Cinema e Argumento

Os indicados ao Screen Actors Guild Awards 2017

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Com o furacão La La Land: Cantando Estações de fora da categoria principal, o drama Manchester à Beira-Mar é o favorito e líder de indicações ao Screen Actors Guild Awards 2017.

Seguindo a primeira semana movimentada da temporada de premiações, hoje foi o dia de conhecermos os indicados ao Screen Actors Guild Awards, prêmio cujo corpo de jurados é formado exclusivamente por atores. Com a exclusão não tão inesperada de La La Land: Cantando Estações da categoria de melhor elenco (não há nomes tão expressivos entre os intérpretes fora Emma Stone e Ryan Gosling, ambos lembrados em suas respectivas categorias), o que surpreendeu mesmo foi a inclusão de Um Limite Entre Nós, visto que ele segue a mesma lógica de La La Land: aparentemente, parece que esse é um show apenas da dupla Viola Davis e Denzel Washington. De resto, ao que tudo indica, a briga pela categoria de melhor elenco está entre Manchester à Beira-Mar (líder de indicações e favorito na categoria de melhor ator) e Moonlight, os dois dramas mais celebrados da temporada.

Nas categorias individuais, a que sofreu uma boa mexida foi a de melhor atriz: com a exclusão de Annette Benning (20th Century Women), quem surpreendentemente ganhou a vaga foi Emily Blunt, que é ótima em A Garota no Trem, mas é feio vê-la concorrendo por um filme ruim, especialmente quando Isabelle Huppert (Elle) ficou de fora da disputa. Dando continuidade a sua boa semana, Florence: Quem é Essa Mulher? carimbou mais uma indicação para Meryl Streep (que cada vez mais se aproxima de uma vigésima indicação ao Oscar, já que a atriz também tem tudo para ganhar uma indicação ao BAFTA) e viu seu movimento de fraude para Hugh Grant dar certo com a nomeação do ator na categoria de coadjuvante. Entre os homens, quem ganha força é Andrew Garfield (Até o Último Homem), estabelecendo-se de vez em uma seleção já consolidada. Confira abaixo os indicados nas categorias de cinema:

MELHOR ELENCO
Capitão Fantástico
Estrelas Além do Tempo
Um Limite Entre Nós

Manchester à Beira-Mar
Moonlight

MELHOR ATRIZ
Amy Adams (A Chegada)
Emily Blunt (A Garota no Trem)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Natalie Portman (Jackie)

MELHOR ATOR
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Dev Patel (Lion)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Lucas Hedges (Manchester à Beira-Mar)
Mahershala Ali (Moonlight)

Os indicados ao Globo de Ouro 2017

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O musical La La Land concorre em sete categorias do Globo de Ouro. Dirigido por Damien Chazelle, o filme estreia dia 19 de janeiro de 2017 nos cinemas brasileiros.

Após ter dominado as vitórias do Critics’ Choice Awards na noite do último domingo (11), o musical La La Land: Cantando Estações, de Damien Chazelle (Whiplash: Em Busca da Perfeição), teve uma manhã de glória ao liderar a lista de indicados do Globo de Ouro 2017 na manhã de hoje (12). Com sete indicações, o filme estrelado por Emma Stone e Ryan Gosling é seguido pelos dramas Moonlight Manchester à Beira-Mar, com seis e cinco indicações respectivamente. Assinado pelo estilista Tom Ford (Direito de Amar), Animais Noturnos surgiu como uma relativa surpresa, principalmente se considerarmos as menções em direção, roteiro e ator coadjuvante (Aaron Taylor-Johnson tomando para si a vaga que supostamente era de Michael Shannon por esse filme). Estranhamente, o longa não foi lembrado na categoria de melhor filme, e não há lógica nisso se percebermos que Animais Noturnos foi lembrado em categorias cruciais da lista.

