Cinema e Argumento

Independent Spirit Awards 2024: “Ficção Americana”, de Cord Jefferson

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Cord Jefferson pode estar debutando na direção de longas-metragens com Ficção Americana, mas os louros que ele vem recebendo por esse trabalho de estreia não deveriam ser uma surpresa, especialmente se lembrarmos que é de sua autoria o roteiro de This Extraordinary Being, um dos episódios mais fenomenais da minissérie Watchmen. O Emmy conquistado por esse trabalho é inquestionável: nele, Jefferson e o criador Damon Lindelof fazem a protagonista Angela Abar (Regina King) voltar no tempo para compreender a verdadeira história de seu avô e do herói Hooded Justice, ao mesmo tempo em que coloca o espectador diante de uma série de discussões históricas e sociais sobre as eternas cicatrizes deixadas pelo racismo sistêmico.

O fascínio causado pelo roteiro desse episódio reside na criatividade com que Jefferson e Lindelof aliam a reflexão da pauta a uma estrutura criativa e frequentemente surpreendente, sem jamais perder de vista o diálogo entre técnica e emoção. Ainda que caminhe para um lado oposto em Ficção Americana, é palpável o quanto Jefferson, dessa vez no plano da comédia, sublinha o seu comprometimento em fugir do óbvio. Para tanto, ele toma como base o romance Erasure, de Percival Everett, agora se debruçando em questões raciais a partir das relações entre autor, público e crítica no campo da literatura. E, assim como aconteceu em This Extraordinary Being, não há nada de intelectualoide no resultado.

O protagonista de Ficção Americana é Thelonius Ellis (Jeffrey Wright), autor e professor universitário que já lançou alguns livros em sua carreira. Todos sem sucesso, e sempre catalogados nas livrarias como literatura de estudos afro-americanos, apenas por terem sido escritos por um autor negro. Thelonius se dói dessas visões simplistas: ele não apenas está cansado de ver a população negra estereotipada em papéis de rappers, traficantes e presos injustamente pela polícia, como já começa a perder a paciência com um certo policiamento de vocabulário. Ele, por exemplo, diz não se ofender mais com o uso da palavra nigga, e que é preciso ressignificar o que de fato se configura como ofensa ou racismo nos dias de hoje.

A impaciência de Thelonius com o que vê ao seu redor é divertida de se assistir, mais ainda quando ele se depara com o sucesso de Sintara Golden (Issa Rae), uma escritora negra que rapidamente alcança as paradas de best sellers com um romance repleto de estereótipos sobre a população negra. Aos olhos do protagonista, claro. A partir daí, Ficção Americana joga o personagem em um emaranhado de situações que questionam seus valores e suas próprias ideias de sucesso. Afinal, vale a pena tentar tanto mudar o mundo quando ninguém lê o que você escreve? Ou é melhor apenas abraçar a obviedade do mundo e aceitar as cifras inimagináveis que trabalhos simplistas oferecem, mesmo que em detrimento da sua própria visão de mundo?

Em paralelo a essas discussões, Ficção Americana observa a vida de Thelonius, mostrando que muito do seu gênio intelectual (e, por que não, difícil) também se reflete na forma como ele lida com questões familiares: desde a irmã que cobra dele uma maior presença no dia a dia da família (Tracee Ellis Ross), ao irmão gay que está tardiamente se confrontando com dilemas pessoais devido ao longo tempo passado dentro do armário. É própria família que fará Thelonius rever muitos de seus comportamentos e, claro, o que ele de fato deseja de sua carreira e a forma como encara a negritude, tanto a sua, quanto a dos outros.

A fina ironia de Ficção Americana é deliciosa, muito porque Cord Jefferson se preocupa em não fazer do protagonista um intelectual pedante ou apenas rabugento. Ele consegue esse feito ao colocar o espectador em seu lugar; afinal, é mesmo cômica, para não dizer trágica, a relação que grande parte da população branca estabelece com a representação de pessoas negras no terreno da literatura ou do cinema. A sacada de colocar Thelonius entre os jurados de um concurso literário, por exemplo, representa bem a tônica do longa: é de rir e revirar os olhos como três escritores brancos defendem o prêmio para o livro rasteiro escrito por um ex-presidiário negro, somente pela urgência do tema racial, enquanto os dois escritores negros da banca avaliadora rejeitam a obra em função do discurso fácil e dos clichês utilizados na questão da representatividade.

