Cinema e Argumento

BAFTA 2014: apostas

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Hoje é dia de conhecer os vencedores do BAFTA. A premiação tem tudo para embolar a disputa em três importantes categorias: melhor ator, ator coadjuvante e roteiro original, já que Clube de Compras Dallas e Ela não concorrem ao prêmio por ainda não terem entrado em cartaz nos cinemas britânicos. Confira aqui a lista completa de indicados e abaixo as nossas apostas!

MELHOR FILME: 12 Anos de Escravidão / alt: Gravidade

MELHOR FILME BRITÂNICO: Gravidade / alt: Philomena

MELHOR DIREÇÃO: Alfonso Cuarón (Gravidade) / alt: Steve McQueen (12 Anos de Escravidão)

MELHOR ATRIZ: Cate Blanchett (Blue Jasmine) / alt: Judi Dench (Philomena)

MELHOR ATOR: Leonardo DiCaprio (O Lobo de Wall Street) / alt: Bruce Dern (Nebraska)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Lupita Nyong’o (12 Anos de Escravidão) / alt: Jennifer Lawrence (Trapaça)

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Michael Fassbender (12 Anos de Escravidão) / alt: Matt Damon (Minha Vida Com Liberace)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Blue Jasmine / alt: Nebraska

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO: 12 Anos de Escravidão / alt: Philomena

Philomena

I forgive you because I don’t want to remain angry.

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Direção: Stephen Frears

Roteiro: Steve Coogan e Jeff Pope, baseado no livro “The Lost Child of Philomena Lee”, de Martin Sixsmith

Elenco: Judi Dench, Steve Coogan, Sophie Kennedy Clark, Mare Winningham, Barbara Jefford, Harrison D’Ampney, Peter Hermann, Sean Mahon, Anna Maxwell Martin, Michelle Fairley, Cathy Belton, Charlie Murphy

Reino Unido/EUA/França, Drama, 2013, 98 minutos

Sinopse: Irlanda, 1952. Philomena Lee (Judi Dench) é uma jovem que tem um filho recém-nascido quando é mandada para um convento. Sem poder levar a criança, ela o dá para adoção. A criança é adotada por um casal americano e some no mundo. Após sair do convento, Philomena começa uma busca pelo seu filho, junto com a ajuda de Martin Sixsmith (Steve Coogan), um jornalista de temperamento forte. Ao viajar para os Estados Unidos, eles descobrem informações incríveis sobre a vida do filho de Philomena e criam um intenso laço de afetividade entre os dois. (Adoro Cinema)

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Algumas histórias são tão boas que só mesmo um diretor tremendamente ruim para destruí-las. Já outras são tão suscetíveis a erros que precisam do diretor certo para funcionar. Philomena se encaixa nessa segunda categoria. É de se agradecer que o britânico Stephen Frears esteja capitaneando esse enredo protagonizado por Judi Dench. A razão é muito simples: a saga de Philomena (Dench) para encontrar o filho que lhe foi tirado em um convento há mais de 50 anos poderia cair no lugar-comum ou no excesso de melodramas caso comandada por um diretor qualquer. Não com Frears, realizador que sempre traz o que existe de mais especial entre os britânicos: discrição e sobriedade. Ao acompanhar a jornada da protagonista pelo filho perdido, portanto, não espere choros compulsivos ou diálogos de auto-ajuda. Philomena ganha o espectador com a simplicidade.

Sem realizar algo relevante desde 2006, quando entregou o elegantíssimo A Rainha, Frears agora vem com essa adaptação que ainda nos dá o privilégio de ter a veterana Judi Dench em um papel super especial. Não dá para falar Philomena sem começar por ela. Dench é a prova real de que, por mais que jovens como Jennifer Lawrence ganhem prêmios mundo afora e tenham amor e bilheteria de sobra do público, não existe nada como a experiência. Com um único olhar, um único gesto, Dench, em Philomena, deixa toda uma nova geração comendo poeira. Simplesmente adorável, ela reafirma sua capacidade de transitar entre os mais variados papeis. É surpreendente vê-la tão doce como a avó que todos nós gostaríamos de abraçar quando, nos últimos tempos, esteve tão firme como a solitária ensandecida de Notas Sobre Um Escândalo ou como a sagaz M da franquia 007. Um desempenho que tem tudo a ver com a proposta de Frears e que entende plenamente a figura que dá título à produção.