Pelo menos quatro longas perdem a força na temporada de premiações com a lista do Globo de Ouro: A Chegada, que ontem ganhou o Critics’ Choice de melhor roteiro adaptado e aqui não foi finalista na categoria (e nem em direção ou filme, como esperado); Um Limite Entre Nós, que precisou se contentar com as indicações de interpretação para Denzel Washington e Viola Davis quando o primeiro também era favorito para conquistar uma indicação também como melhor diretor; Jackie, que só ganhou lembrança para o desempenho de Natalie Portman (o que certamente já enfraquece a tese de que ela vencerá um segundo Oscar); e Silence, aguardado longa de Martin Scorsese que chegou a ser exibido aos votantes mas não entrou em uma categoria sequer. Surpresa na lista, Florence: Quem é Essa Mulher? não apenas estragou o bolão de todo mundo com a indicação de ator coadjuvante para Simon Helberg como se tornou o filme com mais indicações nas categorias de interpretação (Meryl Streep e Hugh Grant também são finalistas pelo longa de Stephen Frears).

Mesmo com Aquarius de fora (sério mesmo que não havia um espaço para o Brasil em uma seleção de filmes estrangeiros que conta com três produções da França?) e com a jornada aparentemente irrefreável de La La Land rumo ao Oscar, ainda há de se esperar algumas surpresas do Globo de Ouro, que não poupou algumas delas já nessa sua primeira etapa. A cerimônia de premiação acontece no dia 8 de janeiro de 2017, homenageando Meryl Streep pelo conjunto de sua obra com o troféu Cecil B. DeMille. Confira abaixo a lista de indicados na categoria de cinema: 

MELHOR FILME DRAMA
Até o Último Homem
Lion
Manchester à Beira-Mar
Moonlight
A Qualquer Custo

MELHOR FILME COMÉDIA/MUSICAL
20th Century Women
Deadpool
Florence: Quem é Essa Mulher?
La La Land: Cantando Estações

Sing Street

MELHOR ATRIZ DRAMA
Amy Adams (A Chegada)
Isabelle Huppert (Elle)
Jessica Chastain (Miss Sloane)
Natalie Portman (Jackie)
Ruth Negga (Loving)

MELHOR ATRIZ COMÉDIA/MUSICAL
Annette Bening (20th Century Women)
Emma Stone (La La Land: Cantando Estações)
Hailee Steinfeld (The Edge of Seventeen)
Lily Collins (Rules Don’t Apply)
Meryl Streep (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR ATOR DRAMA
Andrew Garfield (Até o Último Homem)
Casey Affleck (Manchester à Beira-Mar)
Denzel Washington (Um Limite Entre Nós)
Joel Edgerton (Loving)
Viggo Mortensen (Capitão Fantástico)

MELHOR ATOR COMÉDIA/MUSICAL
Colin Farrell (O Lagosta)
Hugh Grant (Florence: Quem é Essa Mulher?)
Jonah Hill (Cães de Guerra)
Ryan Gosling (La La Land: Cantando Estações)
Ryan Reynolds (Deadpool)

MELHOR ATRIZ COADJUVANTE
Michelle Williams (Manchester à Beira-Mar)
Naomie Harris (Moonlight)
Nicole Kidman (Lion)
Octavia Spencer (Estrelas Além do Tempo)
Viola Davis (Um Limite Entre Nós)

MELHOR ATOR COADJUVANTE
Aaron Taylor-Johnson (Animais Noturnos)
Dev Patel (Lion)
Jeff Bridges (A Qualquer Custo)
Mahershala Ali (Moonlight)
Simon Helberg (Florence: Quem é Essa Mulher?)

MELHOR DIREÇÃO
Barry Jenkins (Moonlight)
Damien Chazelle (La La Land: Cantando Estações)
Kenneth Lonergan (Manchester à Beira-Mar)
Mel Gibson (Até o Último Homem)
Tom Ford (Animais Noturnos)

MELHOR ROTEIRO
Animais Noturnos
La La Land: Cantando Estações
Manchester à Beira-Mar

Moonlight
A Qualquer Custo

MELHOR ANIMAÇÃO
Kubo e as Cordas Mágicas
Moana: Um Mar de Aventuras
My Life as a Zucchini
Sing: Quem Canta Seus Males Espanta
Zootopia: Essa Cidade é o Bicho

MELHOR CANÇÃO ORIGINAL
“City of Stars” (La La Land: Cantando Estações)
“Can’t Stop the Feeling” (Trolls)
“Faith” (Sing: Quem Canta Seus Males Espanta)
“Gold” (Gold)
“How Far I’ll Go” (Moana: Um Mar de Aventuras)

MELHOR FILME ESTRANGEIRO
O Apartamento (Irã)
Divines (França)
Elle (França)
Neruda (Chile)
Toni Erdmann (Alemanha)

MELHOR TRILHA SONORA
A Chegada
Estrelas Além do Tempo
La La Land: Cantando Estações
Lion
Moonlight

10 razões para amar o World Soundtrack Awards (ou a lucidez admirável de um prêmio)

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Desbancando um blockbuster da dimensão de Star Wars: O Despertar da Força, Carol foi a melhor trilha sonora pelo voto popular no World Soundtrack Awards. Carter Burwell ainda foi eleito o compositor do ano.

