Cinema e Argumento

Melhores de 2023: “Assassinos da Lua da Flores” é o filme mais indicado da lista, seguido por “Oppenheimer”

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Se é fácil analisar e criticar listas alheias, acho que a figura muda de cenário quando nós próprios precisamos formular alguma seleção. É impossível atravessar essa tarefa apenas com os instintos: faltará lugar para filmes que pensávamos ser dignos de muito mais, entenderemos que nem sempre uma obra ter mais indicações do que outra significa necessariamente maior excelência e poderá ser até angustiante o dilema entre apenas escolher aqueles que mais gostamos ou também pensar em abrir mão de certos títulos em busca de uma composição mais ampla e diversa, de forma que a lista final seja também uma comunicação e um posicionamento.

Desde 2007 venho tentando equilibrar tudo isso quando escolho os meus “melhores do ano”, tendo em vista tudo o que tempo nos ensina e como o cinema passa a significar diferentes coisas para a gente. Nunca é uma tarefa fácil e, por isso, fecho as contas da seleção de 2023 com essa mesma sensação de ter vivido dúvidas árduas, mas também uma satisfação muito grande ao chegar a um resultado que definitivamente me representa. Em suma, no que tange o número de indicações, o topo é ocupado por Assassinos da Lua das Flores, o filme de Martin Scorsese que mais gostei de ver em anos, lembrado em 11 categorias, seguido de perto por Oppenheimer, de Christopher Nolan, outro longa que, ao meu ver, representa um ponto especial na carreira do diretor em questão.

Confira a lista completa, que considera os títulos lançados comercialmente no Brasil, seja nas salas de cinema ou em streaming:

MELHOR FILME
Acampamento de Teatro, de Molly Gordon e Nick Lieberman
Assassinos da Lua das Flores, de Martin Scorsese
Close, de Lukas Dhont
Entre Mulheres, de Sarah Polley
Monster, de Hirokazu Kore-eda
Noites Alienígenas, de Sérgio de Carvalho
Oppenheimer, de Christopher Nolan
Pedágio, de Carolina Markowiczc
O Peso da Dor, de Franz Kanz
Tia Virgínia, de Fabio Meira

MELHOR DIREÇÃO
Carolina Markowicz (Pedágio)
Christopher Nolan (Oppenheimer)
Hirokazu Kore-Eda (Monster)
Lukhas Dont (Close)
Martin Scorsese (Assassinos da Lua das Flores)

MELHOR ATRIZ
Carey Mulligan (Maestro)
Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores)
Maeve Jinkings (Pedágio)
Mia Goth (Pearl)
Vera Holtz (Tia Virgínia)

MELHOR ATOR
Bill Nighy (Viver)
Cillian Murphy (Oppenheimer)
Colman Domingo (Rustin)
Eden Dambrine (Close)
Gael García Bernal (Cassandro)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Ann Dowd (O Peso da Dor)
Arlete Salles (Tia Virgínia)
Joana Gatis (Noites Alienígenas)
Louise Cardoso (Tia Virgínia)
Martha Plimpton (O Peso da Dor)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Ben Whishaw (Passagens)
Chico Diaz (Noites Alienígenas)
Jason Isaacs (O Peso da Dor)
Reed Birney (O Peso da Dor)
Robert De Niro (Assassinos da Lua das Flores)

MELHOR ELENCO
Acampamento de Teatro
Assassinos da Lua das Flores
Entre Mulheres
O Peso da Dor
Tia Virgínia

MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Os Banshees de Inisherin
Close
Monster
Pedágio
O Peso da Dor

MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Assassinos da Lua das Flores
Crescendo Juntas
Entre Mulheres
Noites Alienígenas
Viver

MELHOR MONTAGEM
Acampamento de Teatro
Assassinos da Lua das Flores
Monster
Oppenheimer
Retratos Fantasmas

MELHOR FOTOGRAFIA
Assassinos da Lua das Flores
Close
Decisão de Partir
Monster
Oppenheimer

MELHOR TRILHA SONORA
Os Banshees de Inisherin
Close
Godzilla Minus One
Império da Luz
Oppenheimer

MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Assassinos da Lua das Flores
Barbie
Oppenheimer
Tia Virgínia
Wonka