Falando em Philomena Lee, chegamos a esse que é um dos grandes trunfos do roteiro de Jeff Pope e Steve Coogan (que, ótimo, também divide a cena com Dench). Ao invés de mulher amargurada por ter o filho tirado de suas mãos por freiras em um convento onde foi colocada à força, ela é estranhamente leve, positiva e quase ingênua. Mais do que isso, é fascinante buscar os porquês de ela não ser uma detratora da religião, e sim uma cristã que segue à risca o cristianismo. E tudo se torna ainda mais interessante quando ela é colocada ao lado de Martin (Coogan), sujeito que se indigna com esses posicionamentos adotados por Philomena após uma traumática vida religiosa. Racional e prático, ele é o contraponto da protagonista. Ambos em uma jornada onde um ensina o outro. Mas nada piegas, e com um texto que não aposta no estereótipo da dupla de opostos que cai na estrada e se implica o tempo inteiro.

Em termos de desenvolvimento da trama, é importante ficar atento ao fato de que a resolução principal acontece lá pela metade, com o passado de Philomena também mostrado em menos de meia hora de filme (em flashbacks, o que funciona muito bem). Porém, se isso tinha tudo para ser um problema, não se engane: o filme não termina seu ciclo nesse momento e muito ainda tem a ser dito sobre a busca do filho perdido, só que por meio de outro ponto de vista – o que se revela ainda mais interessante do que poderia se esperar originalmente. A previsibilidade está uma vez ou outra instalada – claro que a protagonista não desistirá facilmente como o filme quer induzir e que a jornada não terminará com o primeiro obstáculo que surge no caminho – mas é impossível rivalizar com um resultado tão singelo e cuidadoso.

Philomena é realmente um filme feito de coração, protagonizado por uma atriz que não parece fazer um esforço sequer para ser adorável, crível e encantadora.  É do DNA dos britânicos a sobriedade, e Stephen Frears, como um dos expoentes deles, consegue concentrar essa característica em todas as escolhas do seu mais novo longa. Há quem diga que essa é uma história convencional, sem ousadias e até mesmo esquemática, mas se limitar a ver apenas isso e não a beleza humana do resultado é estar a um passo de ser como o próprio personagem Martin Sixsmith vivido por Coogan, que classifica histórias “humanas” como meros produtos rasos para pessoas ignorantes e tolas. Tomara que, após a sessão, esse público, assim como Sixsmith, seja capaz de se reinventar e passe a valorizar devidamente os relatos que possuem esse mesmo valor afetivo de Philomena. 

FILME: 8.0

35

O Lobo de Wall Street

Let me tell you something. There’s no nobility in poverty. I’ve been a poor man, and I’ve been a rich man. And I choose rich every fucking time.

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Direção: Martin Scorsese

Roteiro: Terence Winter, baseado no livro “The Wolf of Wall Street”, de Jordan Belfort

Elenco: Leonardo DiCaprio, Jonah Hill, Margot Robbie, Kyle Chandler, Rob Reiner, Matthew McCounaghey, Jon Fraveau, Jean Dujardin, Jon Bernthal, Joanna Lumley, Cristin Milioti, Christine Ebersole, Katarina Cas

