Cinema e Argumento

Oscar 2013 – Ator

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Ano mais do que marcante para os intérpretes masculinos. Entre as atuações, a categoria de melhor ator é com a melhor média de atuações. Por isso mesmo, alguns podem considerar um tanto frustrante que a disputa esteja tão definida. É Daniel Day-Lewis na cabeça, mas não seria injustiça alguma ver qualquer um dos outros vencendo – menos Denzel Washington, em indicação bastante dispensável. O terceiro Oscar para Day-Lewis também é uma forma de celebrar Lincoln em uma das categorias principais, já que o filme de Steven Spielberg tem tudo para não conquistar nem um terço dos prêmios a que concorre. Difícil questionar a vitória do ator, mas também igualmente angustiante é ter que dizer quem é melhor em um ano tão notável para os homens.

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BRADLEY COOPER (O Lado Bom da Vida): Poderia ser uma espécie de exagero das premiações: um ator que normalmente não associaríamos ao papel saindo-se relativamente bem nele. Porém, Bradley Cooper está mesmo ótimo em O Lado Bom da Vida. Não apenas conduz muito bem o cargo de protagonista do filme de David O. Russell como também é a interpretação mais marcante de um filme que tem nomes como Jennifer Lawrence e Robert De Niro no elenco. Como o bipolar Pat, Cooper teve a chance de ouro de sua carreira. E soube aproveitá-la.

DANIEL DAY-LEWIS (Lincoln): Era de se pensar que, depois de Sangue Negro, Daniel Day-Lewis não fosse impressionar novamente tão cedo. Que engano! Tudo bem que Nine foi um deslize na sua carreira (lá ele é totalmente ofuscado pelas mulheres), mas é sempre válido esperar superação de Day-Lewis. É o que acontece no papel de Lincoln, que pode não ser o estilo mais instigante (quem ainda aguenta cinebiografias?), mas que o ator mais uma vez tira de letra com seu inegável talento: da postura ao tom de voz e dos olhares às palavras do presidente-título, ele nos entrega, outra vez, um dos melhores desempenhos de sua carreira.

DENZEL WASHINGTON (O Voo): Denzel Washington está sobrando entre os atores indicados ao Oscar desse ano. Tem um papel que a Academia gosta, mas o estereótipo de alcoolista em recuperação já foi trabalhado mil vezes pelo cinema. E o filme de Robert Zemeckis, além de não tratar o tema com originalidade, não dá grandes chances para Denzel – que lidera a história com segurança, mas não tem um momento mais especial. A indicação de O Voo na categoria de roteiro original também é bastante questionável… Pelo visto, os votantes tiveram um certo carinho pelo longa.

HUGH JACKMAN (Os Miseráveis): Hugh Jackman nasceu para ser Jean Valjean. Quem viu o ator soltando a voz, anos atrás, na cerimônia do Oscar 2009, já tinha como deduzir que, um dia, ele teria talento musical de sobra para protagonizar um filme do gênero. Mas o que poucos esperavam é que ele se saísse tão bem na parte dramática de Os Miseráveis. No mais novo trabalho de Tom Hooper, ele marca o seu território e transita muito bem entre os sofridos anos de seu personagem. É precipitado dizer que esse é, desde já, o desempenho de sua vida?

JOAQUIN PHOENIX (O Mestre): Joaquin Phoenix tem se especializado em papeis de homens problemáticos. Foi assim quando arrasou em Johnny & June e é agora no magnífico O Mestre. Lidando com um papel extremamente difícil, Phoenix encabeça esse incrível trabalho de elenco. Em parceria com o igualmente ótimo Philip Seymour Hoffman, ele tem várias cenas marcantes e nunca deixa que o gênio difícil de seu Freddie Quell seja um empecilho para o filme. Atuação grandiosa e cheia de pequenos detalhes que seria mais reconhecida caso não estivesse na disputa com Daniel Day-Lewis.

 O ESQUECIDO

oscthrhawkesPena que só Helen Hunt tenha sido lembrada por essa pequena surpresa chamada As Sessões. O trabalho dela é feito todo em sintonia com o de John Hawkes, que chegou a concorrer ao SAG e ao Globo de Ouro por seu desempenho mas que não conseguiu chegar ao Oscar. Não é de se surpreender – poucas vezes trabalhos menores e singelos são reconhecidos pela Academia – mas não dá para deixar de sentir sua falta.

