Cinema e Argumento

Melhores de 2008 – Ator Coadjuvante

art02

Se o Oscar de 2008 não foi aprovado pela maioria dos cinéfilos no quesito entretenimento, ninguém pode reclamar da distribuição de estatuetas no setor das interpretações. Um exemplo é Javier Bardem, que levou o prêmio da Academia de ator coadjuvante por sua arrebatadora interpretação em Onde Os Fracos Não Têm Vez. Ele é, provavelmente, a grande força do filme; sustenta o interesse do espectador na história, criando uma figura muito intrigante. Ele é o mal em pessoa, um dos melhores vilões do cinema contemporâneo. Bardem impressiona com seu cabelo estranho, compondo uma representação excepcional sobre a falta de sentimento, noção e piedade do ser humano. Entretanto, o trabalho é muito mais do que apenas um personagem incrível. É a soberba técnica de um ator mais do que competente. Vencedor do ano passado: Casey Affleck por O Assassinato de Jesse James Pelo Covarde Robert Ford.

Heath Ledger como Coringa em Batman – O Cavaleiro das Trevas

melhledO público já cantava o sucesso de Heath Ledger antes mesmo de o filme ir para os cinemas. E com toda razão. Ledger não apenas tem em Batman – O Cavaleiro das Trevas o melhor papel de sua vida (já acabada), tem uma personificação memorável. Fica evidente, durante o filme inteiro, que todos os méritos do Coringa são dele. Ledger conduz com maestria os momentos que lhe são proporcionados e seus trejeitos são impecáveis. Mas tudo sem nunca cair no exagero. Sem falar, é claro, que ele é ajudado por um grande filme que tem vários aspectos positivos para favorecer sua trajetória bem-sucedida. Seu personagem pode até não ter um desfecho satisfatório (só eu reclamo disso?), mas isso é  mero detalhe perto da atuação do ótimo Ledger.

Paul Dano como Eli Sunday em Sangue Negro

melhdanEsse é um jovem talento que ainda é meio subestimado por parte da crítica especialiazada. Já realizou filmes bem sucedidos como Pequena Miss Sunshine (e já merecia uma indicação ao Oscar, mais que seu companheiro Alan Arkin) e agora volta a acertar com Sangue Negro. Muitos julgam o seu papel no filme de Paul Thomas Anderson como exagerado (até porque o fanatismo religioso do personagem tem bastante disso), mas a verdade é que Dano captou muito bem a essência da figura que interpreta. Mesmo competindo em cena com um perfeito Daniel Day-Lewis, ele consegue seu espaço em cena. Isso já acaba sendo uma prova do quão competente é a atuação de Dano. Merecia mais respeito por seu momento em Sangue Negro. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Ator Coadjuvante em 2006 por Pequena Miss Sunshine

Mark Ruffalo como Dwight Arno em Traídos Pelo Destino

melhmarkMark Ruffalo faz parte de um dos grandes filmes de 2008: Ensaio Sobre a Cegueira. Mas não é no projeto de Fernando Meirelles que ele tem um destaque significativo. Em um ano muito fraco entre os atores coadjuvantes, Ruffalo conseguiu se sobressair com sua interpretação no pouco visto (e subestimado) Traídos Pelo Destino. Ele tem o papel mais interessante no filme de Terry George – um homem cheio de culpa por ter causado um acidente e matado um garoto. Além de ser a figura mais trabalhada da história, o personagem dá a chance de Ruffalo mostrar mais uma vez que é um excelente ator. Se o filme tivesse feito mais sucesso ou se até mesmo não fosse tão comum, o ator certamente teria mais reconhecimento (que já merece faz um bom tempo).

David Strathairn como Arnie Copeland em Um Beijo Roubado

melhstratDavid Strathairn já conquistou meu respeito faz um bom tempo. Desde sua marcante interpretação em Boa Noite e Boa Sorte, o ator nunca caiu na qualidade. Sua participação em Um Beijo Roubado é bem restrita (e o filme não chega a ser mais significativo), mas temos aqui mais uma prova de sua enorme competência. Seu papel é basicamente clichê – um homem com problemas de bebida que não consegue esquecer um amor do passado – mas Strathairn humaniza a figura de tal maneira que o resultado acaba sendo hipnotizante a todo momento que ele aparece em cena. A química com sua companheira de tela, Rachel Weisz (igualmente excelente, e até melhor), só ajuda na qualidade. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Ator Coadjuvante por O Ultimato Bourne em 2007.

