Cinema e Argumento

Três atores, três filmes… com Filipe Matzembacher

filipetresSócio-diretor da Avante Filmes em Porto Alegre, Filipe Matzembacher já viajou o mundo com filmes que dirigiu e escreveu. Entre diversos curtas e longas, ele agora vive um dos grandes momentos de sua carreira: Beira-Mar, filme que realizou ao lado de seu sócio Márcio Reolon, já foi apresentado no Festival de Berlim e segue fazendo uma bela carreira em festivais internacionais. O filme é norteado por uma temática recorrente na carreira do diretor: as complexidades da juventude e da sexualidade. A primeira vez que entrei em contato com o trabalho do Filipe foi com Cinco Maneiras de Fechar os Olhos e, a partir daí, também fiquei atento a outros projetos relacionados a cinema que ele desensolve aqui no sul, como o CLOSE – Festival Nacional de Diversidade Sexual. As escolhas do Filipe trazem um bicampeonato: novamente Gena Rowlands é lembrada na coluna por seu desempenho em Uma Mulher Sob Influência. Além da lista, ele também nos enviou uma breve introdução. Você confere tudo abaixo!

A lida com os atores, na busca da construção de personagens complexos e de obras sensíveis foi um dos principais motivos que me fez ingressar no cinema. Por isso já começo informando o quão difícil foi fazer essa lista – principalmente para um geminiano! Para ser completamente honesto, precisaria de uma lista das 100 atuações que mexeram comigo. Mas aqui vão três atuações em tons diferentes, de obras também muito distintas, mas que buscam essa verdade – conceito tão abstrato – de maneira bem interessante.

Joe Dallesandro (Flesh)
Um garoto de programa passa o dia na rua, entre conversas amigáveis, programas e casos extraconjugais, enquanto tenta conseguir uma quantia de dinheiro para sua namorada. No longa-metragem dirigido por Paul Morrisey e produzido por Andy Warhol, o registro do corpo e da interação de Joe Dalessandro com os outros atores é tão cru e natural que te cativa a cada segundo.

Margit Carstensen (As Lágrimas Amargas de Petra von Kant)
Nesse clássico do diretor alemão Rainer Werner Fassbinder, a dramaturgia é o centro da pulsão criativa. A protagonista desse drama sobre amor e dominação sustenta (junto da direção, é claro), os 124 minutos de filme com maestria. Com um elenco muito pequeno e uma só locação, a história de amor entre a estilista Petra e a modelo Karin é revelada em grandes atos, divididos por elipses que demonstram as mudanças nas relações dos personagens e de seus estados psicológicos.

Gena Rowlands (Uma Mulher Sob Influência)
Amor, cotidiano e loucura. Uma câmera próxima dos personagens, um roteiro crescente, que ora te sufoca, ora te faz sorrir e uma atuação brutal de Gena Rowlands como a amável e instável Mabel. A violência e a paixão, a esquizofrenia e o casamento, tudo está relacionado. A cada olhar de Gena seu coração vai se rasgar um pouquinho.

Três atores, três filmes… com Marcelo Galvão

galvaotresFoi quando trabalhei pela primeira vez no Festival de Cinema de Gramado em 2012 que entrei em contato com a filmografia do carioca Marcelo Galvão. Vencedor do Festival naquele ano com o espirituoso Colegas, Galvão retornou ao evento em 2015 para exibir o sensível e belo A Despedida, que lhe rendeu um novo Kikito – dessa vez o de melhor direção. Gentilmente, Galvão topou participar da nossa coluna e, abaixo, sintetiza em um depoimento algumas das interpretações que marcaram sua vida de cinéfilo. De Jack Nicholson em O Iluminado a Leonardo DiCaprio em O Aviador, passando por Björk e Gary Oldman, ele é mais um convidado para quem abrimos uma exceção no número de desempenhos selecionados. E todos os lembrados por Galvão são inéditos aqui! Confiram abaixo todas as escolhas do diretor!