MELHOR FIGURINO
Assassinos da Lua das Flores
Barbie
Maestro
Viver
Wonka

MELHOR SOM
Assassinos da Lua das Flores
Godzilla Minus One
Oppenheimer
Tár
Tinnitus

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Camp isn’t Home” (Acampamento de Teatro)
“Dance the Night” (Barbie)
“I’m Just Ken” (Barbie)
“What Was I Made For?” (Barbie)
“A World of Your Own” (Wonka)

MELHORES EFEITOS VISUAIS
Godzilla Minus One
A Morte do Demônio: A Ascensão
Oppenheimer

MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS
A Baleia
Maestro
A Morte do Demônio: A Ascensão

Rapidamente: “20 Dias em Mariupol”, “O Clube dos Milagres”, “Clube Zero” e “O Sabor da Vida”

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O Sabor da Vida é muito mais do que as polêmicas envolvendo a sua escolha para representar a França na disputa por uma indicação ao Oscar de melhor filme internacional.

20 DIAS EM MARIUPOL (20 Days in Mariupol, 2023, de Mstyslav Chernov): Vencedor do Oscar 2024 de melhor documentário, esse filme do diretor ucraniano Mstyslav Chernov captura, com bastante crueza, a recente invasão russa na cidade de Mariupol e registra todos os horrores inerentes a qualquer guerra. Da tensão reverberada pela chegada dos primeiros tanques até imagens de devastações da cidade-título, 20 Dias em Mariupol traz imagens pesadas de se ver, com o intuito, claro, de ser uma grande denúncia do que está acontecendo em território ucraniano, mas também de dar uma outra dimensão ao espectador que pensa conhecer o verdadeiro horror de uma guerra só por acompanhar as notícias em telejornais e sites da internet. Essa acaba sendo a grande força do documentário, pois o resultado se aproxima mais de uma grande reportagem do que de uma produção com DNA cinematográfico. O tom jornalístico, corriqueiro no gênero, não chega a ser uma surpresa porque se trata da vocação do próprio Mstyslav, correspondente de guerra já reconhecido pelo Prêmio Pulitzer de Serviço Público por seu trabalho na profissão. 20 Dias em Mariupol é, aliás, composto por imagens originalmente enviadas pelo jornalista para veiculação em noticiários durante os dias em que ficou encurralado com outros colegas durante a invasão russa na cidade ucraniana. Soma-se ao caldo a inserção de dilemas clássicos da profissão e verbalizados pelo diretor-narrador, como quando o repórter se vê dividido entre ajudar uma pessoa necessitada ou apenas fazer o registro do momento. Diminui a força e a urgência do relato? De maneira alguma. Apena se torna um daqueles casos em que o tema se sobrepõe à forma, com todos os prós e contras.

O CLUBE DOS MILAGRES (The Miracle Club, 2023, de Thaddeus O’Sullivan): Sempre serei grato a filmes como O Clube dos Milagres por eles reunirem grandes atrizes que já não recebem o devido protagonismo — no caso, temos aqui Maggie Smith, Kathy Bates e Laura Linney. E também sempre reclamarei de filmes como O Clube dos Milagres porque normalmente eles são incapazes de criar histórias inspiradas para que essas atrizes brilhem além dos talentos inerentes a elas. Oriundo da TV, o diretor Thaddeus O’Sullivan dá vida ao roteiro de Jimmy Smallhorne, Joshua D. Maurer e Timothy Prager como um açucarado telefilme familiar dos anos 1990, mas sem qualquer tom de nostalgia que possa tirar o pó em torno do material. Também não ajuda O Clube dos Milagres ter uma história das mais frágeis, em que as protagonistas vividas por Maggie e Kathy sonham visitar a cidade de Lourdes, esperando viver um milagre. Antes de embarcar, elas se deparam com o retorno de Chrissie (Laura Linney), figura ausente em suas vidas há muitos anos e que traz consigo uma série de mágoas e mal entendidos de um passado distante. Falta graça ao longa, que acaba dependente das atrizes, todas boas como de praxe, mas sem ter muito o que fazer com o texto morno. Há ainda pitadas de humor pouco eficientes entre os coadjuvantes, além de uma certa tentativa de emular, sem sucesso, o charme de uma comédia britânica. Não por acaso, O Clube dos Milagres passou despercebido mundo afora e, aqui no Brasil, foi, sem alarde, para o streaming. Destino compreensível para um longa que, mesmo inofensivo, não deveria ter se permitido chegar a um nível tão grande de inexpressividade com as atrizes reunidas em cena.