Oscar 2013 – Atriz

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A categoria de melhor atriz sempre é a minha favorita nas temporadas de premiações. Talvez porque eu cultive um carinho muito maior pelas intérpretes femininas ou por a disputa ser realmente mais intensa entre elas. Entretanto, nunca estive tão indiferente  como nessa seleção de 2013. Todas as cinco indicadas são talentosas e estão em bons momentos, mas nenhuma está superlativa – o que se reflete na própria disputa, que não tem uma favorita absoluta. Jennifer Lawrence está um pouco na frente, já que conquistou o Globo de Ouro de melhor atriz em comédia/musical e o SAG. Jessica Chastain, da mesma “geração” que ela e uma dessas estrelas recentes, também tem um prêmio em casa (o Globo de Ouro de atriz em drama). Mas o buzz tem crescido para a veterana Emmanuelle Riva, que recentemente venceu o BAFTA. Quem corre mesmo por fora é Naomi Watts e Quvenzhané Wallis, mas que, mesmo assim, não devem ser desconsideradas (em especial a segunda, que eu apostaria como uma das possíveis surpresas da noite). Wallis, por sinal, é a mais jovem atriz indicada ao Oscar, enquanto Riva é a mais velha. Recordes curiosos de um ano não muito interessante para as mulheres.

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EMMANUELLE RIVA (Amor): Ganhou muitas associações de críticas e foi ignorada pelas premiações “maiores”, mas conseguiu chegar ao Oscar, ocupando a vaga de estrangeira do ano. É, sem dúvida, uma atuação muito especial e humana, que deixa fortes impressões devido ao minucioso trabalho físico. No entanto, o filme é mais de Jean-Louis Trintignant (em papel menos “chamativo”) do que dela. Riva, em determinado ponto, vai perdendo destaque (até porque, devido às condições da personagem, ela fica sem falar e apenas deitada em uma cama), deixando quase todo o protagonismo para o seu companheiro de cena.

JENNIFER LAWRENCE (O Lado Bom da Vida): Gosto muito de Jennifer Lawrence e acho que todo o seu talento já foi mais do que comprovado em Inverno da Alma, filme que só é interessante em função dela. Claro que são obras bastante distintas, mas ela já esteve bem melhor lá do que agora em O Lado Bom da Vida. Talvez o favoritismo da atriz seja em função dessa versatilidade que ela apresentou nos últimos anos (saltou do cinema independente aos sucessos de bilheteria com uma impressionante rapidez). Lawrence defende bem a personagem, mas, assim como Riva, seu par é quem domina o filme: no caso, Bradley Cooper, em notável desempenho.

JESSICA CHASTAIN (A Hora Mais Escura): Ao lado de Quvenzhané Wallis, é a atriz que mais tem o filme entregue ao seu protagonismo. Só que A Hora Mais Escura não é um filme de atuações. E, em função disso, Chastain deixa a sensação de ter demorado um pouquinho para se achar no papel (especialmente no início, quando o filme avança várias vezes no tempo sem lhe dar muitas chances), sendo até “careteira” em alguns momentos. A moça, por outro lado, pouco a pouco toma as rédeas e, tarde demais ou não, passa a segurar bem o filme.

NAOMI WATTS (O Impossível): Não esperava que Naomi Watts fosse chegar entre as finalistas. A lógica de sua personagem é basicamente a mesma da concorrente Emmanuelle Riva: uma mulher debilitada que passa quase todo filme deitada apoiando o protagonismo de um outro personagem. Mas ambas tiram essa condição de letra. Watts ainda é beneficiada pelo próprio filme: da trilha de Fernando Velázquez ao ótimo trabalho de maquiagem, é impossível não se emocionar com a sua Maria Belón. A atriz, no entanto, deve ser a que menos tem chances, especialmente por ter a cinebiografia da princesa Diana guardada para ano que vem.

