Melhores de 2012 – Direção

Amado e odiado, Holy Motors bebe da melhor fonte de recepção para qualquer obra: a falta de indiferença. Ninguém assiste ao filme de Leos Carax sem comentá-lo fervorosamente, seja para o bem ou para o mal. Ponto, então, para o diretor Leos Carax, que, assim, fugiu completamente da normalidade. Ousado e completamente original, ele leva o espectador para um verdadeiro delírio, desafiando-os a participar dessa mais do que inusitada experiência. Dos personagens interpretados pelo monsieur Oscar (Dnnis Lavant) aos gêneros mais variados (o filme tem direito até a um belíssimo momento musical com a cantora pop Kylie Minogue), Holy Motors é suscetível a várias interpretações – e todas elas são válidas. Em suma, Carax apresenta uma direção de personalidade forte, com objetivos bem claros na relação filme x espectador e que nunca deixa de surpreender. Não é todo dia que vemos um trabalho tão fortemente autoral e ainda assim fascinante.
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OUTROS INDICADOS:

Conseguindo se superar a cada filme, Ben Affleck tem em Argo o melhor trabalho de direção de sua carreira / Com Guerreiro, Gavin O’Connor mostra que é possível emocionar e tirar o fôlego com tramas essencialmente convencionais e até mesmo clichês / Lynne Ramsay imprime intensidade e estilo ao difícil mundo familiar de Precisamos Falar Sobre o Kevin / Se Sam Mendes não parecia uma decisão das mais atraentes para 007 – Operação Skyfall, logo ele colocou a teoria abaixo realizando nada menos que um dos melhores filmes da franquia.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Darren Aronofsky (Cisne Negro) | 2010 – Christopher Nolan (A Origem) | 2009 – Danny Boyle (Quem Quer Ser Um Milionário?) | 2008 – Paul Thomas Anderson (Sangue Negro) | 2007 – Alejandro González Iñárritu (Babel)
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. Leos Carax, por Holy Motors (33.33%, 12 votos)
2. Lynne Ramsay, por Precisamos Falar Sobre o Kevin (22.22%, 8 votos)
3. Ben Affleck, por Argo (16.67%, 6 votos)
4. Sam Mendes, por 007 – Operação Skyfall (16.67%, 6 votos)
5. Gavin O’Connor, por Guerreiro (11.11%, 4 votos)
Melhores de 2012 – Elenco

Juan Antonio Bayona pode ter muitos méritos ao insistir tanto e conseguir com que o espectador saia de O Impossível banhado em lágrimas. Mas vale lembrar: a experiência não seria a mesma sem o incrível trabalho de elenco do filme. Todos os atores têm seus momentos em cena: Naomi Watts transmite toda a angústia de uma mulher que depende do filho até para caminhar, Ewan McGregor aproveita cada minuto de seu papel ligeiramente menor e Tom Holland é de deixar qualquer um boquiaberto tamanha sua desenvoltura e segurança na hora em que precisa comandar o filme sozinho. As outras crianças também são de uma naturalidade absurda e até a única cena de Geraldine Chaplin tem um tom muito especial. Todos eles são responsáveis por boa parte da emoção de O Impossível. Convenceram individualmente, formaram uma bela família e só intensificaram com muito louvor uma das principais propostas do filme: aquela de que a tragédia é capaz de despertar o que existe de mais generoso dentro de todos nós.
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OUTROS INDICADOS:

Guerreiro não seria um drama tão verossímil sem seu poderoso elenco masculino / As atrizes são a razão de Histórias Cruzadas não cair no completo esquecimento / A química do elenco de Moonrise Kingdom deixa o filme de Wes Anderson ainda mais irresistível / O casamento entre o roteiro e os intérpretes de A Separação é para não se colocar defeito.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Tudo Pelo Poder | 2010 – Minhas Mães e Meu Pai | 2009 – Dúvida | 2008 – Vicky Cristina Barcelona | 2007 – Bobby
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Escolha do público:
1. Histórias Cruzadas (35.71%, 15 votos)
2. O Impossível (26.19%, 11 votos)
3. A Separação (26.19% , 11 votos)
4. Moonrise Kingdom (9.52%, 4 votos)
5. Guerreiro (4.76%, 2 votos)
Melhores de 2012 – Roteiro Adaptado