CLUBE ZERO (Club Zero, 2023, de Jessica Hausner): Prova de que todas as premiações e festivais são suscetíveis a erros (e dos grandes!) é Clube Zero ter disputado a Palma de Ouro do Festival de Cannes em 2023. Dirigido pela austríaca Jessica Hausner, o filme se revela uma sucessão de coisas que não dão certo, algo no mínimo surpreendente para uma cineasta em seu oitavo longa-metragem. Nessa equação de erros, talvez não exista problema maior do que a forma torta com que Clube Zero aborda uma série de temas delicados. Na trama, Mia Wasikowska interpreta uma professora que estabelece um vínculo muito próximo com um grupo de alunos quando introduz em aula o tema da alimentação consciente e como os seres humanos se relacionam com ela. Tal proximidade começa a tomar rumos perigosos, uma vez que os estudantes — alguns bulímicos, outros diabéticos ou apenas displicentes com hábitos alimentares — ficam gradativamente obcecados com o assunto, entrando em uma espiral de fanatismo que pode inclusive colocar suas vidas em risco. Mas, afinal, o que é Clube Zero? Uma sátira? Um drama? Um thriller? Um filme-denúncia? Sem nunca se fazer entender, a diretora Jessica Hausner, autora do roteiro em parceria com Géraldine Bajard, peca na abordagem temática e na construção da narrativa. A falta de foco prejudica a conexão com os personagens, afinal, fica complicado compreender o que devemos sentir por eles e, principalmente, qual o objetivo do filme com as discussões levantadas. Diante desse vazio, Clube Zero se arrasta e se distancia, acreditando ter algo a dizer quando, na verdade, é até mesmo problemático na irresponsabilidade de suas tentativas de abordagem.

O SABOR DA VIDA (La Passion de Dodin Bouffant, 2023, de Anh Hung Tran): Foi o filme enviado pela França para concorrer a uma vaga na categoria de melhor filme internacional do Oscar 2024, o que causou uma série de polêmicas diante da trajetória vitoriosa de Anatomia de Uma Queda, começando pela Palma de Ouro em Cannes até o próprio Oscar de melhor de roteiro original. Estrategicamente, a decisão se mostrou mais do que equivocada, mas, do ponto de vista artístico, não dá para reclamar, pois O Sabor da Vida é especial em muitos aspectos. Nele, a gastronomia é vista como um ritual não apenas da cozinha, mas também da nossa própria existência. A primeira meia hora, centrada na produção e na degustação de um elaborado banquete, já nos mostra como os personagens se compreendem através do ato de cozinhar e como se comunicam através dele. Avesso aos clichês edificantes e de redenção que permeiam os filmes sobre gastronomia, o roteiro escrito pelo próprio diretor vietnamita Anh Hung Tran se utiliza de longos preparos na cozinha e da reação dos personagens ao que vai aos pratos para destrinchara profunda cumplicidade entre Eugénie (Juliette Binoche) e Dodin (Benoît Magimel), parceiros de trabalho há 20 anos. Ao mesmo tempo em que dá para sentir o aroma dos pratos ao longo de todo o filme, também é possível compreender porque Eugénie e Dodin formam uma excelente dupla. Tudo acontece sem pressa alguma, com total economia nas palavras e uma sinestesia que pode até não ser para todos os paladares, mas que, por si só, já é o suficiente para que O Sabor da Vida mereça ser descoberto como essa preciosa forma encontrada pelo cinema para retratar mais uma vez a gastronomia.

“A Paixão Segundo G.H.” é difícil transposição do romance de Clarice Lispector para o cinema

Nada me fazia supor que eu estava a um passo de um império.