QUVENZHANÉ WALLIS (Indomável Sonhadora): Se essa menina de nove anos tem uma vantagem em relação a todas as outras candidatas, essa é o fato de ser a que mais deixa impressões – seja pelo desempenho notável para alguém de sua idade ou pelo próprio papel, que é o principal destaque de Indomável Sonhadora. Há quem diga que, nesse caso, atuação se confunde com a naturalidade de uma criança. Que seja: essa naturalidade, pelo menos ao meu ver, consegue ser infinitamente melhor do que várias tentativas frustradas de outras atrizes que tentam tanto arrasar…

 A ESQUECIDA

oscfthrmarionJá perdi a conta de quantas vezes Marion Cotillard foi injustamente esquecida depois de ganhar o Oscar por Piaf – Um Hino ao Amor. Entretanto, em 2013, a ausência é mais sentida do que das outras vezes: indicada ao Globo de Ouro, BAFTA, Critics’ Choice e SAG, o excelente desempenho dela em Ferrugem e Osso merecia estar entre os finalistas da categoria. Saiu prejudicada por ter uma outra francesa chegando forte na disputa (Emmanuelle Riva).

Oscar 2013 – Ator Coadjuvante

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Para bem ou para o mal, a categoria de melhor ator coadjuvante é a celebração do que já conhecemos. Do magnetismo fascinante e incansável de Philip Seymour Hoffman aos momentos piadistas de Alan Arkin, a seleção foi interessante – com ressalvas, claro – trazendo pelo menos um desempenho marcante. A corrida para os atores coadjuvantes segue indefinida até o último momento, especialmente porque todos os concorrentes já têm um Oscar em casa, o que deixa o termômetro de merecimento ainda mais aguçado: afinal, quem é digno de ter uma segunda estatueta em casa? A lógica aponta para Tommy Lee Jones (vencedor do SAG) ou Christoph Waltz (que faturou o Globo de Ouro e o BAFTA), mas é bom ficar de olho em Philip Seymour Hoffman, o grande merecedor, coroado pelo Critics’ Choice Awards, e que fez a melhor carreira nos últimos anos entre indicados.

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ALAN ARKIN (Argo): A presença de Alan Arkin entre os selecionados é pra lá de questionável por várias razões. Começando pelo fato do ator não fazer nada de novo (o papel de piadista alívio cômico já foi visto antes). Segundo porque, se fosse para lembrar dele, John Goodman, sua dupla de cena, também deveria estar indicado. Arkin funciona em Argo, mas, sinceramente, sua lembrança na categoria é completamente dispensável.

CHRISTOPH WALTZ (Django Livre): O dr. King Schultz de Django Livre pode até, uma vez ou outra, lembrar o inesquecível Hans Landa de Waltz em Bastardos Inglórios, só que não é nada que impeça o ator de criar uma figura de estilo parecido mas com uma nova roupagem. Ele é um dos pontos altos do filme de Tarantino, fazendo uma excelente dupla com Jamie Foxx e criando um personagem cheio de carisma e ironia. Para quem parecia fadado a uma certa composição (Água Para ElefantesDeus da Carnificina?), Waltz deu a volta por cima.

PHILIP SEYMOUR HOFFMAN (O Mestre): É, desde já, um dos grandes desempenhos entre os filmes lançados comercialmente no Brasil em 2013. As más línguas dizem que Hoffman se repete, mas, assim como Jack Nicholson, ele pode fazer sempre a mesma composição que nunca deixará de cativar. E, em O Mestre, ele cria outro personagem inesquecível, com uma interpretação ao mesmo tempo minuciosa e explosiva, repleta de dubiedades, parecida com a do também incrível padre Flynn de Dúvida.

ROBERT DE NIRO (O Lado Bom da Vida): Muito se comentou que esse é o retorno de Robert De Niro após vários papeis sofríveis em comédias bobas. Mentira. Ok, é o papel de maior destaque dele em muito tempo, mas nada que justifique tantos elogios e muito menos uma indicação. Com um desempenho sem grandes variações (qual a novidade do pai torcedor de futebol americano que é pulso firme com o filho enquanto a mãe é coração mole?), foi lembrado em função, claro, do poder de Harvey Weinstein.

TOMMY LEE JONES (Lincoln): O papel de senhor rabugento e mal humorado foi trabalhado com bastante dignidade por Tommy Lee Jones no recente Um Divã Para Dois, onde tinha uma missão mais desafiadora. Por isso, o trabalho realizado por ele em Lincoln não é necessariamente uma novidade. Mesmo assim, o veterano é um excelente suporte do grande elenco. A merecida indicação já basta como reconhecimento.

