Melhores de 2016: indicados

Lembrado em oito categorias, o drama Carol é o líder de indicações da lista de melhores do ano do Cinema e Argumento em 2016. As produções A Bruxa, A Juventude, Aquarius e Ponto Zero aparecem em segundo lugar com cinco indicações cada.
Essa é uma lista de escolhas guiadas basicamente pelo coração. Também é uma lista que tenta, na medida do possível, conciliar os filmes de viagens profundamente pessoais com aqueles que, aqui ou ali, conquistaram nossa admiração cinematográfica em determinados aspectos. Quando se pensa prioritariamente com o coração, muita coisa legal pode ficar de fora (Boi Neon, por exemplo, que é um ótimo filme), mas nada é melhor do que a autenticidade em um momento como esse. Liderando a nossa seleção de melhores filmes de 2016, o drama Carol concorre em oito categorias (filme, direção, atriz para Cate Blanchett e Rooney Mara, roteiro adaptado, trilha sonora, design de produção e figurino), seguido de perto pelos brasileiros Aquarius e Ponto Zero, representando o ano marcante para produções realizadas no nosso país (De Onde Eu Te Vejo, A Despedida, Sinfonia da Necrópole ainda são lembradas em categorias pontuais) e por A Bruxa e A Juventude, todos com cinco indicações cada. Os vencedores serão divulgados nos próximos posts aqui do blog. Enquanto isso, não deixe de conferir na aba melhores do ano os nossos vencedores desde 2007.
MELHOR FILME
Aquarius
Carol
Elle
A Juventude
Ponto Zero
MELHOR DIREÇÃO
José Pedro Goulart (Ponto Zero)
Kleber Mendonça Filho (Aquarius)
Paul Verhoeven (Elle)
Robert Eggers (A Bruxa)
Todd Haynes (Carol)
MELHOR ATRIZ
Cate Blanchett (Carol)
Denise Fraga (De Onde Eu Te Vejo)
Isabelle Huppert (Elle)
Rooney Mara (Carol)
Sonia Braga (Aquarius)
MELHOR ATOR
Domingos Montagner (De Onde Eu Te Vejo)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jacob Tremblay (O Quarto de Jack)
Michael Fasbender (Steve Jobs)
Nelson Xavier (A Despedida)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Anya Taylor-Joy (A Bruxa)
Jane Fonda (A Juventude)
Jennifer Jason Leigh (Os Oito Odiados)
Juliana Paes (A Despedida)
Kate Winslet (Steve Jobs)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Humberto Carrão (Aquarius)
Michael Shannon (Animais Noturnos)
Steve Carell (A Grande Aposta)
Tom Hardy (O Regresso)
MELHOR ELENCO
A Juventude
Animais Noturnos
Aquarius
De Onde Eu Te Vejo
Spotlight – Segredos Revelados
MELHOR ROTEIRO ORIGINAL
Aquarius
De Onde Eu Te Vejo
A Juventude
Sinfonia da Necrópole
Spotlight – Segredos Revelados
MELHOR ROTEIRO ADAPTADO
Carol
A Chegada
Elle
Steve Jobs
O Quarto de Jack
MELHOR MONTAGEM
O Contador
A Grande Aposta
Ponto Zero
Spotlight – Segredos Revelados
Steve Jobs
MELHOR FOTOGRAFIA
A Bruxa
A Chegada
Fogo no Mar
Ponto Zero
O Regresso
MELHOR TRILHA SONORA
A Bruxa
A Chegada
Carol
Ponto Zero
O Regresso
MELHOR DESIGN DE PRODUÇÃO
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Ave, César!
A Bruxa
Carol
O Roubo da Taça
MELHOR FIGURINO
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Animais Noturnos
Brooklin
Carol
A Garota Dinamarquesa
MELHOR SOM
A Chegada
O Contador
Ponto Zero
O Regresso
O Silêncio do Céu
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“Canção da Metrópole” (Sinfonia da Necrópole)
“None of Them Are You” (Anomalisa)
“Simple Song #3” (A Juventude)
“Still Falling for You” (O Bebê de Bridget Jones)
“Try Everything” (Zootopia – Essa Cidade é o Bicho)
MELHORES EFEITOS VISUAIS
Animais Fantásticos e Onde Habitam
Deadpool
Doutor Estranho
MELHOR MAQUIAGEM E PENTEADOS
Ave, César!
Florence: Quem é Essa Mulher?
A Garota Dinamarquesa
Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2017

Com o furacão La La Land: Cantando Estações de fora da categoria principal, o drama Manchester à Beira-Mar é o favorito e líder de indicações ao Screen Actors Guild Awards 2017.