Como o excelente ator que sempre foi, Jeffrey Wright alcança equilíbrio perfeito na construção de um protagonista tragicômico. Seu maior feito é conseguir conectar a plateia com a incredulidade de Thelonius, mas também fazê-la compreender as frustrações e os caminhos tortuosos tomados por esse homem em conflito com o mundo. O timing de Wright é precioso, e só melhora quando divide a cena com um elenco recheado de participações tão rápidas quanto eficientes, como as de Tracee Ellis Ross, Issa Rae e Sterling K. Brown. Nem todos encontram terreno fértil ao interpretar um homem mundano com aspirações cotidianas — tarefa complicada, mesmo se considerarmos o campo das comédias. Felizmente, Jeffrey consegue essa proeza tão logo Ficção Americana começa.

Aos 42 anos, Cord Jefferson debuta na direção de longas com uma experiência bastante curta. São, segundo o IMDb, foram apenas sete títulos até aqui, incluindo outras séries de sucesso como The Good Place e Master of None. Parece pouco, para alguém que se apresenta agora nos cinemas com frescor, ideias arejadas e a capacidade de abordar, com leveza e inteligência, discussões normalmente tratadas pelo cinema com as obviedades que o protagonista Thelonius tanto rechaça. Que o reconhecimento recebido até agora, desde o carinho da crítica às indicações para premiações como o Independent Spirit Awards e o Oscar, sejam a confirmação de um talento em ascensão — e o incentivo necessário para que mais vozes como a deste diretor sejam descobertas.

INDICAÇÕES AO INDEPENDENT SPIRIT AWARDS 2024:
– Melhor filme (Cord Jefferson, Jermaine Johnson, Nikos Karamigios e Ben LeClair)
– Melhor roteiro (Cord Jefferson)
– Melhor performance protagonista (Jeffrey Wright)
– Melhor performance coadjuvante (Erika Alexander)
– Melhor performance coadjuvante (Sterling K. Brown)

Independent Spirit Awards 2024, here we go!

spiritawardslogoFoi com imensa alegria que recebi a notícia de que tive meu credenciamento aprovado para o Independent Spirit Awards! Se eu já tinha a satisfação de ser membro-votante do prêmio há dois anos, agora tudo fica ainda mais especial com essa oportunidade que eu jamais imaginaria ser possível, mesmo agora, quando completei recentemente 16 anos de escrita sobre cinema.

A cerimônia acontece no dia 25 de fevereiro em Los Angeles, com uma disputa das mais acirradas dos últimos anos, tanto em termos de probabilidade de vitória quanto em qualidade dos próprios concorrentes mesmo. Como colocar na balança filmes como Vidas Passadas, Todos Nós Desconhecidos, Segredos de Um Escândalo, Ficção Americana e até outros “menores” e ainda mais independentes como Passagens e We Grown Now?

A contextualização desse post é necessária porque, a partir de agora, publicarei aqui no blog meus textos sobre os filmes concorrentes, sempre sob a categorização do Independent Spirit Awards. Espero que acompanhem e gostem! Para quem quiser relembrar o anúncio dos indicados, é só dar o play abaixo!

It was with great joy that I was told that my accreditation has been approved for the Independent Spirit Awards! If I already have the satisfaction of being a voting member of the award, now everything is even more special with this opportunity that I would never have imagined possible, even now, when I recently completed 16 years as a film critic.

The ceremony takes place on February 25th in Los Angeles, with one of the fiercest competitions in recent years, both in terms of probability of victory and the quality of the competitors themselves. How to balance films like Past Lives, All of Us Strangers, May December, American Fiction and even other “smaller” and even more independent ones like Passages and We Grown Now?

The contextualization of this post is necessary because, from now on, I will publish my reviews on the films in competition, always under the Independent Spirit Awards categorization. I hope you follow along and enjoy! For those who want to remember the announcement of the nominees, just press play below!