 O ESQUECIDO

oscthrsuporfNada de repetições do antológico Anton Chigurh de Onde os Fracos Não Têm Vez. Em 007 – Operação Skyfall, o espanhol Javier Bardem cria mais um vilão diferente e memorável para sua carreira. Integrando com louvor o excelente elenco de suporte do filme de Sam Mendes (Judi Dench também está ótima), Bardem tem tudo para ser lembrado como um dos grandes vilões da franquia 007. Pena que esse ótimo desempenho só foi lembrado pelo SAG.

Oscar 2013 – Atriz Coadjuvante

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Não foi um grande ano para as atrizes na award season, sejam elas coadjuvantes ou protagonistas. Foram poucos os desempenhos realmente marcantes – o que pode ser constatado nesta primeira categoria do Oscar 2013 que comentamos aqui no blog. Entre as atrizes coadjuvantes, tem um pouco de tudo, de veteranas a jovens talentos. E a categorias é uma das poucas que tem vencedora já definida: Anne Hathaway, como a sofrida Fantine do musical Os Miseráveis. Não há o que duvidar: ela chega a sua segunda indicação ao Oscar com Critics’ Choice, SAG, Globo de Ouro e BAFTA na bagagem. A matemática joga totalmente a seu favor. Agora, se é realmente merecedora de tantos prêmios… Aí já é outra história que comentamos abaixo, concorrente por concorrente (elencadas por ordem alfabética).

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AMY ADAMS (O Mestre): De todas as indicadas, deve ser a que melhor exerce a função de coadjuvante. Porém, sua participação não é tão monstruosa quanto a de Joaquin Phoenix ou Philip Seymour Hoffman – o que pode ser um pouco frustrante. A indicação é merecida, mas, novamente, a atriz não tem chances de vencer, até porque O Mestre não foi muito bem recebido lá fora. Serve apenas para endossar o excelente currículo de Adams – que, a qualquer hora, deve ser beneficiada por seu consistente histórico na premiação.

ANNE HATHAWAY (Os Miseráveis): Entre as selecionadas, é a única que tem uma sequência avassaladora (haja coração frio para não se emocionar com I Dreamed a Dream), mas a composição de Anne Hathaway não vai muito além disso. Com pouquíssimo tempo em cena em um filme com mais de 140 minutos, ela tira leite de pedra como a sofrida Fantine. Entretanto, não fosse o momento com a clássica música que recentemente ficou marcada pela voz de Susan Boyle, ela não estaria faturando todos os prêmios da temporada.

HELEN HUNT (As Sessões): É o melhor desempenho da categoria, e é fácil entender o porquê de não receber a devida atenção: a atriz passou anos despercebida depois de um Oscar injusto por Melhor é Impossível, está em um filme pequeno e tem uma interpretação repleta de sutilezas (o que raramente é celebrado). A verdade é que Hunt tira o papel de letra, sem qualquer vaidade e com uma humanidade muito especial. Sem falar que faz uma bela dupla com o igualmente ótimo – e subestimado – John Hawkes.

JACKI WEAVER (O Lado Bom da Vida): Foi a influência de Harvey Weinstein que colocou a australiana Jacki Weaver na disputa de atriz coadjuvante. Não existe outra explicação para essa indicação. Ela já esteve ótima em Reino Animal, mas, em O Lado Bom da Vida, não tem o que fazer com um papel inexplorado e que, conforme o filme se desenvolve, quase assume o cargo de figurante. Sem sequer uma cena especial, a indicação de Weaver é uma dos grandes devaneios do ano.

SALLY FIELD (Lincoln): Quem conferiu pelo menos por algum tempo o seriado Brothers & Sisters não vai ter qualquer surpresa com Sally Field em Lincoln. E isso é positivo! Mais controlada quanto aos tiques Regina Duarte, a veterana tem o seu desempenho mais relevante em anos (não confundir com algo extraordinário), exercendo com dignidade o papel de Mary Todd Lincoln. Mesmo com seu nome consagrado, precisou fazer teste para o papel. E fez valer o voto de confiança.

