Cinema e Argumento

Três atores, três filmes… com Leticia Kiraly

leticiatresLogo quando tive a ideia de começar essa série de posts aqui no blog, pensei que a Leticia Kiraly era uma dessas pessoas que eu não poderia deixar de chamar para participar. Assim como a Luíza Cerioli, que foi a convidada anterior, essa minha colega jornalista que fui conhecer apenas nos últimos meses de faculdade (e com quem tive o prazer de me formar), tem um gosto altamente refinado – tanto para filmes quanto para seriados. Sempre soube que dela viria uma lista cheia de ótimas escolhas e argumentos. E não me enganei, como vocês podem ver no resultado abaixo. Entre as escolhas da Leticia, o primeiro bicampeonato da seção: Tom Hanks foi novamente lembrando por seu desempenho em Forrest Gump – O Contador de Histórias. Particularmente, acho que o grande desempenho dele é Filadélfia. Mas, e você, concorda com as escolhas da Leticia?

Tom Hanks (Forrest Gump – O Contador de Histórias)

Difícil escolher apenas um dos filmes de Tom Hanks. Neste clássico, ele comove e diverte misturando inocência, virtude e uma sensibilidade única. Somos envolvidos pela história de vida de Forrest Gump, um cara não muito esperto, mas que passa por experiências mágicas, trágicas e inspiradoras. Atuação primorosa de Tom, até no sotaque sulista do Alabama. Nesta produção de trilha sonora impecável, muitas vezes fui incapaz de segurar as lágrimas.

Christian Bale (Psicopata Americano)

A versatilidade de Christian já é senso comum. Neste filme cult e polêmico, o ator reflete todo o vazio de um rótulo surgido nos anos 90 nos Estados Unidos: os yuppies. Uma geração de jovens, bonitos, bem sucedidos, e infelizes. O teor macabro e até de humor negro do filme mostra a capacidade de indiferença do ser humano a tudo que é verdadeiro. Christian é um psicopata, pois não consegue sentir nada, mas ainda assim, desenvolve esse vazio com maestria.

Natalie Portman (O Profissional)

O filme apresenta um combinado de ótimas atuações: Natalie, Jean Reno, Gary Oldman. Mas a jovem atriz, com apenas 12 anos na época, foi capaz de transmitir ao espectador uma relação incomum entre uma menina e um homem. Duas pessoas perdidas, que encontraram no amor a única saída para uma vida sem esperanças. Matilda é ao mesmo tempo uma criança assustada e uma mulher sexy, e faz com que o público torça por esse amor proibido.

Três atores, três filmes… com Luíza Cerioli

luizatresQuando convidei a Luíza para participar do Três atores, três filmes, tinha certeza que receberia uma lista de respeito. E eu não estava errado! Mais do que isso, além da lista ser realmente ótima, me identifico bastante não só com as escolhas da Luíza para esse post, mas também com as preferências cinematográficas dela como um todo – o que só me deixa ainda mais contente de tê-la participando dessa seção. Dos semestres que fomos colegas em um curso de inglês aos papos que tivemos posteriormente, concordamos bastante quando o assunto é cinema. Portanto, fiquem abaixo com a lista e os comentários igualmente excelentes da Luíza, que traz duas divas de épocas bastante distintas em momentos muito emblemáticos de suas respectivas carreiras e um ator cuja performance escolhida representa a verdadeira era de ouro de sua carreira.

Nicole Kidman  (Moulin Rouge! – Amor em Vermelho)

Moulin Rouge! está no topo da lista dos meus filmes favoritos. Não só porque amo musicais e considero esse filme um marco definidor do que é o estilo musical moderno, mas porque é a obra mais genial de Baz Luhrmann. É genial nos detalhes: na oposição do satânico (Satine), vermelho e sensual, ao cristão (Christian), azul e inocente; na composição das músicas; no figurino; no cenário; nas coreografias… O grande destaque é a Satine de Nicole (como minha singela homenagem, esse é o nome da minha gata): um personagem que podia ter sido facilmente transformado em caricatural e que, a meu ver, pôde, nas mãos de Nicole, ser habilmente dosado. A personagem é extravagante quando precisa ser, sensual, cômica ou romântica e, ao chegar ao último ato do filme, a mutação da personagem nos parece extremamente natural e condizente. Além disso, como não derreter com a voz de choro de Nicole cantando “Come What May” ? Nicole está totalmente confortável nesse papel, dominando todas as cenas em que aparece. Depois de Moulin Rouge!, mesmo com filmes péssimos em seu currículo, Nicole é minha eterna musa. Até hoje não aceito o Oscar da Halle Berry aquele ano…

Bette Davis (O Que Terá Acontecido a Baby Jane?)