Não é segredo para ninguém que o BAFTA sempre foi a minha premiação favorita por uma série de razões que inclusive elenquei na parte 1 e na parte 2 dos posts que fiz aqui no blog sobre o prêmio outorgado pelos britânicos. Não escondo, por outro lado, a minha frustração de vê-los tão sem autenticidade de uns anos para cá em suas escolhas dos melhores do cinema. Claro que premiações têm seus altos e baixos, mas é bem provável que hoje, depois de investigar um pouco a história do World Soundtrack Awards, o BAFTA venha a perder o seu lugar prioritário no meu coração. Fora o histórico, o que impulsionou minha paixão à primeira vista por esse prêmio dedicado à celebração de trilhas sonoras para o cinema foi ele ter reparado, na cerimônia realizada na última quarta-feira (19), uma das maiores injustiças da temporada de premiações desse ano: a infinidade de prêmios para Ennio Morricone por Os Oito Odiados.

Digo e repito: óbvio que tenho o maior respeito e admiração por Morricone, mas os troféus que ele levou para casa pelo filme de Quentin Tarantino foram por sua carreira e não pelo trabalho específico na obra. Sempre me chateio com prêmios assim, especialmente quando outros concorrentes são significativamente superiores. E, na varredura de vitórias feita pelo compositor italiano, o grande injustiçado foi Carter Burwell por seu trabalho espetacular em Carol. Entretanto, o World Soundtrack Awards fez justiça ao excelente momento da carreira de Burwell ao lhe conceder o prêmio de compositor do ano pelo júri oficial e pelo voto popular, desbancando nomes como Thomas Newman (outro eterno injustiçado), Daniel Pemberton (que faz um trabalho revelador e subestimado em Steve Jobs), John Williams e o próprio Morricone. Burwell ainda faturou a categoria de composição do ano (“None of Them Are You”, para Anomalisa), o que também corrige outro grande equívoco desse ano: os prêmios de canção recebidos por Sam Smith, por “Writing’s on the Wall”, para 007 Contra Spectre. Não deixe de conferir no site oficial da premiação a lista completa de vencedores.

A consagração tripla para o compositor vem no momento certo, já que Carol é o auge de sua carreira cada vez mais prolífera (lembrando que prêmio de compositor do ano também é por filmes como Ave, César! Anomalisa). No filme de Todd Haynes, Burwell dá uma verdadeira aula sobre como uma trilha sonora deve ser narrativa para uma história, entregando ainda um tema inesquecível para o romance de Carol Aird (Cate Blanchett) e Therese Belivet (Rooney Mara). Em um mundo coerente, não haveria nem discussão sobre Carol ter a melhor trilha da temporada – e talvez até do ano (abaixo compartilho um vídeo sobre a criação de Burwell para a parte musical do filme). Mas não é de hoje que o compositor já dá sinais de excelência: vale bisbilhotar o que ele realizou para a minissérie Mildred Pierce, estrelada por Kate Winslet em 2011, cujo resultado é muito semelhante com o de Carol. Contudo, a excelência de Burwell não se restringe aos dramas de época, uma vez que também vale a busca por algumas de suas trilhas mais ecléticas e desafiadoras, como para Adaptação, de Spike Jonze, ou Queime Depois de Ler, dos irmãos Coen. Isso mesmo, faz horas que Carter Burwell está entre nós. Pena que só agora ele está recebendo a devida (e merecida) atenção.