Os visitantes discordaram da opinião do Cinema e Argumento e elegeram Batman – O Cavaleiro das Trevas como o melhor na categoria. Abaixo, a opinião dos visitantes, na pesquisa realizada:

  1. Heath Ledger – Batman: O Cavaleiro das Trevas (53%, 19 votos)
  2. Javier Bardem – Onde Os Fracos Não Têm Vez (39%, 14 votos)
  3. Paul Dano – Sangue Negro (8%, 3 votos)
  4. David Strathairn – Um Beijo Roubado (0%, 0 votos)
  5. Mark Ruffalo – Traídos Pelo Destino (0%, 0 votos)

Melhores de 2008 – Montagem

art08

A montagem de Onde Os Fracos Não Têm Vez confere muita agilidade para o conflito entre Llewelyn Moss (Josh Brolin) e Anton Chigurh (Javier Bardem). O mais interessante, porém, é que o trabalho dos irmãos Coen na edição não fica com qualidade apenas no setor de ação. Cada cena foi montada de forma espetacular, especialmente aquelas que envolvem os tensos diálogos que o personagem de Javier Bardem trava com as suas vítimas. Provavelmente esse é o melhor aspecto técnico desse filme vencedor de quatro Oscar. Vencedor do ano passado: Babel.

edibutO Escafandro e a Borboleta / Só pelo artifício ousado de narrar boa parte de sua história através da visão do protagonista (literalmente), a edição de O Escafandro e a Borboleta já merecia ser mencionado. Realmente é um trabalho muito bonito e digno que, junto com a linda fotografa (que já apareceu aqui na lista de melhores do ano na sua categoria), consegue ser o maior atrativo do longa-metragem.

ediwalleWALL-E / Outro setor técnico da Pixar que se aprimora cada vez mais quando um novo trabalho é apresentado. A montagem de WALL-E impressiona de tão madura, com seqüências que deixam muita gente por aí com inveja. Se Ratatouille ano passado já dava sinais de brilhantismo nessa categoria, WALL-E comprova que já chegou a hora de as animações serem reconhecidas da maneira que merecem.

edibatBatman – O Cavaleiro das Trevas / Mais um aspecto fundamental para a grande repercussão de O Cavaleiro das Trevas. Não importa se são as grandiosas cenas de ação ou os tensos diálogos travados pelo vilão Coringa; o filme de Christopher Nolan é ótimo em sua montagem e é possivelmente a melhor já apresentada em uma adaptação de história de quadrinhos. Mais uma parte de um filme excelente.

edibloodSangue Negro / Com certeza não é o setor mais brilhante de Sangue Negro, mas a montagem é fundamental para a narrativa da saga de ambição de Daniel Plainview. Tal grandiosidade exposta pelo filme de Anderson é mérito da boa edição realizada no filme, que imprime ao longa a alma de uma produção que já pode ser considerada cult. Sem falar que é a produção mais madura do diretor.

Os visitantes não conseguiram se decidir e elegeram Batman – O Cavaleiro das Trevas e Onde Os Fracos Não Têm Vez como os melhores da categoria em iguais proporções. Abaixo, o resultado da pesquisa realizada:

1. Onde Os Fracos Não Têm Vez e Batman – O Cavaleiro das Trevas (29%, 5 votos)

2. O Escafandro e a Borboleta (24%, 4 votos)

3. WALL-E (12%, 2 votos)

4. Sangue Negro (6%, 1 voto)

Melhores de 2008 – Figurino

art05

Eu aceito qualquer tipo de reclamação sobre o roteiro de Elizabeth – A Era de Ouro e até mesmo da personificação apresentada pela protagonista Cate Blanchett. O que não acho justo é o lado técnico do longa ser criticado. Assim como diversos pontos do filme, a roupagem tem seus exageros, mas é um dos pontos altos do criticado longa de Shekar Kapur. Toda a grandiosidade da realeza na época em que a rainha Elizabeth I derrotou a Incrível Armada Espanhola é minuciosamente capturada pelos soberbos figurinos. A dedicação com as roupas é visível, uma vez que tudo é perfeitamente capturado em cada detalhe. E, ao contrário do que muitos dizem, o Oscar para essa categoria foi sim bastante merecido. Vencedor do ano passado: Maria Antonieta.

costumesexSex And The City / Sem dúvida alguma é o figurino mais variado (até porque a cada cena as personagens trocam de roupa) e o mais fashion dos indicados. O que me leva a não premiar Sex And The City é o fato de que as roupagens não são usados com intuito cinematográfico. Todo mundo sabe que os dólares gastos nas roupas são só pra encantar os olhos femininos e não para encantar tecnicamente como cinema.