Sim, tenho uma queda por musas. Dificil foi decidir entre A Malvada ou Baby Jane. Fico com Baby Jane exatamente porque esse papel exige um abandono do conceito de musa. Baby Jane é, no final das contas, uma personagem extremamente frágil e desequilibrada, que não consegue lidar com a culpa e muito menos com o fracasso. Não é fácil fazer uma batalha de egos com Joan Crawford, mas, na minha singela opinião, Davis ganha fácil: suas risadas maquiavélicas, seu desespero ao se encarar no espelho, seu desligamento da realidade ao cantar “i’ve writen a letter to daddy”, toda cheia daquela maquiagem detestável… Davis está fantástica! E como não se arrepiar no fim? O filme é extremamente psicológico, com um final genial (é difícil lembrar um thriller que tenha um final tão inesperado como esse) e digno de milhões de análises sobre as duas personagens: que fim levaram? Quem realmente era a bandida da história? E, sim, também me pergunto o que terá acontecido com o Oscar de Baby Jane…

Tom Hanks (Forrest Gump – O Contador de Histórias)

Podem falar o que quiser: Tom Hanks é clichê, Forrest Gump é chichê, etc e tal… Mas, como não pensar que é vida é uma caixinha de chocolates ou que podemos fazer qualquer coisa com camarões? Como não sorrir ao se lembrar de Bubba e da Mamma? E de uma das trilhas sonoras mais perfeitas da face da terra? Tudo isso não seria o mesmo se não tivesse o então magrinho Tom Hanks nos guiando por toda uma historia incrível desse personagem meio abobado, mas que soube realmente o que é amar. Além, que realmente viveu a época mais intensa dos EUA: guerra da Coreia, segregação racial, a contracultura, as drogas, a AIDS… E a palavra que define a atuação de Hanks nesse filme é singeleza. Se pararmos para pensar, é incrível como um filme consegue lidar com tantos tópicos tão intensos como esse e terminar com um Forest emocionado, sorridente, doce, colocando seu pequeno no ônibus para a escola? 

Três atores, três filmes… com Tatiana Nassr

tatianatresDando continuidade ao que começamos semana passada nessa seção, temos mais uma convidada escolhendo três atores e respectivos três momentos da carreira deles. Quem faz a lista, dessa vez, também é uma conhecida minha do ambiente acadêmico: Tatiana Nassr, colega de jornalismo que fui conhecer só no último semestre de faculdade, mas com quem tive o prazer de dividir o palco de formatura. Sem falar que, além da profissão em comum, a Tatiana também é cinéfila de carteirinha. E fã de séries! Encontro mais do que inevitável. Ao contrário do Luan Pires, que escolheu três atuações masculinas, a Tatiana selecionou três intérpretes femininas. E a lista não poderia estar mais eclética, tanto nos estilos das performances escolhidas quanto nos próprios filmes. De veteranas a jovens talentos, confira as escolhas e os comentários da Tatiana:

Kate Hudson (Quase Famosos)

Uma atuação diferente daquelas apresentadas em comédias românticas que tomaram conta de boa parte do currículo da atriz. Como uma grande fã de rock e daqueles que fazem parte deste mundo, Penny Lane acompanha astros da música em suas turnês (é o que muitos definem como groupie, mas a própria personagem prefere se classificar como uma “ajudante” movida pela paixão musical). É legal ver que, mesmo no meio de toda a loucura dos bastidores da rotina de uma banda de rock, Penny Lane procura por um pouco de realidade. E ela encontra. Vocês vão ver uma Kate Hudson que encanta, em uma personagem que só poderia ter sido dela e para ela!