Tudo isso nos leva ao início do post, quando confessei que é bem provável que o World Soundtrack Awards venha a se tornar minha premiação favorita envolvendo cinema. Bem como fiz com o BAFTA, abaixo cito dez razões para justificar:

  • Enquanto o Oscar só foi reconhecer Alexandre Desplat com O Grande Hotel Budapeste, o World Soundtrack Awards já havia premiado o francês com os prêmios de trilha por O Curioso Caso de Benjamin ButtonO Fantástico Sr. Raposo, além de ter dado cinco vezes o título de compositor do ano para o francês (a primeira delas pelo lindo trabalho para A Rainha).
  • Não é sempre que júri popular acerta em premiações, mas é definitivamente o caso aqui, onde o polonês Abel Korzeniowski foi reconhecido duas vezes pelo público com suas trilhas para Direito de AmarW.E. – O Romance do Século.
  • “Come What May”, de Moulin Rouge! – Amor em Vermelho, foi eleita a melhor canção escrita para o cinema em 2001. Dispensa comentários.
  • Ainda nas canções escritas para o cinema, o World Soundtrack Awards corrigiu outro grande esquecimento: não só indicou como premiou “You Know My Name”, de Chris Cornell, para 007 – Cassino Royale.
  • Sequer indicada ao Oscar, a inesquecível e emblemática trilha de O Fabuloso Destino de Amélie Poulain foi eleita a melhor do ano de 2001.
  • Indiscutivelmente o maior compositor brasileiro, Antonio Pinto recebeu o prêmio de revelação do ano por Cidade de Deus em 2003.
  • Esse foi o mesmo prêmio recebido por outros compositores de outras trilhas subestimadíssimas, como Nico Muhly (O Leitor, em 2009) e a dupla Dan Romer e Benh Zeitlin (Indomável Sonhadora, em 2013).
  • É importante reconhecer o cinema comercial e de blockbuster. Por isso o prêmio de compositor do ano para Michael Giacchino (Planeta dos Macacos: O ConfrontoDivertida MenteTomorrowlandO Destino de Júpiter) em 2015 foi tão especial.
  • Nomes renomados e inexplicavelmente sem um mísero Oscar em casa já se consagraram com os prêmios de compositor ou trilha do ano, entre eles Alberto Iglesias, James Newton Howard e Thomas Newman.
  • E até quem já se consagrou no passado com trilhas clássicas mas não no presente mesmo trabalhando a todo vapor foi reconhecido por obras contemporâneas, caso do mestre Hans Zimmer com A Origem e John Williams com Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban.

Questão de golpe

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Que vergonha Aquarius não ter sido escolhido para representar o Brasil no Oscar. De verdade.

Não há como amenizar a situação. Muito menos com o discurso de que ainda não vimos Pequeno Segredo para julgar (e isso também não foi por acaso). A Despedida, por exemplo, que estava no páreo, por mais belo que fosse, não merecia desbancar o filme de Kleber Mendonça Filho.

E é muito simples o porquê. Estamos falando de um Aquarius que concorreu em Cannes (nada menos que o festival de cinema mais importante do mundo) e que, desde lá, consagrou-se como um grande filme, inclusive com torcidas para dar uma indicação ao Oscar de melhor atriz para Sonia Braga.

Ah, e também tem Sonia Braga, ícone de nosso cinema que se tornou nome internacional e há 25 anos mora em Nova York. Essa mesmo que a imprensa internacional saudou como a dona da melhor interpretação feminina de Cannes em 2016 (e que o júri resolveu ignorar).

Pode ser que Pequeno Segredo realmente seja bom, mas, para um filme que ninguém conhece e que até os cinéfilos mais dedicados tiveram que fazer uma pesquisa no Google para conhecê-lo, suas credenciais em nada se assemelham com as de “Aquarius”.

Essa escolha não é exclusivamente questão de qualidade do filme, mas também de chances, estratégias e venda no mercado exterior. Já no caso do Brasil, é questão de golpe mesmo, mais do que nunca. Ou vocês acham que, caso concorresse esse ano, Que Horas Ela Volta?, dedicado aos ex-presidentes Lula e Dilma pela diretora Anna Muylaert, também não seria esnobado? Fora Temer!