Seguindo a primeira semana movimentada da temporada de premiações, hoje foi o dia de conhecermos os indicados ao Screen Actors Guild Awards, prêmio cujo corpo de jurados é formado exclusivamente por atores. Com a exclusão não tão inesperada de La La Land: Cantando Estações da categoria de melhor elenco (não há nomes tão expressivos entre os intérpretes fora Emma Stone e Ryan Gosling, ambos lembrados em suas respectivas categorias), o que surpreendeu mesmo foi a inclusão de Um Limite Entre Nós, visto que ele segue a mesma lógica de La La Land: aparentemente, parece que esse é um show apenas da dupla Viola Davis e Denzel Washington. De resto, ao que tudo indica, a briga pela categoria de melhor elenco está entre Manchester à Beira-Mar (líder de indicações e favorito na categoria de melhor ator) e Moonlight, os dois dramas mais celebrados da temporada.
Nas categorias individuais, a que sofreu uma boa mexida foi a de melhor atriz: com a exclusão de Annette Benning (20th Century Women), quem surpreendentemente ganhou a vaga foi Emily Blunt, que é ótima em A Garota no Trem, mas é feio vê-la concorrendo por um filme ruim, especialmente quando Isabelle Huppert (Elle) ficou de fora da disputa. Dando continuidade a sua boa semana, Florence: Quem é Essa Mulher? carimbou mais uma indicação para Meryl Streep (que cada vez mais se aproxima de uma vigésima indicação ao Oscar, já que a atriz também tem tudo para ganhar uma indicação ao BAFTA) e viu seu movimento de fraude para Hugh Grant dar certo com a nomeação do ator na categoria de coadjuvante. Entre os homens, quem ganha força é Andrew Garfield (Até o Último Homem), estabelecendo-se de vez em uma seleção já consolidada. Confira abaixo os indicados nas categorias de cinema:
MELHOR ELENCO
Capitão Fantástico
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emily Blunt (A Garota no Trem)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)
MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Dev Patel (Lion)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight)
Os indicados ao Globo de Ouro 2017

O musical La La Land concorre em sete categorias do Globo de Ouro. Dirigido por Damien Chazelle, o filme estreia dia 19 de janeiro de 2017 nos cinemas brasileiros.
Após ter dominado as vitórias do Critics’ Choice Awards na noite do último domingo (11), o musical La La Land: Cantando Estações, de Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição), teve uma manhã de glória ao liderar a lista de indicados do Globo de Ouro 2017 na manhã de hoje (12). Com sete indicações, o filme estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling é seguido pelos dramas Moonlight e Manchester à Beira-Mar, com seis e cinco indicações respectivamente. Assinado pelo estilista Tom Ford (Direito de Amar), Animais Noturnos surgiu como uma relativa surpresa, principalmente se considerarmos as menções em direção, roteiro e ator coadjuvante (Aaron Taylor-Johnson tomando para si a vaga que supostamente era de Michael Shannon por esse filme). Estranhamente, o longa não foi lembrado na categoria de melhor filme, e não há lógica nisso se percebermos que Animais Noturnos foi lembrado em categorias cruciais da lista.
Pelo menos quatro longas perdem a força na temporada de premiações com a lista do Globo de Ouro: A Chegada, que ontem ganhou o Critics’ Choice de melhor roteiro adaptado e aqui não foi finalista na categoria (e nem em direção ou filme, como esperado); Um Limite Entre Nós, que precisou se contentar com as indicações de interpretação para Denzel Washington e Viola Davis quando o primeiro também era favorito para conquistar uma indicação também como melhor diretor; Jackie, que só ganhou lembrança para o desempenho de Natalie Portman (o que certamente já enfraquece a tese de que ela vencerá um segundo Oscar); e Silence, aguardado longa de Martin Scorsese que chegou a ser exibido aos votantes mas não entrou em uma categoria sequer. Surpresa na lista, Florence: Quem é Essa Mulher? não apenas estragou o bolão de todo mundo com a indicação de ator coadjuvante para Simon Helberg como se tornou o filme com mais indicações nas categorias de interpretação (Meryl Streep e Hugh Grant também são finalistas pelo longa de Stephen Frears).
Mesmo com Aquarius de fora (sério mesmo que não havia um espaço para o Brasil em uma seleção de filmes estrangeiros que conta com três produções da França?) e com a jornada aparentemente irrefreável de La La Land rumo ao Oscar, ainda há de se esperar algumas surpresas do Globo de Ouro, que não poupou algumas delas já nessa sua primeira etapa. A cerimônia de premiação acontece no dia 8 de janeiro de 2017, homenageando Meryl Streep pelo conjunto de sua obra com o troféu Cecil B. DeMille. Confira abaixo a lista de indicados na categoria de cinema:
MELHOR FILME DRAMA
Até o Último Homem
Lion
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
A Qualquer Custo
MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
20th Century Women
Deadpool
Florence: Quem é Essa Mulher?