“Monster”: os ruídos e os sofrimentos causados por vidas vividas em silêncio

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Direção: Hirokazu Kore-eda

Roteirista: Yûji Sakamoto

Elenco: Soya Kurokawa, Sakura Ando, Eita Nagayama, Hinata Hiiragi, Mitsuki Takahata, Akihiro Kakuta, Shidô Nakamura, Yûko Tanaka

Kaibutsu, Japão, 2023, Drama, 127 minutos

Sinopse: Uma mãe sente que há algo errado quando seu filho começa a se comportar de maneira estranha. Ao descobrir que um professor é o responsável, ela vai até a escola exigindo saber o que está acontecendo. Enquanto o caso se desenrola pelos olhos da mãe, do professor e da criança, a verdade começa a surgir.

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* Atenção! O texto abaixo contém spoilers envolvendo detalhes centrais do filme.

Por definição, empatia é capacidade de se identificar com outra pessoa, de sentir o que ela sente, de querer o que ela quer. Para praticá-la, uma mudança no nosso ponto de vista se faz necessária, de modo que enxerguemos o mundo com outra perspectiva, tarefa nem sempre fácil ou natural. As belezas, os dramas e os mistérios desse ato são a força motriz de Monster, trabalho mais recente do cineasta japonês Hirokazu Kore-eda (Assunto de Família), pois, justamente, três pontos de vista diferentes fecharão o círculo de uma trama  sobre os estranhos comportamentos de uma criança e a busca de sua mãe por compreender o que está acontecendo.

O roteiro escrito por Yûji Sakamoto rejeita a estrutura clássica de apenas reencenar os mesmos acontecimentos e faz algo bem mais interessante, repetindo a mesma linha temporal, mas seguindo as vivências de outros personagens até então conhecidos apenas superfialmente, até que, em pontos específicos, as histórias finalmente se cruzam e se complementam. No terreno do mistério, isso não poderia ser mais intrigante, pois os pontos parecem impossíveis de ser conectados, em uma estrutura que desafia nosso senso de investigação com inteligência.

Ainda que envolvo em um mistério a ser resolvido, Monster não é um suspense. Muito menos se levarmos em consideração as reconhecidas vocações de Hirokazu Kore-eda. A partir do roteiro de Sakamoto, ele planta as incógnitas com seu habitual estilo naturalista, dando especial atenção à construção dos personagens e a como a dinâmica entre eles, da mise-em-scène aos diálogos, pode contribuir para a nossa conexão emocional. Não há alardes ou reviravoltas policialescas, mas, sim, dúvidas sobre o comportamento humano e sobre o que pode estar sob a superfície de uma vida tão cotidiana.

Por isso mesmo, fico surpreso com quem se diz frustrado com a resolução, afinal, qualquer coisa diferente desse teor soaria no mínimo contraditório com o próprio cinema de Kore-eda. A chegada do terceiro ato, aliás, só confirma o quanto Monster é definitivamente uma obra assinada por ele. Após termos acompanhado a perspectiva da mãe em relação aos comportamentos estranhos de seu filho e depois a do professor que parece ser uma figura central no conflito, enfim o roteiro introduz as resoluções a partir dos olhos de Minato (Soya Kurokawa) e como a sua verdade passava despercebida.

Ao conhecer o colega Yori (Hinata Hiiragi), Minato inicialmente vive uma improvável amizade, até perceber que, talvez, ele esteja sendo pego de surpreso por uma relação que transcende a amizade para pousar em um outro tipo de afeto, quem sabe o primeiro de uma natureza nunca experimentada por ele até então. Isso desencadeia tanto uma grande confusão interna em Minato quanto uma série de atitudes que, aí entendemos, explicam os desentendimentos e os mistérios construídos pelo longa.

Pela proximidade de lançamento, podemos dizer que Monster é um filme-irmão do belga Close, outro relato sobre crianças tateando seus primeiros afetos e carregando o peso de vivê-los em segredo em função do julgamento alheio da sociedade. A diferença é que, enquanto Close usa esse contexto como ponto de partida para uma jornada crua e dolorosa, Monster o abraça com lirismo para ressignificar um entorno que tomávamos como nossa única referência.

A revelação inunda o filme com a sensibilidade tão característica do diretor, e é aí que entra o convite definitivo à empatia. Por meio do universo particular de Minato e Yori, carregamos esse mesmo peso contido no ato de viver algo tão puro às escondidas, mas também lembramos do quanto nunca saberemos tudo sobre o outro, por mais íntimo ou familiar que esse alguém possa parecer. Se o próximo sempre será, de certa maneira, um mistério aqui ou ali, só pode ser pretensão nossa acreditar que temos todos os fatos sobre tudo.

