Os indicados ao Globo de Ouro 2013
No sentido de dar uma noção do que veremos nos indicados do próximo Oscar, a lista divulgada ontem pelo SAG foi muito mais pé no chão. A maior prova disso é o amor do Globo de Ouro por Django Livre, por exemplo, que só teve maiores repercussões na lista divulgada pela HFPA hoje – o que não deve se repetir no Oscar. Na realidade, a lista do Globo de Ouro oscilou entre o previsível e o irrelevante – o que é recorrente no prêmio – onde algumas surpresas pouco acrescentam às tendências da award season. Lincoln, de Steven Spielberg, lidera com sete indicações.
A lista completa – também com os indicados em TV – pode ser conferida aqui. A de cinema encontra-se abaixo. Ah, e um adendo: o Globo de Ouro precisa reformular urgentemente a forma como faz o anúncio de seus indicados. Levam quase meia hora para revelar a lista, colocam intervalo e ainda escolhem nomes aleatórios para segurar várias folhas de papel na mão frente às câmeras. Não à toa, Jessica Alba chegou a confundir uma categoria. Não rola nem um PPT para os convidados se guiarem? Os vencedores serão conhecidos no dia 13 de janeiro, em cerimônia apresentada por Tina Fey e Amy Poehler. Breves comentários sobre os indicados:
– Ainda não entendo tanto amor por O Exótico Hotel Marigold, que falha, inclusive, em aproveitar os veteranos atores. A indicação a melhor filme comédia/musical é, sem dúvida, mais afetiva do que qualquer outra coisa. Pelo menos lembraram de Judi Dench, a única do elenco que realmente merece menção.
– Falando em Judi Dench, ainda na categoria dela tem outras atrizes de calibre, como Maggie Smith (por Quartet) e Meryl Streep (Um Divã Para Dois). Trio de respeito, hein? Mas o prêmio deve ficar com a Jennifer Lawrence.
– Colocaram Tom Hooper de escanteio por Os Miseráveis para celebrar ainda mais o Django Livre de Quentin Tarantino. É bem provável que isso não se repita no Oscar. Até porque O Discurso do Rei teve DOZE indicações na lista da Academia. O que falar, então, de um musical de época baseado em um clássico?
– Se o SAG esqueceu de The Master (só Philip Seymour Hoffman foi indicado), o Globo de Ouro lembrou. E com as esperadas indicações para Joaquin Phoenix e Amy Adams. É tendência ou isso morre aqui?
– Marion Cotillard consolidou seu caminho para o Oscar com mais uma indicação por Ferrugem e Osso. Mas será que os membros da Academia vão mesmo escolher essa performance sutil ao invés de Emmanuelle Riva, que tem um papel tematicamente mais atraente para eles (a idosa enferma que é cuidada pelo marido)?
– Adele tem tudo para vencer o Globo de Ouro. Afinal, sempre pesa o nível da fama. De qualquer forma, a ótima Skyfall tem cara de que vence a categoria e sequer é lembrada no Oscar, como já aconteceu muitas vezes em anos anteriores. E pena que Javier Bardem e Judi Dench ficaram de fora pelo filme…
– As Aventuras de Pi conseguiu importantes indicações, assim como Argo. Os dois filmes estavam um tanto apagados até então. Com o Globo de Ouro conseguiram novo fôlego. Mas qual será a repercussão deles no Oscar?
– Dario Marianelli indicado pela belíssima trilha de Anna Karenina. Por mim, o italiano poderia vencer todos os prêmios.
– Nicole Kidman e Helen Mirren de novo? Só é complicado saber o que essas indicações duplas (ontem no SAG e hoje no Globo de Ouro) realmente significam.
– No mais, é muito simples: basta subtrair aquelas indicações que só o Globo de Ouro deu para termos um panorama do que é a temporada de premiações. No sentido de embaralhar a award season, como fez o SAG ontem, o Globo de Ouro serviu mais para esclarecer, já que as “surpresas” não dizem muita coisa.