Conferi Precisamos Falar Sobre o Kevin antes de ler a obra original de Lionel Shriver. E a minha percepção da versão cinematográfica continuou a mesma após entrar em contato com o livro. Ainda que tenham abordagens bastante opostas (o texto de Shriver é mais movimento, enquanto o filme aposta no subjetivo), as duas obras, de certa forma, conseguem se complementar. Entretanto, comparações entre filmes e livros são apenas um bônus. O mais adequando é analisar um roteiro adaptado de forma isolada, dentro do que se propõe de forma independente para o campo audiovisual. E o roteiro da diretora Lynne Ramsay, em parceria com Rory Kinnear, consegue ser um intenso retrato de uma vida completamente devastada. No caso, a da sofrida Eva Khatchadourian (Tilda Swinton), cuja viagem ao inferno é devidamente desenvolvida pelo roteiro. Em cada detalhe e situação, somos levados para dentro da prisão emocional da protagonista. Algumas escolhas são polêmicas (a principal é o fato do jovem Kevin nunca ser humanizado, representando uma figura completamente unilateral), mas, como um todo, o resultado é um drama extremamente eficiente e, por muitas vezes, até mesmo desconfortável por ser tão franco e sufocante.
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OUTROS INDICADOS:
O ótimo casamento entre objetividade e eficiência é uma das grandes marcas do roteiro de Argo / Adaptado do curta original de Tim Burton, o roteiro de Frankenweenie é cheio de referências e certeiro no senso de diversão / Da glória à decadência, a adaptação de José Henrique Fonseca, Felipe Bragança e Fernanda Castets para Heleno pontua muito bem a vida do jogador Heleno de Freitas / Escapando das insuportáveis armadilhas indies tão comuns em filmes sobre adolescentes, o roteiro de As Vantagens de Ser Invisível acerta com louvor em importantes escolhas.
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – A Pele Que Habito | 2010 – Direito de Amar | 2009 – Dúvida | 2008 – Desejo e Reparação | 2007 – Notas Sobre Um Escândalo
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Escolha do público:
1. As Vantagens de Ser Invisível (42.22%, 19 votos)
2. Argo ( 31.11%, 14 votos)
3. Precisamos Falar Sobre o Kevin (20%, 9 votos)
4. Heleno ( 6.67%, 3 votos)
5. Frankenweenie (0%, 0 votos)
Melhores de 2012 – Ator

Trabalhar nos Estados Unidos deve ter rendido ótimos trocados para Rodrigo Santoro, mas é aqui no Brasil que ele é um grande ator. De verdade. Um dos nomes mais confiáveis, sem dúvida. Com interpretações espetaculares em filmes que marcaram época (Bicho de Sete Cabeças, Abril Despedaçado), o ator voltou a brilhar completamente frente a uma produção nacional: no caso, Heleno, de José Henrique Fonseca, que narra a glória e a decadência de Heleno de Freitas, jogador que fez história no Rio de Janeiro, seja integrando o time Botafogo ou sendo um verdadeiro furacão com as mulheres e a mídia. Impressiona a forma como Santoro emagrece e definha frente às câmeras sem deixar transparecer qualquer resquício de gestos ou expressões calculadas. É uma interpretação extremamente natural, que acompanha com perfeição o charme do jogador (e Santoro nunca esteve tão sedutor no cinema) e também seus últimos dias senis jogado em uma instituição. É um dos grandes momentos do ator, que não permite que a arrogância do protagonista seja um obstáculo. Como Heleno de Freitas, ele se entrega completamente a todas as possibilidades, convencendo a todos de que toda a fama de irresistível e difícil do jogador eram sim justificáveis. Pena que lá fora as chances para Santoro não são tão especiais como aqui…
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OUTROS INDICADOS:

DENIS LAVANT (Holy Motors)
Versatilidade é a palavra que define a interpretação do francês Denis Lavant em Holy Motors. A prazerosa alucinação que é o filme de Leos Carax pode dividir opiniões, mas isso não acontece com o trabalho do ator. Na pele de diversos personagens, ele está excepcional em cada um deles. E o melhor de tudo é que o resultado nunca se resume apenas o que vemos na excelente maquiagem: o ator atua diretamente com ela – o que, claro, é um verdadeiro presente entre os vários de Holy Motors.