A emocionante trilha sonora do saudoso mestre Riuyichi Sakamoto dá o tom perfeito para o segmento final de Monster — esse, aliás, foi seu último trabalho antes de falecer em março de 2023, tendo composto apenas dois temas devido ao seu estado frágil e cedido os direitos autorais de um outro álbum seu para que Kore-eda pudesse completar o que não conseguiu entregar. Ela traz uma delicada melancolia para a parte do longa sobre o universo particular de Minato e Yori. O convívio entre os dois é de uma beleza singular — e bastante triste por acontecer às escondidas, envolto em receio e causador de tantos desentendimentos.

Quando as peças se encaixam, Monster nos reserva sequências tocantes, como a conversa entre Minato e a diretora da escola, em que ela faz a afirmação mais contundente do longa: “Se só alguns podem ter, então não é felicidade”. E, assim, Kore-eda vai filmando lindamente até o final, compreendendo as delicadezas daquela relação e as emoldurando também com um tom solar. O desfecho, em especial, é arrebatador de tão bonito, inclusive porque coloca o espectador a interpretar qual terá sido o destino dos personagens. É um lirismo dos mais tocantes e que encerra Monster em seu ponto máximo.

Os indicados ao Oscar 2024

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Consolidando seu favoritismo na temporada, Oppenheimer lidera a lista de indicados ao Oscar 2024.

É difícil encontrar, inclusive em décadas recentes, um filme que chegue ao Oscar com um favoritismo tão consolidado quanto o de Oppenheimer. E isso já nas indicações! Claro que muitos favoritos não cruzaram a reta final da vitória, mas o cenário de Christopher Nolan se desenha de forma muito diferente, uma vez que não há qualquer outro candidato que possa minimamente lhe tirar qualquer prêmio do início ao fim da temporada. Também será difícil encontrar alguma narrativa que possa enfraquecer sua campanha. Portanto, não se engane: as 13 indicações que Oppenheimer recebeu hoje (23), liderando a lista do Oscar 2023, dizem  muito sobre a sua potência na disputa.

Curiosamente, não faltam concorrentes à altura em uma seleção que é, facilmente, uma das melhores — talvez a melhor mesmo — desde que os indicados a melhor filme saltaram de cinco para dez concorrentes. São três filmes dirigidos por mulheres, comédias, filmes em língua não-inglesa, sucessos de bilheteria, longas dirigidos por veteranos… E todos com algum ponto especial, até mesmo Maestro, que, mesmo tradicionalíssimo e feito com a intenção de papar Oscars, conta com uma linda interpretação de Carey Mulligan. Fico na expectativa para ver como a Academia lidará com a distribuição de estatuetas em categorias bastante acirradas, como as de roteiro, em que Oppenheimer não é forte candidato, e as de atuação.

Há desfalques expressivos na lista, começando pela categoria de melhor direção. Ainda que a disputa seja de foice entre os candidatos, é sintomático que somente uma mulher concorra ao prêmio (Justine Triet, por Anatomia de Uma Queda), tendo em vista que outros dois ótimos títulos indicados a melhor filme também levam assinaturas femininas (Barbie, de Greta Gerwig, e Vidas Passadas, de Celine Song). Quem diria que o Globo de Ouro seria mais antenado nesse sentido do que o Oscar… As ausências de Margot Robbie (Barbie) em melhor atriz, Julianne Moore (Segredos de Um Escândalo) em atriz coadjuvante e Assassinos da Lua das Flores em melhor ator (Leonardo DiCaprio) e roteiro adaptado também foram sentidas. Como sempre, é impossível alcançar a unanimidade, mas, entre mortos e feridos, o Oscar 2024 sai com saldo positivo nessa arrancada.