A interpretação do Jack Nicholson em O Iluminado é bárbara, incluindo tudo o que ele criou para o personagem atrás das câmeras: um clima ruim entre ele e a Shelley Duvall, onde ele era bem frio com ela, se portando como um astro em relação a colega propositalmente. Tudo para que se criasse na tela um casal que você via que não estava dando certo. Acho que era essa um pouco a ideia e ele conseguiu imprimir bastante essa sensação no filme. Também tem todo o processo de loucura, uma proposta de criar uma figura diabólica para um pai de família… Acho muito boa a interpretação do Jack Nicholson nesse filme.

Já em O Aviador foi primeira vez que eu senti o Leonardo DiCaprio fora daquele estereótipo de garoto bonitinho que o físico dele acaba propagando. Nesse filme eu vi o quão bom ator ele é. Toda a construção do processo de loucura do Howard Hughes foi muito bom. Também tem Björk em Dançando no Escuro, entregando uma interpretação genial para uma iniciante no cinema; Gary Oldman roubando a cena e dando um show de interpretação em O Profissional, mesmo com Jean Reno sendo o herói do filme; e Christoph Waltz, que parece servir apenas para um tipo de personagem, mas que consegue sim fazer coisas diferentes, como em Django Livre, onde surpreende. Ele é o cara, sendo que a cara dele não dá a entender que ele é o cara!

Três atores, três filmes… com José Luís

tresjoseO último convidado do Três atores, três filmes de 2014 tem minha total identificação quando o assunto é listar filmes e interpretações que marcam preferências cinematográficas. Sempre acreditei que os filmes mais presentes em nossas lembranças são aqueles que dialogam de forma muito íntima e profunda com o que sentimos ou vivenciamos e não necessariamente em função da perfeição técnica ou da assinatura de um diretor. Tenho a total impressão de que, assim como é comigo, a situação é exatamente a mesma com o José, cuja lista que vocês podem conferir abaixo reflete, como ele mesmo aponta, uma série de identificações pessoais com os personagens escolhidos ou até mesmo com as histórias vividas por eles. E as justificativas certamente estão entre as mais interessantes que já passaram por aqui. Uma curiosidade sobre as escolhas: esta é a segunda vez que o desempenho de Kate Winslet em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças  é selecionado (e a terceira do filme, que também já foi lembrado pelo desempenho de Jim Carrey). Fiquem abaixo com as escolhas do nosso último convidado do ano, que encerra o ano da seção em alto estilo!

Angelina Jolie (Garota, Interrompida)
Garota, Interrompida é um filme baseado em eventos reais, onde encontramos uma Angelina Jolie jovem e destemida atuando com uma força selvagem, viva e decadentemente deslumbrante. Apesar de não ocupar o posto principal da história, a personagem de Jolie – Lisa Rowe – rouba a cena de todo e qualquer desavisado. Uma atuação digna do Oscar prematuro com o qual ela foi agraciada. Uma atuação corajosa de uma atriz que viria a ser uma das maiores celebridades do mundo. Particularmente, a personagem, em um primeiro momento, me desconcertou, me quebrou e me partiu em mil pedaços com diálogos provocadores e uma postura visceral. O espectador acaba seduzido pela fratura exposta que é Lisa. O filme em si é um aviso, um retrato do cotidiano assintomático da família do comercial de margarina, e traz uma reviravolta quando as personagens – assim como na vida real – passam a questionar suas existências. Talvez Angelina tenha atingido a perfeição em sua atuação devido às semelhanças que a personagem apresentava com uma Jolie adolescente, no inicio da carreira. Na minha opinião, é seu papel mais corajoso em um filme que eu sempre recomendo.