 A ESQUECIDA

oscsuessfCertamente o preconceito com uma franquia de sucesso impediu Judi Dench de chegar entre as finalistas do Oscar 2013. Afiadíssima como M, a veterana nunca teve tanto destaque nas aventuras de James Bond. Figura-chave para o desenvolvimento de 007 – Operação Skyfall, Judi teve uma das melhores composições entre as coadjuvantes de 2012. Não seria injustiça alguma ela substituir Jacki Weaver, por exemplo.

SAG 2013: apostas (atualizado com vencedores)

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A próxima parada da temporada 2013 de premiações é o Screen Actors Guild Awards, que acontece nesse domingo (27). Aqui no Brasil, a transmissão da cerimônia fica com a TNT, a partir das 23h. E o Cinema e Argumento, claro, não pode deixar de fazer suas apostas. Importante lembrar que o SAG, apesar de ser votado exclusivamente por atores, não é necessariamente decisivo na corrida pelo Oscar: ano passado, Viola Davis foi a melhor atriz por Histórias Cruzadas enquanto Meryl Streep ficou com o Oscar por A Dama de Ferro, por exemplo.

Outro detalhe a ser considerado é que muitos dos atores oscarizados que concorrem ao SAG não tem o prêmio mais almejado da noite de amanhã: nomes como Sally Field, Maggie Smith, Robert De Niro e Marion Cotillard não possuem a estatueta em casa (Sally tem apenas pelo seriado Brothers & Sisters). Sem falar que o prêmio adora uma veterana (lembram das infinitas vitórias de Betty White e do ano que esnobaram Cate Blanchett e Tilda Swinton para premiar Ruby Dee por O Gângster?).

Por fim, também não podemos esquecer que, para o SAG, o prêmio de melhor elenco pode significar melhor filme (só isso para explicar a derrota de Dúvida para Quem Quer Ser Um Milionário?, anos atrás). Enfim, tudo está bem encaminhado para amanhã (e tudo o que falamos pode se mostrar irrelevante), mas é sempre bom ficar de olho em possíveis surpresas. Abaixo, nossos palpites para as categorias de cinema:

MELHOR ELENCO: O Lado Bom da Vida / alt: Lincoln

Argo foi o vencedor da noite. Surpresa? Não mais. E agora: o Oscar se rende e assume que errou premiando Argo como melhor filme ou dá uma de Crash, ignora todo mundo e vai de Lincoln mesmo? Façam suas apostas!

MELHOR ATOR: Daniel Day-Lewis (Lincoln) / alt: não tem

Daniel Day-Lewis. That’s all.

MELHOR ATRIZ: Jessica Chastain (A Hora Mais Escura) / alt: Jennifer Lawrence (O Lado Bom da Vida)

O prêmio foi para Jennifer Lawrence, o que não dá para ser considerado uma surpresa. Nova estrela por nova estrela, Lawrence é mais conhecida do que Chastain e sua estrada até agora é mais interessante (foi a luz do sonolento Inverno da Alma), com trabalhos autorais e outros mais comerciais. A disputa continua entre ela e Chastain, mas, agora, com o SAG, suas chances são bem maiores. E ela tem Harvey Weinstein ao seu lado. Ou seja…

MELHOR ATOR COADJUVANTE: Philip Seymour Hoffman (O Mestre) / alt: Tommy Lee Jones (Lincoln)

Primeira vez que Tommy Lee Jones confirma seu suposto favoritismo para o Oscar. Não me entusiasmo tanto com seu desempenho (recentemente, também fez o mesmo papel de senhor rabugento em Um Divã Para Dois), mas a disputa continua incerta, já que Philip Seymour Hoffman venceu o Critics’ Choice e Christoph Waltz o Globo de Ouro. Nada é certo ainda. Não será surpresa alguma qualquer um deles vencendo o Oscar.

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE: Anne Hathaway (Os Miseráveis) / alt: Sally Field (Lincoln)

Já dá para entregar o Oscar para a Anne Hathaway? Ganhou o Critics’ Choice, o Globo de Ouro e agora o SAG. Só uma macumba muito forte pra ela não vencer tudo nessa temporada. E a cena de I Dreamed a Dream já está destinada a ser o grande momento de sua carreira. E não precisa nem ver o filme para deduzir isso.