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Direção: Luiz Fernando Carvalho

Roteiro: Luiz Fernando Carvalho e Melina Dalboni

Elenco: Maria Fernanda Cândido e Samira Nancassa

Brasil, 2023, Drama, 124 minutos

Sinopse: Rio de Janeiro, 1964. Após o fim de uma paixão, G.H. (Maria Fernanda Cândido), escultora da elite de Copacabana, decide arrumar seu apartamento, começando pelo quarto de serviço. No dia anterior, a empregada (Samira Nancassa) pediu demissão. No quarto, G.H. se depara com uma enorme barata que revela seu próprio horror diante do mundo, reflexo de uma sociedade repleta de preconceitos contra os seres que elege como subalternos. Diante do inseto, G.H. vive sua via-crúcis existencial. A experiência narra a perda de sua identidade e a faz questionar todas as convenções sociais que aprisionam o feminino até hoje. Baseado no romance de Clarice Lispector.

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Por definição, obras da literatura consideradas “inadaptáveis” sempre dividirão opiniões quando transpostas para o cinema. Lembro particularmente de Ensaio Sobre a Cegueira, que foi levado às telas por Fernando Meirelles com a bênção do próprio autor José Saramago. Ao fim de uma sessão à época de lançamento do filme, Saramago disse, emocionado, que sua alegria em ter visto o resultado era a mesma de quando ele havia terminado de escrever o livro nos anos 1990. Se uma lenda da estatura do escritor aprovou o resultado, quem haveria de contestá-lo? Pois o público não foi lá muito simpático com o longa de Meirelles, provando que romances amplamente consagrados e reconhecidos por suas naturezas inadaptáveis dificilmente alcançarão algum tipo de unanimidade.

Arrisco dizer que A Paixão Segundo G.H. não foge à regra. Tomando como base o romance homônimo lançado pela escritora Clarice Lispector em 1964, a versão cinematográfica marca o retorno do cineasta Luiz Fernando Carvalho à direção de longas-metragens. Seu último trabalho para o cinema foi em 2001, quando lançou o belo Lavoura Arcaica, adaptação do livro de Raduan Nassar. Mais uma vez se lançado em um desafio fílmico-literário, agora acompanhado de Melina Dalboni na confecção do roteiro, o diretor preserva, em A Paixão Segundo G.H., o domínio estético e a sensorialidade muito própria do seu cinema, ao mesmo tempo em que adota um formato demasiadamente hermético para narrar uma história que precisava de mais ar para ganhar vida.

Quem dá vida à protagonista G.H. do título é Maria Fernanda Cândido, em uma interpretação que, com certeza, ficará entre as mais citadas de sua carreira. Para além de sua beleza clássica, que é explorada pelo diretor com inúmeros closes, belos figurinos e monólogos em que olha diretamente para a câmera, Cândido dá conta da imensidão de sentimentos e reflexões que se desenham em cena, o que é um desafio dos mais difíceis. Cabe a ela, em grande parte, garantir a conexão com o espectador, também porque A Paixão Segundo G.H. é um filme-solo e ambientado em um único local (o apartamento da protagonista), com uso de quase nenhum outro personagem, exceto a empregada vivida Samira Nancassa, em participação mínima. E Cândido se sai muitíssimo bem, seja como musa ou nas múltiplas facetas dessa escultora que decide reorganizar a própria casa.

Acontece que A Paixão Segundo G.H. pesa a mão na verborragia, sem deixar tempo para o espectador respirar. Talvez reverente demais com o texto de Clarice Lispector, o roteiro transmite as palavras da escritora de duas formas: em narração ou por meio de monólogos. Até mais ou menos a metade da projeção, o formato é eficiente, pois casa muito bem com o excelente trabalho de fotografia, direção de arte e trilha sonora. Entretanto, quando G.H. encontra a barata que será a razão de todas as suas reflexões, o filme perde seu impacto. Isso porque, conforme avança nos questionamentos da protagonista, o roteiro passa a amontoar, de maneira incessante, as belas, porém densas e complexas, meditações de Lispector, preservadas aqui vírgula a vírgula, sem um ajuste sequer. Se, em um livro, é possível fazer uma pausa para absorver pensamentos ou digerir divagações, na versão cinematográfica é impossível, pois não há espaço para isso.