GEORGE CLOONEY (Os Descendentes)
O desempenho de George Clooney em Os Descendentes comprova que os prêmios recebidos por Syriana – A Indústria do Petróleo foram prematuros. No filme de Alexander Payne, ele se desvia do esquema de interpretar a si mesmo para entregar o seu melhor momento como ator. Na pele de Matt King, o pai de família que descobre uma traição da esposa após ela entrar em coma, Clooney mostrou uma segurança admirável e conduziu com sensibilidade e sutileza todos os momentos do filme.

JEAN DUJARDIN (O Artista)
Dá para acreditar que Jean Dujardin veio diretamente do cinema mudo para os dias de hoje tamanha a sua desenvoltura ao interpretar um papel desse estilo. O francês, que chegou a vencer o Oscar 2013 por seu desempenho, brilha em O Artista, divertindo com grande naturalidade e também convencendo nos momentos mais reflexivos. Ao lado da também ótima Bérénice Bejo, ele lidera o filme de Michel Hazanavicius com méritos inegáveis.

TOM HOLLAND (O Impossível)
O jovem Tom Holland foi uma das grandes surpresas de 2012. Ele não se intimidou ao fazer dupla com Naomi Watts em O Impossível, apresentando uma força inquestionável como o verdadeiro protagonista da história. É o primeiro filme de sua carreira e, julgando pelo talento que apresentou, já podemos esperar ansiosamente por seus futuros trabalhos. Segurando sozinho o filme em certos momentos, ele é, sem dúvida, um nome para se guardar.
EM ANOS ANTRIORES: 2011 – Colin Firth (O Discurso do Rei) | 2010 – Colin Firth (Direito de Amar) | 2009 – Sean Penn (Milk – A Voz da Igualdade) | 2008 – Daniel Day-Lewis (Sangue Negro) | 2007 – Forest Whitaker (O Último Rei da Escócia)
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1. Jean Dujardin, por O Artista (39.66%, 23 votos)
2. Dennis Lavant, por Holy Motors (22.41%, 13 votos)
3. George Clooney, por Os Descendentes (15.52%, 9 votos)
4. Rodrigo Santoro, por Heleno (12.07% , 7 votos)
5. Tom Holland, por O Impossível (10.34%, 6 votos)
Melhores de 2012 – Roteiro Original

2012 foi um ano interessantíssimo para os roteiros originais, mas, por melhor que todos sejam, nenhum se compara ao de A Separação. Escrito por Asghar Farhadi, que também é responsável pela direção, o roteiro é um verdadeiro exemplo de como uma história bem elaborada e atenta a todos os detalhes desde o princípio faz toda a diferença. Não que A Separação não tenha outros méritos (a direção é segura e o elenco é excepcional), mas o texto de Farhadi é de uma qualidade absurda: jogando o espectador de um lado para o outro entre os personagens, ele desafia o espectador a descobrir quem diz a verdade em um conflito extremamente nervoso. E nada é apelativo, já que todos os conflitos encenados são muito próximos da vida real. Um belo trabalho calcado em diálogos que, além do confronto principal entre dois personagens, ainda encontra espaço para falar sobre velhice, lealdade e casamento com extrema simplicidade e eficiência. Roteiro de dar inveja.
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OUTROS INDICADOS:
Quem disse que um filme de James Bond não pode receber aplausos também pelo roteiro? No caso de 007 – Operação Skyfall, celebrações são mais do que apropriadas / Suscetível a todo tipo de interpretação, o roteiro de Holy Motors é um completo delírio, mas instigante justamente em função desse efeito / Moonrise Kingdom é o melhor trabalho de Wes Anderson, que, em parecia com Roman Coppola, criou um texto incrivelmente prazeroso / É bom ficar de olho em Andrew Haigh, que, em Weekend, fez um retrato realista da intimidade de um casal (e pouco importa se ele é formado por dois homens).
EM ANOS ANTERIORES: 2011 – Melancolia | 2010 – A Origem | 2009 – (500) Dias Com Ela | 2008 – WALL-E | 2007 – Ratatouille
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ESCOLHA DO PÚBLICO:
1. A Separação (40.54%, 15 votos)
2. Moonrise Kingdom (32.43%, 12 votos)
3. Holy Motors (10.81%, 4 votos)
4. Weekend (10.81%, 4 votos)
5. 007 – Operação Skyfall (5.41%, 2 votos)