Confira a lista de indicados:

MELHOR FILME
American Fiction
Anatomia de Uma Queda
Assassinos da Lua das Flores
Barbie
Maestro
Oppenheimer
Vidas Passadas
Pobres Criaturas
Os Rejeitados
Zona de Interesse

MELHOR DIREÇÃO
Christopher Nolan (Oppenheimer)
Jonathan Glazer (Zona de Interesse)
Justine Triet (Anatomia de Uma Queda)
Martin Scorsese (Assassinos da Lua das Flores)
Yorgos Lanthimos (Pobres Criaturas)

MELHOR ATRIZ
Annette Bening (Nyad)
Carey Mulligan (Maestro)
Emma Stone (Pobres Criaturas)
Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores)
Sandra Hüller (Anatomia de Uma Queda)

MELHOR ATOR
Bradley Cooper (Maestro)
Cillian Murphy (Oppenheimer)
Colman Domingo (Rustin)
Jeffrey Wright (American Fiction)
Paul Giamatti (Os Rejeitados)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Mark Ruffalo (Pobres Criaturas)
Robert De Niro (Assassinos da Lua das Flores)
Robert Downey Jr. (Oppenheimer)
Ryan Gosling (Barbie)
Sterling K. Brown (American Fiction)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
America Ferrera (Barbie)
Da’Vine Joy Randolph (Os Rejeitados)
Danielle Brooks (A Cor Púrpura)
Emily Blunt (Oppenheimer)
Jodie Foster (Nyad)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Anatomia de Uma Queda
Maestro
Os Rejeitados
Segredos de um Escândalo
Vidas Passadas

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
American Fiction
Barbie
Oppenheimer
Pobres Criaturas
Zona de Interesse

MELHOR FILME INTERNACIONAL
Io Capitano (Itália)
Perfect Days (Japão)
A Sociedade da Neve (Espanha)
The Teacher’s Lounge (Alemanha)
Zona de Interesse (Reino Unido)

MELHOR ANIMAÇÃO
Elementos
Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
O Menino e a Garça
Meu Amigo Robô
Nimona

MELHOR DOCUMENTÁRIO
20 Days in Mariupol
As 4 Filhas de Olfa
Bobi Wine: The People’s President
To Kill a Tiger
A Memória Infinita

MELHOR MONTAGEM
Anatomia de Uma Queda
Assassinos da Lua das Flores
Oppenheimer
Pobres Criaturas
Os Rejeitados

MELHOR FOTOGRAFIA
Assassinos da Lua das Flores
O Conde
Maestro
Oppenheimer
Pobres Criaturas

MELHOR FIGURINO
Assassinos da Lua das Flores
Barbie
Napoleão
Oppenheimer
Pobres Criaturas

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Assassinos da Lua das Flores
Barbie
Napoleão
Oppenheimer
Pobres Criaturas

MELHOR SOM
Maestro
Missão: Impossível – Acerto de Contas, Parte Um
Oppenheimer
Resistência
Zona de Interesse

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“The Fire Inside (Flamin’ Hot: O Sabor que Mudou a História)
“I’m Just Ken” (Barbie)
“It Never Went Away” (American Symphony)
“Wahzhazhe (A Song For My People)” (Assassinos da Lua das Flores)
“What Was I Made For?” (Barbie)

MELHOR TRILHA SONORA
American Fiction
Assassinos da Lua das Flores
Indiana Jones e a Relíquia do Destino
Oppenheimer
Pobres Criaturas

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Godzilla Minus One
Guardiões da Galáxia Vol. 3
Missão: Impossível – Acerto de Contas, Parte Um
Napoleão
Resistência

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS
Golda: A Mulher de Uma Nação
Maestro
Oppenheimer
Pobres Criaturas
A Sociedade da Neve

MELHOR CURTA-METRAGEM
The After
Invincible
Knight of Fortune
Red, White and Blue
The Wonderful Story of Henry Sugar

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO
Letter to a Pig
Ninety-Five Senses
Our Uniform
Pachyderme
War Is Over! Inspired by the Music of John & Yoko

MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO
The ABCs of Book Banning
The Barber of Little Rock
Island In Between
The Last Repair Shop
Nǎi Nai and Wài Pó

Os vencedores do Emmy 2023

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Matthew Macfadyen, Sarah Snook e Kieran Culkin com seus respectivos troféus individuais na noite em que Succession brilhou soberana entre as séries de drama.