A Paixão Segundo G.H. termina por se desviar para o intelectualmente exaustivo por conta dessa forma que alterna entre narrações e monólogos. Não lembro de já ter visto tanto texto em off no cinema — e, uma vez que o texto de Lispector foi intocado, a sensação é que, por vezes, o filme se aproxima de um audiobook —, assim como as declamações de G.H., em certa altura, parecem estar acontecendo em um teatro devido à união do tom literário, ao espaço limitado em que se passa (o quarto da empregada) e à própria dramatização de Cândido. Para o meu gosto pessoal, essa combinação acelerada deixa escapar o impacto. Afinal, quando estamos pescando a profundidade de uma passagem, ela logo termina para dar lugar a outra tão profunda quanto.

Navegando no que define como uma reação criativa à obra de Lispector e não exatamente como uma adaptação, o diretor Luiz Fernando Carvalho abarca, conforme ele próprio evocou na exibição do filme durante a última edição do Festival do Rio, a potência feminina que vai além da cosmo-política do homem ocidental. Os temas complexos são, claro, oriundos do livro original e também preservados à risca, inclusive na longa exploração da barata, observada aqui quase microscopicamente como a própria protagonista. Se A Paixão Segundo G.H. é considerado uma das obras mais densas de Clarice Lispector, é correto afirmar que, à parte questões de apreço ou não pelo resultado visto na tela, a recriação de Luiz Fernando Carvalho ganha pontos, ao menos, por bancar a realização de um longa muito próprio e específico, algo cada vez mais em falta nas salas de cinema. Não é para opiniões mornas.

Os vencedores do Oscar 2024

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Oscar de melhor filme concluiu trajetória invicta de Oppenheimer na temporada.

Só não pontuou bem nas apostas do Oscar 2024 quem resolveu apostar em alguma surpresa fora da caixinha. Previsível do início ao fim, a cerimônia revelou vencedores há muito já esperados e, mesmo quando não confirmou aparentes favoritos, optou por candidatos facilmente identificáveis como alternativa. Previsibilidade, contudo, não deve ser sinônimo de injustiça, especialmente em um ano de concorrentes fortes, como o próprio Oppenheimer, grande vencedor da noite.

Goste-se ou não, Christopher Nolan é o diretor de uma geração. Entre erros e acertos, fez seu nome e se comunica com público e crítica. Sendo um reflexo da indústria cinematográfica norte-americana, o Oscar foi, sim, coerente ao premiá-lo. Isso sem falar no fato de Oppenheimer, um filme com três horas de duração, ter arrecadado quase um bilhão de dólares nas bilheterias. Ou seja, a Academia, tão cobrada por não se conectar com o grande público, também consagrou um sucesso comercial com Oppenheimer.

Por outro lado, concordo que a lista de vencedores poderia ser mais equilibrada, descontando uma ou outra estatueta do filme de Christopher Nolan para, por exemplo, o Oscar não carregar o vexaminoso fato de Assassinos da Lua das Flores ter saído da festa de mão abanando. Para parte do público que admira o filme de Scorsese, a conta foi parar nos ombros de Emma Stone, que levou seu segundo troféu para casa ao desbancar Lily Gladstone. Trata-se de uma injustiça com Emma, fenomenal em Pobres Criaturas e uma bela representante do excelente ano para a categoria de melhor atriz.

Entre os prêmios técnicos, duas vitórias me deixaram particularmente felizes: a de Zona Interesse em melhor som e a de Godzilla Minus One em melhores efeitos visuais. A primeira por ser o reconhecimento ao trabalho excepcional desse segmento no filme de Jonathan Glazer e por mostrar que a Academia, vez ou outra, entende que melhor som não é sinônimo de apenas barulheira. E a segunda por lançar luz sobre uma equipe japonesa que, com baixo orçamento comparado aos padrões hollywoodianos, não ficou devendo nada ao cinemão estadunidense.