The Woolf of Wall Street, EUA, 2013, Comédia/Drama, 180 minutos

Sinopse: Durante seis meses, Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) trabalhou duro em uma corretora de Wall Street, seguindo os ensinamentos de seu mentor Mark Hanna (Matthew McConaughey). Quando finalmente consegue ser contratado como corretor da firma, acontece o Black Monday, que faz com que as bolsas de vários países caiam repentinamente. Sem emprego e bastante ambicioso, ele acaba trabalhando para uma empresa de fundo de quintal que lida com papéis de baixo valor, que não estão na bolsa de valores. É lá que Belfort tem a ideia de montar uma empresa focada neste tipo de negócio, cujas vendas são de valores mais baixos mas, em compensação, o retorno para o corretor é bem mais vantajoso. Ao lado de Donnie (Jonah Hill) e outros amigos dos velhos tempos, ele cria a Stratton Oakmont, uma empresa que faz com que todos enriqueçam rapidamente e, também, levem uma vida dedicada ao prazer. (Adoro Cinema)

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Fazia muito tempo que o diretor Martin Scorsese não realizava um legítimo… Scorsese! Sete anos, para ser mais específico, quando ele entregou Os Infiltrados, filme que finalmente lhe rendeu o Oscar de melhor direção depois de tantas derrotas e injustiças. Não que ele não tenha se esmerado em outros projetos que explorassem suas habilidades, mas, por mais que Ilha do Medo e A Invenção de Hugo Cabret dessem uma diferente liberdade de criação para Scorsese, os resultados finais sempre ficavam muito longe do que o diretor alcançou nas célebres histórias de homens corrompidos por dinheiro, poder e ganância que tanto lhe estabeleceram como referência. Por isso, O Lobo de Wall Street pode até não ser um dos filmes mais excepcionais de sua carreira, mas certamente traz uma sensação bastante especial em função desse retorno do diretor às suas raízes.

É bom constatar que Scorsese não perdeu o tino para relatos como o de O Lobo de Wall Street. A trajetória verídica de Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) tem seus excessos na duração de três horas, no humor e nas atuações, mas tudo perfeitamente compreensível e aceitável para o universo do diretor. Com uma premissa super contemporânea – a questão de dinheiro e poder nunca morre – o longa se desenvolve com algo muito forte a seu favor: a “comédia” presente nele (entre aspas mesmo, já que ela pode ser questionada de espectador para espectador) é muito bem resolvida e completamente ciente do que deve significar dentro de um filme de Scorsese. Assim como em vários outras produções da temporada, as risadas, na realidade, exploram a derrocada e a degradação humana. Os personagens de O Lobo de Wall Street gritam, exageram e até mesmo se arrastam depois de uma overdose de remédios, mas não com o intuito de divertir, e sim de apenas fazer uma representação extrema de vidas desorientadas.

Talvez por ter esse efeito involuntariamente “cômico” O Lobo de Wall Street tenha mais sorte com o grande público que certamente se cansaria com outros filmes do diretor como Taxi Driver e Os Bons Companheiros. Existe uma maior abrangência nesse novo filme de Scorsese – o que, felizmente, não castra sua veia autoral em momento algum. Se algo é entendido de forma errada (a tal “comédia”), é reação exclusivamente do público e não do realizador, que entende plenamente os tons da história que narra em parceria com o roteiro de Terence Winter, baseado em livro homônimo do próprio Jordan Belfort. O elenco também capturou firmemente a lógica de excesso como sinônimo de decadência humana na história contada, em especial Leonardo DiCaprio, em um de seus melhores momentos dos últimos anos. Incrivelmente natural e seguro, ele nunca se perde em cenas realmente desafiadoras para um intérprete.

Para acompanhar a vida frenética e descontrolada de Belfort, O Lobo de Wall Street adota um ritmo igualmente frenético – o que traz inúmeros prós e contras. Se a escolha casa totalmente com o que está sendo contado na tela, o filme perde pontos quando resolve diminuir a marcha. Claro que é uma mudança necessária (afinal, seria enlouquecedor acompanhar tudo naquele ritmo), mas, em momentos mais pausados e explicativos, a produção parece ter pouco a dizer, caindo constantemente em repetições. Sem essas quebras, O Lobo de Wall Street seria certamente um dos melhores e mais inspirados de Scorsese. Ainda assim, é bobagem deixar de curtir o filme por causa disso, especialmente quando o veterano volta a contar um tipo de história que só tem a devida personalidade em suas mãos. Nesse sentido, missão cumprida.

