim, não devem ser desconsideradas (em especial a segunda, que eu apostaria como uma das possíveis surpresas da noite). Wallis, por sinal, é a mais jovem atriz indicada ao Oscar, enquanto Riva é a mais velha. Recordes curiosos de um ano não muito interessante para as mulheres.
•••
EMMANUELLE RIVA (Amor): Ganhou muitas associações de críticas e foi ignorada pelas premiações “maiores”, mas conseguiu chegar ao Oscar, ocupando a vaga de estrangeira do ano. É, sem dúvida, uma atuação muito especial e humana, que deixa fortes impressões devido ao minucioso trabalho físico. No entanto, o filme é mais de Jean-Louis Trintignant (em papel menos “chamativo”) do que dela. Riva, em determinado ponto, vai perdendo destaque (até porque, devido às condições da personagem, ela fica sem falar e apenas deitada em uma cama), deixando quase todo o protagonismo para o seu companheiro de cena.
JENNIFER LAWRENCE (O Lado Bom da Vida): Gosto muito de Jennifer Lawrence e acho que todo o seu talento já foi mais do que comprovado em Inverno da Alma, filme que só é interessante em função dela. Claro que são obras bastante distintas, mas ela já esteve bem melhor lá do que agora em O Lado Bom da Vida. Talvez o favoritismo da atriz seja em função dessa versatilidade que ela apresentou nos últimos anos (saltou do cinema independente aos sucessos de bilheteria com uma impressionante rapidez). Lawrence defende bem a personagem, mas, assim como Riva, seu par é quem domina o filme: no caso, Bradley Cooper, em notável desempenho.
JESSICA CHASTAIN (A Hora Mais Escura): Ao lado de Quvenzhané Wallis, é a atriz que mais tem o filme entregue ao seu protagonismo. Só que A Hora Mais Escura não é um filme de atuações. E, em função disso, Chastain deixa a sensação de ter demorado um pouquinho para se achar no papel (especialmente no início, quando o filme avança várias vezes no tempo sem lhe dar muitas chances), sendo até “careteira” em alguns momentos. A moça, por outro lado, pouco a pouco toma as rédeas e, tarde demais ou não, passa a segurar bem o filme.
NAOMI WATTS (O Impossível): Não esperava que Naomi Watts fosse chegar entre as finalistas. A lógica de sua personagem é basicamente a mesma da concorrente Emmanuelle Riva: uma mulher debilitada que passa quase todo filme deitada apoiando o protagonismo de um outro personagem. Mas ambas tiram essa condição de letra. Watts ainda é beneficiada pelo próprio filme: da trilha de Fernando Velázquez ao ótimo trabalho de maquiagem, é impossível não se emocionar com a sua Maria Belón. A atriz, no entanto, deve ser a que menos tem chances, especialmente por ter a cinebiografia da princesa Diana guardada para ano que vem.
QUVENZHANÉ WALLIS (Indomável Sonhadora): Se essa menina de nove anos tem uma vantagem em relação a todas as outras candidatas, essa é o fato de ser a que mais deixa impressões – seja pelo desempenho notável para alguém de sua idade ou pelo próprio papel, que é o principal destaque de Indomável Sonhadora. Há quem diga que, nesse caso, atuação se confunde com a naturalidade de uma criança. Que seja: essa naturalidade, pelo menos ao meu ver, consegue ser infinitamente melhor do que várias tentativas frustradas de outras atrizes que tentam tanto arrasar…
A ESQUECIDA
Já perdi a conta de quantas vezes Marion Cotillard foi injustamente esquecida depois de ganhar o Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor. Entretanto, em 2013, a ausência é mais sentida do que das outras vezes: indicada ao Globo de Ouro, BAFTA, Critics’ Choice e SAG, o excelente desempenho dela em Ferrugem e Osso merecia estar entre os finalistas da categoria. Saiu prejudicada por ter uma outra francesa chegando forte na disputa (Emmanuelle Riva).



Nada de repetições do antológico Anton Chigurh de Onde os Fracos Não Têm Vez. Em 007 – Operação Skyfall, o espanhol Javier Bardem cria mais um vilão diferente e memorável para sua carreira. Integrando com louvor o excelente elenco de suporte do filme de Sam Mendes (Judi Dench também está ótima), Bardem tem tudo para ser lembrado como um dos grandes vilões da franquia 007. Pena que esse ótimo desempenho só foi lembrado pelo SAG.



Certamente o preconceito com uma franquia de sucesso impediu Judi Dench de chegar entre as finalistas do Oscar 2013. Afiadíssima como M, a veterana nunca teve tanto destaque nas aventuras de James Bond. Figura-chave para o desenvolvimento de 007 – Operação Skyfall, Judi teve uma das melhores composições entre as coadjuvantes de 2012. Não seria injustiça alguma ela substituir Jacki Weaver, por exemplo.