Em seu 75º aniversário, comemorado com atraso devido à greve de roteiristas, o Emmy realizou uma de suas melhores cerimônias, considerando pelo menos as décadas mais recentes. Todos pareciam estar na mesma página em um roteiro que reverenciou a história da premiação e, principalmente, seriados marcantes para suas respectivas épocas. Subiram ao palco elencos de produções como A Família SopranoAlly McBealTudo em FamíliaGrey’s Anatomy, o que trouxe um tom muito nostálgico para uma cerimônia fluida, com direito até Tina Fey e Amy Poehler anunciando vencedores como se estivessem na bancada de um telejornal. Pensar um tantinho fora da caixinha e promover pequenas mudanças como essas fazem toda a diferença.

Coincidentemente, foi de lavada que Succession se tornou o grande vencedor da noite e se tornou mais um desses seriados que o Emmy homenageará quando olhar mais uma vez para o seu passado. The BearBeef também fizeram a festa como a melhor comédia e a melhor minissérie — o primeiro, aliás, de maneira bastante questionável, pois, apesar da inegável excelência, não se trata de um seriado cômico —, mas Succession esteve um nível acima por ter sua última e mais brilhante temporada reconhecida, inclusive com troféus inéditos para Kieran Culkin e Sarah Snook, que venceram como protagonistas. A goleada foi tamanha que apenas Jennifer Coolidge conseguiu representar algum outro concorrente com o seu prêmio de atriz coadjuvante em drama por The White Lotus.

Ao contrário do ocorrido em 2021, quando The Crown ganhou até o que não devia por sua quarta temporada, não deixando margem para qualquer competição, é complicado reclamar do reinado de Succession. Não há prêmio que pudesse ser tirado de mais esse sucesso da HBO, ainda que houvesse outros concorrentes dignos de nota. E, se The Bear deveria concorrer mesmo como drama, por outro lado, são inquestionáveis os reconhecimentos colecionados pela série se a analisarmos isoladamente. Como reclamar de previsibilidade quando os favoritos se confirmam por serem realmente grandes séries? Antes isso do que resultados desagradáveis só pelo choque de uma surpresa, não?

Confira abaixo a lista de vencedores:

DRAMA

MELHOR SÉRIE DE DRAMA: Succession
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE DRAMA: Mark Mylod (Succession)
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE DRAMA: Jesse Armstrong (Succession)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE DRAMA: Sarah Snook (Succession)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE DRAMA: Kieran Culkin (Succession)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Jennifer Coolidge (The White Lotus)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE DRAMA: Matthew Macfadyen (Succession)

COMÉDIA

MELHOR SÉRIE DE COMÉDIA: The Bear
MELHOR DIREÇÃO EM SÉRIE DE COMÉDIA The Bear
MELHOR ROTEIRO EM SÉRIE DE COMÉDIA: Christopher Storer (The Bear)
MELHOR ATRIZ EM SÉRIE DE COMÉDIA: Quinta Brunson (Abbott Elementary)
MELHOR ATOR EM SÉRIE DE COMÉDIA: Jeremy Allen White (The Bear)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Ayo Edebiri (The Bear)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM SÉRIE DE COMÉDIA: Ebon Moss-Bachrach (The Bear)

MINISSÉRIES, ANTOLOGIAS OU TELEFILMES

MELHOR MINISSÉRIE OU ANTOLOGIA: Beef
MELHOR DIREÇÃO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Lee Sung Jin (Beef)
MELHOR ROTEIRO EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Lee Sung Jin (Beef)
MELHOR ATRIZ EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Ali Wong (Beef)
MELHOR ATOR EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Steven Yeun (Beef)
MELHOR ATOR COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Paul Walter Hauser (Black Bird)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE EM MINISSÉRIE, ANTOLOGIA OU TELEFILME: Niecy Nash-Betts (Dahmer – Monster: The Jeffrey Dahmer Story)

VARIEDADES, TALK SHOWS E COMPETIÇÃO

MELHOR PROGRAMA DE VARIEDADES: Last Week Tonight with John Oliver
MELHOR ESPECIAL DE VARIEDADES: Elton John Live: Farewell from Dodger Stadium
MELHOR TALK SHOW: Daily Show with Trevor Noah
MELHOR PROGRAMA DE COMPETIÇÃO: RuPaul’s Drag Race
MELHOR ROTEIRO EM ESPECIAL DE VARIEDADES: Last Week Tonight with John Oliver