FILME: 8.0

35

Trapaça

You are nothing to me until you’re everything.

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Direção: David O. Rusell

Roteiro: Eric Warren Singer e David O. Russell

Elenco: Christian Bale, Amy Adams, Jennifer Lawrence, Bradley Cooper, Jeremy Renner, Louis C.K., Jack Huston, Michael Peña, Shea Whigham, Alessandro Nivola, Elisabeth Röhm, Paul Herman, Saïd Taghmaoui

American Hustle, EUA, 2013, Comédia, 138 minutos

Sinopse: Irving Rosenfeld (Christian Bale) é um grande trapaceiro, que trabalha junto da sócia e amante Sydney Prosser (Amy Adams). Os dois são forçados a colaborar com um agente do FBI (Bradley Cooper), infiltrando o perigoso e sedutor mundo da máfia. Ao mesmo tempo, o trio se envolve na política do país, através do candidato Carmine Polito (Jeremy Renner). Os planos parecem dar certo, até a esposa de Irving, Rosalyn (Jennifer Lawrence), aparecer e mudar as regras do jogo. (Adoro Cinema)

Christian Bale;Amy Adams

Se existe uma qualidade inegável na filmografia de David O. Rusell, essa é a sua notável habilidade em dirigir atores. Desde quando debutou na direção de longas-metragens em 1996 com Procurando Encrenca, já conseguiu reunir nomes como Lily Tomlin e Alan Alda para liderar seus elencos. A partir daí, aos poucos, foi agregando novos nomes conceituados ao seu currículo de amigos até se tornar sinônimo de celebração garantida. Por O Vencedor, deu Oscar para Melissa Leo e Christian Bale. Com O Lado Bom da Vida,  emplacou indicações em todas as categorias de atuação – o que não acontecia há décadas -, sem falar da celebração de Jennifer Lawrence, claro. O feito de trazer holofotes para todos os intérpretes de um filme seu se repete esse ano com Trapaça. O porém é que, agora, fica mais evidente do que nunca a verdade de que David O. Rusell é um mito criado involuntariamente pelos atores que participam de seus filmes.

Mesmo com aprovação de crítica e público, seus trabalhos nunca são plenamente convincentes. E o que antes poderia ser definido como uma mera implicância de minha parte, agora é plenamente justificado por esse Trapaça, que surpreende pela total falta de personalidade. É sempre perigoso tentar emular estilos de outros diretores porque é fácil confundir homenagem com cópia ou pretensão. O. Rusell não escapou dessa armadilha, e o que vemos em seu novo longa é uma infinita sucessão de momentos que tentam replicar os acertos de narrativa e estética que fizeram de Martin Scorsese, por exemplo, uma grande referência. Mas citar apenas o realizador do recente O Lobo de Wall Street como uma das “inspirações” do filme é ser bastante generoso. Pelo menos outros dois momentos são descaradamente copiados: aquele que Jennifer Lawrence canta Live & Let Die na cozinha (Cate Blanchett já havia feito o mesmo – e melhor – há mais  de dez anos em Vida Bandida, também um longa sobre trapaceiros) e outro em que Robert De Niro surpreende ao falar árabe (impossível não lembrar da fluência italiana igualmente inesperada de Christoph Waltz em Bastardos Inglórios).