Kate Winslet (Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças)
Kate Winslet obteve notoriedade mundial após sua excelente atuação em Titanic, porém, do meu ponto de vista, essa fase foi apenas uma passagem para o que a grande Kate poderia realizar ao longo de sua carreira. Assim como Natalie Portman, Kate, além de ter suas personagens habitando minha lista de atuações preferidas, também tem seus diversos filmes perambulando pela minha coleção de favoritos. Obviamente, uma personagem em especifico me marcou, profundamente. Clementine Kruczynski tinge seus cabelos de acordo com as fases de sua vida e apaga suas memórias como quem clama pelo novo. Winslet, em Brilho Eterno de Uma Mente Sem Lembranças, além de contar com um roteiro único é presenteada com uma fotografia e direção de arte incríveis, o que torna o pacote uma obra-prima cinematográfica. Brilho Eterno, em sua essência, trata de um cotidiano improvável entre dois desconhecidos que se conhecem muito bem, e Kate é feliz em transpor os sentimentos que presenciamos diariamente em nossas vidas com uma verdade comovente. A beleza das cenas é cotidiana: cabelos bagunçados, não penteados, corpos pouco esculturais… Assim como na vida real, o brilho está na única sedução a qual nos é inerente: a vida. A atuação é linda, pois passa ao espectador um aspecto genuína e sem enfeites sobre como, muitas vezes, agimos em nossas relações. Clementine diz “I feel like I’m disappearing” – pois é assim que nos sentimos ao tentar apagar o que não pode ser apagado.

Natalie Portman (Closer – Perto Demais)
Natalie Portman, em suas diversas interpretações, habita minha coleção de filmes preferidos e também um lugar entre minhas atrizes favoritas, posição que foi conquistada anos atrás ainda na minha adolescência. Closer é um filme de 2004 que, 10 anos depois, continua encantando espectadores com sua beleza e ousadia. N ano do seu lançamento, eu tinha apenas 13 anos, então, algum tempo depois, com alguma maturidade adquirida e na faixa etária para assistir o filme, o fiz. Closer, para uma geração criada assistindo aos filmes da Disney, em um primeiro momento não faz sentido algum, afinal, se trata de um retrato maduro, lúcido e cru sobre uma realidade amorosa do século XXI. Porém, aos poucos, o balé das idas e vindas, os segredos e a imensidão oculta que o ser humano possui em seu interior… Tudo ganha sentido. Talvez uma visão pessimista dos relacionamentos na vida adulta que, mais cedo ou mais tarde, visitamos por aí. A personagem de Portman, Jane Jones, Alice Ayres – ou como preferir chamar – tem um espírito livre, ousado e direto. As falas são dotadas de franqueza e eloquência e muitas delas nunca deixaram minha cabeça, uma atuação impecável, uma personagem que nasce, se desenvolve e morre – “I don’t love you anymore, goodbye” – em frente ao espectador.

Três atores, três filmes… com Louisiane Cardoso

loutresUma das coisas mais preciosas que escrever em um blog traz é a possibilidade de conhecer novas pessoas. Fora os amigos blogueiros que passei a ter ao longo dos anos, também devo boa parte do meu trabalho aqui aos meus leitores. Já foram muitas as mensagens especiais e carinhosas que recebi desde que comecei a escrever e até hoje continuo agregando novas pessoas neste sentido. Recentemente, a Louisiane é uma das leitoras com quem mais tive o prazer de conversar pessoalmente e ter contato além do blog. Ela, que recentemente criou o I Like Movies More Than People, ainda me deu a alegria inusitada de ser abordado em uma festa por causa do Cinema e Argumento! Fiquem abaixo com as escolhas da Louisiane, que optou por um desempenho clássico e outros dois contemporâneos (sendo a terceira escolha – com um spoiler – um dos meus desempenhos favoritos do ano passado!).

