Oscar 2013: resultados

Na teoria, os vencedores do Oscar são difíceis de adivinhar. E, nesse sentido, a lista de 2013 parecia ter se superado: o mistério reinava e vários prêmios não tinham franco favorito. Mas basta a cerimônia de entrega começar para que a teoria vá por água abaixo: a festa apresentada neste domingo (24) por Seth MacFarlane foi marcada pela matemática óbvia. Com exceção de Ang Lee, todos os outros vencedores já corriam na frente em função de prêmios conquistados anteriormente.
Por isso, não foi surpresa ver Christoph Waltz vencendo (ele já tinha o Globo de Ouro e o BAFTA em casa) ou Jennifer Lawrence batendo o buzz de Emmanuelle Riva (a jovem já tinha vencido o SAG e o Globo de Ouro). Anne Hathaway e Daniel Day-Lewis, então, dispensam comentários. Idem para Argo. No entanto, quanto ao filme de Ben Affleck, vale a pergunta: será que sua vitória é em função dos votantes terem gostado mesmo do filme ou é resultado da forte pressão por ele ter reinado soberano na temporada de premiações? Prêmio genuíno ou sentimento de culpa? Nunca saberemos.
O tombo maior não foi de Jennifer Lawrence vencendo como melhor atriz (que deveria ter sido de Quvenzhané Wallis ou Emmanuelle Riva), mas sim de Lincoln, que ganhou apenas duas categorias das 12 que concorria. Só que sejamos justos: poucas vezes, nos últimos anos, vimos uma distribuição de prêmios tão igualitária. Resultado de uma excelente seleção, onde todos os filmes concorrentes tinham indicações, no mínimo, compreensíveis. Saldo positivo. Sobre a festa, a investida dos musicais foi, em sua maior parte, acertada, ainda que desarranjada (em especial a das canções indicadas).
A tal homenagem aos musicais mostrou-se avulsa, sem muitos critérios. Se Catherine Zeta-Jones deu claras provas de que o tempo lhe fez muito mal como intérprete musical (sua voz e sua incapacidade elástica quase estragaram a lembrança do arraso que é All that Jazz, em Chicago), tivemos momentos preciosos: a apresentação de Os Miseráveis foi um dos pontos altos da noite, Adele teve seu brilho atual sem nenhum esforço e Barbra Streisand emocionou com The Way We Were (mas por que mesmo cantar depois do in memoriam e não durante?).
Não dá para reclamar da distribuição de prêmios, até porque todos saíram com alguma coisa (menos Indomável Sonhadora) – o que é um feito notável: percebam como, nas categorias de filme, direção e atores nenhum filme teve mais de uma vitória. Entre elas, a surpresa ficou com Ang Lee, uma boa alternativa na categoria bagunçada (ele foi o único diretor com indicação a todos os outros prêmios da temporada). Sem dúvida, o inesperado da noite. Porém, apesar do saldo satisfatório, ainda está faltando brilho ao Oscar. Conseguiram resolver muitos problemas, é verdade, mas permanecemos sem uma grande cerimônia em termos de entretenimento e novidades desde 2009 – ano em que, curiosamente, também tivemos o melhor host recente: Hugh Jackman.
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MELHOR FILME: Argo
MELHOR DIREÇÃO: Ang Lee (As Aventuras de Pi)
MELHOR ATOR: Daniel Day-Lewis (Lincoln)
MELHOR ATRIZ: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Christoph Waltz (Django Livre)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Anne Hathaway (Os Miseráveis)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Django Livre
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: Argo
MELHOR ANIMAÇÃO: Valente
MELHOR FILME ESTRANGEIRO: Amor
MELHOR FOTOGRAFIA: As Aventuras de Pi
MELHOR MONTAGEM: Argo
MELHOR DIREÇÃO DE ARTE: Lincoln
MELHOR FIGURINO: Anna Karenina
MELHOR MAQUIAGEM: Os Miseráveis
MELHOR TRILHA SONORA: As Aventuras de Pi
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “Skyfall” (007 – Operação Skyfall)
MELHOR MIXAGEM DE SOM: Os Miseráveis
MELHOR EDIÇÃO DE SOM: A Hora Mais Escura e 007 – Operação Skyfall
MELHORES EFEITOS VISUAIS: As Aventuras de Pi
MELHOR DOCUMENTÁRIO EM LONGA-METRAGEM: Searching for Sugar Man
MELHOR DOCUMENTÁRIO EM CURTA-METRAGEM: Inocente
MELHOR CURTA-METRAGEM: Curfew
MELHOR CURTA DE ANIMAÇÃO: Paperman





Pena que só Helen Hunt tenha sido lembrada por essa pequena surpresa chamada As Sessões. O trabalho dela é feito todo em sintonia com o de John Hawkes, que chegou a concorrer ao SAG e ao Globo de Ouro por seu desempenho mas que não conseguiu chegar ao Oscar. Não é de se surpreender – poucas vezes trabalhos menores e singelos são reconhecidos pela Academia – mas não dá para deixar de sentir sua falta.