Diane Keaton (Noivo Neurótico, Noiva Nervosa)

Duvido que alguém discorde de mim nessa. Até a Academia apoia minha decisão! Filme e atriz são igualmente incríveis! Sou suspeita para tudo que envolve Woody Allen, mas é fundamental citar o nome dele como forma de destacar o trabalho da atriz. Digo isso porque o roteiro foca muito nas personagens e, para sustentar essa responsabilidade de forma primorosa, só mesmo uma Diane Keaton da vida. No título original (Annie Hall), a personagem dá nome ao longa-metragem. Já podemos notar como ela é especial… Diane nos entrega uma atuação natural, talvez porque, de fato, tem muito da realidade no filme. E podem notar que o “nervosismo da noiva” não parece nada demais se comparado à paranoia do noivo.

Chloë Moretz (A Invenção de Hugo Cabret)

Ela não é a protagonista, mas está sempre ao lado de Hugo em suas aventuras. Mais do que isso, ela é (ou tem) a chave para o grande desfecho do filme. Ainda mais: a personagem é Isabelle Méliès. Para quem não reconheceu o sobrenome, Chloë interpreta a afilhada de um dos precursores do cinema, o francês George Méliès. Em meio a uma declaração de amor à sétima arte, ganhamos uma interpretação doce, madura e inspiradora como uma pequena amostra do talento e de tudo que a atriz tem a oferecer.

Três atores, três filmes… com Luan Pires

luantresTem novidade aqui no blog! Sempre quis trazer amigos, colegas, leitores e conhecidos para participações especiais. E, com esse post, muito inspirado no tradicional Os Cinco Filmes Preferidos, do Cine Resenhas, abro oficialmente a seção Três atores, três filmes. O esquema é muito simples: dessa vez, a opinião não é minha, e sim de vocês! Semanalmente (vamos tentar!), convidamos alguém para escolher três atores e mencionar três filmes deles – seja em função de um desempenho marcante ou simplesmente pelas qualidades do filme. Quer participar voluntariamente? Então envia um email para mathpan@hotmail.com com seus comentários e uma foto pessoal! Dessa vez, quem abre os trabalhos é o meu amigo jornalista Luan Pires, com quem também tive o prazer de cursar faculdade e dividir, durante dois anos, a apresentação e produção do Sala de Cinema, um programa de rádio semanal sobre cinema. Muito do que sei sobre cinema também veio das trocas de opinião que tive com esse aí, que me aturou falando sobre cinema durante muito mais do que 60 edições do programa que apresentamos juntos! Eis as escolhas e os comentários do Luan:

Javier Bardem (Onde os Fracos Não Têm Vez)
Calafrio. Se eu fosse escolher uma palavra para a atuação de Javier Bardem em “Onde os Fracos Não Têm Vez” seria essa. Louco, sem ser bobo. Sádico, sem ser irreal. Cruel, sem parecer vazio. Bardem conseguiu conferir realidade a um personagem que não tem uma história para as suas ações. Sabemos quem ele é, mas não exatamente o porquê. E conferir veracidade a um ícone desses é trabalho de ator competente que, na sutileza de um olhar, oferece grandeza ao seu personagem.

Daniel de Oliveira (Cazuza – O Tempo Não Para)
A gente sente quando um ator se entrega a um personagem. E quando, nessa entrega, vai tudo: corpo e alma. Em Cazuza – O Tempo Não Para, Daniel de Oliveira se isolou para encontrar o tom da sua atuação e emagreceu drasticamente para compôr a fase terminal do cantor. A semelhança foi tanta que emocionou até quem conhecia Cazuza pessoalmente. Não foi uma imitação, foi uma recriação do espírito sem fronteiras de Cazuza até a sua degradação no final. E, por isso, merece palmas!

Clive Owen (Closer – Perto Demais)
O público mais desatento vai procurar um vilão para culpar, mas os personagens de Closer são todos vilões e todos mocinhos. E aquele que melhor abusa dessa contradição é Clive Owen e seu “homem das cavernas” chamado Larry. É impossível não odiá-lo e, ao mesmo tempo, admirá-lo pela racionalidade com que lida em relação às questões do amor. E oferecer complexidade a um personagem é trabalho de ator e roteiro. Se uma das pontas falha, o barco naufraga. O que não acontece em Closer e, muito menos, com Larry.

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