Por isso, é até meio chocante essa falta de personalidade do diretor, pois ele, mesmo tendo realizado filmes completamente superestimados, nunca tinha demonstrado ser tão descuidado nesse sentido. Pode até ser que Trapaça consiga enganar muito bem um público menos desprovido de referências, mas certamente é desanimador para quem está atento a tais detalhes. Assim, muitos aspectos interessantes do filme acabam sendo ofuscados por essa história capenga, como a boa direção de arte, os excelentes figurinos e, principalmente, o bom senso de O. Rusell para a comédia aqui. Quem tenta contornar a situação, mais uma vez, é o elenco. E, como não é novidade para ninguém, os atores são o que existe de melhor, da versatilidade cada vez mais acentuada de Christian Bale a um momento bastante diferenciado de Amy Adams (finalmente abandoando o estereótipo de meiga e ingênua), passando pela boa presença de Jennifer Lawrence. Admirável como o diretor reutiliza atores de filmes passados, reposiciona-os e acrescenta novos sem que eles pareçam deslocados ou repetitivos. Esse é um mérito que não podemos tirar de O. Rusell.

Entretanto, não dá para confundir excelente direção de atores com direção como um todo. Trapaça pode até ser light e divertido, mas não tem voz própria e é constantemente sabotado por uma montagem problemática e responsável por tirar boa parte do ritmo da trama. A forma pop com que muitas vezes Trapaça se desenvolve, apoiada naquele visual de décadas passadas e em cenas cadenciadas por uma trilha de célebres canções, ajuda bastante. Só que, de novo, temos o problema da cópia: Paul Thomas Anderson já fez muito melhor em Boogie Nights – Prazer Sem Limites. É verdade que Trapaça não cai em clichês (nada de voos internacionais, traidores dentro da equipe ou revelações bombásticas de última hora), mas seria interessante assistir a esse filme com referências cinematográficas zeradas. Será que daria para ser mais benevolente com o resultado? Para um diretor com uma marca tão registrada de reunir bons atores em filmes mais descontraídos, não era de se esperar alguém querendo copiar tanto e querendo agradar sabe-se lá quem. A investida tem dado certo (prêmios no Globo de Ouro, líder de indicações ao Oscar e mais uma vez uma boa média de aprovação do público). Entretanto,  se antes dava para compreender a festa excessiva para O. Rusell, agora é realmente estranho ver que tantos estejam, com o perdão do trocadilho, caindo nessa trapaça.

FILME: 6.0

25

Os indicados ao Blog de Ouro 2014

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Foram revelados, na noite deste domingo (02), os indicados ao Blog de Ouro 2014, premiação anual da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos. A Sociedade, criada em 2007, reúne 74 blogueiros cinéfilos de todo o Brasil. Em anos anteriores, Cartas de Iwo Jima (2008), Sangue Negro (2009), Bastardos Inglórios (2010), A Origem (2011), Cisne Negro (2012) e A Separação (2013) foram os grandes vencedores da premiação. Em 2014, Amor, Gravidade, O Mestre, O Som ao Redor e Tabu disputam a categoria principal.

No geral, a lista, dadas as devidas proporções, contempla o que de fato 2014 trouxe de melhor no cinema. Surpreende, particularmente, a seleção principal: O Mestre e Amor, filmes tão pesados e complexos, conseguiram merecidamente chegar entre os finalistas; O Som ao Redor e Tabu representam a excelente fase que o cinema de língua latina teve no ano que passou; e Gravidade é o porta-voz do cinema estadunidense de cifras milionárias (mas vale lembrar que o filme está muito longe de ser apenas isso). Em um balanço geral, a lista fica em um meio termo com a minha cédula de votação pessoal (que será divulgada em breve por aqui com a premiação de melhores do ano).

Talvez tenha Django Livre demais (finalista em fotografia com Anna Karenina de fora?), menções desnecessárias para O Lado Bom da Vida (concorrer em roteiro adaptado com Álbum de Família esnobado é uma verdadeira injustiça) e leves ausências (Flores Raras não conseguiu entrar nem em filme nacional?!), mas o que realmente me incomodou foi a seleção de canções originais. Existe uma clara confusão entre música como ferramenta cinematográfica e admiração pessoal pelos intérpretes. Só isso para explicar, por exemplo, a indicação de Over the Love, por O Grande Gatsby (enquanto Polka do Cu, de Tatuagem, sequer ficou entre as pré-finalistas).