La La Land: Cantando Estações
Sing Street
MELHOR ATRIZ DRAMA
Amy Adams (A Chegada)
Isabelle Huppert (Elle)
Jessica Chastain (Miss Sloane)
Natalie Portman (Jackie)
Ruth Negga (Loving)
MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Annette Bening (20th Century Women)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Hailee Steinfeld (The Edge of Seventeen)
Lily Collins (Rules Don’t Apply)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
MELHOR ATOR DRAMA
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Joel Edgerton (Loving)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)
MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Colin Farrell (O Lagosta)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jonah Hill (Cães de Guerra)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Ryan Reynolds (Deadpool)
MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)
MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Mahershala Ali (Moonlight)
Simon Helberg (Florence: Quem é Essa Mulher?)
MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Mel Gibson (Até o Último Homem)
Tom Ford (Animais Noturnos)
MELHOR ROTEIRO
Animais Noturnos
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
A Qualquer Custo
MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
My Life as a Zucchini
Sing: Quem Canta Seus Males Espanta
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho
MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“Can’t Stop the Feeling” (Trolls)
“Faith” (Sing: Quem Canta Seus Males Espanta)
“Gold” (Gold)
“How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)
MELHOR FILME ESTRANGEIRO
O Apartamento (Irã)
Divines (França)
Elle (França)
Neruda (Chile)
Toni Erdmann (Alemanha)
MELHOR TRILHA SONORA
A Chegada
Estrelas Além do Tempo
La La Land: Cantando Estações
Lion
Moonlight
10 razões para amar o World Soundtrack Awards (ou a lucidez admirável de um prêmio)

Desbancando um blockbuster da dimensão de Star Wars: O Despertar da Força, Carol foi a melhor trilha sonora pelo voto popular no World Soundtrack Awards. Carter Burwell ainda foi eleito o compositor do ano.
Não é segredo para ninguém que o BAFTA sempre foi a minha premiação favorita por uma série de razões que inclusive elenquei na parte 1 e na parte 2 dos posts que fiz aqui no blog sobre o prêmio outorgado pelos britânicos. Não escondo, por outro lado, a minha frustração de vê-los tão sem autenticidade de uns anos para cá em suas escolhas dos melhores do cinema. Claro que premiações têm seus altos e baixos, mas é bem provável que hoje, depois de investigar um pouco a história do World Soundtrack Awards, o BAFTA venha a perder o seu lugar prioritário no meu coração. Fora o histórico, o que impulsionou minha paixão à primeira vista por esse prêmio dedicado à celebração de trilhas sonoras para o cinema foi ele ter reparado, na cerimônia realizada na última quarta-feira (19), uma das maiores injustiças da temporada de premiações desse ano: a infinidade de prêmios para Ennio Morricone por Os Oito Odiados.
Digo e repito: óbvio que tenho o maior respeito e admiração por Morricone, mas os troféus que ele levou para casa pelo filme de Quentin Tarantino foram por sua carreira e não pelo trabalho específico na obra. Sempre me chateio com prêmios assim, especialmente quando outros concorrentes são significativamente superiores. E, na varredura de vitórias feita pelo compositor italiano, o grande injustiçado foi Carter Burwell por seu trabalho espetacular em Carol. Entretanto, o World Soundtrack Awards fez justiça ao excelente momento da carreira de Burwell ao lhe conceder o prêmio de compositor do ano pelo júri oficial e pelo voto popular, desbancando nomes como Thomas Newman (outro eterno injustiçado), Daniel Pemberton (que faz um trabalho revelador e subestimado em Steve Jobs), John Williams e o próprio Morricone. Burwell ainda faturou a categoria de composição do ano (“None of Them Are You”, para Anomalisa), o que também corrige outro grande equívoco desse ano: os prêmios de canção recebidos por Sam Smith, por “Writing’s on the Wall”, para 007 Contra Spectre. Não deixe de conferir no site oficial da premiação a lista completa de vencedores.
A consagração tripla para o compositor vem no momento certo, já que Carol é o auge de sua carreira cada vez mais prolífera (lembrando que prêmio de compositor do ano também é por filmes como Ave, César! e Anomalisa). No filme de Todd Haynes, Burwell dá uma verdadeira aula sobre como uma trilha sonora deve ser narrativa para uma história, entregando ainda um tema inesquecível para o romance de Carol Aird (Cate Blanchett) e Therese Belivet (Rooney Mara). Em um mundo coerente, não haveria nem discussão sobre Carol ter a melhor trilha da temporada – e talvez até do ano (abaixo compartilho um vídeo sobre a criação de Burwell para a parte musical do filme). Mas não é de hoje que o compositor já dá sinais de excelência: vale bisbilhotar o que ele realizou para a minissérie Mildred Pierce, estrelada por Kate Winslet em 2011, cujo resultado é muito semelhante com o de Carol. Contudo, a excelência de Burwell não se restringe aos dramas de época, uma vez que também vale a busca por algumas de suas trilhas mais ecléticas e desafiadoras, como para Adaptação, de Spike Jonze, ou Queime Depois de Ler, dos irmãos Coen. Isso mesmo, faz horas que Carter Burwell está entre nós. Pena que só agora ele está recebendo a devida (e merecida) atenção.