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FILME DRAMA
Argo
Django Livre
As Aventuras de Pi
Lincoln
A Hora Mais Escura
FILME COMÉDIA/MUSICAL
O Exótico Hotel Marigold
Os Miseráveis
Moonrise Kingdom
Amor Impossível
O Lado Bom da Vida
ATOR DRAMA
Daniel Day-Lewis (Lincoln)
Richard Gere (A Negociação)
John Hawkes (The Sessions)
Joaquin Phoenix (The Master)
Denzel Washington (O Voo)
ATRIZ DRAMA
Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)
Helen Mirren (Hitchcock)
Naomi Watts (O Impossível)
Rachel Weisz (The Deep Blue Sea)
ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Jack Black (Bernie)
Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
Hugh Jackman (Os Miseráveis)
Ewan McGregor (Amor Impossível)
Bill Murray (Hyde Park on Hudson)
ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Emily Blunt (Amor Impossível)
Judi Dench (O Exótico Hotel Marigold)
Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
Maggie Smith (Quartet)
Meryl Streep (Um Divã para Dois)
ATOR COADJUVANTE
Alan Arkin (Argo)
Leonardo DiCaprio (Django Livre)
Philip Seymour Hoffman (The Master)
Tommy Lee Jones (Lincoln)
Christoph Waltz (Django Livre)
ATRIZ COADJUVANTE
Amy Adams (The Master)
Sally Field (Lincoln)
Anne Hathaway (Os Miseráveis)
Helen Hunt (The Sessions)
Nicole Kidman (The Paperboy)
DIREÇÃO
Ben Affleck (Argo)
Kathryn Bigelow (A Hora Mais Escura)
Ang Lee (As Aventuras de Pi)
Steven Spielberg (Lincoln)
Quentin Tarantino (Django Livre)
ROTEIRO
Argo
Django Livre
Lincoln
O Lado Bom da Vida
A Hora Mais Escura
CANÇÃO ORIGINAL
“For You” (Ato de Valor)
“Safe and Sound” (Jogos Vorazes)
“Suddendly” (Os Miseráveis)
“Skyfall” (007 – Operação Skyfall)
“Not Running Anymore” (Stand Up Guys)
TRILHA SONORA
Anna Karenina
Argo
A Viagem
As Aventuras de Pi
Lincoln
ANIMAÇÃO
Valente
Frankenweenie
Hotel Transilvânia
A Origem dos Guardiões
Detona Ralph
FILME ESTRANGEIRO
Amour
Kon-Tiki
Intocáveis
En kongelig affære
Ferrugem e Osso
Os indicados ao SAG 2013

Surpreendente. Essa é a palavra que define a lista de indicados ao SAG 2013. O prêmio, exclusivo para categorias de atuação, trouxe muitas surpresas em várias categorias. Se a temporada de premiações continuar assim, teremos um ano realmente memorável. Além disso, com o anúncio dos indicados ao Critics’ Choice ontem e os do Globo de Ouro amanhã, é dada a largada para a award season, até então muito vaga, já que associações de críticos não dizem muito sobre os vencedores de Oscar, SAG, Globo de Ouros e afins. Confira, abaixo, breves comentários sobre cada categoria do SAG (lista completa com indicados de tv podem ser conferidas aqui), que tem sua cerimônia de premiação marcada para o dia 27 de janeiro:
ELENCO
– Argo
– O Exótico Hotel Marigold
– Os Miseráveis
– Lincoln
– O Lado Bom da Vida
A surpresa aqui foi a indicação para O Exótico Hotel Marigold. O filme tem veteranos de respeito, mas eles são apenas nomes, já que John Madden não aproveita como deveria cada um deles. Judi Dench era a única que merecia ser lembrada. A disputa fica entre Os Miseráveis, Lincoln e O Lado Bom da Vida (que lidera as indicações).
ATOR
– Bradley Cooper (O Lado Bom da Vida)
– Daniel Day-Lewis (Lincoln)
– John Hawkes (The Sessions)
– Hugh Jackman (Os Miseráveis)
– Denzel Washington (O Vôo)
A categoria mais previsível de todas. Ainda que Bradley Cooper e Denzel Washingtos não sejam necessariamente surpresas, suas inclusões também não podem ser consideradas inesperadas. Ao que tudo indica, Day-Lewis deve ser consagrado por seu papel em Lincoln.
ATRIZ
– Jessica Chastain (A Hora Mais Escura)
– Marion Cotillard (Ferrugem e Osso)
– Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)
– Helen Mirren (Hitchcock)
– Naomi Watts (The Impossible)
Curioso ver Helen Mirren lembrada por Hitchcock, filme que não foi muito bem recebido lá fora e que, supostamente, era para ser um show de Anthony Hopkins (preterido por todas as listas até agora). Naomi Watts, relativamente bem cotada mas ainda incerta por The Impossible, parece ganhar novo fôlego agora. O mesmo pode ser dito de Marion Cotillard, por Ferrugem e Osso, que desbancou Emmanuelle Riva, nome que já era aposta certa para Amor.