Confira abaixo a lista completa de vencedores:

MELHOR FILMEOppenheimer
MELHOR DIREÇÃO: Christopher Nolan (Oppenheimer)
MELHOR ATRIZ: Emma Stone (Pobres Criaturas)
MELHOR ATOR: Cillian Murphy (Oppenheimer)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Robert Downey Jr. (Oppenheimer)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Da’Vine Joy Randolph (Os Rejeitados)
MELHOR ROTEIRO ORIGINALAnatomia de Uma Queda
MELHOR ROTEIRO ADAPTADOFicção Americana

MELHOR FILME INTERNACIONALZona de Interesse (Reino Unido)
MELHOR ANIMAÇÃOO Menino e a Garça
MELHOR DOCUMENTÁRIO20 Days em Mariupol
MELHOR MONTAGEM: Oppenheimer
MELHOR FOTOGRAFIAOppenheimer

MELHOR FIGURINOPobres Criaturas
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃOPobres Criaturas
MELHOR SOMZona de Interesse
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “What Was I Made For?” (Barbie)

MELHOR TRILHA SONORAOppenheimer
MELHORES EFEITOS VISUAISGodzilla Minus One
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Pobres Criaturas
MELHOR CURTA-METRAGEMThe Wonderful Story of Henry Sugar

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: War is Over!
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO
The Last Repair Shop

Apostas para o Oscar 2024

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Há poucos mistérios a serem resolvidos na cerimônia do Oscar 2024 que será realizada neste domingo (10). Com o favoritismo absoluto de Oppenheimer em categorias centrais, como as de melhor filme e direção, a disputa que mais se destaca acaba sendo a de melhor atriz, onde Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores) e Emma Stone (Pobres Criaturas) protagonizam uma corrida apertadíssima e, por isso mesmo, tão interessante. Resta saber também se Barbie sairá da cerimônia apenas com o troféu de melhor canção como esperado ou se pode surpreender em categorias como as de melhor roteiro adaptado e design de produção. No mais, é bobeira perder o bolão em várias categorias.

Confira abaixo as minhas apostas:

MELHOR FILME: Oppenheimer / alt: Pobres Criaturas
MELHOR DIREÇÃO: Christopher Nolan (Oppenheimer) / alt: Martin Scorsese (Assassinos da Lua das Flores)
MELHOR ATRIZ: Lily Gladstone (Assassinos da Lua das Flores) / alt: Emma Stone (Pobres Criaturas)
MELHOR ATOR: Cillian Murphy (Oppenheimer) / alt: Paul Giamatti (Os Rejeitados)
MELHOR ATOR COADJUVANTE: Robert Downey Jr. (Oppenheimer) / alt: Ryan Gosling (Barbie)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Da’Vine Joy Randolph (Os Rejeitados) / alt: America Ferrera (Barbie)
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL: Anatomia de Uma Queda / alt: Vidas Passadas
MELHOR ROTEIRO ADAPTADOFicção Americana / alt: Barbie

MELHOR FILME INTERNACIONAL: Zona de Interesse (Reino Unido) / alt: Dias Perfeitos (Japão)
MELHOR ANIMAÇÃO: O Menino e a Garça / alt: Homem-Aranha: Através do Aranhaverso
MELHOR DOCUMENTÁRIO: 20 Days em Mariupol / alt: As 4 Filhas de Olfa
MELHOR MONTAGEM: Oppenheimer / alt: Assassinos da Lua das Flores
MELHOR FOTOGRAFIA: Oppenheimer / alt: Pobres Criaturas

MELHOR FIGURINOPobres Criaturas / alt: Barbie
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO: Pobres Criaturas / alt: Barbie
MELHOR SOM: Oppenheimer / alt: Zona de Interesse
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL: “What Was I Made For?” (Barbie) / alt: “I’m Just Ken” (Barbie)

MELHOR TRILHA SONORA: Oppenheimer / alt: Pobres Criaturas
MELHORES EFEITOS VISUAIS: Godzilla Minus One / alt: Resistência
MELHOR MAQUIAGEM & PENTEADOS: Maestro / alt: Pobres Criaturas
MELHOR CURTA-METRAGEM: The Wonderful Story of Henry Sugar / alt: Invincible

MELHOR CURTA-METRAGEM DE ANIMAÇÃO: Ninety-Five Senses / alt: Letter to a Pig
MELHOR CURTA-METRAGEM DE DOCUMENTÁRIO: The ABCs of Book Banning / alt: The Last Repair Shop