costumeatonementDesejo e Reparação / Não é só o badalado vestido verde que a Keira Knightley usa em Desejo e Reparação que faz com que o filme esteja nessa lista. Todas as fases históricas representadas no romance-épico dirigido por Joe Wright têm grande representação através dos figurinos. Isso também se vale para a triste jornada guerrilheira de Robbie (James McAvoy) e para a tentativa de redenção de Briony (Saoirse Ronan).

costumesavagePecados Inocentes / Pecados Inocentes pode ser cafona em diversos aspectos (principalmente na trilha sonora), mas não é no figurino. Aliás, é a parte mais interessante de todo o setor técnico. Claro que todo o glamour gira em torno da figura de Julianne Moore – que tem roupas realmente acima do esperado – mas isso não importa, Pecados Inocentes acerta em sua roupagem e é um dos melhores trabalhos do ano.

costumesweeneySweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet / Colleen Atwood é uma grande figurinista e seu trabalho no musical Sweeney Todd não poderia ser menos que fenomenal. As roupas ajudam Tim Burton a imprimir o seu habitual tom sombrio na história, traduzindo todo o mistério da suja Londres representada no roteiro. Mesmo que não seja nada muito original, cada peça encanta com sua ótima competência.

Os visitantes discordaram da escolha do Cinema e Argumento e elegeram Desejo e Reparação como o melhor na categoria. O escolhido do blog, Elizabeth – A Era de Ouro, ficou em segundo lugar. Abaixo, a preferência dos leitores na pesquisa realizada:

1. Desejo e Reparação (37%, 7 votos)

2. Elizabeth – A Era de Ouro (26%, 5 votos)

3. Sweeney Todd (26%, 5 votos)

4. Pecados Inocentes (5%, 1 voto)

5. Sex And The City (5%, 1 voto)

Melhores de 2008 – Atriz Coadjuvante

art04

A grande ameaça de O Nevoeiro não reside no misterioso fato natural do título ou nos ameaçadores monstros que atacam os personagens. O maior perigo, na realidade, é a própria mente humana. Marcia Gay Harden, como a fanática religiosa Sra. Carmody, representa isso de forma inigualável. Ela é a figura mais interessante do filme de Frank Darabont, possuindo uma crescente importância na trama. No início, é apenas mais um personagem como qualquer outro. Em determinado ponto, é a figura que mais chama atenção. Marcia Gay Harden dá um show de atuação, em uma intepretação muito efetiva e que desperta diversos tipos de sentimento no espectador. Vencedora do ano passado: Imelda Staunton por Harry Potter e a Ordem da Fênix.

Cate Blanchett como Jude em Não Estou Lá

emelhcateCate Blanchett chegou em um patamar onde ninguém mais duvida de seu talento. É uma atriz completa – já tem Oscar em casa, é aclamada por diversos trabalhos e atua com muita tranquilidade em variados projetos. O desempenho dela em Não Estou Lá é uma das mais gratas surpresas de sua carreira, especialmente por ela estar interpretando uma figura masculina. O grande feito da atriz é conseguir sumir completamente dentro do cantor Bob Dylan e fazer com que o espectador esqueça que é Cate Blanchett que está na tela. Muito premiada por sua participação no filme de Todd Haynes, Blanchett mais uma vez nos presenteou com uma grande atuação. Pena que num filme não tão especial como ela. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Atriz Coadjuvante por Notas Sobre Um Escândalo em 2007.

Penélope Cruz como Maria Elena em Vicky Cristina Barcelona

melhpenVolver poderia ter sido um golpe de sorte na carreira da bela Penélope Cruz. Mas Vicky Cristina Barcelona veio provar o contrário – Penélope tem talento sim. Ela aparece tardiamente no filme de Woody Allen e seu espaço em cena é menor do que o merecido, mas a atriz aproveita cada segundo em cena, sendo o grande destaque do longa. Sem dúvida o papel favorece a atuação – a Maria Elena é engraçada, louca e brilhante – mas Penélope não se intimida e consegue dar vida para a personagem com uma notável técnica humorística e dramática. Ela chama mais a atenção que qualquer uma de suas colegas de cena. Afinal, é linda e uma excelente atriz. E aqui ela mais uma vez deixou uma excelente marca para sua carreira. INDICAÇÃO ANTERIOR: Melhor Atriz por Volver em 2006.