ATOR COADJUVANTE
– Alan Arkin (Argo)
– Javier Bardem (007 – Operação Skyfall)
– Robert De Niro (O Lado Bom da Vida)
– Philip Seymour Hoffman (The Master)
– Tommy Lee Jones (Lincoln)
Perceberam como todos os indicados já têm um Oscar em casa? Ansioso para saber qual deles será consagrado… Fico feliz com a indicação para Javier Bardem e um tanto incomodado com a presença de Alan Arkin, que está bem em Argo mas não muito diferente de seus outros papeis cômicos – especialmente quando divide cena com John Goodman. Que indicassem os dois, então…
ATRIZ COADJUVANTE
– Sally Field (Lincoln)
– Anne Hathaway (Os Miseráveis)
– Helen Hunt (The Sessions)
– Nicole Kidman (The Paperboy)
– Maggie Smith (O Exótico Hotel Marigold)
Nicole Kidman indicada por The Paperboy? Isso parece coisa do Globo de Ouro, que de vez em quando inventa de bajular alguém sem razão… Ainda não vi o filme, mas a indicação veio totalmente do nada, até porque o longa de Lee Daniels não agradou muito por onde passou (foi considerado o fiasco de Cannes em 2012). Maggie Smith também surgiu de surpresa, talvez uma certa consequência do carinho especial pelos grandes atores de O Exótico Hotel Marigold. Quem ficou de fora foi Amy Adams, por The Master, considerada presença certa até então. Judi Dench, por 007 – Operação Skyfall também merecia lembrança.
Emmy 2012: resultados

O Emmy 2012 foi bastante parecido com o Oscar que vimos no início do ano: cerimônia sem vida, surpresas não muito interessantes e um resultado geral bem aquém do esperado. Só que uma atriz salvou a noite. E se Meryl Streep foi a luz de um Oscar terrível, Julianne Moore foi o motivo para que o Emmy 2012 seja lembrado. Injustiçada durante anos em todas as premiações, a atriz de 51 (!) anos venceu seu primeiro grande prêmio. Como a republicana Sarah Palin, Moore foi consagrada por seu estupendo desempenho em Virada no Jogo. Reconhecimento mais do que merecido para uma grande atriz. Antes tarde do que nunca, não?
De resto, mais do mesmo: ainda tento entender o alto nível de empolgação com Modern Family, uma série que já está sem fôlego. Repetir prêmios para Eric Stonestreet e, principalmente, Julie Bowen foi exagero. Só que a edição desse ano também pecou nos dramas: se Breaking Bad e Downton Abbey pareciam vir com tudo para tirar o reinado de Mad Men, eis que o programa criado por Matthew Weiner deu adeus ao Emmy por causa de… Homeland. Tudo bem que o prêmio de melhor elenco, anunciado semana passada, já anunciava um certo entusiasmo exacerbado com esse programa novato, mas aí Damian Lewis ganhar de Bryan Cranston como melhor ator? Difícil engolir. Não quero dizer que Homeland é uma série ruim, mas, ao meu ver, é bastante limitada: a primeira temporada se resume a um mistério que nunca consegue necessariamente enganar, e é difícil prever como a série conseguirá se sustentar daqui para frente. Não seria surpresa nenhuma ver Homeland sendo esquecida futuramente…
Enfim, o Emmy 2012 representa o fim da era Mad Men e nunca esperou-se um desfecho tão amargo, sem um prêmio sequer. Sei que é moda falar mal do grande vencedor, mas Homeland não merecia ser a série responsável pelo esquecimento de Mad Men. Dessa forma, o Emmy, apesar da lista sempre cheia de momentos inesperados, dessa vez não teve grandes momentos e suas escolhas erradas podem muito bem surtir efeito no próximo ano: em 2013 saberemos se Homeland é o que realmente apontam, se Breaking Bad acabará sem o grande reconhecimento que merece e se Mad Men continuará sendo vítima do mesmo crime que cometeram com Six Feet Under: zero celebração para os atores. E, nós, como sempre, estaremos lá apostando, xingando e torcendo… Afinal, do que sobreviveriam as premiações se não de nossas torcidas? Confiram, abaixo, a lista de vencedores:
Melhor série dramática: Homeland