Tudo isso nos leva ao início do post, quando confessei que é bem provável que o World Soundtrack Awards venha a se tornar minha premiação favorita envolvendo cinema. Bem como fiz com o BAFTA, abaixo cito dez razões para justificar:
- Enquanto o Oscar só foi reconhecer Alexandre Desplat com O Grande Hotel Budapeste, o World Soundtrack Awards já havia premiado o francês com os prêmios de trilha por O Curioso Caso de Benjamin Button e O Fantástico Sr. Raposo, além de ter dado cinco vezes o título de compositor do ano para o francês (a primeira delas pelo lindo trabalho para A Rainha).
- Não é sempre que júri popular acerta em premiações, mas é definitivamente o caso aqui, onde o polonês Abel Korzeniowski foi reconhecido duas vezes pelo público com suas trilhas para Direito de Amar e W.E. – O Romance do Século.
- “Come What May”, de Moulin Rouge! – Amor em Vermelho, foi eleita a melhor canção escrita para o cinema em 2001. Dispensa comentários.
- Ainda nas canções escritas para o cinema, o World Soundtrack Awards corrigiu outro grande esquecimento: não só indicou como premiou “You Know My Name”, de Chris Cornell, para 007 – Cassino Royale.
- Sequer indicada ao Oscar, a inesquecível e emblemática trilha de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain foi eleita a melhor do ano de 2001.
- Indiscutivelmente o maior compositor brasileiro, Antonio Pinto recebeu o prêmio de revelação do ano por Cidade de Deus em 2003.
- Esse foi o mesmo prêmio recebido por outros compositores de outras trilhas subestimadíssimas, como Nico Muhly (O Leitor, em 2009) e a dupla Dan Romer e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora, em 2013).
- É importante reconhecer o cinema comercial e de blockbuster. Por isso o prêmio de compositor do ano para Michael Giacchino (Planeta dos Macacos: O Confronto, Divertida Mente, Tomorrowland e O Destino de Júpiter) em 2015 foi tão especial.
- Nomes renomados e inexplicavelmente sem um mísero Oscar em casa já se consagraram com os prêmios de compositor ou trilha do ano, entre eles Alberto Iglesias, James Newton Howard e Thomas Newman.
- E até quem já se consagrou no passado com trilhas clássicas mas não no presente mesmo trabalhando a todo vapor foi reconhecido por obras contemporâneas, caso do mestre Hans Zimmer com A Origem e John Williams com Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.
Questão de golpe

Que vergonha Aquarius não ter sido escolhido para representar o Brasil no Oscar. De verdade.
Não há como amenizar a situação. Muito menos com o discurso de que ainda não vimos Pequeno Segredo para julgar (e isso também não foi por acaso). A Despedida, por exemplo, que estava no páreo, por mais belo que fosse, não merecia desbancar o filme de Kleber Mendonça Filho.
E é muito simples o porquê. Estamos falando de um Aquarius que concorreu em Cannes (nada menos que o festival de cinema mais importante do mundo) e que, desde lá, consagrou-se como um grande filme, inclusive com torcidas para dar uma indicação ao Oscar de melhor atriz para Sonia Braga.
Ah, e também tem Sonia Braga, ícone de nosso cinema que se tornou nome internacional e há 25 anos mora em Nova York. Essa mesmo que a imprensa internacional saudou como a dona da melhor interpretação feminina de Cannes em 2016 (e que o júri resolveu ignorar).
Pode ser que Pequeno Segredo realmente seja bom, mas, para um filme que ninguém conhece e que até os cinéfilos mais dedicados tiveram que fazer uma pesquisa no Google para conhecê-lo, suas credenciais em nada se assemelham com as de “Aquarius”.
Essa escolha não é exclusivamente questão de qualidade do filme, mas também de chances, estratégias e venda no mercado exterior. Já no caso do Brasil, é questão de golpe mesmo, mais do que nunca. Ou vocês acham que, caso concorresse esse ano, Que Horas Ela Volta?, dedicado aos ex-presidentes Lula e Dilma pela diretora Anna Muylaert, também não seria esnobado? Fora Temer!