Saoirse Ronan como Briony Tallis em Desejo e Reparação

melhsaoiBriony Tallis é a melhor personagem do drama-épico Desejo e Reparação. O maior destaque, na realidade, é o trio de atrizes selecionado para representar as três fases da personagem. Na infância, Briony é representada por essa notável Saoirse Ronan, que tem assustadora segurança ao interpretar um papel tão difícil e complexo. Não é fácil simpatizar com sua personagem e Saoirse não consegue mudar isso. O que importa na atuação dela é que ela faz justamente aquilo que é necessário – causar diversas sensações no espectador, que fica intrigado com aquela criança tão precoce e cheia de sentimentos negativos. Ela é a atriz que traz a fase mais interessante de Briony, em uma atuação impecável, que em nenhum momento se intimida diante dos outros atores.

Romola Garai como Briony Tallis em Desejo e Reparação

melhromBriony Tallis chega na sua segunda fase com a ótima Romola Garai. Agora Briony já é consciente das atitudes erradas que tomou quando era criança e quer consertar o que fez. O problema é que ela está sozinha e ninguém quer lhe dar ouvidos. A solidão e principalmente o arrependimento da personagem são representados com grande qualidade por Romola Garai. Sua história pode até estar inserida num ato cansativo do longa, mas em nenhum momento Romola deixa a qualidade de sua história cair. Ela é uma excelente atriz e sua persofinicação de Briony é mais uma prova disso. Muito subestimada por sua participação no filme de Joe Wright, Romola merecia mais reconhecimento por uma interpretação tão bem balanceada como essa.

Pela primeira vez os visitantes discordaram da escolha do Cinema e Argumento e elegeram Penélope Cruz como a melhor na categoria. A escolhida do blog, Marcia Gay Harden, ficou em segundo lugar. Abaixo, a preferência dos leitores na pesquisa realizada:

1. Penélope Cruz (38%, 13 votos)

2. Marcia Gay Harden (32%, 11 votos)

3. Cate Blanchett (15%, 5 votos)

4. Saoirse Ronan (12%, 4 votos)

5. Romola Garai (3%, 1 voto)

Melhores de 2008 – Direção de Arte

art07

Se existe um ponto técnico que nunca causa decepção nos longas de Tim Burton, esse é a direção de arte. É bem verdade que os visuais de seus filmes parecem sempre os mesmos (com exceção de A Fantástica Fábrica de Chocolate, que tinha uma imagem colorida e alegre), contudo, sempre são encantadores. Feito, novamente alcançado, no trabalho de direção de arte de Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet. Junto com os ótimos figurinos, a ambientação, os cenários e a decoração, a direção de arte confere ao excêntrico musical um tom muito competente na parte técnica e visual. Foi merecidamente premiada com o Oscar e foi a mais interessante do ano de 2008. Vencedor do ano passado: Maria Antonieta.

artmammaMamma Mia! / É a direção de arte que também colabora para que o musical de Phyllida Lloyd tenha uma aparência tão nostálgica. A simplicidade é visível, mas é tal humildade no visual que confere ao longa um semblante atraente em todos os aspectos (especialmente nos cenários e nas belas paisagens). Mamma Mia! é como Hairspray, conquista com o pouco que tem. Moda atual dos novos musicais.

artatonementDesejo e Reparação / Outro filme em que a direção de arte é essencial para representar a época que a produção é ambientada. Desejo e Reparação faz isso com grande maestria, traduzindo épocas de forma impecável esteticamente e sendo muito minucioso em cada detalhe de sua bela direção de arte. Um trabalho certamente exemplar e perfeito para o maravilhoso filme de Joe Wright.

artelizabethElizabeth – A Era de Ouro / A direção de arte de Elizabeth – A Era de Ouro não poderia ser mais óbvia, mas nem por isso deixa de ser magistral e impressionante. Não se preocupa em ser inovadora ou ter qualquer aspecto original. Não importa, tudo funciona de maneira apropriada e em alguns momentos até enche os olhos. Só teria mais reconhecimento se o trabalho não resultasse tão óbvio.

artknightBatman – O Cavaleiro das Trevas / Essa  muitíssima bem sucedida continuação de Batman Begins é muito mais grandiosa em toda sua parte técnica, e a direção de arte contribui para essa impressão. Gotham City ficou muito mais verossímil (até porque foi filmada em locações reais) e a ação entre Batman e Coringa se desenvolve melhor por causa da bem cuidada ambientação que foi produzida pela equipe de direção de arte.

Os visitantes concordaram com a escolha do Cinema e Argumento e também elegeram Sweeney Todd como o melhor da categoria. Abaixo, a preferência dos visitantes na pesquisa realizada:

1. Sweeney Todd (48%, 13 votos)

2. Batman – O Cavaleiro das Trevas (26%, 7 votos)

3. Desejo e Reparação (15%, 4 votos)

4. Mamma Mia! (7%, 2 votos)

5. Elizabeth – A Era de Ouro (4%, 1 voto)