Melhor atriz em série dramática: Claire Danes (Homeland)
Melhor ator em série dramática: Damian Lewis (Homeland)
Melhor direção em série dramática: Timothy Van Patten (Boardwalk Empire, episódio To the Lost)
Melhor atriz coadjuvante em série dramática: Maggie Smith (Downton Abbey)
Melhor roteiro em série dramática: Alex Gansa, Howard Gordon e Gideon Raff (Homeland, episódio Pilot)
Melhor ator coadjuvante em série dramática: Aaron Paul (Breaking Bad)
Melhor telefilme/minissérie: Virada no Jogo
Melhor ator em telefilme/minissérie: Kevin Costner (Hatfields & McCoys)
Melhor diretor em telefilme/minissérie: Jay Roach (Virada no Jogo)
Melhor atriz em telefilme/minissérie: Julianne Moore (Virada no Jogo)
Melhor roteiro em telefilme/minissérie: Danny Strong (Virada no Jogo)
Melhor ator coadjuvante em telefilme/minissérie: Tom Berenger (Hatfields & McCoys)
Melhor atriz coadjuvante em telefilme/minissérie: Jessica Lange (American Horror Story)
Melhor série cômica: Modern Family
Melhor atriz em série cômica: Julia Louis-Dreyfus (Veep)
Melhor ator em série cômica: Jon Cryer (Two and a Half Men)
Melhor direção em série cômica: Steven Levitan (Modern Family, episódio Baby on Board)
Melhor atriz coadjuvante em série cômica: Julie Bowen (Moden Family)
Melhor roteiro em série cômica: Louis C.K. (Louie, episódio Pregnant)
Melhor ator coadjuvante em série cômica: Eric Stonestreet (Modern Family)
Vamos falar sobre o Emmy? – Parte 4 (apostas)

Chegou a hora de conheceremos os vencedores da 64ª edição do Emmy. Na cerimônia que acontece hoje, a partir das 21h (horário de Brasília), a disputa é, como sempre, acirrada. Mad Men reinará absoluta pelo quinto ano consecutivo? Ou Downton Abbey, nova sensação, conseguirá desbancar o programa? Tudo pode acontecer nessa premiação completamente imprevisível e que, apesar de ser frequentemente injusta, é uma das mais divertidas de se assistir em função, justamente, da imprevisibilidade – o que não acontece em prêmios como Oscar e Globo de Ouro. Nossa torcida, vale registrar, fica com Breaking Bad. Em qualquer categoria. Aqui no Brasil, a transmissão fica a cargo do Warner Channel. Abaixo, nossas apostas:
DRAMA
Melhor série: Mad Men / alt: Downton Abbey
Melhor ator: Bryan Cranston (Breaking Bad) / alt: Steve Buscemi (Boardwalk Empire)
Melhor atriz: Claire Danes (Homeland) / alt: Michelle Dockery (Downton Abbey)
Melhor ator coadjuvante: Aaron Paul (Breaking Bad) / alt: Giancarlo Esposito (Breaking Bad)
Melhor atriz coadjuvante: Maggie Smith (Downton Abbey) / alt: Anna Gunn (Breaking Bad)
Melhor direção: Michael Cuesta (Homeland, pelo episódio Pilot) / alt: Phil Abraham (Mad Men, pelo episódio The Other Woman)
Melhor roteiro: Semi Chellas e Matthew Weiner (Mad Men, pelo episódio The Other Woman) / alt: Julian Fellowes (Downton Abbey, pelo episódio #2.7)
COMÉDIA
Melhor série: Modern Family / alt: 30 Rock
Melhor ator: Alec Baldwin (30 Rock) / alt: Louis C.K. (Louie)
Melhor atriz: Amy Poehler (Parks and Recriation) / Melissa McCarthy (Mike & Molly)
Melhor ator coadjuvante: Ed O’Neill (Modern Family) / Ty Burell (Modern Family)
Melhor atriz coadjuvante: Kathryn Joosten (Desperate Housewives) / alt: Kristen Wiig (Saturday Night Live)
Melhor direção: Steven Levitan (Modern Family, pelo episódio Baby on Board) / alt: Lena Dunham (Girls, pelo episódio She Did)
Melhor roteiro: Amy Poehler (Parks and Recriation, pelo episódio The Debate) / alt: Louis C.K. (Louie, pelo episódio Pregnant)
TELEFILME/MINISSÉRIE
Melhor telefilme/minissérie: Virada no Jogo / alt: American Horror Story
Melhor ator: Idris Elba (Luther) / alt: Woody Harrelson (Virada no Jogo)
Melhor atriz: Julianne Moore (Virada no Jogo) / alt: Nicole Kidman (Hemingway & Gellhorn)
Melhor ator coadjuvante: Ed Harris (Virada no Jogo) / alt: Martin Freeman (Sherlock)