Os indicados ao Emmy 2016

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Por falta de tempo, tenho visto menos séries do que gostaria. Aliado a isso, a infinita quantidade de programas me angustia: na ânsia de encontrar algo que realmente me interesse, acabo vendo quase nada. Por isso, pela primeira vez em anos me senti um pouco perdido com a lista dos indicados ao Emmy divulgada hoje. Só que, claro, não deixo de dar os meus pitacos. Antes de listá-los, meu maior luto com a seleção: é um absurdo The Leftovers não ter recebido uma indicação sequer por sua magistral segunda temporada. Uma aula de direção, roteiro e atuação, o programa merecia ter replicado aqui o seu sucesso no Critics’ Choice Awards, onde teve todo o seu elenco indicado em categorias individuais de atuação. E isso acontecer em tempos que Downton Abbey – que, desde a terceira temporada, está no piloto automático – segue sendo lembrada na categoria principal é realmente para sentar e chorar. Vamos a outras observações sobre a lista do prêmio, cuja cerimônia está marcada para 18 de setembro:

– Quando o Emmy resolve se apaixonar por uma série, mesmo que tardiamente, é bom sair da frente. Não vejo Game of Thrones, mas até fãs de carteirinha da série reconhecem o exagero de indicações. Dizem por aí que Peter Dinklage mal tem influência nessa última temporada e que Kit Harrington, apesar da popularidade, não é alguém que seja sinônimo de excelência em atuação a ponto de ser lembrado. Entre as comédias, o (merecido) reinado absoluto de Veep só se expandiu (nada menos que três indicações na categoria de direção!). Já no círculo das minisséries, o amor infinito foi para The People v. O. J. Simpson: American Crime Story. Justo? Me contem, pois também não assisto.

– A rainha do Emmy tem nome e sobrenome: Laurie Metcalf, com indicação tripla (atriz em comédia por Getting On, atriz convidada em drama por Horace and Pete e atriz convidada em comédia por The Big Bang Theory). Fico particularmente feliz pela primeira nomeação, pois sou fã da recentemente encerrada Getting On e, no seriado que quase ninguém vê, Metcalf é maravilhosa ao encarnar uma personagem que pode sim ser detestável, mas que, na verdade, só representa o que existe de secretamente pior em todos nós.

– Regina King deve novamente (e dessa vez merecidamente) levar o prêmio de atriz coadjuvante em minissérie pela surpreendente segunda temporada de American Crime, mas fiquei feliz mesmo pela lembrança de Lili Taylor, que tem o papel de uma carreira nesse drama pesado, delicado e complexo.

– Christine Baranski passou seis anos consecutivos sendo indicada e perdendo como melhor atriz coadjuvante por The Good Wife, e seu fim na premiação foi amargo: pela última temporada do programa, a atriz sequer foi indicada. Não é mesmo o seu melhor momento na série, mas havia material para chegar entre as finalistas (o último episódio). Pelo menos lembraram, com justiça, de Maura Tierney pelo segundo ano de The Affair.

– Que mau gosto essa indicação de A Very Murray Christmas na categoria de melhor telefilme. Aquilo é um horror! Porém, no geral, a categoria é fraca e sem concorrência, até mesmo com All the Way na disputa: o telefilme estrelado por Bryan Cranston e dirigido por Jay Roach é menos interessante do que parece.

– O que foi essa total mudança de sentimento por Orange is the New Black? Para um programa em franca ascensão no prêmio, o esquecimento até da então vitoriosa Uzo Aduba em atriz coadjuvante foi o maior choque da lista. Por outro lado, no sentido positivo, foram muitas as vibrações para The Americans, que finalmente foi indicada em importantes categorias principais, incluindo melhor série.

– A segunda temporada de Transparent é impecável e deveria, entre as comédias, ter o mesmo reconhecimento de Veep. O fato do programa não ter sido indicado a direção e receber uma única indicação em roteiro só comprova o quanto histórias menores e mais íntimas não têm o mesmo poder de convencimento entre os votantes. E eu ainda indicaria mais atores do elenco, começando por Kathryn Hahn, ótima como a rabina em plena crise matrimonial.

– No mais, o Emmy não se desapega fácil e, ao invés de substituições, prefere ampliar número de indicados para não abandonar séries que hoje quase ninguém mais vê, como Homeland, ainda lembrada em melhor drama, ou outras que há muito já deixaram de trazer novidades, a exemplo da própria Downton Abbey. Palpitando sobre os futuros vencedores, não há quem pare o furacão Game of Thrones. O hype é grande demais, superando até mesmo o tardio reconhecimento estrondoso de Breaking Bad anos atrás. Para as comédias, o voto também é certo: Veep, que só passou a ser consagrada com maior amplitude no ano passado. Mais um ano sem muitas novidades à vista para a cerimônia.

A lista completa de indicados está no site oficial do Emmy.