A lista de indicados (que contempla os filmes lançados comercialmente no Brasil em 2013) terá seus vencedores anunciados no dia 23 de fevereiro. Mas informações na página oficial da Sociedade Brasileira de Blogueiros Cinéfilos.

MELHOR FILME
Amor
Gravidade
O Mestre
O Som ao Redor
Tabu

MELHOR DIREÇÃO
Alfonso Cuarón (Gravidade)
Kleber Mendonça Filho (O Som ao Redor)
Michael Haneke (Amor)
Miguel Gomes (Tabu)
Paul Thomas Anderson (O Mestre)

MELHOR ELENCO
Álbum de Família
Django Livre
O Lado Bom da Vida
O Mestre
Os Suspeitos

MELHOR ATRIZ
Adèle Exarchopoulos (Azul é a Cor Mais Quente)
Cate Blanchett (Blue Jasmine)
Emmanuelle Riva (Amor)
Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Sandra Bullock (Gravidade)

MELHOR ATOR
Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Joaquin Phoenix (O Mestre)
Mads Mikkelsen (A Caça)
Matthew McConaughey (Killer Joe – Matador de Aluguel)
Tom Hanks (Capitão Phillips)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (O Mestre)
Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Helen Hunt (As Sessões)
Julia Roberts (Álbum de Família)
Léa Seydoux (Azul é a Cor Mais Quente)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Barkhad Abdi (Capitão Phillips)
Christoph Waltz (Django Livre)
Jake Gyllenhaal (Os Suspeitos)
Leonardo DiCaprio (Django Livre)
Philip Seymour Hoffman (O Mestre)

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Amor
Blue Jasmine
Django Livre
O Mestre
O Som ao Redor

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Antes da Meia-Noite
Azul é a Cor Mais Quente
Dentro da Casa
Killer Joe – Matador de Aluguel
O Lado Bom da Vida

MELHOR FILME NACIONAL
Elena
Faroeste Caboclo
O Que Se Move
O Som ao Redor
Tatuagem

MELHOR DOCUMENTÁRIO
Crazy Horse
Doméstica
Dossiê Jango
Elena
Marina Abramovic – Artista Presente

MELHOR ANIMAÇÃO
Contos da Noite
Os Croods
Detona Ralph
Uma História de Amor e Fúria
Universidade Monstros

MELHOR TRILHA SONORA
Anna Karenina
Gravidade
O Mestre
Rush – No Limite da Emoção
A Viagem

MELHOR MONTAGEM
Capitão Phillips
Gravidade
A Hora Mais Escura
Rush – No Limite da Emoção
O Som ao Redor

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Last Mile Home” (Álbum de Família)
“Young and Beautiful” (O Grande Gatsby)
“Freedom” (Django Livre)
“Over the Love” (O Grande Gatsby)
“Atlas” (Jogos Vorazes – Em Chamas)

MELHOR FIGURINO
Anna Karenina
Django Livre
O Grande Gatsby
Jogos Vorazes – Em Chamas
Os Miseráveis

MELHOR FOTOGRAFIA
Django Livre
Era Uma Vez na Anatólia
Gravidade
O Mestre
Os Suspeitos

MELHOR MAQUIAGEM
Evil Dead – A Morte do Demônio
O Hobbit: A Desolação de Smaug
Lincoln
Os Miseráveis
Rush – No Limite da Emoção

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Além da Escuridão – Star Trek
Círculo de Fogo
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug
O Homem de Aço

MELHOR SOM
Círculo de Fogo
Gravidade
A Hora Mais Escura
Rush – No Limite da Emoção
O Som ao Redor

MELHOR DIREÇÃO DE ARTE
Anna Karenina
O Grande Gatsby
Gravidade
O Hobbit: A Desolação de Smaug
Os Miseráveis