Melhor atriz coadjuvante: Jessica Lange (American Horror Story) / alt: Frances Conroy (American Horror Story)
Melhor direção: Jay Roach (Virada no Jogo) / alt: Paul McGuigan (Sherlock, pelo episódio A Scandal in Belgravia)
Melhor roteiro: Danny Strong (Virada no Jogo) / alt: Steven Moffat (Sherlock, pelo episódio A Scandal in Belgravia)
Vamos falar sobre o Emmy? – Parte 3

Caiu bastante o nível de MODERN FAMILY na terceira temporada. No início, a série tinha a seu favor o fato de ser extremamente simples em sua proposta (narrar o cotidiano de três famílias distintas) – e, por isso mesmo, universal – mas o programa já perdeu o fôlego. Dá para entender o porquê de Modern Family ter vencido o Emmy três vezes seguidas. Porém, já é hora de trocar o disco. Se não for para voltar a consagrar 30 Rock, que lembrem, então, de algum dos seriados estreantes – já que esse é o ano deles. A verdade é que Modern Family não ficou ruim, só não é mais digna de celebrações. E isso inclui o próprio elenco, já que nomes como Sofía Vergara e Eric Stonestreet, constantes destaques anteriormente, também caíram na repetição. Se a série vencer, o que é bem provável, será por puro comodismo dos votantes.

THE SONG OF LUNCH não é uma experiência para todos. Narrado literalmente como um poema, esse telefilme da BBC traz dois grandes atores do cinema britânico na história de um casal que se reencontra anos depois de separados em um almoço que fará um balanço do que deu errado na relação. E se Emma Thompson concorre como melhor atriz em telefilme/minissérie – na única indicação de The Song of Lunch – basta assistir ao resultado para questionar tal nomeação. Não por causa de Thompson, óbvio, mas porque o enredo é focado inteiramente nos sentimentos do personagem interpretado por Alan Rickman, que também é o responsável pelas narrações em off. Ele, sempre subestimado, que deveria representar The Song of Lunch no Emmy…

Ainda não sei dizer com certeza o que penso sobre SMASH. Pior do que poderia ser mas inferior ao que prometia, a série criada por Theresa Rebeck conseguiu quatro indicações ao Emmy, sendo três delas relacionadas, claro, ao mundo musical. E, por mais que muitas vezes a série caia na obviedade dos números musicais “imaginários” em um palco, o resultado até que é bem interessante no setor, com algumas canções que realmente grudam (History is Made at Night é uma delas). Porém, em termos de trama, o resultado é bem frágil, com dilemas que estão longe de alcançar qualquer originalidade. Se, por um lado, o programa parecia prestes a se vender trazendo um número com Rumor Has It, da Adele, e uma participação de Nick Jonas, por outro conseguiu manter certa autenticidade. Nada grandioso, mas de bom entretenimento. Smash ainda concorreu com Uma Thurman na categoria de atriz convidada. Não levou nada (as categorias “secundárias” foram anunciadas semana passada).

Já faturou os Emmy de elenco em série dramática e chega como uma possível surpresa para a cerimônia do próximo domingo. Não é de se admirar, afinal, Homeland tem todos os elementos para alcançar a consagração: uma história muito contemporânea sobre um tema sempre presente na vida dos estadunidenses. Guerra, tortura, terroristas… 24 Horas já trouxe muito disso, mas a série estrelada por Claire Danes apresenta um enfoque mais dramático e contemplativo sobre esse universo. Particularmente, não considero um grande seriado, e a própria Claire Danes – considerada favorita na categoria de atriz em série dramática – é apenas satisfatória na temporada como um todo (seus momentos “maiores” estão no final). No ano em que Breaking Bad concorre com uma temporada tão completa, não seria muito justo ver Homeland como a série responsável por tirar os vários anos de reinado de Mad Men na categoria principal. Especialmente porque a temática da série não parece ter fôlego para durar muito tempo…