Christian Bale (Batman Begins)
Escolhi esse filme em princípio porque foi quando conheci Christian Bale e desde então nunca mais nos separamos. Quando estreou Batman Begins, nem fazia ideia de quem era o ator que iria protagonizar o filme, só sei que nunca mais parei de acompanhar o trabalho dele. Inicialmente virei uma tiete, mas depois que fui atrás de outros filmes ele me fez ver que tinha conteúdo pra mostrar. Cada papel tinha a assinatura de Christian, mas cada um era diferente. E foi a mesma coisa em Batman Begins. Bruce Wayne não virou um jovem caricato e nem o playboy engraçadinho como nas outras versões. Bale deixou o personagem decente e que cresce não só nessa primeira parte, mas nas outras sequências. O trabalho em conjunto com Christopher Nolan fez com que Bale não só desse humanização ao personagem como também finalmente tornasse Batman um herói de verdade.

Elizabeth Taylor (Gata em Teto de Zinco Quente)
Eu sei que Liz Taylor tem muitos trabalhos significativos, mas Gata em Teto de Zinco Quente sempre será o meu preferido dela. Faz um tempo desde que assisti a este filme pela última vez, mas nunca me sairá da memória tudo que ela faz em tela. Ela é sensual, romântica, brigona, amiga, reconciliadora, sincera e desesperada para tentar consertar o seu casamento com Paul Newman em cena (outro maravilhoso ator em ato). Mas neste filme ela é a única verdadeira naquela casa cheia de drama. E o melhor de tudo é que ela, mesmo chamando bastante atenção, em nenhum momento ofusca o trabalho dos outros atores na tela. Liz deixa a sua marca, a sua elegância de ser tudo o que uma mulher pode ser, mas sem perder a pose. No meu imaginário, a personagem de Maggie, a gata, é a própria atriz personificada em cena.

Julia Roberts (Álbum de Família)
Nunca duvidei do talento de Julia Roberts. Sempre a considerei uma ótima atriz, desde a primeira vez que a vi sendo uma linda mulher andando pela rua. Mas em Álbum de Família ela ressurgiu no cinema. Me fez voltar a ser sua fã. Pelo que vinha acompanhando dos trabalhos de Julia, era um trabalho sem graça atrás do outro. De vê-la sempre sendo a mulherzinha rabugenta reclamando da vida e do nada simplesmente ter um final feliz. Neste filme ela está no seu limite e explode, mas explode de um jeito tão libertador que até o seu rosto reproduz todas as expressões faciais que um dia tinha esquecido que eram possíveis ter. E ao contrário dos outros longas, neste ela não tem um final feliz, mas finalmente um alívio que tanto precisava.

Três atores, três filmes… com Raquel Cirne

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Exatamente 10 anos atrás, na oitava série do ensino fundamental, eu conhecia a Raquel, que, pela primeira vez, seria minha professora de História. O convívio acadêmico durou apenas um ano letivo, mas acho que posso dizer que a conexão que estabelecemos lá atrás como aluno e mestra continua até os dias de hoje. Tradutora, professora e escritora do blog El Tesoro de Palabras, dedicado aos idiomas, a Raquel também dança, faz artesanato e, como ela mesma define, é uma sonhadora profissional. A participação dela aqui nesta seção é muito especial não só pelo fato de que a Raquel foi uma das professoras mais especiais que encontrei ao longo da minha vida acadêmica mas também porque ela, com sua habitual criatividade, resolveu quebrar os protocolos do blog (o que muito me animou!). Além de fazer uma introdução sobre o ofício do ator, ela resolveu escolher três interpretações de uma única atriz. E logo abaixo vocês vão descobrir o porquê de eu ter gostado tanto das escolhas da Raquel. Ah, e para quem quiser conferir o blog dela, aí vai o link: http://www.eltesorodepalabras.blogspot.com.es. Boa leitura a todos!

O que é uma atriz? É uma profissional que, através da expressão corporal, da técnica vocal e da interpretação, dá vida a outras vidas. O que é uma boa atriz? É uma profissional que realmente trabalha esses pilares da arte dramática, deixando de lado a si mesma. O que é uma excelente atriz? Meryl Streep. Assim, ao pensar nas minhas escolhas para esta seção, recordava imediatamente as atuações dela, que é uma atriz diferente em cada filme. Rica ou pobre, vilã ou mocinha, conservadora ou moderna, sempre convence, nunca se repete, e não se limita à fama como fator suficiente para manter uma história. Por isso ela é uma verdadeira atriz profissional, e não somente uma “estrela”.

Meryl Streep (Mamma Mia!)
Haja fôlego! Corre, dança, grita, sobe no telhado e cai da janela, pula no mar, ri, chora… E canta – com a própria voz… E em muitos momentos, faz tudo isso ao mesmo tempo, e com uma idade que até poderia ser “considerável”… É um trabalho muito completo, no qual se vê realmente uma grande expressão corporal, uma grande expressão vocal e uma interpretação sensível, passando por emoções diferentes, até mesmo opostas, e em todo o momento verdadeiras. Para ter valor, nem sempre um filme precisa ser questionador, ou enigmático, ou difícil de entender. Também ter que ter música luminosa, leveza, beleza, como aquela linda celebração do casamento com velas penduradas nas árvores… Cinema é magia, e deve ter a função de inspirar, de estimular os sonhos, de colorir a vida – vide o final escandalosamente colorido e alegre. Esta obra é uma fábula, e as fábulas têm finais felizes, mesmo que demorem para chegar. E é justamente a falta de cor na vida, e o costume a isto, que me leva à escolha do segundo filme. Sonhos são necessários, mesmo que nem sempre se possa realizá-los. Mas sem eles, não se vive.

Meryl Streep (As Pontes de Madison)
Nenhum efeito especial, poucos atores e poucos ambientes constroem um filme bastante complexo, que nos mostra o outro lado da moeda: nem sempre a felicidade é possível. A dona de casa invisível aos olhos da família que vê seus sonhos morrerem pouco a pouco até transformar-se em uma sombra que quase não sente nada, vive uma relação passageira, porém eterna, com um fotógrafo viajante. Nesse curto período, o coração dela bateu, ela sentiu paixão, ciúme, medo… sentiu emoções, esteve presente na própria vida. Porém, tanto se escolhesse ficar com ou sem ele, seria infeliz, devido a um grande controle social que afetaria toda a sua família. Podemos pensar que a história se passava nos anos 60, em uma cidade do interior, nas quais qualquer comportamento diferente era condenado e expulso… Mas sabemos que continua sendo atual. As revistas de fofocas não só sobrevivem como se expandem no infinito mundo virtual, pois a vida alheia ainda parece interessar mais do que a própria. Penso que o desafio de Meryl foi dar vida a uma personagem sem vida que, por um curto momento, passa a estar cheia de vida. Não conseguiu realizar seus sonhos, mas foi um breve encontro com um deles que possibilitou que continuasse. Simples assim, que continuasse.

Meryl Streep (A Escolha de Sofia)
Não poderia e nem tenho a pretensão de comentar sobre a densidade deste filme, que certamente está na lista dos melhores de toda a História, em tão poucas linhas. Acredito que muito já foi analisado tanto sobre o roteiro adaptado quanto sobre a extraordinária e profunda interpretação de Meryl, de modo que eu gostaria de destacar o trabalho dela ao ter que falar em três idiomas: alemão, polonês e inglês. O que para nós pode ser visto como um ponto forte, que mereceria um grande elogio, para ela, foi simplesmente sua obrigação, pois certa vez comentou que reproduzir sotaques faz parte do trabalho de qualquer atriz. E é esse tipo de postura que a faz única, irrepetível. Mas na linha dos dois outros filmes, também reflito sobre a “possibilidade” das escolhas. Ela foi obrigada a escolher qual filho deveria morrer, e poderíamos dizer que somente no nazismo se encontrariam tais atrocidades… Mas não. A pobreza e a fome, vergonhosamente presentes em uma época privilegiada de recursos, informação, circulação de ideias e pessoas, ainda obriga a muitas mães à mesma “escolha”. Como disse Nietzsche, “a arte existe para que a realidade não nos destrua”. Por isso precisamos das fábulas, dos sonhos, das cores e de Meryl Streep.